quinta-feira, 25 de junho de 2020

CPT – RO promove Live para analisar conflitos no campo e a situação jurídica.



 A Comissão Pastoral da Terra – Regional Rondônia, realizará uma Live nesta sexta-feira, dia 26 de junho, às 17h (horário de Rondônia) para dar continuidade na análise dos dados do Caderno de Conflitos no Campo em  Rondônia e a situação jurídica no Estado.

A Live terá a participação da Samara Y. Yassine Dalloul - Procuradora da República, Valdirene Oliveira – Ouvidora Externa da Defensoria Pública do Estado e  Adilson Alves Machado – Membro da Coordenação e Agente de Conflitos Agrários – Comissão Pastoral da Terra/RO.  

O encontro também contará com a contribuição de convidados:  Pedro Fernandes - Assentamento Nossa Senhora Aparecida e Josias de Assis – Assentamento Gleba Corumbiara, que, através de seu testemunho e denuncia representarão o cenário dos conflitos agrários da região.

A live terá dois momentos. No primeiro será realizada a análise de Conflitos no Campo em Rondônia e a situação jurídica no Estado.

No segundo momento os convidados relatarão, por meio de seus testemunhos e denúncias, os impactos promovidos pela ausência de políticas públicas voltadas à reforma agrária, bem como a negligência das políticas existentes, ressaltando o reconhecimento do direito ao Território e a Cultura dos povos.

Acompanhe a Live

A transmissão ocorrerá nos canais da Comissão Pastoral da Terra no Facebook  e no Youtube.
Links para acesso da live:

                           

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Espiritualidade cristã em tempo de isolamento, pelo cardeal Tolentino

Uma espiritualidade em tempos de pandemia, o que é, ou melhor, o que pode ser?
Porque, no fundo, estamos no improviso. É interessante que, muitas vezes, na coreografia, na dança, se usa o improviso; não gostamos muito, porque preferimos uma vida conduzida por um guião; um improviso faz-nos viver o aberto; e para começar a falar do que é a espiritualidade em tempos de isolamento provocado pela pandemia, tenho de dizer isto: o futuro chegou de supetão, o futuro chegou achando-nos impreparados. Nenhum de nós sabe como lidar com esta situação. Sentimo-nos, todos, mais vulneráveis, mais precários.

À primeira vista, dizemos: aquilo que nos aconteceu é uma distopia; é uma calamidade; é o contrário da graça. E, contudo, em termos de fé, temos de olhar para este cronos, que parece devorar a nossa força e a nossa esperança, como a possibilidade de um káiros, a possibilidade de uma graça.

Este é um tempo de kénosis, de esvaziamento, um tempo de silêncio, um tempo em que, talvez, sintamos uma incerteza muito grande, um tempo de crise, um tempo em que parece que a vida vem menos. Um tempo precário.

Mas eu lembraria que a mesma raiz etimológica aproxima as duas palavras: precare, rezar, em latim, e precarium, o destino daquilo que é frágil. A espiritualidade não se constrói com a força. Jesus ensinou-nos isso com o mistério da sua Páscoa. Porque tudo tem de passar pelo mistério da cruz. E, por isso, este tempo, que parece só de calamidade, temos de o interpretar de um ponto de vista teológico e espiritual como um tempo de graça.

A pandemia descobriu, revelou, uma doença, que são, no fundo, os nossos estilos de vida, onde já não há alugar para o humano, não há lugar para o encontro, não há lugar para o transcendente, não há lugar para uma vida interior rica, digna desse nome, não há lugar para uma oração

Como é que este pode ser um tempo de graça? Na oração que o papa organizou, na praça de S. Pedro, sexta-feira [27 de março de 2020], que muito nos impactou, ele escolheu ler o texto do Evangelho da tempestade acalmada. E no meio da tempestade, os discípulos perguntam a Jesus: Senhor, não te importas que morramos? É uma pergunta. E este é o tempo das perguntas, e das perguntas fundamentais.

Se eu tivesse de sublinhar um ponto muito positivo desta experiência exigente que estamos a viver, é a qualidade das perguntas que escutamos.
É como se vencêssemos a banalidade, e as perguntas que ouvimos fazer uns aos outros são muito mais intensas, muito mais carregadas de sentido.

É curioso que aqui, em Itália, no início da pandemia, abriram-se gabinetes de apoio psicológico. E muitos idosos telefonavam, dizendo isto: eu não consigo rezar. E, de facto, este começou por ser um tempo em que parece que não era possível uma vida espiritual. Depois, descobrimos o contrário: que este tempo é de uma grande intensidade espiritual. E qual é o termômetro para perceber isso? São as perguntas, a radicalidade, a força das perguntas fundamentais que estamos a fazer.

Pegando no discurso do papa, há que dizer a verdade: não é a pandemia que nos adoeceu; nós já estávamos doentes. A pandemia descobriu, revelou, uma doença, que são, no fundo, os nossos estilos de vida, onde já não há alugar para o humano, não há lugar para o encontro, não há lugar para o transcendente, não há lugar para uma vida interior rica, digna desse nome, não há lugar para uma oração. Tudo é cronometrado, tudo passa pelo taxímetro.

Tenho um casal amigo - e é muito belo ouvir as histórias que se passaram nas famílias, porque, de certa forma, uma das coisas que este isolamento trouxe, é a redescoberta da família. Pelas primeira vez muitos casais, muitas famílias, passaram juntas um tempo de qualidade como não passavam há muitos anos, ou como nunca tinham passado – no qual um menino de cinco anos, à mesa, disse isto: eu acho que percebo o que estamos aqui a fazer; estamos aqui a criar memórias. Por vezes as crianças são antenas que nos ajudam a perceber o que estamos a fazer.

Não podemos olhar para este momento apenas como um parêntesis, como uma suspensão, e depois vamos voltar a viver tudo o que vivíamos – isso não é ajustado à realidade. Temos de encontrar novas linguagens; este tempo é um laboratório. E temos de ouvir o futuro, que já está aqui, porque, como diz Santo Agostinho, há um presente do futuro

Este é um tempo de graça, é um tempo para a graça, é um tempo de maior gratuidade, e é um tempo para criar. Não é só um tempo para “descriar”; não é só a passividade, não é só o não fazer; é um tempo propício, oportuno. Por isso, há aqui um chamamento a modelar o tempo do ponto de vista da fé.

Um dos princípios que o papa Francisco repete muitas vezes é: o tempo é superior ao espaço. Parece uma sentença muito filosófica, e que não tem uma leitura fácil, imediata. Contudo, neste tempo de isolamento social, percebemos isso: o tempo é superior ao espaço. Aconteceu uma espécie de recuo.

A mística judaica fala numa espécie de “tzimtzum”, parece uma coisa brincada. O “tzimtzum” é uma coisa inventada a partir das leituras da Cabala, segundo a qual Deus, para poder criar, teve de dar um passo atrás, teve de se despojar de si mesmo para poder criar. Esta ideia foi retomada por autores tão importantes na segunda guerra mundial como Simone Weil, que disseram, precisamente: o tempo da catástrofe parece um tempo em que Deus recua, dá um passo atrás; contudo, é um tempo para descobrirmos o Deus da ternura, o Deus da misericórdia, o Deus próximo, o Deus comprometido com a pessoa humana, o Deus que está ao lado da vítima, ao lado do que sofre; porque o próprio Deus vive este recuo.

É uma ideia curiosa, que nos deixa a mística judaica, e que nos ajuda a pensar o que está a acontecer com o espaço; está a acontecer o nosso “tzimtzum”, damos um passo atrás para, também, ter uma visão crítica em relação ao modo como habitamos o espaço. Porque, muitas vezes, é pura ocupação de espaço, pura marcação de território, puro automatismo. É uma espécie de colonização do território da comunidade, ou do território público. É sonambulismo existencial.

O “tzimtzum” permite olhar para o tempo, não tanto para o espaço, e ouvir os múltiplos tempos que existem dentro de nós. Santo Agostinho, nas Confissões, fala de três presentes: o presente das coisas passadas, o presente das coisas presentes, e o presente das coisas futuras. O tempo é superior ao espaço.

Uma última dimensão que queria sublinhar é que este tempo de isolamento é muito intenso de relação. E é um tempo de intensificação da relação. Porque é muito viciante, e é um jogo viciado, acharmos que só existe uma forma de presença, ou que a ausência tem sempre o mesmo sentido; que a distância e a proximidade se leem de uma forma unívoca. Não

Este é um tempo de grande escuta espiritual. Este é o momento para percebermos que a vida não se esgota no momento, no instante, na arquitetura do quotidiano, mas que a vida tem uma respiração muito maior. E nós temos de ouvir os passos do futuro, e dialogar com o futuro de outra forma.

Não tenho dúvidas de que entramos numa nova época da história. A pandemia vai passar. Mas nós já estaremos outra época. Culturalmente noutra época.

Civilizacionalmente noutra época. Mas também espiritualmente noutra época da história. É importante que em termos da espiritualidade também nos preparemos para entrar nesse tempo novo, que já é o tempo que estamos a viver. Por isso, não podemos olhar para este momento apenas como um parêntesis, como uma suspensão, e depois vamos voltar a viver tudo o que vivíamos – isso não é ajustado à realidade. Temos de encontrar novas linguagens; este tempo é um laboratório. E temos de ouvir o futuro, que já está aqui, porque, como diz Santo Agostinho, há um presente do futuro.

Uma última dimensão que queria sublinhar é que este tempo de isolamento é muito intenso de relação. E é um tempo de intensificação da relação. Porque é muito viciante, e é um jogo viciado, acharmos que só existe uma forma de presença, ou que a ausência tem sempre o mesmo sentido; que a distância e a proximidade se leem de uma forma unívoca. 

Não. Muitas vezes estamos próximos e estamos completamente ausentes; muitas vezes encontramo-nos e só esbarramos uns nos outros; muitas vezes estamos em comunidade e somos ilhas, não arquipélagos. E este é um tempo para redescobrir e retrabalhar as histórias de amor. E eu não tenho dúvida de que este tempo faz-nos descobrir tanto, tantas posibilidades.

Na história da cultura do século passado, vemos que grandes obras da literatura, da filosofia, da música, da pintura, da espiritualidade, aconteceram em contextos dramáticos, como o que estamos a viver. Franz Rosenzweig, o grande filósofo, escreveu a sua Estrela da redenção nas trincheiras da primeira guerra mundial; Messiaen escreveu a sua obra mais famosa, o Quarteto para o fim dos tempos, num campo de concentração. A Guernica, um dos símbolos da arte do século XX, foi escrita no impacto da guerra civil espanhola.

Este não é um tempo para a pura sobrevivência, este é um tempo para sonhos grandes, para projetos maiores do que nós, é um tempo para dar passos novos, para ensaiar novos caminhos, para sair da caixa, para reinventar o formato, para descobrir novas linguagens. É um tempo para sentir coisas que, possivelmente, até aqui não sentimos

Uma das grandes místicas do século XX é, sem dúvida, Etty Hillesum, esta jovem holandesa judia, muito próxima do cristianismo, laica e crente ao mesmo tempo, que, podendo escapar do campo de concentração, se oferece como voluntária para nele trabalhar, e nele acaba como prisioneira. E Etty Hillesum diz esta coisa espantosa: este tempo em que parece que a nossa alma soçobra, este é o tempo para olhar os lírios do campo.

Há um desafio enorme neste tempo. E vemos a quantidade de histórias de amor, pequenas histórias, os médicos, os enfermeiros, o pessoal técnico, as pessoas dos laboratórios, tantos sacerdotes, tantas comunidades; mas não só: tantos gestos de amor: as pessoas que dizem, nos seus prédios, aos mais idosos, que vão fazer as compras; aqueles que não querem deixar ninguém para trás; todos esses gestos de amor são alguma coisa que está a transformar este tempo numa catedral.

Como é que eu vejo a espiritualidade neste tempo de pandemia? É um tempo de kénosis, mas também de graça; é um tempo de grande precariedade, mas é um tempo para descobrir o precare, a força da oração; é um tempo para voltar às grandes perguntas; é um tempo para criar memórias, para ouvir o futuro, para perceber que o tempo é superior ao espaço.

Podemos pensar: este é um ano para esquecer; este é um ano de vida adiada. Há um grande poeta de língua portuguesa, António Ramos Rosa, que tem um verso maravilhoso:
«Não posso adiar o coração para outro século». Este não é um tempo para a pura sobrevivência, este é um tempo para sonhos grandes, para projetos maiores do que nós, é um tempo para dar passos novos, para ensaiar novos caminhos, para sair da caixa, para reinventar o formato, para descobrir novas linguagens. É um tempo para sentir coisas que, possivelmente, até aqui não sentimos.

Eu dou um exemplo da porta ao lado. O papa gosta de falar da santidade da porta ao lado. Na praça onde está a casa onde vivo, estão algumas pessoas sem-abrigo. E, claro, eu procuro ser cuidadoso, ser humano e ser próximo. Mas a verdade é que quando nós temos uma casa, e estamos a falar com uma pessoa sem-abrigo, há uma diferença: nós não estamos completamente naquela situação. Para mim, uma das coisas extraordinárias foi, no primeiro mês após a pandemia, sair de casa e perguntar «como está?» à senhora que dorme na rua, e ela perguntar-me: «E você, como está?». E a pergunta era igual. Porque estávamos no mesmo barco, debaixo da mesma tempestade. Penso que esta aprendizagem é de uma riqueza espiritual que nos pode ajudar muito.

Card. José Tolentino Mendonça

quinta-feira, 18 de junho de 2020

35ª Semana do Migrante "Onde está teu irmão, tua irmã?”



O convite para celebrar a Semana do Migrante é uma oportunidade para aprofundar nossa espiritualidade profética e nosso compromisso com o Evangelho de Jesus Cristo, com a transformação social e com a vida daqueles e daquelas que mais sofrem, cultivando a esperança, a solidariedade e o amor fraterno.

Em sua 35ª edição, diante do cenário de crescentes fluxos migratórios, da crise sanitária e social que se intensificou para a população migrante no Brasil, com a pandemia de Covid-19, a iniciativa propõe o tema Migração e acolhida.

"Onde está teu irmão, tua irmã?” é pergunta que faz o lema bíblico da 35ª edição da "Onde está teu irmão, tua irmã?” evento que há mais de três décadas mobiliza pessoas, grupos e comunidades para desencadear ações que promovam acolhida, integração, defesa de direitos, além de partilha, no campo das experiências sagradas e multiculturais de todos os povos.
Somos a Igreja viva   e peregrina, e em todos os tempo, principalmente neste que estamos atravessando, faz-se necessário e de suma importância refletir sobre a realidade de nossos irmãos e irmãs que precisam de apoio e espírito de fraterno e solidário.  “O próprio lema nos motiva a vivenciar a solidariedade, a compaixão, precisamos testemunhar o Evangelho”.
A inspiração bíblica no lema, a partir do livro do Gênesis, nos inquieta ao que Deus nos interpela: ‘Onde está o teu irmão, tua irmã?’ (Cf. Gn 4,9).  “Qual é minha, a sua resposta a Deus? É a mesma resposta de Caim que interpela a Deus dizendo: ‘Por acaso eu sou o guarda do meu irmão?’ Ou nossa resposta é afirmativa: Eu sou guarda do meu irmão. Precisamos nos lembrar que somos humanos e necessitamos uns dos outros. Muitas vezes, acabamos não agindo como irmãos uns dos outros, e nem nos dispomos a ajudar aqueles e aquelas que estão ao nosso redor precisando de solidariedade, consolo, amizade e presença. Nestes tempos de pandemia a gente faz ações emergências, de ajuda o outro, que é expressão de amor e compromisso, mas enquanto Igreja precisamos sempre estarmos atentos, solidários e acolhedores.

Neste sentido, a Semana do Migrante desperta a nossa atenção para o aumento do fluxo migratório e das situações de refúgio nos últimos anos. Podemos observar um triste cenário que o país enfrenta com esta crise política e econômica que acentua cada vez mais  a vulnerabilidade da população empobrecida, aumenta o desemprego, a miséria, a fome e as expectativas de quem busca uma vida mais digna, e, entre os que mais sofrem, estão as pessoas em situação de mobilidade e migração, que são pessoas invisíveis para o sistema e, para elas não se efetivam nem políticas públicas, nem direitos.
A dinâmica da Semana do Migrante nos convida a  retomar o apelo da Campanha da Fraternidade 2020 que trouxe o lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10, 33-34). “Os irmãos e irmãs caídas à beira do caminho demandam de nós o olhar, a atenção e o cuidado.
 Este ano a Semana do Migrante tem um sabor de celebração, de festa, há 35 anos nascia o Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), como órgão vinculado à CNBB, já com a missão de animar e promover a Semana do Migrante todos os anos, num gesto de fidelidade à Igreja e aos migrantes.  
A Semana do Migrante acontece a partir da integração das diversas organizações que atuam no cuidado humano, na atenção pastoral e na defesa de direitos da população migrante no Brasil. Unidos, Comissão Episcopal Pastoral para Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Cáritas Brasileira, Serviço Pastoral do Migrante(SPM), em articulação com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), a Pastoral da Juventude Rural (PJR), o Serviço Jesuíta para Migrantes e Refugiados (SJMR), o Instituído Migração e Direitos Humanos (IMDH) e a Missão Paz, com o apoio da 6ª Semana Social Brasileira, mobilizam a programação com celebrações e Lives que se estendem de 14 a 21 de junho.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

A Exortação pós-sinodal "Querida Amazônia"

Estimados irmãos e irmãs,
Paz e Bem.

A Exortação pós-sinodal "Querida Amazônia" foi publicada após um longo e bonito caminho do Sínodo. O documento traça novos caminhos de evangelização e cuidados do meio ambiente e dos pobres. 

Dessa forma, como Igreja Particular inserida na realidade Amazônica, será encaminhado semanalmente um texto e um vídeo com reflexões e apontamentos do documento. 

Iniciamos com esta carta de Dom Roque e pedimos que todos e todas divulguem, interajam e encaminhem suas sugestões.

  

                           Carta compromisso     

                                                Toda a criação gente padece, como em dores de parto”. Rom 8,22.
                       
                                                                                                                                                                     Paz e bem!
Animados pela força do Espírito Santo, ‘que faz novas, todas as coisas’, me dirijo a vocês agentes de pastorais, líderes de comunidades, sacerdotes, religiosos, religiosas e a todas as pessoas de boa vontade, para assumirmos um compromisso no cuidado com a Casa Comum. Ela é nossa única morada e seus recursos são finitos. Como os seres criados terão saúde, se a ‘terra está doente?’, nos alerta o Papa Francisco.

É urgente que mudemos nossa forma de pensar e de consumir. É necessário que recuperemos a ‘sobriedade feliz’ e cuidemos a nossa Casa Comum, como nos fala um líder indígena “se não cuidarmos da terra, ela não cuidará de nós”.

A Encíclica Laudato Si nos questionou sobre “o que estamos deixando para as gerações futuras?” (LS 160). O planeta, a nossa casa comum, grita e geme de dor, pelas inúmeras violências cometidas contra a terra e os seus habitantes. Este modelo tecnocrata e a visão mercantilista, está matando toda a possibilidade de vida da terra e de toda a humanidade, como bem falou o Papa Francisco “a vida vale mais que a economia”.

Desde a chegada dos invasores na Amazônia, seus habitantes foram e continuam sendo explorados. O processo sinodal na/da Amazônia, trouxe para o centro da reflexão e para o coração da Igreja os povos originários e amazônicos, e também, são visibilizadas as realidades presentes no nosso território, como a exploração e devastação ambiental, o etnocídio e o genocídio dos povos indígenas, a crescente migração e o aumento dos cinturões de pobreza nas periferias das cidades. Tivemos a oportunidade de mostrar também, a riqueza de seus povos, com suas culturas, espiritualidades e religiosidades.

O Papa Francisco, com a Querida Amazônia, quis e quer promover na Igreja e na sociedade uma consciência acerca da ‘ecologia integral’, tudo está interligado e interconectado, pois ela se destina a todas as pessoas de boa vontade. A orientação do Documento Final é clara e objetiva, a palavra orientativa e de ação é ‘conversão’, daí as cinco dimensões: Conversão integral, Conversão Pastoral, Conversão Cultural, Conversão Ecológica e Conversão Sinodal. O apelo a conversão nas dimensões apresentadas, é um apelo à Igreja da Amazônia e à Igreja como um todo.

Convido todas as pessoas a refletirem, a se deixarem interpelar pela Exortação ‘Querida Amazônia’, e pelas provocações da ‘Encíclica Laudato Si – sobre o Cuidado da Casa Comum’, para conjuntamente buscarmos respostas para a nossa pastoral na Igreja de Porto Velho. Ao longo dos meses seguintes vamos nos encontrar e refletir sobre a “Querida Amazônia”, que é uma carta de esperança para nós que vivemos na nesta região, como também, um apelo de conversão e compromisso no cuidado da nossa casa comum.

As paróquias, comunidades e organismos, são convidados a estudar, conhecer e interagir no site da Arquidiocese, divulgando as reflexões, as ações em defesa da vida, da terra e dos direitos dos povos amazônicos. É tempo de ser criativo e reinventar novas formas de evangelização. Aguardo as partilhas das comunidades e paróquias, de como estão trabalhando a nossa “Querida Amazônia”.

Porto Velho, 12 de junho de 2020.

Roque Paloschi
Bispo da igreja que está em Porto Velho.

Vidas indígenas importam



                                                                               
Nesta quarta-feira, 10, a frente do Palácio do Governo de Roraima amanheceu coberta com cruzes num protesto da sociedade civil cobrando do governo um plano de enfrentamento ao avanço imensurável da pandemia do coronavírus no Estado. Uma cruz em destaque chamou logo a atenção. Pintada de branco, com letras pretas a frase “vidas indígenas importa” chama a atenção de quem passa pela praça. Uma alusão à campanha internacional “vidas negras importam”, contra o racismo e o extermínio da população negra. 
A imagem desta cruz e a frase impactante me fez pensar nos meus quase 30 anos de vida na Amazônia. Neste tempo todo, aprendi muitas lições e reaprendi muitos conceitos nas andanças com os povos indígenas. Atuando por muito anos na formação de professores/as indígenas, me lembro de uma aula da disciplina de Sociologia da Educação numa turma de Licenciatura em Sociologia na cidade de São Gabriel da Cachoeira, a cidade mais indígena do Brasil.  Era julho de 2013 num curso de formação em módulos concentrados nas férias destes professores/as. Eram 60 estudantes das etinias Arapaso, Baniwa, Barasana, Baré, Desana, Hupda, Karapanã, Kubeo, Kuripako, Makuna, Miriti-tapuya, Nadob, Piratapuya, Siriano, Tariano, Tukano, Tuyuka, Wanana, Werekena e Yanomami. Uma riqueza sociocultural incrível e uma troca de saberes de valor imensurável.

As aulas eram bem descontraídas e sempre começavam com um ensinamento dos ancestrais para relacionar com o conteúdo teórico que era traduzido para o contexto indígena. Apresentavam o ensinamento nas línguas Nheengatu, Tukano, Baniwa ou Yanomami e depois explicavam em português. Numa das aulas da disciplina Sociologia da Educação, provoquei um debate sobre os processos de aprendizagem e perguntei como eles ensinavam as crianças a falar. Todos me olharam assustados. Percebi que havia falado alguma besteira.

Então, muito gentilmente a professora Mara do povo Kubeo que vivia na fronteira com a Colômbia, explicou o seguinte: “nosso povo não ensina criança falar. A gente ensina criança escutar. Se ela aprende escutar, ela aprende brincar, refletir e entender os seres que habitam os céus, as águas, a floresta e o centro da terra. Ela escuta o vento, o silêncio, o canto dos pássaros, dos sapos, das cigarras, dos grilos e aprende a diferenciar cada coisa que escuta. Primeiro ela escuta o vento, depois ela sente o vento e por último ela fala o que é o vento. Por isso, quando as nossas crianças falam, elas já sabem o que significa a palavra que está pronunciando. Diferente das crianças de vocês que aprendem falar antes de aprender escutar e sentir. Aprendem repetindo como papagaio. Isso deve ser muito triste e muito sofrido para elas. Deve ser por isso que vocês falam tanto e escutam tão pouco”.
Este ensinamento da professora Mara Kubeo me acompanha até hoje. E muitos outros saberes que aprendi com estes professores indígenas nessas trocas de saberes que fizemos no Alto Rio Negro e em outras regiões da Amazônia.

Esta semana, soube com pesar que Mara Kubeo sucumbiu ao covid-19. Ela e muitos outros professores/as daquela turma e dos demais cursos de formação superior de São Gabriel da Cachoeira. O município, com 96% da população indígena, é um dos mais afetados pelo vírus na Pan-Amazônia e está no ranking proporcional de diagnósticos de covid-19. Em 21 dias (de 18 de maio a 8 de junho) teve uma alta de 366 casos da doença para 2.299. Isso representa uma média de 511 casos para cada 10 mil habitantes. Das testagens realizadas no município, 67% tem resultado positivo. A maior taxa da Pan-Amazônia.

Estas cifras estatísticas se repetem em várias regiões da Pan-Amazônia. Entretanto, não são apenas números, cifras, quantidades de pessoas contaminadas e mortas. São pessoas, seres humanos com histórias de vida, ensinamentos interrompidos. Quantos saberes acumulados nestes professores/as enterrados prematuramente em toda Pan-Amazônia!

De acordo com a Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM, em parceria com  a Coordenadoria das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica – COICA, em seu Boletim sobre o avanço da covid-19 sobre os povos indígenas, no início de junho, uma média de 5.628 indígenas estão contaminados e 548 faleceram da doença nos últimos meses. Entretanto, essas informações podem estar muito aquém da realidade porque muitas pessoas não conseguem fazer o teste e suas mortes nem sequer são informadas.   

De acordo com o mesmo Boletim da Repam, não só corremos o risco de termos genocídio bem como etnocídio porque muitos povos têm um número reduzido de indivíduos e pode perder todos para a doença. “É urgente que não só o Estado Brasileiro (como também toda a sociedade) se mobilize para evitar a tendência que vivemos. A perda de povos indígenas é principalmente uma perda para a sociedade nacional, pois eles são os maiores responsáveis pelo equilíbrio climático e pela proteção das poucas florestas que ainda nos restam”.


*Marcia Oliveira é doutora em Sociedade e Cultura na Amazônia (UFAM), com pós-doutorado em Sociedade e Fronteiras (UFRR); mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia, mestre em Gênero, Identidade e Cidadania (Universidad de Huelva - Espanha); Cientista Social, Licenciada em Sociologia (UFAM); pesquisadora do Grupo de Estudos Migratórios da Amazônia (UFAM); Pesquisadora do Grupo de Estudo Interdisciplinar sobre Fronteiras: Processos Sociais e Simbólicos (UFRR); Professora da Universidade Federal de Roraima (UFRR); pesquisadora do Observatório das Migrações em Rondônia (OBMIRO/UNIR). Assessora da Rede Eclesial Pan-Amazônica - REPAM/CNBB e da Cáritas Brasileira.

















quarta-feira, 10 de junho de 2020

A dupla face da crise


Toda crise é sinônimo de tempestade. Feito “o diabo na rua, no meio do redemoinho”, para usar a expressão do poeta Guimarães Rosa. No céu de chumbo, escuras nuvens se adensam. Ventos contrários sopram furiosamente em todas as direções. A crise fere e redime, mescla e depura, separa e purifica. Rasga o tumor, seja para expô-lo aos olhares estranhos, quanto para curá-lo. Vira do avesso fatos e boatos, coisas e pessoas. Notícias verdadeiras e falsas se cruzam e recruzam. Dúvidas e interrogações vêm à tona. As correntes profundas, e invisíveis, atropelam as ondas superficiais, e visíveis. Perguntas e respostas trocam de lado. O lixo longamente atirado para debaixo do tapete, é varrido e se espalha por toda casa. Mágoas e ressentimentos ganham a luz do dia. Tensões e contrastes batem-se e debatem-se.
Crise é também sinônimo de situação-limite. Travessia árdua, labiríntica, acidentada. Leva caminhar, com os pés descalços, sobre pedras e espinhos. Nós antigos e novos, entraves e embates disputam tempo e espaço. Ambos se convertem em terreno fértil para sonhos e lutas, ilusões e desilusões. A crise sempre mistura e embaralha dores e esperanças, acarretando sofrimento e redenção. Aponta o caminho da cruz, e esta torna-se via de ressurreição. Sofrer uma crise é atravessar campo minado, onde não se pode correr, nem andar em linha reta. Ela faz descer ao fundo do poço; mas aí chegados, tem início a subida. No fundo do poço – ensina a sabedoria popular – há sempre uma espécie de mola que impulsiona para cima.
Situação-limite é tempo crítico, caótico, escorregadio. Predominam o medo e a angústia, a instabilidade e a insegurança. O pranto e as lágrimas cegam, isolam e paralisam. Os joelhos tremem e o chão parece fugir debaixo dos pés. As estrelas se apagam na noite fria e escura. Os marcos indicativos somem da estrada. Em meio ao nevoeiro, perdem-se o farol do porto e as referências da rotina cotidiana. “Tudo o que é sólido se desmancha no ar” (Lê-se no Manifesto Comunista de Marx e Engels). Luzes, buscas, verdades e certezas deixam-se devorar pelo vórtice ameaçador da tormenta. Acabam sendo irremediavelmente substituídas por opiniões, hipóteses, interpretações. Tudo converge sobre o olho tenebroso do furacão. Experiência e memória, sentimento e emoção, afeto e desafeto, depressão e euforia – tudo se alterna e se mescla, se funde e confunde. Prevalece a sensação de vertigem: sobre uma ponte pênsil, eis o rio endiabrado correr em turbilhões para o oceano que o há de engolir e neutralizar.
Em semelhante “cenário líquido” (parafraseando Zygmunt Bauman), do mais fundo e oculto das entranhas, emerge um vulcão de lavas e cinzas que sequer imaginávamos que pudessem fazer parte de nossa existência íntima. O vulcão, como manda sua natureza, solta no ar e ao redor o que de melhor e de pior carregamos no íntimo. Oportuniza a revelação de uma dupla face que Freud definia, respectivamente, como pulsão de vida e pulsão de morte. A pobreza, a miséria e a fome do Nordeste – escreveu Jorge Amado – constituem campo fecundo para o surgimento de santos e bandidos. Na disputa pelo pão, a luta pelo chão se acirra ou se atrofia. Facilmente tornamo-nos animais, rangendo os dentes em aberto conflito, como uma mantilha de cães sem dono diante de um osso descarnado. Resta saber para que lado da balança nos sentiremos atraídos, e isso, por sua vez, depende de uma série múltipla e complexa de fatores, que vão das propensões genéticas e culturais até vícios adquiridos. Proliferam neuroses e patologias.
A velocidade do contágio provocado pelo Covid-19, com seu rastro macabro de morte e luto, engendra essa espécie de tempo kairológico (favorável, histórico, oportuno), tanto para o bem quanto para o mal. Diante do caos ingovernável, os dois lados se revelam possíveis. Há pessoas que fazem de tal situação um momento oportuno para o ódio, a vingança, o rancor, a raiva, a agressão, o confronto e a violência – os oportunistas, propriamente falando. Outros encontram aí um solo fecundo e sem igual para a acolhida, o encontro, o diálogo, a simpatia, a compaixão, a aproximação fraterna e a solidariedade, enfim, uma revisão das relações sociais.
Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs, vice-presidente do SPM – Rio de Janeiro 09 de junho de 2020

terça-feira, 9 de junho de 2020

CPT promove live para analisar conflitos no campo na Amazônia


A Comissão Pastoral da Terra realizará uma Live para analisar conflitos no campo na Amazônia, na sexta-feira, dia 12, às 17h (horário de Rondônia) para analisar os dados do Caderno de Conflitos 2019 lançado em abril passado.


A CPT/RO promoverá na sexta-feira, dia 12 de junho de 2020, às 17h, uma Live para a análise dos dados do Caderno de Conflitos ocorridos na Amazônia e em especial em Rondônia. A live terá a colaboração da Geógrafa Amanda Michalski (CPT/RO), Gilson de Jesus Rego (CPT/PA).

O encontro também contará com a participação de convidados que representarão o cenário dos conflitos agrários da Amazônia. Contribuirão com o debate a liderança indígena Adriano Karipuna, a Presidente da Associação de Ação Popular Integrada Hortifrutigranjeiros da União (AAPIGHU) Gabriela Camargo e a Jornalista Popular Luciana Oliveira.
Testemunhos e denúncias.

A live terá dois momentos. No primeiro será realizada análise relacionada aos conflitos no campo referente à região Amazônica e reflexão desses conflitos no estado de Rondônia.

No segundo momento os convidados relatarão, por meio de seus testemunhos e denúncias, os impactos promovidos pela ausência de políticas públicas voltadas à reforma agrária, bem como a negligência das políticas existentes, ressaltando o reconhecimento do direito ao Território e a Cultura dos povos indígenas.

Acompanhe a live:   A transmissão ocorrerá nos canais da Comissão Pastoral da Terra no Facebook e no Youtube.

Links para acesso da live:  

 Comissão Pastoral da Terra                    
  
CPT Nacional

sábado, 6 de junho de 2020

Dom Roque Paloschi diz que celebrar "dia do Meio Ambiente é renovar o compromisso do cuidado"


Dia do Meio Ambiente e da Ecologia chama atenção para o cuidado do homem com a natureza.
“E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra; e assim foi. E a terra produziu erva, erva dando semente conforme a sua espécie, e a árvore frutífera, cuja semente está nela conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom”, assim está escrito em Gênesis 1:11,12, quando Deus, em sua grandiosa sabedoria realiza o mistério da criação. Desde o início a relação do ser humano, da natureza e seu Criador estão intimamente ligadas. 
Em 05 de junho é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente e o Dia Mundial da Ecologia. A data nos leva a refletir sobre os cuidados do mundo com aquilo que foi confiado aos seres humanos pelo Altíssimo. O arcebispo de Porto Velho, em Rondônia e presidente do Conselho Indigenista Missionário, Dom Roque Paloschi comentou sobre a importância da conscientização para essas temáticas e para a Espiritualidade Ecológica. 
“Celebrar o dia do Meio Ambiente é renovar o nosso compromisso no cuidado da casa comum. É urgente! Urgentíssimo que mudemos nossa forma de viver, de nos relacionar com todas as criaturas e com a criação, e também que façamos uma sensibilização para resgatar o que o papa Francisco nos chama atenção sobre a sobriedade feliz. Se a gente não cuida da terra, estaremos decretando a nossa morte”, disse. 
A data foi criada em 1974 e se tornou, ao longo do tempo, uma plataforma mundia para divulgar ações públicas pelo meio ambiente em mais de 100 países. A Organização das Nações Unidas (ONU) considera o dia de hoje como uma das datas principais do seu calendário, principalmente porque são promovidas ações ambientais, buscando sensibilizar todo o globo sobre a urgência e necessidade de proteger o planeta. Criada em 1974, a data cresceu e se tornou uma plataforma global para a divulgação de ações públicas pelo meio ambiente em mais de 100 países.
Ao longo dos séculos vemos que a utilização dos recursos e riquezas de forma irracional criou um ciclo onde todos são afetados. A natureza sofre com a ação irresponsável dos seres humanos, explorando sem consciência dos riscos e o ser humano, por sua vez, é impactado com as mudanças no clima, poluição do ar e da água. 
“Os povos indígenas chegam a dizer ‘se nós não cuidamos da terra, ela não cuida de nós. O planeta está doente porque há uma exploração exacerbada de todos os recursos. Estamos nos esquecendo que os recursos naturais são finitos, assim como nós. O coronavírus tem mostrado a nossa finitude, a nossa fragilidade, a nossa insegurança. Tudo está intimamente interconectado. Na carta encíclica Laudato Si’, 160, o papa nos interpela ‘o que deixaremos para a geração futura? Meu irmão e minha Irma,assumamos o compromisso de cuidar da nossa casa comum. A única casa que nós temos. De defender a vida, a terra e o direito de todos os povos, dos originários e amazônicos. Estejamos atentos e atentas ao grito dos pobre e da terra”, expressou.
Deus confiou ao homem a criação em sua totalidade e é nossa responsabilidade reavaliar as ações mediante a grande mãe natureza.  Ações simples como descartar o lixo em local adequado, consumir apenas a quantidade necessária de água e fazer um trabalho de recolhimento seletivo dos detritos residências, por exemplo, pode gerar um retorno extremamente positivo na relação com o meio ambiente e sua ecologia. 
As escrituras sagradas nos revelam que a: “A própria natureza criada aguarda, com vívido anseio, que os filhos de Deus sejam revelados”, na carta aos Romanos, capítulo 8, no verso 19. Por ser um presente providenciado pelo grandioso Deus, os fiéis em Cristo devem cuidar e proteger o meio ambiente e sua ecologia com amor e total zelo. Tudo que o Pai dá, deve ser tido como precioso e com a natureza não pode ser diferente. 
Espiritualidade Ecológica
O Papa Francisco, certa feita, falou sobre a conversão ecológica. Na ocasião, o Pontífice comentou: “Desejo propor aos cristãos algumas linhas de espiritualidade ecológica que nascem das convicções da nossa fé, pois aquilo que o Evangelho nos ensina tem consequências no nosso modo de pensar, sentir e viver.” (Laudato Si’, 216).
“A Espiritualidade Ecológica nos convoca a resgatar a harmonia descrita lá no livro de Gênesis ‘E Deus viu que tudo era bom. Cuidai de todos os seres criados’. Sejamos guardiões da vida, não só da minha e da sua, mas da vida de todas as pessoas e todos os seres viventes. A Espiritualidade Ecológica resgata o verdadeiro sentido da terra. Ela é mãe. Fonte de vida e providência todas as condições para todos os seres criados. A Ecologia Integral passa por um processo de conversão pessoal e coletiva, onde somos convidados a mudar nossa mentalidade, postura e coração. Nós não podemos fazer dicotomias entre a fé e a vida. Não podemos separar a dimensão social, ambiental e espiritual. Tudo está interligado nessa casa comum”, pontuou. 
O bispo salienta que as ações do tempo presente podem gerar conseqüências desastrosas à gerações futuras. “Sou do Sul do Brasil, o famoso escritor Érico Veríssimo dizia que o problema do mundo é um problema crônico: todos morrem pela barriga. Alguns poucos que comem muito e muitos que não comem quase nada. A Espiritualidade Ecológica nos leva, sobretudo, ao caminho da sobriedade feliz. Não precisamos desperdiçar, abusar. Não vamos levar nada. A nossa herança pode ser a miséria para as futuras gerações”, avaliou. 

Foto: Reprodução | CNBB