quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Acampamento Nilce de Souza Magalhães: A Esperança não morrerá!



“...Podem nos tirar tudo, menos a via da esperança.
Dom Pedro Casaldáliga – Romaria dos Mártires 2011 
Em meios aos olhares de angústia, indignação, insegurança e medo está acesa, a luz da esperança que não se apaga.
Vivemos tempos muitos difíceis, porém temos o dever cristão de manter acesa essa chama da Esperança. Como já dizia Dom Pedro Casaldáliga, durante a Romaria dos Mártires da caminhada, em 2011, em sua mensagem aos romeiros e romeiras, nós somos o povo da esperança!
 “E ainda uma palavra: há muita amargura, há muita decepção, há muito cansaço…
 Isso é heresia! Isso é pecado! Nós somos o povo da esperança, o povo da Páscoa.
O outro mundo possível somos nós! A outra Igreja possível somos nós!
Devemos fazer questão de vivermos todos cutucando, agitando, comprometendo.
 Como se cada um de nós fosse uma célula-mãe espalhando vida, provocando vida.
E como dizia o Papa Francisco em sua carta durante o segundo encontro dos movimentos sociais na Bolívia em julho de 2015: “...A Globalização da Esperança, que nasce dos povos e cresce entre os pobres, deve substituir esta globalização da exclusão e da indiferença...”.
As tensões de ameaças e de violência tem sido constantes para aqueles e aquelas que lutam por um pedaço de terra no chão de Rondônia. Por coincidência ou não, estavam marcadas duas audiências decisivas para o ultimo dia 07 de dezembro, envolvendo o Movimento dos Atingidos por Barragens/MAB: uma audiência do júri do Assassinato da Nilce de Sousa (Nicinha) e outra, a audiência de conciliação de Ação de Reintegração de posse do Acampamento do MAB que leva o nome da Nicinha.
Enquanto familiares da Nilce, amigos e militantes do MAB e outros parceiros, aguardavam na frente do Fórum , dezenas de pessoas do acampamento aguardavam na 9ª Vara Cível, pela decisão da audiência de conciliação. Decisão essa, nada favorável para as famílias, que veem na decisão do Juiz, a quebra de um sonho que é de ter a conquista da terra prometida.
Calma! Não podemos perder a esperança, dizia uma de suas lideranças, vamos para o INCRA – Instituto Nacional de colonização e Reforma Agrária, e de lá não sairemos enquanto não obtermos um compromisso para conosco. No INCRA, depois de muita conversa, conseguiram uma Ordem de Serviço, para realizar uma vistoria na área para fins de desapropriação, num prazo de 60 dias. Basta saber se o Instituto irá cumprir com esse compromisso.
… Podem nos tirar tudo, menos a via da esperança. Vamos repetir: Podem nos tirar tudo, menos a via da esperança! Dom Pedro Casaldáliga – Romaria dos Mártires 2011

Conclamamos a todos e todas promotores e promotoras da Esperança, para se unir numa só voz e fazer ecoar o grito da verdadeira e única JUSTIÇA, que tarda mais não falha.

CPT - RO

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

ANUNCIADO NOVO DESPEJO DO ACAMPAMENTO FIDEL CASTRO EM MIRANTE DA SERRA, RONDÔNIA


Apenas onze dias após da morte de Fidel, no dia 06 de dezembro de 2016, 170 famílias de sem terras do Acampamento batizado Fidel Castro II em homenagem a liderança cubana, devem ser despejadas em Mirante da Serra, Rondônia.

Crianças do Acampamento Fidel castro2 de Mirante da Serra RO
Em plena crise econômica e política, a região central do estado amazônico de Rondônia em apenas um ano tem registrado o surgimento de mais de sete conflitos de terra, originados por grupos que reivindicam áreas para fins de reforma agrária.

A ordem de despejo das famílias de Mirante da Serra foi dada sob segredo de justiça por decisão de magistrado da comarca de Ouro Preto do Oeste, que concedeu liminar requerida por Ângela Cristina Monteiro de Araújo, no processo de reintegração de posse de N. 7003373-60-2016-8-22-0004, numa causa valorada em $R 3.000.000 (três milhões) sobre a fazenda conhecida como Boi Oitenta, situada na Linha 76, km 11, Lote 62-A.

A decisão não somente ocorreu sem audiência prévia para serem ouvidas as partes do conflito, mas o advogado de alguns acampados declarou que quando requereu teve negado acesso ao processo. Na decisão o magistrado relata apenas que os pretensos proprietários apresentaram um documento público de compra e venda datado de 1995 como comprovante de posse de arredor de 1.290 alqueires de terra. Na decisão não consta nem que o INCRA, nem o Terra Legal tenham sido consultados sobre a real situação dominial da área e sobre o cumprimento da função social da mesma.

A decisão também não registra nenhum parecer prévio do Ministério Público, que é de consulta obrigatória quando a reintegração envolve menores de idade e conflito agrário, conforme determina o art. 82, do Código de Processo Civil. Pelo mesmo motivo em Guajará Mirim houve um pedido de ação rescisória que o MP de Guajará Mirim moveu contra a sentença de reintegração de posse do processo de N. 0041775-49.2009.8.22.0015, movido pela empresa "Transportes e Comércio Ana Ltda.". O magistrado apenas ordena a comunicação ao MP da decisão tomada.

E apesar de registrar a existência de um grupo organizado reivindicando a desapropriação da área, com diversos incidentes registrados em Boletins de Ocorrência e possibilidade que a situação “descambe para um conflito de proporções e consequências imprevisíveis” não foi solicitado deslocamento para a Vara Agrária.

Segundo os acampados, arredor de 10 PMs fazem de forma privada a segurança do local, fato denunciado no Conselho Nacional de Direitos Humanos em Brasília, com apresentação de uma gravação de vídeo onde aparecem alguns deles. A existência de milícias armadas pelos fazendeiros com presença de policiais e agentes penitenciários, além de pistoleiros e guaxebas contratados é fato corriqueiro nos conflitos no campo de Rondônia, que dificilmente é apurado pelas corregedorias adequadas, comprometendo a isonomia da atuação das forças de segurança do estado.

Ainda revolta as famílias que eles já tinham desocupado a área pretendida e o atual acampamento está situado numa área particular arrendada, vizinha da fazenda e situada fora do Lote 62-A, em cumprimento de uma primeira liminar de 17 de junho de 2016, fato que o magistrado não considera provado. Assim e uma segunda decisão de 10 de agosto de 2016, a reintegração incluiu além da área reivindicada para reforma agrária, mais 22 lotes da vizinhança dos dois lados da Linha 76, e das fundiárias das Linhas  72 e 80, que sequer são de posse dos requerentes.

Esta segunda liminar somente foi conhecida pelas famílias do Fidel Castro 2 no dia 29 de Novembro, quando a Polícia Militar de Ji Paraná convocou uma reunião preparatória para cumprimento da ordem de despejo, na qual está prevista a presença de mais de 100 policiais, entre eles 50 membro do Grupo de Operações Especiais de Porto Velho, GOE. Nesta reunião, para comunicar o cumprimento da ordem, sim foi convocado o advogado do grupo.

Josep Iborra Plans,  CPT RO. 

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Em defesa das comunidades urbanas, rurais, tradicionais e povos indígenas!

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 550- Edição de domingo – 13/11/2016
      
     Estamos em clima de final de ano. O ano litúrgico se encerra no próximo domingo, confirmando que a Deus o tempo pertence e dele recebemos a esperança para bem viver este momento.
A leitura dos sinais do presente expressam urgência e responsabilidade quanto às mudanças e compromissos futuros. Acompanhando a situação do povo brasileiro, que cada vez mais é excluído de seus direitos: Terra Teto e Trabalho, constatamos a desintegração e a diminuição do Estado brasileiro, constantes rupturas no processo democrático, criminalização dos movimentos sociais.  
A Proposta de Emenda à Constituição PEC 241/PEC 55, em tramitação no Senado, é injusta, antidemocrática e inconstitucional; significa a derrota de nossa democracia social; é prejudicial para a saúde pública, a educação, a previdência e os programas sociais; para os direitos trabalhistas e previdenciários; tira os pobres do orçamento.
A PEC 215 inviabiliza as demarcações de territórios indígenas e quilombolas e no Congresso Nacional, onde esta sendo submetida à aprovação, os inimigos destes povos são maioria.
Matopiba, programa de expansão da fronteira agrícola sobre o Cerrado, abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O acordo celebrado por empresários japoneses com o governo brasileiro para investimentos e exploração agropecuária na região viola diretamente territórios dos povos indígenas, quilombolas e camponeses do Cerrado.
Matopiba abrange 73 milhões de hectares que incidem sobre 28 Terras Indígenas, 42 unidades de conservação ambiental, 865 assentamentos rurais e 34 territórios quilombolas, sem contabilizar os territórios que estão em processo de reconhecimento, delimitação, demarcação ou titulação, e que seriam ainda mais gravemente afetados pela pressão do agronegócio.
Para Dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho e Presidente do Conselho Indigenista Missionário, em entrevista a Radio Vaticano, “Matopiba nos condena à destruição”. O Projeto vai atingir três biomas: a Amazônia, a Caatinga, e principalmente, o Cerrado. Vai causar o agravamento da pobreza e o abandono forçado dos territórios. Para os representantes do agronegócio, no entanto, os povos tradicionais, indígenas ou quilombolas, significam apenas um obstáculo ao desenvolvimento. Para eles, estas populações precisam ser expulsas e eliminadas, conclui dom Roque.
Representantes da Arquidiocese de Porto Velho, reunidos na 22ª Assembleia Arquidiocesana de Pastoral (Ariquemes, 5-6/11), analisaram a realidade e os desafios apresentados pela estrutura sócio-política, econômica e ambiental, sobretudo da Amazônia, destacando os pontos críticos que fragilizam a vida humana e o cuidado com nossa casa comum:
A agressão à criação por um modelo econômico predatório, o desmatamento e a mercantilização da vida e dos recursos naturais, o enriquecimento dos grandes mercados das armas, das drogas lícitas e ilícitas e do tráfico humano, que possuem grandes portas de entrada em nossa região, a má distribuição de renda, tão visível em nosso país;
O aumento do desemprego, do trabalho escravo e exploração do trabalho infantil e a violência generalizada, com os inúmeros conflitos na disputa pela terra, os altos índices de homicídio e, em especial, contra mulheres e a juventude; a mobilidade humana, do campo à cidade, e também ultrapassando as fronteiras nacionais, com destaque aos refugiados e imigrantes.
O aumento dos conflitos agrários, a exemplo do que ocorre no Vale do Jamari, onde os assassinatos são decorrentes da disputa pela terra; invasão das terras indígenas, por madeireiros, garimpeiros e loteamentos promovidos por agentes públicos, que se beneficiam de tais conflitos, a criminalização das lideranças e de movimentos sociais e o descaso com as populações urbanas, rurais, ribeirinhas e indígenas, com falta de políticas públicas no campo da educação, saúde, moradia e sustentabilidade.
Denunciando os projetos de morte, a exemplo da PEC 241 (tramitando no Senado como PEC 55), os grandes empreendimentos projetados para a região amazônica e a concentração de terra nas mãos de poucos, os delegados, na Carta Final da Assembleia, motivados pela palavra “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-o segundo a vontade de Deus” (Rm 12,1-2), assumiram o compromisso de ser Igreja solidária na defesa da vida junto às comunidades urbanas, rurais, tradicionais e povos indígenas (Plano Pastoral 2017-2020).
Neste penúltimo domingo do ano litúrgico, as leituras bíblicas alargam o horizonte e falam do “caminho rumo ao fim que todos nós temos que percorrer” (papa Francisco).
Celebramos com perspectivas da consumação do fim. O anúncio da vitória da vida está presente no último discurso de Jesus (Lc 21, 5-19). Sabemos ler os sinais dos tempos? Estamos preparados para um novo começo?
Enquanto caminhamos o Senhor nos aconselha duas coisas, que são diferentes segundo o modo como vivemos. Porque é diferente viver no momento e viver no tempo. O cristão é aquele que sabe viver o momento e o tempo. Podemos tornar-nos soberanos do momento, mas do tempo, há um só soberano: Jesus Cristo.
     A realidade do fim deve nos despertar e nos levar a refletir sobre o que importa verdadeiramente, sobre o que fica e o que passa.
     O profeta Malaquias nos ajuda a responder: a esperança ainda faz sentido? Ele, um “mensageiro de Deus” anuncia a uma comunidade desanimada que Deus não abandona seu Povo. O Deus libertador vai intervir no mundo, vai derrotar o que oprime e rouba a vida e vai fazer com que nasça o sol da justiça que traz a salvação (Ml 3,19-20a).
     E, para os acomodados, Paulo Apóstolo dá o exemplo do trabalho para o próprio sustento, ensina-nos que devemos trabalhar com firmeza permanente (2Ts 3,7-12).
 No próximo domingo, Festa de Cristo Rei, daremos inicio à Campanha da Evangelização com o tema: “Ele está no meio de nós”. Ao contemplar o Deus conosco, somos convidados a enxergar além do que vemos, percebendo as necessidades materiais e espirituais de nossas Comunidades Eclesiais e partilhando nossa solidariedade com as ações evangelizadoras da Igreja. O dia da Coleta para a evangelização será 11 de Dezembro.
No dia 20 vamos celebrar o Dia Nacional dos Cristãos Leigos, homens e mulheres de fé, chamados a assumir o compromisso de levar a palavra de Deus ao mundo.
Celebraremos com os leigos que atuam nas nossas comunidades com os casais cristãos que crescem na santidade familiar. Com as crianças que participam da catequese, que atuam na Infância Missionária, no serviço dos Coroinhas. Com os homens e mulheres que contribuem de forma indispensável na sociedade e nas responsabilidades pastorais. Com os jovens reafirmando a opção preferencial da Igreja pela juventude. Com os idosos que têm merecido atenção do Papa Francisco e dos recentes Sínodos da Família.
Queremos homenagear os cristãos leigos que fazem parte da coordenação das comunidades, que são agentes da pastoral, que participam ativamente dos serviços e ministérios. Que são líderes nas dioceses e movimentos. Que são articuladores nos movimentos, nas paroquias e nas pastorais.
Liderar é um ato de amor à Igreja. Entre tantos, há os que atuam nas pastorais e movimentos sociais, ONGs, partidos políticos, sindicatos, Conselhos de Políticas Públicas, como homens e mulheres da Igreja no coração do mundo (CNBB, doc 105).



quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Arquidiocese de Porto Velho realiza sua 22ª Assembleia


   22ª ASSEMBLEIA DE PASTORAL ARQUIDIOCESANA
    “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-o segundo a vontade de Deus”. (cf. Rm 12,2)
      05 e 06 de novembro de 2016. Ariquemes – RO.





foto: Aldadina Miranda
 A vigésima segunda assembleia da Arquidiocese de Porto Velho, reuniu aproximadamente 140 cristãos e cristãs das diversas paróquias e municípios que abrangem a Arquidiocese; refletindo sobre o Tema "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-o segundo a vontade de Deus (cf. Rm 1,2), percebemos que há ainda muitas situações de explorações que nos desafia a não nos conformarmos diante dessas violações a vida e a casa comum. 
A assembleia é um momento importante de avaliação da caminhada, de revigorar as energias, aprovar as prioridades e renovar o compromisso com a missão e a unidade da Igreja particular da Arquidiocese de Porto Velho.
foto:Aldadina Miranda
Foi aprovado o Plano de Pastoral para os próximos 04 anos, com pelo ao menos três prioridades: Missão permanente, com os olhos fixos em Jesus, a serviço da vida nas culturas urbanas, rurais e tradicionais; formação permanente de missionários para a evangelização; Pastoral de conjunto, que revele uma Igreja profética na comunhão e na participação. Também foi aprovado uma mensagem
profética e de compromisso, direcionada aos irmãos e irmãs da Arquidiocese de Porto Velho.

abaixo, carta na integra:


Ariquemes, 06 de novembro de 2016.

Aos irmãos e irmãs da Arquidiocese de Porto Velho,
Nós, Povo de Deus, vindos das diversas realidades da Arquidiocese de Porto Velho, reunidos na 22ª Assembleia de Pastoral Arquidiocesana – APA, com o objetivo de olhar a realidade atual à luz da Palavra de Deus e, a partir dela, assumir como Igreja de comunhão e participação o Novo Plano de Pastoral Arquidiocesano 2017-2020; motivados (as) pela palavra “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-o segundo a vontade de Deus” (cf. Rm 12, 1-2), convocamos a cada um (a) a sermos Igreja em saída.
Atentos (as) aos fortes apelos que vem do mundo e da Amazônia, fomos instigados a VER os desafios que são apresentados pela estrutura politica, econômica, social e ambiental, destacando os pontos críticos que fragilizam a vida humana e o cuidado com nossa casa comum: a agressão à criação por um modelo econômico predatório, o desmatamento e a  mercantilização da vida e dos recursos naturais, o enriquecimento dos grandes mercados das armas, das drogas lícitas e ilícitas e do tráfico humano, que possuem grandes portas de entrada em nossa região, a má distribuição de renda, tão visível em nosso país; o aumento do desemprego, do trabalho escravo e exploração do trabalho infantil e a violência generalizada, com os inúmeros conflitos na disputa pela terra,  os altos índices de homicídio e, em especial, contra mulheres e a juventude; a mobilidade humana, do campo à cidade, e também ultrapassando as fronteiras nacionais, com destaque aos refugiados e imigrantes.
Na nossa realidade constatamos o aumento dos conflitos agrários, a exemplo do que ocorre no Vale do Jamari, onde os assassinatos são decorrentes da disputa pela terra; invasão das terras indígenas, por madeireiros, garimpeiros e loteamentos promovidos por agentes públicos, que se beneficiam de tais conflitos, a criminalização das lideranças e de movimentos sociais e o descaso com as populações urbanas, rurais, ribeirinhas e indígenas, com falta de políticas públicas no campo da educação, saúde, moradia e sustentabilidade.
Desafiados por esta realidade, buscamos nos alimentar pela Palavra de Deus que nos exorta a não nos conformarmos com as estruturas injustas deste mundo (cf. Rm 12, 1-2), e a nos comprometermos com o cuidado da vida e da casa comum, para que não haja nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra e nenhum trabalhador sem direito, assumindo a postura de uma Igreja a caminho, discípula, missionária, profética e misericordiosa, que anuncia a Boa Nova do Reino de Deus.
Por fim, assumimos o compromisso de ser Igreja solidária na defesa da vida junto às comunidades urbanas, rurais, tradicionais e povos indígenas, e denunciamos os projetos de morte, a exemplo da PEC 241, a tramitar no Senado com o número de PEC 55, dos grandes empreendimentos projetados para a região amazônica e a concentração de terra nas mãos de uns poucos. Convocamos a todos/as os/as irmãos e irmãs da Arquidiocese de Porto Velho a reafirmar a vivência da comunhão e participação, orientados pelo Plano de Pastoral Arquidiocesano 2017-2020.
Um abraço fraterno a todos/as,
Delegados da 22ª Assembleia Arquidiocesana de Pastoral

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

AMEAÇADOS DE DESPEJO: ENTRE A LUTA E A CELEBRAÇÃO




O Acampamento Nilce de Souza Magalhães é resultado da organização e da luta dos atingidos por barragens. A mais de 30 anos a Usina de Samuel foi cravada no estado de Rondônia, deixando marcas profundas de violações de direitos.  Muitas famílias, arrancadas de suas terras, não conseguiram acessar o direito a Terra novamente.

         No dia 06 de julho de 2016, as famílias levantaram acampamento na fazenda Três Casas localizada no distrito de Triunfo,  município de Candeias do Jamari. O nome do acampamento mantém viva a história de Nicinha, militante do MAB assassinada em um acampamento próximo a Abunã onde ela e outras famílias denunciavam as mazelas criadas pela instalação das Usinas de Jirau e Santo Antônio e o descaso com os pescadores atingidos. Meses depois de encontrado, o corpo da militante segue pendente o exame de DNA para confirmar sua identidade, e só após, seus restos mortais poderão ser devolvidos a família para sepultamento.

            A área reivindicada pelas famílias, possuí um processo de desapropriação no INCRA, que vem desde 2000. E ainda que o acampamento ocupe uma área pequena e que não impede acesso, nem outras atividades que possam haver na fazenda, existe ação de reintegração de posse, cujo cumprimento estava marcado para o dia 20 deste mês, tendo sido adiado por alguns dias. Durante o período ocorreram outras tentativas de despejo, com atuação flagrantemente ilegal.
            As famílias exercem o direito de lutar para acessar um pedaço de terra que lhes permita viver com dignidade, e com isso fazer com que a terra cumpra sua função social.
            Mas a luta é formada de vários elementos, entre eles a espiritualidade que segue viva e marcada nas falas e nas vidas das pessoas. No acampamento tem pessoas de várias religiões, mas celebrar é mais profundo.



            Neste dia 18 de outubro de 2016, a Paróquia de Itapuã, o Arcebispo de Porto Velho, pessoas solidárias a esta luta e famílias acampadas, celebraram a história e a resistência do acampamento, bebendo da esperança que a Terra que é de Deus, seja a terra dos seus filhos e filhas que dela dependem para produzir, viver, e partilhar seus frutos.
            A celebração relembrou a história da usina de Samuel, da Militante Nilce que dá nome ao acampamento, e o caminho trilhado até então, na busca pelo pedaço de chão. Que o ato de celebrar fortaleça a união e organização das famílias para enfrentar os desafios, enquanto gesta a certeza de uma luta justa e necessária.

Ouça a prece das famílias acampadas, para que não precisemos ouvir tocar os sinos pela morte da justiça, como conta o texto de Saramago.

video

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

São Felipe D'Oeste realiza 30ª Romaria da Bíblia


“Para a terra prometida, o povo de Deus marchou, 
Moisés andava na frente, hoje Moisés é a gente 
quando enfrenta o opressor.”


No dia 25 de setembro, realizou-se em São Felipe d’oeste a 30° Romaria da Bíblia, com o tema: Terra bem cuidada, vida garantida! E como lema: E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo era, muito bom. (Gn 1,312). 


O evento é promovido anualmente pela paroquia Nossa Senhora de Fátima de Pimenta Bueno. Estavam presentes, as irmãs Dolores e Augusta da Congregação de Maria Missionária que fazem parte da história, que lutaram e resistiram com o povo. Esta Romaria celebra em ações de graças: as conquistas do povo, a conquista da terra tão sonhada e prometida.
Testemunhamos a luta de um povo que sonhou, lutou e conquistou a terra prometida que nos fala o Evangelho, e todos os dias, renovam sua esperança na luta: por direitos, moradia, vida digna, e buscam forças na Palavra de Deus. Um povo que vai à fonte da água santa e se renova as esperanças.
Em sintonia com a Igreja neste momento tão importante, o Papa nos pede um olhar atento carinhoso, cuidadoso e responsável, com a Casa Comum.
Na busca constante, por um mundo melhor, somos convidados a ser Moisés, que sem medo enfrenta o opressor, somos convidados a ser protagonistas de nossa historia, e juntos e juntas buscar um mundo novo e justo, igualitário e mais humano, sem perder de vista a utopia.


A mística de abertura da Romaria foi marcada pela história recontada por seus protagonistas, o povo que estavam lá em 1983, na retomada da fazenda são Felipe, que em seguida foi destinada para assentamento da reforma agrária, em posse do povo. História recontada por irmã Dolores e irmã Augusta, que conforme iam contando o passo a passo da história, a encenação permeava pelo meio dos romeiros e romeiras: a história das cruzes fincadas ao caminho, lembrando a via sacra presidida pelo Pe. João Zanoto (in - memória), comboniano, que no dia do confronto entre   jagunços  e sem terra estava lá ele, o Padre João Zanoto e irmã Dolores, realizando uma peregrinação com mulheres e crianças, (pois os homens se encontravam no confronto) rumo a um igarapé, hoje batizada de Água Santa.

Irmã Dolores foi contando os momentos mais fortes vivenciado no meio daquele povo: caminhada das cruzes, primeira eucaristia na beira do igarapé Água Santa, o trator atolado e o tiroteio de jagunços.

Afirma a história que o local da água foi batizado de Água Santa pelo motivo, de no dia do confronto, enquanto o Padre João Zanoto e irmã Dolores celebravam a primeira eucaristia Á beira da Água, um peão tentava ultrapassar o igarapé num trator, com ordem de derrubá todos os barracos do povo, e para surpresa de todos, o trator foi atolado ao cruzar o pequeno riacho, sem explicações. Para o povo foio um milagre.

Muitas lágrimas puderam ser vistas caindo dos olhos daqueles e daquelas que iam presenciando cada cena. Os tiros dos pistoleiros, contada por Daniel (que foi atingido por uma bala durante o confronto em 1983)...como não chorar! aquela encenação continua sendo real em nossos dias, onde camponeses continuam caindo pela mãos de pistoleiros a mando de latifúndio. A cena é real.

Outro momento marcante, além da caminhada e da celebração eucarística, foi a fila do povo, onde os palestrantes trouxeram tema importantíssimo à exemplo da agroecologia, o não uso dos agrotóxicos, a luta dos povos indígenas e a tão sonhada reforma agrária.

Romaria da Bílbia, refazendo a história, daqueles que lutaram e não desanimaram e buscaram a vitória! Sr. Miguel (músico e compositor).

30 anos de romaria da bíblia: "E Deus viu que tudo era muito bom"

VIVA A ROMARIA DA BÍBLIA!
VIVA A CONQUISTA DO POVO DE SÃO FELIPE!
VIVA TODOS E TODAS OS/AS ROMEIRAS!
VIVA O POVO DE DEUS!

CPT-RO