Povo Puruborá Reafirma sua Ancestralidade, cultura e resistência com a reconstrução da Maloca Sagrada
Povo Puruborá Reafirma sua Ancestralidade, cultura e resistência com a reconstrução da Maloca Sagrada
Por Rosiane Inácio Chicuta
A luta pela memória, pela cultura e pelo território segue viva entre o Povo Puruborá. Em julho de 2026, durante a 26ª Assembleia do Povo Puruborá, a Comissão Pastoral da Terra de Rondônia (CPT-RO) esteve junto à comunidade em um momento marcado pelo fortalecimento da organização, pelo diálogo, pela celebração e pela reconstrução da Maloca Sagrada, na aldeia Aperoi, Território Ywyi Ityinã.
FOTO: CHICUTA. Rosiane da S. Inácio
Mais do que uma construção física, a Maloca Sagrada representa um espaço de memória, ancestralidade, espiritualidade, identidade e resistência do Povo Puruborá. Sua reconstrução reafirma a força de um povo que mantém viva sua história e seus saberes, fortalecendo a cultura e a ancestralidade para as novas gerações.
A Maloca é também um espaço de fortalecimento da luta e da defesa dos direitos do povo Puruborá, de seu território e de sua cultura. É um lugar onde a memória ancestral se encontra com o presente e onde se reafirma o protagonismo dos povos indígenas na defesa de seus modos de vida e de seus territórios.
Ancestralidade que permanece viva
Nos dias 22 e 23 de agosto de 2026, a CPT-RO também marcou presença na tradicional festa do Povo Puruborá, realizada na aldeia Aperoi, no Território Ywyi Ityinã, no município de Seringueiras, Rondônia.
FOTO: CHICUTA. Marcelo
A celebração foi um momento de encontro, alegria e fortalecimento da identidade Puruborá, reunindo práticas ancestrais, cultura, tradição, saberes e sabores que atravessam gerações. A festa celebrou a força da ancestralidade e representou a expressão viva de um povo que, mesmo diante da ausência da demarcação oficial de seu território, permanece de pé, honrando sua terra, sua história e sua memória.
Foto: CHICUTA. Rosiane Inácio
Com o tema e a simbologia das “Pegadas da Ancestralidade Puruborá – Rugido da Existência”, os dias de celebração foram marcados pela valorização da identidade dos Povos da Onça e pela reafirmação da cultura como instrumento de resistência e continuidade.
Foto: CHICUTA. Rosiane Inácio
A programação também proporcionou momentos de partilha e diálogo sobre os saberes e sabores ancestrais, fortalecendo os vínculos entre as gerações e mantendo vivas práticas que fazem parte da identidade do povo Puruborá.
Foto: CHICUTA. Rosiane Inácio
A Maloca que ressurgiu das cinzas
Para encerrar esses dias de celebração, a comunidade realizou uma visita à Maloca Sagrada. O momento foi marcado por diálogo, emoção e reflexão sobre a importância daquele espaço para o Povo Puruborá.
Foto: CHICUTA. Rosiane Inácio
A reconstrução da Maloca carrega uma história de resistência. Em 2025, a comunidade havia erguido pela primeira vez o espaço sagrado, destinado à devoção, à memória e ao fortalecimento cultural. Posteriormente, a Maloca foi destruída por um incêndio criminoso.
Diante da destruição, o povo Puruborá não permitiu que sua memória fosse apagada. A Maloca ressurgiu das cinzas e, pela segunda vez, foi levantada pelas mãos e pela força do Povo Puruborá, parceiros e aliados.
Foto: CHICUTA. Rosiane Inácio
Reconstruir a Maloca é, portanto, muito mais do que reconstruir paredes. É reafirmar uma história. É manter viva a espiritualidade. É honrar os ancestrais. É fortalecer a identidade e garantir que os conhecimentos e as tradições continuem sendo transmitidos às novas gerações.
Foto: CHICUTA. Rosiane Inácio
A cada encontro, assembleia, celebração e reconstrução, o Povo Puruborá reafirma que sua história permanece viva. A luta pelo território, pela cultura, pela memória e pelo reconhecimento de seus direitos continua sendo construída coletivamente, com os olhos voltados para o futuro, mas com os pés firmes na ancestralidade.
O povo Puruborá vem enfrentando diversas ameaças e violações de seus direitos, entre elas invasões na área privada da Aldeia e desrespeito aos espaços e à identidade do povo indígena. A escola indígena, que representa um espaço fundamental para a educação, a cultura e a transmissão dos conhecimentos tradicionais do povo Puruborá, também tem sido alvo de situações de deboche e desrespeito, causando indignação e preocupação à comunidade. Diante dessas ameaças, o povo Puruborá reafirma sua resistência e exige o reconhecimento e a demarcação de seu território tradicional, como forma de garantir a proteção de suas terras, de sua cultura, de sua escola, de seus modos de vida e dos direitos das presentes e futuras gerações.
Da cinza renasce a memória. Da memória, resistência. E da resistência, a continuidade de um povo.
A CPT Rondônia esteve junto nas pegadas da Ancestralidade Puruborá que nos dias 22 e 23 de agosto celebrando com grande festa a memória, a tradição e a resistência do Povo Puruborá no Território Sagrado Ywyi Ityinã na Aldeia Aperoi, localizada em Seringueiras, Rondônia.
A festa celebrou a força da ancestralidade e representou a expressão viva de um povo que, mesmo diante da ausência da demarcação oficial de seu território, permanece de pé, honrando sua terra, sua história e sua memória.
A programação também proporcionou momentos de partilha e diálogo sobre os saberes e sabores ancestrais, fortalecendo os vínculos entre as gerações e mantendo vivas práticas que fazem parte da identidade cultural do povo Puruborá, como a visita à Maloca Sagrada que em 2025 foi erguida e logo depois incendiada por criminosos. A reconstrução da Maloca carrega uma história de resistência. Ela é o espaço sagrado, destinado à devoção, à memória e ao fortalecimento cultural de um povo.
Celebrar e defender os territórios tradicionais é garantir a sobrevivência física, cultural e espiritual dos povos indígenas e comunidades tradicionais, que veem na terra a extensão da própria vida.
Pela demarcação já!
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