terça-feira, 12 de maio de 2015

Duas pessoas foram encontradas mortas próximo ao município de Buritis

Na última segunda feira (11/05/15), dois corpos foram encontrados pela Polícia Militar próximos a porteira da Fazenda Formosa, localizada na zona rural do município de Buritis. No mesmo local da fazenda encontra-se um acampamento da Liga dos Camponeses Pobres.

Os corpos dos camponeses ainda não foram identificados em função da ausência de documentos no local do crime. Segundo a Polícia Civil, que também acompanhou o chamado, um dos corpos apresentava duas perfurações nas costas e o outro corpo foi encontrado amarrado por um fio elétrico a uma motocicleta, sendo que ambos os corpos apresentavam sérias lesões indicando características de tortura cometida contra as vítimas.

Segundo o delegado Lucas Torres, os corpos estão no IML de Ariquemes (RO) e duas famílias estão a caminho da cidade para fazer o reconhecimento, conforme informações publicadas no sítio do G1 Rondônia. “Foram mortes violentas com resquícios de crueldade. Precisamos primeiro identificá-los, apurar a motivação e a autoria. Estamos investigando, mas acreditamos que os homens não eram funcionários da fazenda”, explica.

Conflito no campo

A Fazenda Formosa é cenário conhecido de conflitos agrários já há alguns anos. Nesse local já foram cumpridos mandados de reintegração de posse nessa área de terras e ainda é considerada área em litígio agrário. Há quase duas semanas, Paulo Justino Pereira foi assassinado no distrito de Rio Pardo, localizado há poucos quilômetros do local desse novo crime. Até o momento não há qualquer comunicação sobre suspeitos destes crimes

quarta-feira, 6 de maio de 2015

LUTA NO CAMPO: Ativista é assassinado em frente à associação camponesa em Rio Pardo

O distrito de Rio Pardo, localizado no município de Buritis, presenciou no dia 1.º de maio mais um assassinato de ativista na luta pelo acesso à terra. Paulo Justino Pereira, presidente da Associação Vladimir Lênin foi assassinado em frente à sede da mesma entidade. Já é o 3.º caso registrado em menos de um mês em Rondônia.

Segue a matéria veiculada na rede social do Jornal A Nova Democracia sobre o caso:

RONDÔNIA: MAIS UM ATIVISTA CAMPONÊS É ASSASSINADO EM BURITIS
Fonte: Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental - LCP
Na noite do dia 1.º de maio, Paulo Justino Pereira foi assassinado a tiros, no Projeto Rio Pardo. Ele era o presidente da Associação Vladimir Lênin. Paulo participou da reunião do dia 27 de abril, em Jaru, onde camponeses de várias áreas de Rondônia se reuniram com representantes do Incra, Eletrobrás, DER, secretaria de obras, lutando por energia, estradas e pontes, escolas nas áreas e regularização das terras dos camponeses. Ele foi o secretário desta reunião e apresentou a reivindicação de energia para as 3 mil residências do Projeto Rio Pardo, prometida há 16 anos.
Nos dias 29 e 30 de abril, Paulo participou com outros camponeses de uma reunião em Porto Velho com o Sr. Gercino José, ouvidor nacional dos latifundiários. Ele denunciou a situação de centenas de famílias de Rio Pardo, há dois anos sem solução. Como diz um boletim da Associação Lênin:
“Já fazem dois anos da desocupação violenta da Flona pelas forças armadas da presidente Dilma e do Governador Confúcio Moura. Durante esse período, nenhum tipo de assistência foi dado às famílias residentes no Rio Pardo. Das trezentas que foram desalojadas, apenas 34 foram assentadas, e de forma equivocada, em outras terras conflitosas, de propriedade do fazendeiro ‘Zoinho’. Com a morosidade do Governo Estadual em resolver o problema, as famílias já se preparam para o retorno à reserva, ‘dessa vez para ficar’”.
Paulo Justino Pereira
A reunião foi tensa e terminou sem acordo. Paulo comunicou a decisão das famílias de Rio Pardo de retomarem suas terras, e como sempre, Gercino não apresentou nenhuma solução e ainda disse: "O Sr. quer dizer que as famílias irão descumprir uma ordem?" Paulo defendeu que o velho Estado é que não cumpre o direito legal e sagrado à terra para quem nela trabalha.
Paulo Justino nasceu em Pernambuco, morou no Rio de Janeiro e veio para Rondônia para ajudar a luta camponesa, causa tão perigosa, mas tão urgente e justa. Ele deixou três filhos e três netos e será enterrado em Maceió, na manhã do dia 6 de maio.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

ABRIL VERMELHO: MST de Rondônia na luta por terras e garantia de direitos


Acontece por todo país, a Jornada Nacional de Lutas do MST, durante o “Abril Vermelho”, que rememora todos e todas que tombaram no Massacre de El Dourado dos Carajás (PA) e de Corumbiara (RO). Neste ano, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, trazem as ruas a Luta por Reforma Agrária Popular, contra o PL 4330 das terceirizações, contra a redução da maioridade penal, e em repúdio a não obrigatoriedade de rotulagem identificando alimentos transgênicos, e em apoio aos trabalhadores da educação, em greve.

As manifestações buscam dialogar com a sociedade civil, em apoio a Reforma Agrária Popular e contra o Agronegócio. Em Rondônia, durante toda a semana, realizou-se a Jornada Universitária, na UNIR, campus de Ariquemes, onde foram discutidos temas como: organização produtiva e agroecologia; desafios da Educação do Campo em Rondônia. Recheados de espaços de rodas de conversas com militantes dos movimentos sociais da Via Campesina.

Dialogando com a Jornada de Luta, no dia 30 de Abril de 2015, as 9:00 horas, iniciou-se Audiência com o INCRA em Ariquemes, com as seguintes pautas em discussão: o assentamento de todas as famílias acampadas, em 2015; a implantação e execução de crédito para habitação (construção e reforma).


Enquanto a Audiência ocorria, centenas de sem terra, assentados e acampados, se puseram em marcha. A concentração saiu do Acampamento Hugo Chávez, hoje com cerca de 200 famílias acampadas, foi criado no 8 de julho de 2013, as margens da RO 140, km 04, trecho que liga a BR 364 ao município de Cacaulândia.

O grupo marchou pela Rodovia 140, adentrando a BR 364, sentido Jaru, de forma organizada e pacífica, exigindo que fossem negociadas e encaminhadas as pautas que estavam sendo discutidas em audiência com o INCRA, e reforçando outras tantas, já discutidas em diversos espaços, como a Educação do Campo: contra o fechamento de Escolas no campo, e pela construção de escolas onde foram levantadas as demandas.

A BR 364 ficou trancada por horas neste 30 de abril, nas proximidades de um dos maiores latifúndios de Rondônia, a Fazenda Nova Vida. Seguiu-se o engarrafamento de carros, enquanto as pautas dos trabalhadores (as) eram negociadas. Somente quando o INCRA, através do Superintendente Luiz Flávio, assumiu compromissos referente a estas, e se dispôs a ir até o acampamento Hugo Chávez, repassar para todo o grupo os compromissos e encaminhamentos que serão tomados referente as pautas levantadas, é que a BR 364 foi liberada.

A Caminhada deste povo, é a caminhada por Terra, Reforma Agrária Popular urgente e necessária no nosso país.

A Jornada continua neste 1º de maio em todo o país, contra os retrocessos nas garantias e direitos sociais, conquistados com luta, sangue e suor de trabalhadores e trabalhadoras.

Lutar! Construir Reforma Agrária Popular!


Liliana Won Ancken
Agente da CPT/RO - Campanha "De Olho Aberto Para Não Virar Escravo"

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Camponês sem terra é assassinado brutalmente no Municipio de Machadinho




foto arquivo da CPT-  encontro de formação - jan 2013.
"Queremos só a justiça,
Queremos só a verdade
que a lei jamais seja omissa
Venha a nós a Liberdade."
Dom Jairo Matos da Silva

A Comissão Pastoral da Terra, soma-se nesse momento aos gritos de socorro e lágrimas das mais de cinquenta famílias de sem terra que se encontram  assustadas e com muita dor,  pelo assassinato violento de um de seus membros, Fábio Carlos da Silva Teixeira de 30 anos de idade.

foto no acampamento- arquivo da cpt - jan 2013.
A violência no campo de Rondônia ainda é objeto que vem aumentando consideravelmente a cada ano, inclusive com o tema de assassinato, o que para a CPT, parte do aumento  do número de assassinato se dá  pela falta de compromisso com a reforma agrária  e  a impunidade daqueles que praticam a violência.

Além da notícia dessa fatalidade, temos conhecimento através das famílias de que outras ameaças vem acontecendo contra os acampados que temem por suas vidas e de seus filhos.

Fábio Carlos, era membro do acampamento Fortaleza que está implantado dentro do assentamento Santa Maria II, município de Machadinho em Rondônia.

domingo, 5 de abril de 2015

Seis pistoleiros de fazenda presos com armas em Buritis, Rondônia.

Reprodução de notícia e foto divulgada por Rondoniagora

Buritis. PM apreende armas, coletes, rádios-transmissores, munições e prende seis pessoas.
Policiais militares da 4ª Companhia do 7º BPM em Buritis, prenderam nesta sexta-feira seis pessoas, apreendeu duas pistolas Glock calibre 9mm, uma pistola Taurus, calibre 380, três espingardas CBC calibre 12, uma espingarda calibre 38, uma submetralhadora 9mm, rádios-transmissores, coletes balísticos, e uma mochila com munições de calibre 12, 7,62, 9mm e 380. Segundo os presos as armas eram para proteção de uma fazenda na Linha 1 Km 047 Marco 00.
A Polícia Militar informou que conforme determinação judicial, foi feito patrulhamento nas imediações da fazenda Guerin, pertencente a João Nelto Saul Guerin. Em frente à sede da fazenda, a PM abordou o veículo S10 de placa GVE-1083, de Foz do Iguaçu-PR, onde estavam as armas. Todas as pessoas do veículo foram presas.
Os policiais militares seguiram até a casa-sede da fazenda e lá foi encontrada uma espingarda cal.32. Marco Alberto dos Santos – disse que era dele, porém os presos confirmaram que as armas são do proprietário da fazenda. Eles disseram que o proprietário, comprou as armas para a segurança das terras.
Foram conduzidas a Delegacia de Polícia Isaque Lima Muniz, 27, Marcio da Silva Silveira, 25, Marco Alberto Dos Santos, 32, José Alvez de Souza, 51, Marcelo Correia Da Silva, 30 e Marcos Roberto Pereira, 47. Fizeram parte da apreensão e prisão os policiais militares tenente PM Lucas, cabo PM Wanderley e os soldados PM Vasconcelos, Rivelino, J. Souza, Cosmo, Ciríaco, e Adriana.

Fonte/Autor: Lenilson Guedes

Dom Moacyr Grechi: Justiça Social e força da ressurreição!

"Que a Páscoa seja a passagem de um olhar indiferente para um olhar mais sensível às lutas e causas que exigem maior atenção'.

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 466 - Edição de Domingo – 04-05/04/2015

Justiça Social e força da ressurreição!


Neste Domingo da Ressurreição, nossas comunidades celebram a certeza de que “Cristo caminha a frente dos seus” (sequencia pascal). “Como se fosse um só e longo Domingo”, a alegria da ressurreição vai iluminar todo o tempo da Páscoa, prolongando-se por sete semanas, até a Festa de Pentecostes, que já está sendo preparada, de forma participativa, pela nossa Arquidiocese.

A Ressurreição, centro da nossa fé, é o ponto alto da Semana Santa, por isso, hoje, “anunciamos a morte do Senhor, proclamamos sua ressurreição e aguardamos sua vinda definitiva”. Sim, Ele está vivo no meio de nós, reparte conosco o pão de sua palavra e do Corpo e Sangue e nos convoca a sermos sinais de sua Páscoa na nossa realidade.

Através de uma santa caminhada, a liturgia da Palavra nos conduziu e nos ajudou a percorrer o caminho de Jesus. O Tríduo pascal, que constitui o coração e o fulcro de todo ano litúrgico, como também da vida da Igreja, começou na 5ª Feira Santa unindo eucaristia e sacerdócio. O Lava-Pés, sinal do “amor até ao fim” (Jo 13,1) orientou-se também para a Eucaristia. Sentamos à mesa com o Senhor, onde ele estabelece uma aliança conosco e nos ensina o verdadeiro sentido do amor: dar a vida pelos outros, numa atitude constante de serviço humilde e despojado.

“E Ele amou-nos até ao dom total da sua vida, realizado na Sexta-feira Santa na Cruz, transformando então o suplício no mais perfeito, pleno e puro ato de amor” (papa Francisco). Na sexta da Paixão do Senhor, com a liturgia da Palavra, meditamos o IV cântico do Servo de Deus, a carta aos Hebreus com a passagem do Sumo Sacerdote e a Paixão segundo São João: Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado, a Igreja, comunidade de fé, contemplando a paixão do Senhor Jesus, celebra o seu próprio nascimento do lado de Cristo. A oração universal, a entronização da cruz como sinal de vitória e a comunhão com o Pão eucarístico consagrado na 5ª feira santa uniu-nos a todas as comunidades de fé, vigilantes junto à cruz do Senhor e da Virgem das Dores.

Participando da procissão do Senhor Morto, refizemos a Via Sacra de Jesus. Seguimos seus passos repetindo “para quem havemos nós de ir, Senhor”? “Tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6,68). Agora “devemos carregar aos ombros o mal do mundo e compartilhar o seu sofrimento, absorvendo-o profundamente na nossa carne, como fez Jesus, como fizeram os mártires” (papa Francisco).

Por que nos comovemos com a paixão sangrenta de Jesus, mas não fazemos o mesmo face à paixão dolorosíssima dos crucificados da história? (L.Boff) Povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, os atingidos pelas enchentes, os doentes e trabalhadores, os desalojados, as vitimas do tráfico e das drogas e todos os que carregam pesadas cruzes e vivem a Paixão de Jesus em sua vida em comunhão com a Paixão dolorosa do mundo.

Descobrimos novamente que Ele quer servir-Se de nós para chegar cada vez mais perto do seu povo amado. Toma-nos do meio do povo e envia-nos ao povo, de tal modo que a nossa identidade não se compreende sem esta pertença. A entrega de Jesus na cruz é apenas o culminar deste estilo que marcou toda a sua vida. Fascinados por este modelo, queremos inserir-nos a fundo na sociedade, partilhamos a vida com todos, ouvimos as suas preocupações, colaboramos material e espiritualmente nas suas necessidades, alegramo-nos com os que estão alegres, choramos com os que choram e comprometemo-nos na construção de um mundo novo, lado a lado com os outros. Mas não por obrigação, nem como um peso que nos desgasta, mas como uma opção pessoal que nos enche de alegria e nos dá uma identidade (EG 268-269).
O Tríduo Pascal alcança o seu apogeu na celebração da vigília pascal: nesta Noite iluminada nos é dada a luz do Ressuscitado para que, em nós, “viva a esperança de quem se abre a um presente cheio de futuro: Cristo venceu a morte, e nós vencemo-la com Ele”.

Velamos, pois, nesta única noite junto do túmulo selado de Jesus de Nazaré, tendo a consciência de que tudo quanto foi anunciado pela Palavra de Deus no curso das gerações se cumprirá esta noite, e que a obra da redenção do homem atingirá nesta noite o seu zênite. Velamos, portanto, e, embora a noite seja profunda e o sepulcro se encontre selado, confessamos que já se acendeu nela a Luz e ela caminha através do negrume da noite e da obscuridade da morte. É a luz de Cristo: Lumen Christi (J.Paulo II).

Celebrando a Vigília Pascal neste Sábado Santo os símbolos são abundantes e de uma grande riqueza espiritual: o ritual do fogo e da luz que evoca a ressurreição de Jesus e a marcha de Israel no deserto guiado pela coluna de fogo; anunciamos a “luz do Cristo ressuscitado que resplandece, dissipando as trevas do coração e da mente”; escutamos as narrativas das ações salvíficas de Deus na história humana, desde a primeira criação até a nova criação em Cristo; passamos pelas águas do batismo, batizando novos filhos e renovando nossas promessas batismais; e, por fim, celebramos o ápice de sua Páscoa, dele que é o verdadeiro Cordeiro que tira o pecado do mundo e se entrega a nós nos sinais do pão e do vinho. De fato, esta é a noite de alegria verdadeira, pois o Cristo, ressurgindo, nos trouxe a luz.

No domingo da Páscoa, na missa do dia, a liturgia convoca novamente os fiéis para o “dia que fez o Senhor”. Com alegria, cantos, sinos e Aleluia, acontece a procissão de Cristo ressuscitado, saudando Maria com o “Regina coeli”. A liturgia pascal destaca a meta para onde nos dirigimos seguindo Cristo e que Paulo expressa: “Sempre que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos a tua morte Senhor, até que venhas” (1Cor 11,26).

Hoje, Jesus ressuscitado se faz presente em todas as comunidades com a sua força de vida e de liberdade. Cristo ressuscitou, caminha conosco e nos concede a paz. A sua glória somos nós: o homem vivo (Ireneu).

Acolhamos a graça da Ressurreição de Cristo! “Cristo ressuscitado e glorioso é a fonte profunda da nossa esperança, e não nos faltará a sua ajuda para cumprir a missão que nos confia”.

A sua ressurreição não é algo do passado; contém uma força de vida que penetrou o mundo. Onde parecia que tudo morreu, voltam a aparecer por todo o lado os rebentos da ressurreição. É uma força sem igual. É verdade que muitas vezes parece que Deus não existe: vemos injustiças, maldades, indiferenças e crueldades que não cedem. Mas também é certo que, no meio da obscuridade, sempre começa a desabrochar algo de novo que, mais cedo ou mais tarde, produz fruto. Num campo arrasado, volta a aparecer a vida, tenaz e invencível. Haverá muitas coisas más, mas o bem sempre tende a reaparecer e espalhar-se. Cada dia, no mundo, renasce a beleza, que ressuscita transformada através dos dramas da história. Os valores tendem sempre a reaparecer sob novas formas, e na realidade o ser humano renasceu muitas vezes de situações que pareciam irreversíveis. Esta é a força da ressurreição, e cada evangelizador é um instrumento deste dinamismo (EG 275-276).

A vida cristã é fundamentalmente vida em Cristo pelo dom do Espírito, fruto da Páscoa. Deixemo-nos, portanto, renovar pela misericórdia de Deus, e que a força do seu amor transforme a nossa vida, tornando-nos instrumentos desta misericórdia. Sejamos homens e mulheres de fé que “acreditam que Deus nos ama verdadeiramente, que está vivo, que é capaz de intervir misteriosamente, que não nos abandona e caminha vitorioso na história”. A ressurreição de Cristo produz por toda a parte rebentos deste mundo novo (EG 278). Sim, um mundo novo é possível porque Jesus ressuscitou e caminha conosco.

Que a Páscoa seja a passagem de um olhar indiferente para um olhar mais sensível às lutas e causas que exigem maior atenção. Que você tenha a certeza que a sua vida dará frutos, mas sem pretender conhecer como, onde ou quando; esteja seguro de que não se perderá nenhuma das suas obras feitas com amor, não se perderá nenhuma das suas preocupações sinceras com os outros, não se perderá nenhum ato de amor a Deus, não se perderá nenhuma das suas generosas fadigas, não se perderá nenhuma dolorosa paciência. Tudo isto circula pelo mundo como uma força de vida. O Espírito Santo trabalha como quer, quando quer e onde quer; e nós nos gastamos com grande dedicação, mas sem pretender ver resultados espetaculares. No meio da nossa entrega criativa e generosa, aprendamos a descansar na ternura do Pai (EG 278-280) e a lutar contra as desigualdades, pois, a Páscoa é uma convocação para que se estabeleça a Justiça Social como rota a ser palmilhada com determinação e inteligência (J.B.Herkenhoff).

sábado, 4 de abril de 2015

Aterro sanitário mobiliza população de Cacoal

Organizações e população mobilizadas contra implantação de aterro sanitário no Setor Prosperidade, em Cacoal
Nova reunião para discutir sobre o projeto de construção do aterro sanitário regional em Cacoal ocorreu na última quarta-feira (01.4.15), no Setor Prosperidade, linha 04, local escolhido para a instalação do aterro. Moradores da região são contra esse projeto.
Participaram da reunião os moradores e lideranças da região; FETAGRO, representada pela secretária de Meio Ambiente Creonice Vilarim e pela secretária Geral Tamara Ezequiel; STTR de Cacoal com a presença do presidente Paulino Favoretti e da secretária Geral Vanira Marquarte; representantes da CPT; e acadêmicos do curso de Biologia de uma faculdade local.
O encontro foi norteado pela preocupação dos presentes e das mais de 250 pessoas que moram no Setor Prosperidade com os problemas e impacto ambiental que podem ocorrer com a implantação do aterro. De acordo com os moradores, o local é rico em fontes de água potável, utilizadas pelas famílias para consumo e também na criação de animais; além de possuir vasta vegetação, abrigando várias espécies nativas de animais e aves.
Outro fator relevante que levou à nova reunião entre as organizações e população, refere-se ao parecer do Ministério Público sobre o Estudo de Impactos Ambientais da obra. Estabelecido após vistoria do MP, o documento aponta situações que divergem dos estudos emitidos pela empresa contratada para a obra, e identificam outras questões que não foram consideradas nos laudos da empresa.
Diante do impasse, o grupo tomou como encaminhamento que o jurídico que o acompanha faça análise de todo o processo e entre com pedido de Medida Cautelar para novas averiguações. Eles também acordaram em elaborar material publicitário a ser distribuído para toda população de Cacoal, informando sobre o projeto do aterro e as possíveis implicações ambientais e sociais decorrentes.
Foto e fonte: Fetagro

Operação do Ibama combate exploração ilegal de madeiras na Terra Indígena Kaxarari

Manaus – Na última terça-feira (31/03), fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em ação de fiscalização da Operação Toruk, de combate ao desmatamento ilegal, realizaram a apreensão de um caminhão toreiro, 18 toras de madeira (cem metros cúbicos) e cem litros de combustíveis (gasolina e óleo diesel) na Terra Indígena (TI) Kaxarari, na fronteira entre os estados do Amazonas e de Rondônia.
A TI Kaxarari é alvo constante de invasão de madeireiros, que exploram ilegalmente madeiras nobres como ipê, angelim, muiracatiara, entre outras. Ao perceber a chegada da equipe de fiscalização, os madeireiros fugiram para a floresta. No caminhão, havia plaquetas utilizadas para identificar tocos e toras de áreas de planos de manejo florestal, o que indica haver um esquema de “esquentamento” das madeiras provenientes da TI, que eram encaminhadas às serrarias da região. O caminhão toreiro foi queimado para impedir a continuação da exploração madeireira ilegal numa área de aproximadamente 3.000 hectares.
O infrator já foi identificado e foi multado em R$ 17 milhões. Ele também responderá criminalmente à Justiça Federal por invasão de terra indígena e exploração ilegal de madeira. As toras serão doadas aos indígenas das aldeais Pedreira e Paxiúba, que as utilizarão para melhoria de suas moradias e construção de escolas e postos de saúde. A área de exploração ilegal foi embargada e continuará sob monitoramento do Ibama.
A Operação Toruk está sendo realizada desde 16 de março nos municípios de Boca do Acre e Lábrea, no Amazonas, e conta com apoio do Batalhão Ambiental da Polícia do Amazonas. Até o momento, os fiscais já vistoriaram 53 áreas com indicativos de desmatamento recente, totalizando 2.980 hectares, o que equivale a mais de dois mil campos de futebol. Também, foram vistoriadas 27 áreas embargadas anteriormente e lavrados 12 autos de infração, com aplicação de R$ 20 milhões em multas.
Foto: Rodrigo Frazão

Associação denuncia devastação de reservas em Machadinho


Clima de terrorismo é implantado no município, segundo denunciam associados...

Em reunião extraordinária, a Comissão de Meio Ambiente e de Desenvolvimento Sustentável, recebeu nesta quarta-feira (1), no Plenarinho da Assembleia Legislativa, representantes da Associação dos Seringueiros de Machadinho do Oeste (ASM). A reunião aconteceu a pedido do deputado Ezequiel Júnior (PSDC).
Na oportunidade, o presidente da comissão, deputado Jean Oliveira (PSDB), adiantou que os associados vivem uma situação preocupante em um clima de terrorismo em Machadinho.
“Fomos informados pelo deputado Ezequiel Júnior, representante da base daquele município, que estes trabalhadores estão recebendo até ameaças de morte”, destacou Jean.
De acordo com o porta-voz da ASM, o ambientalista Elizeu Berçacola, as 17 unidades de conservação existentes em Machadinho do Oeste estariam sendo devastadas sem qualquer ação inibitória do Governo do Estado.
Segundo Berçacola, na tentativa de proteger as reservas extrativistas, as comunidades estariam sendo ameaçadas e nos últimos 10 anos, 16 casos de homicídios já teriam sido registrados.
“Na realidade viemos em busca de construir alianças que nos ajudem nessa luta pela proteção de nossas florestas, na manutenção territorial das unidades de conservação, na regularização fundiária, proteção das comunidades e no combate ao crime ambiental”, declarou Elizeu Berçacola.
O ambientalista pediu que os deputados contribuam para a readequação de uma Secretaria de Desenvolvimento Ambiental (Sedam) mais moderna. “Precisamos que este órgão aponte para um horizonte de sustentabilidade e desenvolvimento”, declarou.
O deputado Ezequiel Júnior informou que os associados pedem a criação de um Pelotão Ambiental para garantir a segurança das reservas extrativistas. “Quase metade das resex de Rondônia estão em Machadinho do Oeste e precisamos dar uma atenção para este problema enfrentado por estas comunidades”, destacou o parlamentar.
Vice-presidente da comissão, o deputado Cleiton Roque (PSB) afirmou que além das providências a serem tomadas em relação aos crimes ambientais, a comissão deve também dar ampla publicidade ao assunto e informar as denúncias à Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesdec).
Jean Oliveira informou que a comissão deverá encaminhar os pedidos da ASM às demais comissões, que poderão contribuir e providenciar que a Sedam tome medidas de urgência para atender as solicitações explanadas durante a reunião.

por Igor Cruz — publicado 02/04/2015 11h42, última modificação 02/04/2015 11h42
ALE/RO - DECOM - [Juliana Martins]
Foto: José Hilde

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Porto Velho: Agricultores atingidos pelas usinas aguardam assentamento

Famílias do Joan D’arc sofrem com descaso da prefeitura e demora do INCRA em reassentá-las
O drama das 286 famílias do Joana D’arc, expulsas pelos impactos causados pelo lago da Usina de Santo Antônio, ainda não foi resolvido. Atualmente elas estão em um novo acampamento que fica no Km 186 da BR-364, sentido Acre no Ramal Primavera, 3,5 km dentro da mata. A estrada de acesso tem trechos intransitáveis para carros pequenos e é necessário atravessar os atoleiros a pé. No local que estão acampados, uma área cedida por um sitiante, tem aproximadamente 60 famílias e umas 200 pessoas, incluindo crianças em idade escolar e idosos.
Nesta semana, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Itamar Ferreira, e a secretária de juventude da entidade, Sandra Felycio, acompanharam o presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR), Luis Pires, que também representou a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (FETAGRO), em visita ao acampamento dessas famílias. Na ocasião foi realizada uma reunião para tratar dos problemas imediatos do acampamento, a cargo da prefeitura, e do processo de assentamento definitivo, que é de responsabilidade do INCRA.
A saga dessas 286 famílias, parte ainda está no Joana D'arc, começou em julho 2013 quando ficaram aproximadamente três meses acampadas em frente ao escritório da Santo Antônio energia, até conseguirem o compromisso do INCRA de Brasília, de destinar recursos da ordem de R$ 24 milhões para adquirir uma nova área para reassentar essas famílias. Os motivos para um novo assentamento foram os impactos causados pelo lago da Usina de Santo Antônio, que provocou encharcamento da área tornando-á improdutiva; infestações de mosquitos, animais selvagens e peçonhentos, tornando o local inabitável.
Entretanto, a Santo Antônio Energia não assume qualquer responsabilidade, sendo que as famílias ainda terão que lutar na justiça para conseguir ao menos a indenização das benfeitorias, construídas ao longo de mais de uma década. Quanto ao processo de aquisição da área, que é a Fazenda Nor Brasil, já está bem adiantado, faltando apenas pareceres da SEDAM e da área técnica do INCRA em Rondônia. No próximo dia 08/04 haverá uma reunião no INCRA em Porto Velho, com a participação de representantes dos acampados, do Ministério Público Federal, da Comissão de Direitos Humanos da OAB, da SEDAN, secretarias municipais, STTR, FETAGRO e CUT. A expectativa é de outra reunião ainda no mês de abril em Brasília, para finalizar o processo.
Depois que saíram do acampamento em frente a Santo Antônio Energia em setembro de 2013 essas famílias passaram por uma verdadeira via sacra, tendo feito acampamentos no ano de 2014 na sede do INCRA; depois na área que será destinado ao assentamento, mas com a demora do INCRA em adquirir a propriedade foram obrigados a sair; fizeram um acampamento na beira do lago de Jirau, que conseguiu uma liminar para retirá-los do lugar; em seguida acamparam no Km 21, numa área de uma Associação do INCRA, da qual tiveram que se retirar por ordem judicial e finalmente, conseguiram a área atual, com o proprietário de um sítio próximo à fazenda que será destinada ao futuro assentamento definitivo.
Entre os vários problemas emergenciais dessas famílias acampadas, três se destacam: a recuperação da estrada de 3,5 Km de acesso ao acampamento; transporte escolar para o Distrito de Abunã, que fica há 35 Km do acampamento, para 24 crianças do ensino básico e médio e para 16 jovens que precisam estudar à noite; e falta de alternativas de renda, já que o acampamento é provisório e não permite o cultivo agrícola ou criação de animais. Nesta segunda-feira o presidente do STTR esteve reunido com os secretários da SEMAGRIC e da SEMED cobrando uma solução urgente para esses problemas emergenciais.


Fonte: CUT

Autor: CUT

Coletores de açaí de Guajará Mirim pedem ajuda ao MPF

Extrativistas querem reconhecimento de suas atividades pelos governos federal e estadual

Em busca de apoio e reconhecimento de direitos, a Associação dos Açaizeiros de Guajará-Mirim teve reunião com o Ministério Público Federal (MPF) na manhã da quinta-feira passada, 26 de março, no auditório da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Descendentes de ex-seringueiros soldados da borracha, os açaizeiros de Guajará-Mirim coletam, vendem e transformam o açaí da região, e relatam que falta reconhecimento de suas atividades pelos órgãos públicos federais e estaduais.
Na ocasião, o procurador da República Daniel Dalberto explicou que o MPF atua na defesa das comunidades tradicionais, bem como para assegurar direitos socioambientais, e que, a fim de ajudá-los, vai solicitar um estudo antropológico dos açaizeiros de Guajará-Mirim. “Demonstrar o modo de vida deste grupo de trabalhadores será o primeiro passo para tratar esta situação”, disse o procurador.
A presidente da associação, Maricarla de Oliveira, falou durante a reunião que a entidade existe desde 2003 e que já foi beneficiada com maquinário para extrair a polpa do açaí. Como a associação ainda não tem sede própria, o equipamento se encontra na residência da vice-presidente, Jacira Firmino Neto.
Os açaizeiros relataram que estão desassistidos porque não são reconhecidos como produtores rurais pelo INSS. “Cair do pé de açaí ou ser picado por cobra são acidentes de trabalho que acontecem e não se tem o auxílio-doença, por exemplo”, disse Jacira. Os açaizeiros querem ter direitos previdenciários - aposentadoria e benefício de entre safra - e também receber recursos para agroindústria.
Os açaizeiros não possuem terras. Eles coletam o açaí de propriedades particulares e de áreas indígenas, mediante autorização ou negociação com os ocupantes do local. No entanto, estão enfrentando muitas dificuldades para conseguir fazer sua coleta nessas áreas.
Para eles, seria possível a criação de uma reserva extrativista em um local identificado pelos açaizeiros como Reserva Preguiça. O procurador Daniel Dalberto vai tratar este assunto com o ICMBio e comprometeu-se a conversar com lideranças indígenas e com a Funai na busca de um acordo viável para todos os envolvidos.
Também encaminhará com órgãos públicos e com o MP do Estado a possibilidade de coleta de açaí em unidades de conservação, visando ao desenvolvimento sustentável e à preservação ambiental.
O procurador Daniel Dalberto informou que vai abrir um inquérito civil público para acompanhar a situação dos açaizeiros e encaminhar suas demandas.
Fonte: MPF/ro

Descaso das Usinas do Madeira com as populações tradicionais

Reproduzimos matéria do jornalista Xico Nery referente a situação das comunidades tradicionais atingidas pelas usinas do Rio Madeira.

JIRAU E SANTO ANTÔNIO LEMBRAM ITAIPÚ NO CONTROLE DA INFORMAÇÃO E DESCASO NAS COMPENSAÇÕES ÀS POPULAÇÕES TRADICIONAIS
No Pará, com a usina de Tucuruí foi assim. No Amazonas e Rondônia, respectivamente, Balbina e Samuel, ‘as compensações ainda motivam recursos’.

Jacy-Paraná/RONDÔNIA – Há muito se conhece a forma pela qual os grandes empreendimentos hidrelétricos são construídos no Brasil e, especialmente, na Amazônia Brasileira. Nenhum deles, segundo especialistas, ‘produzem energia 100% limpa’.
Na Amazônia, desde os governos militares ‘as populações tradicionais ou de ocupação nunca foram consultadas, plenamente’. As empresas chegam devagarinho e, de repente, tiram as licenças e o governo coloca muito dinheiro nos negócios.
No Pará, com a usina de Tucuruí foi assim. No Amazonas e Rondônia, respectivamente, Balbina e Samuel, ‘as compensações ainda motivam recursos’. Mas o poder público e os empreendimentos silenciam a todos, queixa-se parte dos remanescentes.
Inicialmente, ‘parte da imprensa corporativa cala’; em que pese o teatrinho levado ao ar pelas grandes emissoras. Deslavadamente, passam a imagem que, ‘as compensações são pagas e que a natureza de forma singular dos ecossistemas das florestas não afetadas’.
Elas desempenham papéis múltiplos nos níveis global e local nos locais a serem impactados, na inicial, por barragens. Prestam serviços de controle da informação e como empresas, ‘tentam esvaziá-los, em geral, em cima da natureza e aos seres humanos, mas são fontes de produtos econômicos’, atesta o publicitário e gráfico, Henrique Ferraz.

No caso específico das usinas de Jirau e Santo Antônio – ambas decretaram o fim da cachoeira e das corredeiras símbolos de Porto Velho – ‘ninguém não explicou o que, verdadeiramente, aconteceu com a CPI das Usinas presidida pelo ex-deputado Tiziu Jidalias e seus próceres’.
Segundo Ferraz, ‘a Conferência de Estocolmo de 1972 reconheceu que as florestas são o mais complexo e mais durável de todos os ecossistemas e enfatizou a necessidade de políticas racionais de uso da terra e das florestas, de um monitoramento contínuo do estado das mesmas no mundo’.
- Só que essa recomendação não vale até hoje, pelo menos, no caso de Rondônia, onde a Usina de Jirau soterrou grande das madeiras oriunda da supressão vegetal, diz um importante técnico em planejamento de gestão florestal sob a condição de anonimato.


Outro ponto colocado em xeque é com relação aos dois projetos terem sido implantados no mesmo curso d’água em que lagos contínuos são formados à cada enchente sob o efeito de represamento. Para analistas independentes, ‘não se deu mensuração às pesquisas básicas e aplicadas para um melhor planejamento’, com ênfase nas funções ambientais das florestas.
Além das enchentes que serão produzidas a cada ano, as populações ribeirinhas e urbanas do entorno das duas usinas, com o advento de abertura e fechamento das comportas, ‘periodicamente, sofrerá com a falta de atenção do custo e os benefícios ainda não compensados por Jirau e Santo Antônio’.
De acordo com Henrique Ferraz, ‘qualquer um sabe que a supressão vegetal feita pela Usina de Jirau, soterrando a madeira nos arredores da BR-364 [Jacy-Paraná e Mutum], dizimou criadores de peixe e chegou a contaminar mananciais’.
- Nada disso foi revelado pelos empreendimentos nem pelas autoridades ambientais, ele afirmou.
Atualmente, o poder público lança-se a emitir conceitos e medidas protetivas às vítimas das cheias do Rio Madeira. Porém, esquece de manter uma vigilância continua da cobertura florestal no entorno das usinas e do que resta da supressão lançada no sequeiro [terra firme].
Jirau e Santo Antônio, fora das decisões simplistas tomadas pelo Governo Federal, do Estado e de Porto Velho, ‘apenas satisfazem as necessidades dessas empresas que nunca irão incorporar em suas compensações os valores ambientais ou ao uso das pessoas homiziadas, por exemplo, da cidade de Nova Mutum’.

QUAL O IMPACTO AMBIENTAL DA INSTALAÇÃO DE UMA HIDREELÉTRICA?
Por Suzana Paquete

É um estrago e tanto. Na área que recebe o grande lago que serve de reservatório da hidrelétrica, a natureza se transforma: o clima muda, espécies de peixes desaparecem, animais fogem para refúgios secos, árvores viram madeira podre debaixo da inundação... E isso fora o impacto social: milhares de pessoas deixam suas casas e têm de recomeçar sua vida do zero num outro lugar. No Brasil, 33 mil desabrigados estão nessa situação, e criaram até uma organização, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Pode parecer uma catástrofe, mas, comparando com outros tipos de geração de energia, a hidrelétrica até que não é ruim. 
Quando consideramos os riscos ambientais, as usinas nucleares são mais perigosas. E, se pensarmos no clima global, as termoelétricas - que funcionam queimando gás ou carvão - são as piores, pois lançam gases na atmosfera que contribuem para o efeito estufa. A verdade é que não existe nenhuma forma de geração de energia 100% limpa. "Toda extração de energia da natureza traz algum impacto. Mesmo a energia eólica (que usa a força do vento), que até parece inofensiva, é problemática. Quem vive embaixo das enormes hélices que geram energia sofre com o barulho, a vibração e a poluição visual, além de o sistema perturbar o fluxo migratório de aves, como acontece na Espanha", afirma o engenheiro Gilberto Jannuzzi, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Outro problema das fontes alternativas é o aspecto econômico: a energia solar, por exemplo, é bem menos impactante que a hidrelétrica, mas custa dez vezes mais e não consegue alimentar o gasto elevado das grandes cidades. Por causa disso, os ambientalistas defendem a bandeira da redução do consumo. Pelas contas do educador ambiental Sérgio Dialetachi, coordenador da campanha de energia do Greenpeace, daria para economizar 40% da energia produzida no país com três medidas. Primeiro, instalando turbinas mais eficientes nas usinas antigas. Segundo, modernizando as linhas de transmissão e combatendo o roubo de energia. Terceiro, retornando ao comportamento da época do racionamento, em 2001, com equipamentos e hábitos menos gastadores. Tudo isso evitaria que novas hidrelétricas precisassem ser construídas, protegendo um pouco mais nosso planeta.

Fonte: Xico Nery/NewsRondonia

segunda-feira, 30 de março de 2015

Mais dois capangas de fazenda foram detidos em Vilhena

Após informações recebidas na CPT RO, segundo a qual foram detidos dois pistoleiros armados no Lote 52 da Gleba Corumbiara, na Linha 135, publicamos informações locais divulgadas em Vilhena, Rondônia.
Carro apreendido com pistoleiros da Fazenda Duarte em 28.3.15. Foto extrarondonia 
Arma apreendida com pistoleiros da Fazenda Duarte e, 28.3.15. Foto extrarondonia 
Dois homens presos com arma de uso restrito.
Segundo o site Extra de Rondônia, no local o Núcleo de Inteligência prendeu dois homens com arma de uso restrito, na manhã do sábado, 28, por volta das 10h30. 

"Após denúncias de que homens estariam armados, agentes do Núcleo de Inteligência (N. I.) da Policia Militar se deslocou até a região. Ao chegarem ao local, os policiais à paisana observaram um grupo de quatro pessoas próximo a um veículo Saveiro, cor prata e placa DQX-8406/Vilhena. Ao se aproximarem, os homens agiram de forma suspeita e dois foram em direção aos agentes que, de prontidão, se identificaram realizando a abordagem.
Na cintura de R. F. D., 32 anos, os policiais encontraram uma pistola Calibre 9 mm, de uso restrito das forças armadas, municiada com 16 cartuchos intactos. Ao ser questionado a respeito da arma, ele alegou que trabalha como gerente na fazenda, recentemente reintegrada, e que seu patrão é um famoso advogado da cidade. Ele ainda relatou que o carro também pertence ao seu patrão, já a arma teria sido adquirida a alguns dias de um caminhoneiro pelo valor de R$ 1.500,00.
Os outros indivíduos ao ver a situação, se evadiram mata adentro não sendo localizados, porém, os militares perceberam que estavam em posse de uma arma longa, tipo espingarda. Segundo R. F. D., os homens também são funcionários da fazenda e prestam serviços de segurança na área. O segundo detido, J. S. B (20 anos), informou que apenas trabalha no local.
Diante dos fatos, os homens e a arma apreendida foram conduzidos à Delegacia de Policia Civil e entregues aos comissariados de plantões para providências cabíveis".
Famílias da Ass. Canarinho. foto cptro

Um local reivindicado para reforma agrária.
O Lote 52 da linha 135, da gleba Corumbiara está sendo reivindicada por 75 famílias da Associação Canarinho, grupo da Central de Associações de Vilhena de pequenos agricultores, que sofreram despejo da área em 11 de junho de 2014. 
Em virtude de acordo judicial, eles aguardam a decisão do Terra Legal sobre anulação do título provisório da terra, que deve decidir sobre o domínio da área em conflito, estando cadastrados pelo INCRA como famílias que requerem aquela terra para reforma agrária.

O dia 24 de fevereiro de 2015, foram despejadas do mesmo local umas quarenta famílias dissidentes da Associação Canarinho, apoiadas pelo LCP, que tinham ocupado novamente o Lote 52 e posteriormente instalaram seu acampamento num lote do Assentamento Águas Claras, também em Vilhena.

Em 2011 as famílias já sofreram agressões e despejo.
As famílias da Associação canarinho já sofreram atos de pistolagem em dezembro de 2011, quanto três homens encapuzados armados intimidaram mulheres e crianças acampadas, atirando para cima e queimando um barraco com todos os pertences, no dia 03/12/11. No dia depois do Natal, em 26/12/11, uma ponte que dá acesso ao local, na Linha 135 foi derrubada, isolando os acampados. O único benefício existente no local antes do acampamento era a mata queimada e a extração clandestina de madeira.

Nova ocupação em setembro de 2012.
As famílias da Associação Canarinho tinham realizado uma nova ocupação pacífica de terras no Lote 52 em setembro de 2012, sendo despejados no dia 07 de novembro de 2012, segundo notícia publicada pela NOTÍCIAS DA TERRA. A reintegração na época tinha sido pedida por Duílio Lourenço Duarte, apresentando apenas documento de compra venda tendo como vendedor o Banco Santander. Não constava nenhum registro do imóvel no cartório de Vilhena. Na reintegração de posse do Acampamento Canarinho foram presos quatro trabalhadores rurais que estavam no local e houve destruição e queima das moradias das pessoas. Após ordem de reintegração de posse em janeiro 2012 e os moradores acamparam na estrada.
O requerente da área de terra, o corretor de imóveis Duilio Duarte, foi assassinado o dia 03 de abril de 2013 em Vilhena, sendo preso no dia como assassino Vanildo de Souza Santos, sem clara relação com o conflito agrário. 
Ocupante da área foi assassinado em 2013
Uma morte no local por conflito de terras em 2013.
No mesmo local, o dia 09 de Maio de 2013, o agricultor Paulo Cesar Cordoval Ferreira, foi alvejado com tiros de espingarda quando trabalhava com um trator de pneu, na limpeza de uma área. O fato aconteceu na Linha 130 no lote 52 setor 12 gleba Corumbiara na área ocupada pela Associação Canarinho, acampada nas proximidades. O falecido era conhecido como "CÉSAR DA CARREGADEIRA", e o autor da morte seria conhecido por extração ilegal de madeira ilegal e teria vendido para César um lote ocupado por outra pessoa, provocando o conflito pela terra.

domingo, 29 de março de 2015

Dom Moacyr Grechi: Semana Santa: a Cruz que o povo carrega!

“os direitos já fragilizados dos povos indígenas, quilombolas, assentados e acampados, pescadores, ribeirinhos, vazanteiros, seringueiros, extrativistas, fundo e fechos de pasto, posseiros e camponeses são esmagados pelos interesses de um modelo de desenvolvimento que devora terras, territórios, tradições e modos de vida distorcendo a lei a seu dispor, cooptando e corrompendo processos e lideranças, usando a força e até assassinatos” (Assembleia CPT 2015).

Alagação em Brasileia, Acre. fotoagencia.ac

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 465 - Edição de Domingo – 29/03/2015

Semana Santa: a Cruz que o povo carrega!

Estamos celebrando o Domingo de Ramos e iniciando a Semana Santa; a grande semana em que se celebra a vida, a morte e a ressurreição de Jesus; mistério central de nossa fé; mistério pascal, da passagem da vida para a morte e da morte para a ressurreição.
Hoje, Coleta Nacional da Solidariedade, somos chamados a assumir o gesto concreto da Campanha da Fraternidade em prol dos necessitados e objetivos da CF 2015. Jovens do mundo inteiro celebram a Jornada mundial da Juventude em preparação à JMJ de 2016 em Cracóvia, Polônia (26-31/7) que tem como tema “Bem aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia” (Mt 5,7).
O papa, em sua mensagem para este dia, agradece a Deus pelos preciosos frutos que a JMJ produziu na vida de tantos jovens por toda terra; “quantas descobertas importantes, sobretudo as de Cristo, Caminho, Verdade e Vida, e da Igreja como uma família grande e acolhedora; quantas mudanças de vida, quantas decisões vocacionais brotaram daqueles encontros”!
Durante cinco semanas da Quaresma preparamos os nossos corações pela oração, pela penitência e pela caridade. Com a Semana Santa iniciamos, com toda a Igreja, a celebração da Páscoa de nosso Senhor.
Para realizar o mistério de sua morte e ressurreição, Cristo entrou em Jerusalém, sua cidade, dando pleno cumprimento às Escrituras. Ele desceu ao nosso encontro, partilhou da nossa humanidade, fez-se servo dos homens, doou a sua vida para que o egoísmo e a injustiça fossem vencidos. Celebrando com fé a memória desta entrada, sigamos os passos de nosso Salvador para que, associados pela graça à sua cruz, participemos de sua ressurreição e de sua vida (VP).
A liturgia do Domingo de Ramos nos introduz na dinâmica deste mistério de amor: “Bendito és tu que vens com tanto amor” (Antífona/entrada). Obediente ao projeto do Pai, Jesus entra em Jerusalém como prefiguração de sua entrada na Glória (Mc 11,1-10/procissão). Trata-se da caminhada de Jesus até ao ponto culminante da sua existência terrena. Em Jerusalém, ele irá completar sua missão. Assim como a multidão estendia seus mantos e o aclamavam com ramos de oliveira, hoje, em procissão, carregamos ramos, recordando o acontecimento. Os ramos eram sinal de alegria, porque o povo tinha em Jesus o seu rei e messias. Eles serão abençoados e levados para as casas como recordação de Cristo vencedor da morte.
Na leitura da Paixão, Jesus, o Filho de Deus, é condenado à morte de cruz (Mc 14,1-15,47). A cruz é compreendida como escândalo e loucura para judeus e gregos. Talvez isso explique o fato da fuga dos amigos de Jesus no acontecimento da sua trágica morte.
A celebração da Páscoa marcava a noite em que o povo de Deus foi libertado da escravidão do Egito. Jesus vai ser morto como o novo cordeiro pascal: sua vida e morte são o início de novo modo de vida, no qual não haverá mais escravidão do dinheiro e do poder. A ceia pascal de Jesus com os discípulos recorda a multiplicação dos pães. Ela substitui as cerimônias do Templo e torna-se o centro vital da comunidade formada pelos que seguem a Jesus. O gesto e as palavras de Jesus não são apenas afirmação de sua presença sacramental no pão e no vinho. Manifestam também o sentido profundo de sua vida e morte, isto é: Jesus viveu e morreu como dom gratuito, como entrega de si mesmo aos outros, opondo-se a uma sociedade em que as pessoas vivem para si mesmas e para seus próprios interesses (BP). Na ausência de Jesus, os discípulos são convidados a fazer o mesmo: partilhar o pão com os pobres e viver para os outros.
Jesus é o Filho querido de Deus, que une sua vontade à do Pai, para, pelo dom da própria vida, vencer as feras que dominam este mundo e quebrar sua força definitivamente (Konings). Ao ser condenado pelo sumo sacerdote de seu povo, ele se proclama portador de uma autoridade: a do Filho do Homem. Quando ele morre na cruz, por causa da justiça e do amor, o representante do mundo universal, o militar romano, exclama: “Este era de fato Filho de Deus”. Ambos os títulos significam o respaldo que Deus dá a Jesus, e que se verificará na gloriosa ressurreição dentre os mortos. Jesus é vencedor pela morte por amor em obediência filial (Filho de Deus), mas também pelo julgamento que derrota o poder deste mundo (Filho do Homem).
O profeta Isaías descreve a missão do Servo sofredor como aquele que confia em Deus, seu Auxiliador, sem resistência (Is 50,4-7). Sempre é Deus que age, tanto para o discípulo falar quanto para ouvir. A imobilidade não faz parte do perfil daquele que segue Jesus. A figura do servo sofredor abre uma perspectiva nova. O servo padece o sofrimento porque veem nele a consequência dos pecados do povo. Ele carrega as dores dos outros. Todavia, o martírio vivido pelo servo se apresenta como a cura para os demais (VP).
Precisamente porque Deus exaltou Jesus da morte (Aclamação), revelando seu ser como Amor desmedido e transbordante. A palavra da cruz é uma palavra de vida, que diz que Deus assumiu a história da vida, paixão e morte de Jesus. Em Jesus, Deus assumiu a humanidade e sua morte, por isso, nos sacramentos, buscamos alcançar a ressurreição, a vida nova do Ressuscitado (Or. comunhão).
Paulo Apostolo apresenta Cristo obediente (Fl 2,6-11). Elevado à condição de Senhor, não se apresenta como um César. Jesus sempre se apresentará como um Senhor que é, ao mesmo tempo, um servo. Por isso é o único que pode esvaziar-se de si mesmo e humilhar-se, assumindo a condição de um escravo. Não importa se essa obediência o levará à morte. O que mais importa é a presença dele entre as muitas cruzes que o Império Romano disseminava naquela época e as muitas cruzes que o nosso povo hoje precisa carregar.
Mas sua morte, que poderia ser entendida e sentida como um apartar-se de Deus (Sl 21) é momento de comunhão suprema de Deus com Jesus e, Nele, com a humanidade inteira e o cálice é bebido como vontade do Pai (Ant. comunhão).
Somente percorrendo o caminho da fé (seguimento), podemos entender Jesus (sentido do segredo messiânico). Ou seja, em um mundo de pecado e injustiça, o Amor é o único caminho de superação da opressão (J.B.Burnier).
O que pode significar para nós e nossas Comunidades Eclesiais de Base seguir Cristo crucificado hoje, no contexto amazônico? Devemos, segundo o teólogo Jon Sobrino, “deixar-nos impactar pela realidade” (J.Sobrino):

Nosso povo do Acre vive a maior enchente de sua história. Nossas comunidades ribeirinhas padecem novamente devido as inundações e nossa gente das pequeninas comunidades está desalojada. A Amazônia continua sendo saqueada;
  • “os direitos já fragilizados dos povos indígenas, quilombolas, assentados e acampados, pescadores, ribeirinhos, vazanteiros, seringueiros, extrativistas, fundo e fechos de pasto, posseiros e camponeses são esmagados pelos interesses de um modelo de desenvolvimento que devora terras, territórios, tradições e modos de vida distorcendo a lei a seu dispor, cooptando e corrompendo processos e lideranças, usando a força e até assassinatos” (Assembleia CPT 2015).
Sofrem a juventude, as mulheres e crianças das comunidades. Vivem uma Semana Santa ameaçadora. “Nem toda vida é ocasião de esperança, mas o é, sim, a vida de Jesus, quem, por amor, tomou sobre si a cruz” (Moltmann).
Nosso povo completa em sua carne o que falta à paixão de Cristo. Estar ao pé da cruz de Jesus é estar ao pé das cruzes da história, é absolutamente necessário para conhecer o Deus crucificado (Jesus, o Libertador).
Participemos intensamente do tríduo Pascal: começa na 5ª-feira com a Missa da Ceia até o domingo da Páscoa. É o ápice do ano litúrgico porque celebra a Morte e a Ressurreição do Senhor, quando Cristo realizou a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus pelo seu mistério pascal, quando morrendo destruiu a nossa morte e ressuscitando renovou a vida. Iniciando o Tríduo Pascal, Dom Esmeraldo e os presbíteros celebram na Catedral, às 8h, a Missa do Crisma (Missa dos Santos Óleos). Todos são convocados para este momento de profunda comunhão de toda a Igreja arquidiocesana, renovando sua pertença eclesial, elevando ação de graças pela instituição do sacerdócio, renovando seu compromisso pastoral e missionário.
Possa a expectativa da Páscoa definitiva animar-nos para testemunhar a confiança na misericórdia divina, o amor gratuito a todos, a luta pelos direitos humanos, o serviço aos necessitados e o perdão das ofensas. A todos uma abençoada Semana Santa e uma Feliz Páscoa!

sábado, 28 de março de 2015

PM prende pistoleiros acusados de maltratar camponeses sem terra, em Machadinho, Rondônia.

Polícia teria prendido pistoleiros da Fazenda Jatobá. foto anarinoticias.

Em Machadinho elementos armados invadem acampamento, batem, torturam, roubam e ameaçam sem terras, 4 foram conduzidos.
Na manhã desta sexta-feira (27.3.15) a Central de Operações da Polícia Militar de Machadinho do Oeste recebeu a informação que 12 elementos com armas de fogo de grosso calibre e vestidos com roupas do exército invadiram um acampamento de sem terras que fica localizado na Fazenda Jatobá, aproximadamente 45 kilômetros do município de Machadinho do Oeste, ameaçaram, bateram, torturaram e roubaram os acampados. 
Logo o comandante da polícia militar de Machadinho, Ten PM Estrela, reforçou o policiamento na área central de Machadinho se precavendo de um possível assalto a banco e fez contato com os quartéis das cidades circunvizinhas solicitando apoio. Com a chegada de guarnições de Jaru, Theobroma, Vale do Anari, 5º BEC e com apoio do GOE e da Polícia Civil os policiais deslocaram ao local do conflito.
Chegando no local os sem terras confirmaram o ocorrido, informando que por volta das 06h30min vários homens encapuzados, com armas de grosso calibre e alguns encapuzados e roupas do exército, invadiram o acampamento dando tiros para o alto e renderam alguns acampados que estavam no local. Segundo informações foi tomado algumas armas de fogo que se encontravam com os sem terras, dentre elas uma espingarda e um revólver. Após começaram a ameaçar, bater e torturar os sem terra querendo saber aonde estavam as outras armas do acampamento.
No local encontravam-se vários sem terras lesionados, o qual o corpo de bombeiros realizou os primeiros atendimentos, entre eles um dos acampados relatou que os elementos lhe pegaram e com um isqueiro ficaram queimando sua orelha querendo que o mesmo contasse onde estavam as armas do acampamento. Um outro segundo os próprios sem terra apanhou de facão, o qual estava com as costas toda marcada. Ainda em conversas com os policiais os sem terras relataram que os elementos ainda tiraram fotos deles dizendo que voltariam ao local. 
Após as ações, segundo os acampados, os elementos evadiram do local a pé sentido a sede da fazenda, levando as duas armas de fogo, vários objetos pessoais e um motosserra.

A polícia na Fazenda Jatobá. foto: anarinoticia
Com base nas informações os policiais se distribuíram, realizaram um cerco e iniciaram várias diligências, onde durante um deslocamento das guarnições para a sede da fazenda os policiais apreenderam 2 elementos em um Fiat strada de cor prata que logo foi reconhecido por uma das vitimas. Quando os policiais chegaram próximos a sede da fazenda que estava com a porteira cadeada, logo alguns elementos saíram correndo para a fundiária da propriedade. Os policiais tentaram capturar os mesmos porém sem êxito. Em revista na sede da fazenda foi encontrada várias pecas de roupas do exército, uma garrucha, uma espingarda e um motosserra que segundo um dos acampados era o que foi roubado do acampamento. Posteriormente os policiais encontraram um aparelho celular o qual continha fotos de pessoas com fardas do exército e bala clava. Nas diligências também foram apreendidas várias motocicletas. Diante dos fatos o proprietário da fazenda e seu vaqueiro também foram conduzidos até a Delegacia de Polícia Civil de Machadinho do Oeste o qual foram apresentados a autoridade policial devido as evidências encontradas.

Fonte: Anarinoticia

quinta-feira, 26 de março de 2015

Advogada popular de Rondônia palestra sobre direito agrário na UFG de Goiânia


Palestra debate, promovido pela ABRAPO no dia 19 de março no Salão Nobre da Faculdade de Direito da UFG, em Goiânia. O evento recebeu a advogada popular de Rondônia Lenir Correia.

Jaru: trabalhadoras rurais realizam Marcha das Margaridas Municipal


Mulheres trabalhadoras rurais do município de Jaru estiveram em marcha, nesta quarta-feira (25) pelas ruas do município. Sob coordenação do STTR de Jaru, por meio da secretaria de mulheres, elas realizaram a Marcha das Margaridas Municipal.
A marcha municipal, além de cumprir o propósito de reivindicação, proposição, diálogo e negociação política com o governo, foi alusiva ao Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 de março, reforçando que a data, historicamente, é um dia de luta por visibilidade, reconhecimento social e político e cidadania plena; da mesma forma que se propõe a Marcha das Margaridas.
As participantes e os participantes do ato concentraram-se na praça municipal e seguiram pela avenida Padre Adolpho Rohl até a sede da prefeitura expondo faixas e cartazes que sintetizavam suas reivindicações e proposições por desenvolvimento sustentável com democracia, justiça, autonomia, igualdade e liberdade. Em diversos pontos do percurso, foram realizados momentos de falas, que esclareciam à toda população jaruense seus motivos e objetivos com aquela ação e revelando a capacidade de mobilização e organização das mulheres do campo. A secretária de mulheres da FETAGRO, Izabel de Oliveira, e a secretária de política agrícola, Elessandra Dutra, participaram ativamente da ação considerada por elas como de fortalecimento da luta pela vida com dignidade e por uma sociedade igualitária que respeite mais as mulheres e reconheça sua importância e força.
Já no início da tarde, a comissão de negociação da Marcha foi recebida pelo chefe de gabinete da prefeita Sônia Cordeiro (PT), Carlos Henrique, e secretários de todas as secretarias municipais. A prefeita foi representada por estar cumprindo agenda na capital federal, Brasília. Mas a pauta de reivindicações e proposições havia sido entregue no último dia 6 à Administração Municipal.
A pauta, de acordo com a diretoria do STTR de Jaru, foi construída em conjunto com a base rural em diversas reuniões norteadas por levantamento de demandas, análises, avaliações e diagnóstico de realidades. Contudo, apresenta propostas em áreas como agricultura, saúde, educação, meio ambiente, infraestrutura, assistência social e esporte.
Destaque para reivindicações como: acompanhamento técnico para agricultores cadastrados no PAA e Pnae; acompanhamento às agroindústrias no município; adequação á lei municipal que rege o Serviço de Inspeção Municipal (SIM); criação de mecanismo de atendimento específico à saúde na área rural; implantação de serviço de reciclagem de lixo articulando ações no campo e na cidade; criação de programa para recuperação de igarapés de rios urbanos e rurais, visando melhor qualidade da água; recuperação de linhas e travessões; recuperação de pontes e galerias; entre outras.
Segundo a coordenação da comissão, esta rodada de negociação foi avaliada como positiva com alguns resultados concretos e importantes encaminhamentos, que asseguram novas rodadas de diálogo para efetivo atendimento às reivindicações e proposições das (os) trabalhadoras (es) rurais.

Fonte: Fetagro
*foto: Jean Almeida

quarta-feira, 25 de março de 2015

Curso de agroecologia sobre produção de leite

Prof. Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho.
foto UFSC
O Projeto Padre Ezequiel PPE e a Rede de Agroecologia Terra Sem Males de Rondônia está convocando aos participantes da primeira turma de Formação Continuada em Agroecologia e demais interessados dos grupos de agricultores/as agroecológicos a participar do 3º módulo do curso dedicado a PRODUÇÃO DE LEITE AGROECOLÓGICO EM SISTEMAS PASTOREIO RACIONAL VOISIN para os dias 15, 16 e 17 de Abril de 2015 em Ji Paraná. 
O módulo de formação será realizado com assessoria do Profº Dr Luiz Carlos Pinheiro Machado, referência internacional na Produção de Leite Agroecológico em Sistema de Pastoreio Racional Voisin, 
a partir da leitura e debate do livro “A Dialética da Agroecologia, Contribuição para um mundo com alimentos sem veneno".
Além dos alunos do curso de Formação Continuada em Agroecologia, o módulo está aberto a outros participantes se tiver vagas disponíveis, devendo se inscrever até dia 02 de Abril de 2015 pelos emails ou telefone do setor agrícola do Projeto Padre Ezequiel, da Diocese de Ji Paraná.(telefone 3416-4200).

Rondônia assentou 802 famílias em 2014, diz o INCRA.


Assistência rural do Incra em assentamento. foto incra

A superintendência do Incra em Rondônia investiu nas ações de reforma agrária e ordenamento fundiário do estado o valor de R$ 30,3 milhões em 2014, conforme relatório de gestão entregue ao Tribunal de Contas da União (TCU) na sexta-feira (20).
O órgão assentou 802 famílias no ano e prestou atividades de Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar (Ater) a 8.935 famílias no estado. Realizou também ações de desenvolvimento e regularidade dos assentamentos, tanto fundiárias quanto ambientais.
“Com esse relatório demonstramos a importância social, econômica e ambiental do Incra para Rondônia”, afirmou o superintendente regional do órgão, Luís Flávio Carvalho Ribeiro. Existem atualmente 217 projetos de assentamento criados pelo Incra em Rondônia com 38.773 famílias, em aproximadamente seis milhões de hectares.
Segundo o superintendente, os principais valores que norteiam o trabalho do Incra são a democratização do acesso à terra, a qualidade de vida nos assentamentos e inserção produtiva, o reconhecimento da propriedade rural e o cumprimento de sua função social em observância à legislação.
No ano foram emitidos 735 Contratos de Concessão de Uso (CCU's), documento que habilita os beneficiários dos projetos de reforma agrária a explorarem o lote pelo prazo de cinco anos, e 66.755 Certificados de Cadastro de Imóveis Rurais (CCIR's). Foram certificadas peças técnicas de georreferenciamento em cerca de dois milhões de hectares.
Com o objetivo de obter terras para a reforma agrária, o órgão realizou vistoria em 19 imóveis com cerca de 240 mil hectares. Além disso, gerenciou 13.489 imóveis e supervisionou a ocupação de 4.639 parcelas de projetos de assentamentos.
O superintendente regional comemorou recente Acórdão do TCU (Nº. 945/2015) aprovando prestação de contas da regional no exercício de 2012. Ele estima que a superintendência disporá de valor equivalente ao de 2014 no exercício de 2015. “Temos muitas ações planejadas com foco na disponibilização de imóveis para a reforma agrária, atuação nos conflitos agrários e desenvolvimento dos assentamentos já criados, e estamos sempre buscando parcerias para a concretização desses objetivos”, disse.

Fonte: INCRA

segunda-feira, 23 de março de 2015

Também para a Agência Nacional de Águas (ANA) a Usina de Jirau agravou inundações.

Em matéria assinada por André Borges, no Estado de São Paulo, do dia 19/03/2-15, que reproduzimos abaixo a ANA (Agência Nacional de Águas) acusa a Usina de Jirau de agravar as inundações de 2014 que deixaram isoladas a região de Guajará Mirim e o Estado do Acre. Segundo informações locais, desmentindo o presidente da ESBR, a BR 364não foi levantada este ano, apenas no período de construção da usina, que resultou insuficiente o ano passado. Cidades como Buritis, Guajará Mirim e Porto Velho já estão sofrendo alagações e esta última cidade já tem mais de 200 famílias atingidas.
Alagação em Guajará Mirim. foto portalguajará


19 Março 2015 | 05h 32
Para a Agência Nacional de Águas, o consórcio construtor não cumpriu plano de proteção contra cheias que poderia evitar avanço do Rio Madeira
A Agência Nacional de Águas (ANA) acusou o consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESBR), dono da hidrelétrica de Jirau, de não ter executado todas as obras exigidas da empresa para evitar novas inundações do Rio Madeira. Em fase de conclusão, Jirau está localizada a cerca de 120 km de Porto Velho (RO).
Em ofício encaminhado em 26 de janeiro para o consórcio de Jirau, o presidente da ANA, Vicente Andreu, diz que "a não implementação integral das medidas estruturais de proteção contra inundações de responsabilidade dessa empresa (ESBR)" passou a exigir "medidas adicionais para atender às condicionantes de proteção das infraestruturas e localidades a montante (acima) do reservatório da hidrelétrica Jirau".
Por causa dessa situação, declara Andreu, a ANA decidiu adotar "regras operativas excepcionais e transitórias de operação da hidrelétrica Jirau para a cheia de 2015, até que as medidas de proteção definitivas" sejam implementadas pelo consórcio. Segundo o presidente da ANA, tais medidas estão previstas desde abril de 2009, quando a agência publicou a resolução que estabelece as regras de operação da usina.
No ano passado, várias cidades de Rondônia ficaram debaixo d'água e deixaram milhares de pessoas desabrigadas, por causa da pior cheia dos últimos cem anos. À época, houve troca de acusações entre os donos de Jirau e de Santo Antônio, a segunda hidrelétrica em fase de conclusão no Rio Madeira, por causa dos desentendimentos a respeito do controle de águas em suas barragens.
As chuvas deste ano estão mais fracas, mas permanecem acima da média histórica e já causam estragos na região de Porto Velho. A Secretaria Municipal de Projetos Especiais e Defesa Civil já teve de realocar mais de 200 famílias por causa de alagamentos em vários bairros. Barracas foram montadas para abrigar a população.
Como a barragem de Jirau está longe da capital, a cerca de 120 km rio acima, a preocupação com a hidrelétrica concentra-se, na realidade, em novos riscos de inundação da BR-364, estrada que liga Porto Velho a Rio Branco (AC). No ano passado, um trecho ficou totalmente alagado, isolando o Acre do resto do País. A usina chegou a ser responsabilizada.
Questionado sobre as afirmações da ANA a respeito de ações não executadas desde 2009, o diretor-presidente da Energia Sustentável do Brasil, Victor Paranhos, disse que o consórcio já tomou medidas para conter alagamentos e que, neste ano, "não há nenhuma possibilidade" de a BR-364 ser alagada.
"Isso tudo já é passado. Fizemos tudo o que tinha de ser feito, aumentamos a altura de um trecho de 30 km da BR. Até realocamos famílias que poderiam ser atingidas neste ano, mas nem isso seria necessário, porque o pico da cheia já passou e estamos longe de ter a situação crítica que vimos em 2014. Hoje há borda livre do rio superior a um metro", disse Paranhos.
As medidas contra inundações, segundo o executivo, teriam custado cerca de R$ 200 milhões ao consórcio. Apesar de dar as tarefas como concluídas, o presidente do ESBR disse que o consórcio discute com a ANA o que ainda precisa ser feito em relação a obras definitivas.
"Estamos conversando para acertar isso. Vamos apresentar um novo projeto de remanso. Mas o importante é que não existe mais nenhum risco de alguém ficar ilhado." Perguntada sobre o assunto, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não respondeu ao pedido de entrevista até o fechamento desta edição. A ANA não comentou o caso.