Vitória dos posseiros da Fazenda Paredão de Machadinho-RO

Fotoda Ass. Abílio Campos
    Eles enfrentam violência e fazendeiros defendidos pelo advogado Willer Tomaz de Souza, de Brasília, (o amigo de Flávio Bolsonaro), porém os seus advogados, com ajuda da DPU e MPF conseguiram decisão favorável da justiça. A Procuradoria Federal Especializada do INCRA, apenas sob o comando do atual governo Lula, finalmente se posicionou reivindicando o retorno efetivo da posse da área que já estava destinada desde 1995 para os pequenos agricultores. Em reuniõ no local realizada em 22 de Outubro de 2026,  o INCRA anunciou a regularização fundiária da área. Dezenas de famílias de posseiros da terra comemoram esta vitória na disputa sobre a terra pública grilada em Machadinho pelos japoneses da Fazenda Paredão. 

    O conflito pelo Projeto de Assentamento PA União desde 2006 têm enfrentado diversos acampamentos ao poderoso grileiro Sérgio Sussumu Suganuma, o Sérgio da Paredão, pecuarista presidente da Associação Rural de Rondônia, organizador das badaladas festas de rodéio da EXPOJIPA, na cidade de Ji Paraná RO. O irmão dele, Nilson Akira Suganuma, do MDB, já foi prefeito do Vale do Anari RO, condenado por improbidade administrativa.  Para confundir a opinião pública, eles batizaram a área grilada em Machadinho, próxima do distrito do Quinto BEC, com o mesmo nome da antiga Fazenda Paredão, que está no vizinho município do Vale do Anari.

    Após decisão judicial em agosto, uns 600 alqueires de terra ocupada devem ser regularizados para os poseiros do Acampamento Abílio Campos, arredor de 78 famílias que desde 2006 começaram a ocupar e produzir no PA União. O antigo Seringal União era uma área desapropriada em 1995 para fins de reforma agrária, onde foi criado em 12/08/1996 mediante Portaria nº 0059/96 o Projeto de Assentamento União, com capacidade inicial para receber 287 famílias e, posteriormente, ajustado para 584 famílias. Seu status atual seria de “assentamento em consolidação” e o PA União tem registro ativo no Cadastro Ambiental Rural (CAR) em Machadinho D'Oeste/RO, com 26.135,08 ha de área.

    A demora na regularização fundiária parece ter sido consequencia de décadas de omissão do INCRA para tomar posse e assentar esta área, apesar que já tinha sido desapropriada e criado o projeto de assentamento. E apesar da teimosa demanda de diversos acampamentos, o INCRA demorou em intervir judicialmente e manifestar na justiça o seu interesse nesta área da União, permitindo que os processos voltassem da competência federal para a esfera estadual, incusive com uma decisão do próprio STJ.

    E o pior, ao mesmo tempo que o conflito passava por uma intesa disputa jurídica, envolvendo a competência da justiça estadual, da justiça federal e do STJ, o local era palco de muita violência pela posse da terra, tendo a CPT RO registrado o assassinato de duas lideranças do acampamento, conhecido na época como Acampamento Canaã 2, em 2012:

- Gilberto Tiago Brandão, foi atirado no 23 de fevereiro de 2012 nas proximidades do Distrito do Vº BEC e morreu o sábado seguinte no Hospital João Paulo II de Porto Velho.

- Ercias Martins de Paula,  assassinado o dia 01 de março de 2012.

    Mas segundo os acampados no local já tinham matados três companheiros em 2010, conhecidos como: “Afranio”, “Gringo” e “Cabelo”. 

    Na região, em 26 abril de 2013, a Comissão Nacional de Combate a Violencia ordenou a realização de patrulhas policiais na área da Fazenda Paredão e Acampamento Canaã 2, tentando cohibir novas violências.

    Em 26 julho 2014, através do Ouvidor Agrário do INCRA de Rondônia Erasmo Tenório, teria sido negociado um acordo duvidoso, oferecendo regularizar a imensa fazenda grilada em troca  de ceder apenas 600 h. a um grupo de ocupantes de 30 famílias, ligadas ao STTR de Machadinho do Oeste. Outro grupo, o Acampamento Cajueiro, com outras 35 famílias, ligado ao LCP foram deixadas de fora, com a promesa de serem assentadas em outro lugar. Porém em realidade foram violentamente despejadas e o acampamento deles queimado. O acordo finalmente foi desfeito, pois o setor jurídico do INCRA manifestou a ilegalidade da barganha. Mesmo assim as primeiras 30 famílias permaneceram na área. 

    Em maio de 2015, há registros de uma novo acampamento que foi objeto de violência em 15 de maio de 2015: Um grupo formado pelo menos por cinco homens armados e encapuzados invadiram o acampamento, que já estava instalado na área do PA União, expulsaram violentamente as famílias, matando animais domésticos, ateando fogo em sete casas e em quatro motocicletas dos acampados. Segundo ata de reunião da Comissão Nacional de Combate a Violência, presidida pelo Desembargador José Gercino, até veneno teria sido jogado no poço onde os acampados retiravam água para beber.



    Em 5 de maio de 2016 o acampamento foi novamente despejado por ordem judicial. Porém em  2021 aumentou novamente a ocupação, com um grupo que foi orientado a sair da Resex Aquariquara, passando a se denominar Acampamento Abílio Santos, com 110 famílias.

    Em 17/08/2021 (BO 177770180821) há registro de grave agressão a um jovem acampado que foi espancado, assim como reiteradas ameaças a 83 famílias   de posseiro, fatos dos quais foram acusados 09 homens com farda da polícia civil e duas camionetes pretas.

    Enquanto o processo tinha passado a esfera federal, em abril de 2023, após decisão do STJ de retornar a lide a competência do estado do Rondônia, inesperadamente em 24 h o juiz de Machadinho ordenada nova ordem de reintegração de posse. Porém os acampados junto aos seus advogados, com apoio da Comissão Pastoral da Terra, a CPT regional de Rondônia, recorreram a Defensoria Pública da União e ao Ministério Público Federal, assim como a DPE de Machadinho, conseguindo reverter no agravo a decisão de despejo. E finalmente, a Procuradoria Especializada do INCRA de manifestou pelo interesse na área que sempre foi pública, Terra da União.

    Ainda, um dos donos da Fazenda Paredão, grilada em Machadinho, conhecido como Sérgio da Paredão, atualmente está fugitivo da justiça desde setembro deste ano de 2026. Ele está sendo acusado de ter se envolvido em outro confito da região, na Fazenda Tucumã de Cujubim RO. Ele é acusado de ter intermediado e gerenciado a contratação de policiais e pistoleiros para o seu antigo empregador, o empresário de Ji Paranã Paulo Iwakami. Ele tinha comprado tambémuma fazenda grilada de terra pública na Linha 114, entre Cujubim e Rio Crespo, também reivindicada por um grupo de trabalhadores sem terra. Após o despejo judicial do mesmo, em janeiro de 2016 cinco pessoas do grupo foram perseguidas e duas delas não conseguiram voltar em casa, sendo assassinadas. Sergio Sussumu Suganuma foi preso preventivamente, mas depois o julgamento que o tinha condenado a mais de 8 anos de cadéia foi anulado, sendo sucessivamente adiado por mais de dez anos.

O fugitivo Sérgio da Paredão

    Agora, em setembro de 2026, novamente foi adiado o julgamento em Ariquemes dos crimes da Fazenda Tucumã, por desistência na hora dos advogados da defesa. A justiça ordenou a prisão preventiva dos acusados. Sérgio, que assistia on line, não se apresentou e a polícia civil de Rondônia divulgou cartaz pedindo informações para a prisão dele, sendo considerado fugitivo da lei.



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