NOTA PÚBLICA: SOBRE AS DECLARAÇÕES DE LÚCIO MOSQUINI
As
recentes declarações de Lúcio Mosquini em Rondônia confirmam que o agronegócio
é o principal inimigo do meio ambiente do Brasil. Não apenas porque são
responsáveis por 75% das emissões de gases de efeito estufa do país, mas porque
impedem as respostas políticas necessárias para reduzir as mudanças climáticas
e as catástrofes provocadas pelo aquecimento global.
São
os pequenos agricultores que produzem a maior parte da comida para os
brasileiros, não os grandes produtores, voltados à demanda econômica de
commodities destinadas à exportação, à custa da expansão descontrolada das
áreas de terra das fronteiras agrícolas. Provocando violência e desmatamento,
aqui especialmente na região do AMACRO, no Leste do Acre e Sul do Amazonas e
nos últimos remanescentes de florestas do norte do Estado. O agronegócio ocupa
a maior parte do território estadual de Rondônia e concentra as maiores
emissões de dióxido de carbono.
E,
por outro lado, o agronegócio e a bancada ruralista, da qual Lúcio Mosquini é
um conhecido representante, também concentram a maioria parlamentar que impede
as respostas políticas necessárias para proteger o meio ambiente e frear as
mudanças climáticas.
Em
Rondônia não é diferente. Quando Lúcio Mosquini diz que “defende quem planta
e cria” (…) “enfrentando toda ideologia ambientalista” (…), não
contempla nem a reforma agrária, nem a regularização fundiária das famílias de
pequenos agricultores, em áreas consolidadas de terras públicas que faz dez,
quinze, vinte anos e mais que esperam serem assentadas.
Em
realidade, responde apenas aos interesses dos grandes fazendeiros e grileiros
de terras públicas, pois o deputado defende a ilegalidade, dizendo que vai
fazer o que seja possível para manter em Minas Novas e dentro da Reserva
Extrativista Jaci-Paraná todos os grileiros, ladrões da área de terra pública,
a maioria grandes fazendeiros. E os milhares de bois criados ilegalmente em
área de preservação, após derrubar milhares de hectares de floresta e matar,
ameaçar e expulsar criminosamente os seus verdadeiros donos: As famílias de
extrativistas, os seringueiros que viviam da seringa, de castanha e de açaí na
Resex.
Mosquini
critica a fiscalização por satélite das derrubadas, pois são efetivas em
comprovar o crime, sem precisar chegar por terra até os infratores. E critica
também os métodos de fiscalização por terra, que empregam os parcos recursos do
estado para desbaratar a atuação ilegal do garimpo, do desmatamento e da
grilagem de terras. Defende invasores das terras indígenas e esquece dos
indígenas que ainda não têm território reconhecido.
Mosquini
critica o Ibama, o ICMBio, a Funai e a atuação da PF. E critica também a
atuação do INCRA e do Governo Federal, apesar de que ele mesmo tem controlado e
financiado a atuação da autarquia em Rondônia.
E
depois vira cúmplice dos grandes grileiros e desmatadores, quando culpa das
ilegalidades a omissão do Estado, quando ele mesmo faz todo o possível para
impedir o Estado de realizar a sua obrigação de manter a legalidade e o estado
de direito.
E
agora diz que vai privatizar as florestas públicas, entregando o patrimônio do
estado e delegando em terceiros a obrigação do governo de Rondônia de proteger
as reservas estaduais.
Que
não vai mais dedicar a Secretaria do Meio Ambiente a proteger o meio ambiente,
mas vai entregar a SEDAM ao agronegócio, um dos seus principais destruidores.
E
extinguir o Batalhão Ambiental da Polícia Militar, dificultando mais uma vez a
fiscalização das ilegalidades ambientais, e o dedicando para criminalizar as
ocupações dos pequenos agricultores em demanda de reforma agrária, na contramão
das necessidades das famílias mais vulneráveis do campo de Rondônia.
Este
assanhamento contra a ecologia e contra a Criação Divina, que Deus deixou em
nossas mãos para cuidar, da terra que Deus criou para todos, não apenas para
uns poucos privilegiados, dificulta a melhor política ambiental: Deixar os
territórios indígenas e tradicionais para quem melhor os cuida. E as terras
agrícolas, para quem não usa veneno e cuida da ecologia no campo.
Ao
contrário, isola Rondônia dos esforços do mundo inteiro frente à crise
planetária e prejudica a maioria da população brasileira, que já sente os
efeitos das mudanças climáticas. Especialmente pelas devastadoras enchentes e
tempestades, pela seca, pelo calor extremo e pelo aumento das queimadas
descontroladas.
Mosquini
diz defender a alimentação, mas suas políticas acabam prejudicando não somente
as populações da beira-rio, mas também provocam a redução da produção do leite,
da roça e da alimentação saudável dos pequenos agricultores, por culpa das
secas extremas.
De
forma que as políticas contra o meio ambiente acabam sendo extremamente
irresponsáveis e prejudiciais para o Estado de Rondônia. Inclusive, deputado, a
seca também encarece o transporte pela Hidrovia do Rio Madeira. As suas
políticas acabam sendo políticas suicidas até para os grandes plantadores de
soja e pecuaristas, que veem secar os seus pastos e plantações na hora que mais
precisam da chuva.
Porto Velho-RO, 07 de novembro de 2026.
COMISSÃO
PASTORAL DA TERRA
Regional Rondônia
[1] Declarações do dia 5 de novembro de 2026.
Fontes: OLIVEIRA, Robson. Podcast Resenha Política #179 – Dep. Federal Lucio
Mosquini – Parte 1. PIRES, Sérgio. Sedam será parceira de produtores e
terá Polícia do Agro em Rondônia. Disponível em: https://www.tudorondonia.com/noticias/sedam-sera-parceira-de-produtores-e-tera-policia-do-agro-em-rondonia,164646.shtml.
Foto: Porto da Aldéia Serrinha, povo tupari na TI Rio Branco, Alta Floresta do Oeste RO. Arquivo da CPT RO

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