sábado, 27 de junho de 2015

Dom Moacyr Grechi: Luta permanente pela justiça!

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 478 - Edição de Domingo – 28/06/2015


Luta permanente pela justiça!

Porto Velho torna-se novamente cenário de um evento eclesial de grande importância para o Estado e para todo o país. Trata-se do IV Congresso Nacional da Comissão Pastoral da Terra (UNIR/12-17/07), que está completando 40 anos de serviço pastoral (22/06) junto aos trabalhadores e trabalhadoras da terra e suas lutas por dignidade e justiça social e tem por tema e lema: “Faz escuro, mas eu canto: memória, rebeldia e esperança dos pobres do campo”.
Acompanhando a CPT desde seu início, reafirmo com Ivo Poletto, primeiro secretário da entidade, que “os verdadeiros pais e mães da CPT são os peões, os posseiros, os índios, os migrantes, as mulheres e homens que lutam pela sua liberdade e dignidade, numa terra livre da dominação da propriedade capitalista”. Comungando as dores e o sofrimento das comunidades do projeto Reca, devido ao recente incêndio, acompanhamos também os conflitos de terra e as lutas dos agricultores de Machadinho, Rio Pardo, Porto Velho, Buritis.
Retorno da Itália, com sentimentos de gratidão a Deus, em 1º lugar, pelos 54 anos de minha ordenação presbiteral, que celebro amanhã, por sua infinita misericórdia; em 2º lugar, pela existência das Comunidades Eclesiais de Base, pequeninas comunidades perseverantes e missionárias, espalhadas pela imensa Amazônia e por todo Brasil. Sobre elas, escrevi na edição 34 da Revista Eclesiástica Brasileira (REB, Vozes, dez/1974, vol.34, fasc.136, pg.898-918):
Nas CEBs a evangelização encarnada procura ser resposta às necessidades reais da população, leva à purificação da fé que vai se tornando mais livre, provoca uma opção de vida em favor dos pobres e marginalizados. Nelas, surgem as lideranças populares, animadores dos grupos de evangelização, diversos ministérios, vocações sacerdotais e religiosas. Os grupos juvenis estão inseridos com os grupos de adultos na própria comunidade eclesial. Cresce a necessidade de aprofundamento da formação, aprofunda-se a consciência da necessária da ligação entre fé e problemas sócio-econômico-políticos.
Precisamos favorecer o crescimento de mulheres e homens novos, capazes de responsabilidade e iniciativa, não só para a edificação da comunidade cristã, mas também para a construção de uma sociedade civil, justa, solidaria e fraterna. Só teremos igreja – comunidade de fé, de oração e de caridade – quando muitos batizados assumirem, segundo seus dons e capacidades, o compromisso de serem os animadores de pequenos grupos de pessoas onde se lê, medita e reflete sobre o evangelho (Comunidade de Fé); onde, confiantes na presença do Senhor, se reza e cantam juntos, santificando o dia do Senhor (Comunidade de oração); onde se aprende a amar, perdoar, servir e a viver como irmão (Comunidade de Caridade).
O Encontro Regional das Comunidades Eclesiais de Base do Regional Noroeste da CNBB (26-28/06) acontece no contexto da celebração de duas colunas da Igreja: Pedro e Paulo. Com eles Cristo iniciou a Igreja. A Festa é amanhã, mas pela importância, a celebração litúrgica é transferida para o domingo.
A temática do Encontro Regional das CEBs “Leigos, Missão e Desafios urbanos”, desenvolvida pelo assessor nacional das CEBs Celso Carias, está em sintonia com o próximo Intereclesial de Londrina.
Desde o começo de sua caminhada pastoral, a Arquidiocese de Porto Velho optou pelas Comunidades Eclesiais de Base, como um sinal vivo na ação evangelizadora e pastoral de todas as paróquias, movimentos, organismos, pastorais e serviços: queremos ser Igreja “no meio urbano, rural, ribeirinho e dos povos da floresta, preservando a criação, promovendo a dignidade da pessoa, renovando a comunidade, participando da construção de uma sociedade justa e solidária, “para que todos tenham Vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10)
Nossas cidades não foram pensadas para ser a “boa casa” dos seus habitantes, escreveu certa vez, dom Antonio Possamai. A questão urbana não deve ser encarada como um espaço de competição, mas de ações cada vez mais fortes de evangelização. A cidade tornou-se o lugar do privado e não do coletivo. É o lugar do isolamento e da perda da própria personalidade. Evangelizar a cidade, tanto em sua dimensão de cidade, como de grupos, idades, estruturas e famílias é um desafio muito grande.
As CEBs urbanas têm como centro a Palavra de Deus; a Bíblia é ponto de partida da ligação Fé-vida. A Comunidade é o lugar de vivência dos sacramentos e celebração da vida e fraternidade. Vivencia o compromisso do serviço, empenho na sociedade e fé ativa. Nas CEBs há o consenso da dimensão participativa da Palavra de Deus, encarnando o poder-serviço do Evangelho.
Embora tenham hoje pouca visibilidade na mídia (ao contrário dos anos 80, quando sua força política assustava as classes dirigentes), elas são a maior força de mobilização da Igreja na sociedade, uma vez muitos de seus membros participam também de organismos da sociedade civil (Pedro Ribeiro).
Tendo a nossa frente os grandes desafios da pastoral urbana, reafirmar nossa opção pastoral pelas CEBs significa fidelidade ao projeto de Jesus; busca da comunhão eclesial; respeito às diferenças e ao pluralismo; não ao conformismo, prestando atenção e valorizando pessoas, grupos e movimentos minoritários dentro da comunidade. Significa pensar uma comunidade toda ministerial, criando novos ministérios, para favorecer o exercício do sacerdócio comum e a participação ativa de todos; favorecer a criação de redes de comunidades, mais atuais para a nossa realidade de periferias urbanas, como células primárias e fundantes da Igreja Particular e Universal; priorizar as relações interpessoais, acima da estrutura, tendo um carinho especial com a pastoral da acolhida; colocando o excluído no centro, sendo Igreja a partir deles (Pe. Geraldo Siqueira).
A Igreja celebra o martírio de Pedro e de Paulo na mesma data porque eles estiveram unidos no mesmo propósito: seguir Jesus até a morte. Ambos são alicerces vivos do edifício espiritual que é a Igreja (VP). Pedro e Paulo representam duas vocações na Igreja, duas dimensões do apostolado, diferentes, mas complementares. As duas foram necessárias para que pudéssemos comemorar, hoje, os cofundadores da Igreja universal. A complementaridade dos dois “carismas” continua atual: a responsabilidade institucional e a criatividade missionária (Konings).
Fundada numa fé forte como a rocha e confiante nestas palavras de Jesus, as comunidades cristãs caminham entre luzes e sombras, buscando servir os homens e mulheres de todos os tempos como aprendeu de seu Mestre e Senhor, para que todos tenham vida (Mt 16,13-19). A comunidade nasce do reconhecimento de quem é Jesus. Reconhecer Jesus desse modo é ser bem-aventurado, porque assim o cristão mergulha no projeto de Deus realizado em Jesus. A primeira função do líder é, pois, manter de pé a esperança da comunidade em torno da justiça que inaugura o Reino. E o cristianismo, o que é? É o prolongamento da ação de Cristo que promove a justiça e a torna possível.
No evangelho fica claro que a comunidade deve testemunhar o projeto de Deus em meio aos conflitos. No livro dos Atos (At 12,1-11) encontramos a comunidade cristã que dá testemunho no sofrimento; ela faz ver quem está a favor e quem está contra Jesus e experimenta a solidariedade de Deus, que a liberta de situações difíceis. Deus é aquele que liberta continuamente a comunidade dos seus seguidores. Da mesma forma como libertou Jesus da morte, assim também conduzirá a comunidade através dos conflitos, a fim de que, libertada, possa continuar anunciando o projeto de Deus.
Paulo Apóstolo, prisioneiro e condenado à morte, fala cheio de gratidão e esperança e aguarda com confiança o encontro com o Senhor(2Tm 4,6-8.17-18): “terminei minha carreira, guardei a fé”.
Aqui, nossa vida do cristão é comparada a uma batalha e a um esporte de olimpíada: “Combati o bom combate, terminei minha carreira”. A última palavra não é da morte, mas de Deus, que dá vida plena aos que nele se abandonam. Cabe a cada um de nós, conservar a fidelidade a Cristo, na solidariedade do “bom combate” (Konings).
Como no tempo de Pedro e Paulo, trata-se da permanente luta pela justiça em meio às contradições e abusos. E de sinalizar o caminho da verdade, a fim de construirmos a verdadeira cidadania, em vista de um futuro de justiça e paz!

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Em Machadinho D’Oeste: 52 famílias de sem terra na iminência de serem despejadas de assentamento da Reforma Agrária.




Nenhuma família sem casa,
Nenhum camponês sem terra;
Nenhum trabalhador sem direitos. (Papa Francisco, 28/10/2014)







É grave para os que ainda acreditam na reforma agrária, aceitar que existe
concentração de terras dentro de Projeto de Assentamento do INCRA, o que deveria contemplar o pequeno trabalhador, vem sendo utilizado pelo latifúndio como demonstração de poder. O camponês vem sendo preterido até mesmo dos meios de aquisição de terra que foram destinadas a eles, como é o caso dos assentamentos da reforma agrária. Este não será um fato isolado de famílias sendo despejadas de assentamentos já consolidados, o mesmo ocorreu dentro do Projeto de Assentamento Flor do Amazonas e Projeto de Assentamento Florestal Jequitibá.
As famílias estão desesperadas, pois, o despejo está previsto para amanhã (25/06/2015) e elas não tem para onde ir e seu futuro é incerto. A crença na conquista justa e pacífica de um pedaço de terra será apagada, mais uma vez, a agricultura familiar está sendo suprimida pela pecuária. Tem-se informações de que pelo menos 21 crianças estudam na escola municipal João Paulo II, próximo ao acampamento, que com a execução da medida, esses menores serão prejudicados emocionalmente e também no que tange ao aproveitamento escolar.
No despacho, o Juiz Federal determinou a destruição das casas e plantações feitas pelos camponeses, bem como, delimitou que eles fossem levados a uma distância mínima de 70 a 90 km do assentamento. 
Dos fatos
Trata-se de uma área dentro do Assentamento Santa Maria II, Machadinho D’Oeste, onde o Requerente da Ação de Reintegração de Posse, diz-se possuidor de 18 (dezoito) lotes, sendo que pelo perfil exigido, um assentado somente pode receber um lote. A Autarquia agrária ingressou no processo federal com o pedido de oposição e durante Audiência Pública com o Ouvidor Agrário Nacional foi formalizado um acordo entre o Incra, o “Fazendeiro” e camponeses; onde a Autarquia informou que por se tratar de terras públicas federais às condições dos ocupantes era irregular e que poderiam permanecer no local por um tempo determinado até que fosse julgada a oposição e o Incra retomasse a área invadida. O acordo foi convencionado entre as partes, na presença de seus respectivos advogados e também de membros do MDA, MPF, Defensoria Pública Estadual, Polícias Federal e Militar, como também da Comissão Pastoral da Terra.
Na Ata da 825ª Reunião da Comissão Nacional de Combate a Violência no Campo, em Porto Velho/RO, na Sede do INCRA, no dia 29 de abril de 2015, às 14h20 horas, quando restou consignado dentre outros, os seguintes pontos: a) o requerente e seus filhos permanecerão ocupando a sede do imóvel rural denominado Sítio Alegre, localizado na linha SME-03, dentro do projeto de assentamento Santa Maria II, na zona rural do município de Machadinho do Oeste, até que o Incra conclua o levantamento ocupacional no projeto de assentamento Santa Maria II; b) os requeridos deslocarão todos os trabalhadores rurais, sem-terras, do acampamento Fortaleza para o lote 123 do projeto de assentamento do Incra denominado Santa Maria II, onde permanecerão até que o Incra os assentem como beneficiários do programa nacional de reforma agrária, preferencialmente no projeto do Incra denominado Santa Maria II, desde que preencham os requisitos legais;
Este acordo restou infrutífero, haja vista, o Judiciário Federal não ter acatado o pedido do Desembargador Agrário, mantendo a decisão. A Defensoria Pública da União e o Ministério Público Federal também peticionaram no processo solicitando pela suspensão da medida, no entanto, sem lograr êxito.
O princípio da dignidade da pessoa humana é mais uma vez violado. Como diz o ditado popular com nossos acréscimos: “o Estado é bom em dar com uma mão e tirar com a outra”. 

sábado, 20 de junho de 2015

Incêndio em cooperativa RECA causa prejuízo de R$ 1 milhão, em RO

Tida como exemplo e modelo de sustentabilidade da agricultura na Amazônia, com plantio de sistemas agroflorestais, o incêndio no RECA em Nova Califórnia, Porto Velho, Rondônia, é um duro golpe para a agroecologia de rostro amazônico. Reproduzimos informação divulgada pelo G1: 

Incêndio em galpão da cooperativa do RECA. foto divulgação
19/06/2015 16h41 - Atualizado em 19/06/2015 19h11 

Incêndio em cooperativa causa prejuízo de R$ 1 milhão, em RO 



Fogo destruiu barracões com produção de óleos e sementes.

Bombeiros devem avaliar projeto de prevenção de incêndio em cooperativa.
Gaia Quiquiô Do G1 RO 

Um incêndio no Distrito de Nova Califórnia, ocorrido na última sexta-feira (12), rendeu prejuízos de R$ 1 milhão à Cooperativa Coopereca, localizada na BR-364, quilômetro 1071, em Rondônia. A cooperativa tentou acionar o Corpo de Bombeiros de Porto Velho e Rio Brando (AC), mas sem efetivo e com transporte reduzido, não foi possível fazer o deslocamento e conter o fogo. Sozinhos, os cooperados conseguiram apagar o incêndio que consumiu três barracões. 
O fogo consumiu os barracões onde eram produzidos e armazenados óleos de castanha, andiroba, da manteiga de cupuaçu e sementes de pupunha, além de uma grande quantidade de manteiga de cupuaçu que estava em estoque e seria vendida. “Tudo foi perdido”, disse Cássia Lane, cooperada que trabalha no departamento administrativo. 
Entre as perdas, um equipamento de prensa para sementes e extração de óleos, foi destruído pelo fogo. O incêndio começou de madrugada e tomou conta dos galpões. Os cooperados tentaram acionar o Corpo de Bombeiros em Porto Velho, mas foram informados de que por causa da distância, cerca de cinco horas de viagem, e falta de caminhão, não seria possível atender a ocorrência. Já na capital acreana, município distante cerca de 150 quilômetros do distrito, o Corpo de Bombeiros alegou que levaria muito tempo para conseguir a documentação necessária para o deslocamento até o local. Os produtores se sentiram lesados e afirmam que na região onde moram vivem sem amparo. 

Fogo destruiu barracões e rendeu prejuízo de R$ 1 milhão

Segundo a cooperativa, cerca de 350 famílias da região foram afetadas, pois sobrevivem com a renda das vendas dos produtos em Rondônia e exportados para várias cidades do Brasil. Apesar da destruição, todos se uniram e pretendem reconstruir o que foi perdido. 

Projeto

O Projeto RECA, como é conhecido, significa Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado, desenvolvido por pequenos agricultores que tiram da floresta, alimentos típicos da Amazônia e preservam o meio ambiente. O RECA já recebeu prêmios nacionais e internacionais de preservação ambiental.

Invibabilidade

Ao G1, o Corpo de Bombeiros alegou inviabilidade, explicando que o efetivo está presente em apenas 14 municípios, de 52 existentes em todo o estado. Para o atendimento em Nova Califórnia, que fica a 350 quilômetros de Porto Velho, "ficou inviável enviar uma viatura, pois com a distância e o peso do caminhão, a viagem duraria cerca de sete horas e não seria possível reabastecer, caso fosse necessário". 

Dom Moacyr Grechi: Cidadania ecológica e Sede de justiça!

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 477 - Edição de Domingo – 21/06/2015

Cidadania ecológica e Sede de justiça!

A liturgia deste domingo apresenta Jesus como senhor da Natureza, que aplaca o mar e amansa as ondas (Mc 4,35-41). Ele é o Senhor da história e dos povos (VP). Um Deus que está no controle e é soberano sobre as forças que geram o mal (Jo 38,1.8-11). Que nos torna gratos pelos prodígios em favor dos homens (Sl 106/107) e nos faz experimentar a bondade do Deus Criador e Mantenedor da Criação. Em tempos de desconstrução, Paulo Apóstolo lembra-nos que somos membros de uma nova humanidade, a nova criação (2Cor 5,14-17).
Acolhemos a Palavra de Deus que ilumina nossa reflexão pastoral sobre a realidade e os grandes desafios que interpelam nosso peregrinar (CELAM). De um lado, os clamores das crianças, adolescentes e jovens, cada vez mais “supérfluos e descartáveis”. De outro, o grito da terra, que se une “aos de todos os abandonados do mundo” e chega até nós, pedindo-nos “mudança de rumo, conversão ecológica, compromisso e cuidado com nossa casa comum”(Laudato si).
“Felizes os que têm fome e sede da justiça, porque serão saciados” (Mt 5,6). A Igreja, Povo de Deus, missionária, misericordiosa e samaritana (EG 114), que tem por missão acolher a todos os que a sociedade descarta e rejeita (EG 195), não pode ficar indiferente às lutas por direitos, defesa da vida e construção de uma sociedade mais justa e solidária.

Temos acompanhado, nos últimos dias, os intensos debates sobre a redução da maioridade penal, provocados pela votação desta matéria no Congresso Nacional. Trata-se de um tema de extrema importância porque diz respeito, de um lado, à segurança da população e, de outro, à promoção e defesa dos direitos da criança e do adolescente. É natural que a complexidade do tema deixe dividida a população que aspira por segurança. Afinal, ninguém pode compactuar com a violência, venha de onde vier.
Em sua Mensagem sobre a Redução da Maioridade Penal (18/06), o Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dirigindo-se a toda sociedade brasileira, especialmente, às comunidades eclesiais, pede-nos uma opção clara em favor da criança e do adolescente: Digamos não à redução da maioridade penal e reivindiquemos das autoridades competentes o cumprimento do que estabelece o ECA para o adolescente em conflito com a lei.
E esclarece: É preciso, no entanto, desfazer alguns equívocos que têm embasado a argumentação dos que defendem a redução da maioridade penal como, por exemplo, a afirmação de que há impunidade quando o adolescente comete um delito e que, com a redução da idade penal, se diminuirá a violência. No Brasil, a responsabilização penal do adolescente começa aos 12 anos. Dados do Mapa da Violência de 2014 mostram que os adolescentes são mais vítimas que responsáveis pela violência que apavora a população. Se há impunidade, a culpa não é da lei, mas dos responsáveis por sua aplicação.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), saudado há 25 anos como uma das melhores leis do mundo em relação à criança e ao adolescente, é exigente com o adolescente em conflito com a lei e não compactua com a impunidade. As medidas socioeducativas nele previstas foram adotadas a partir do princípio de que todo adolescente infrator é recuperável, por mais grave que seja o delito que tenha cometido. Esse princípio está de pleno acordo com a fé cristã, que nos ensina a fazer a diferença entre o pecador e o pecado, amando o primeiro e condenando o segundo.
Se aprovada a redução da maioridade penal, abrem-se as portas para o desrespeito a outros direitos da criança e do adolescente, colocando em xeque a Doutrina da Proteção Integral assegurada pelo ECA. Poderá haver um “efeito dominó” fazendo com que algumas violações aos direitos da criança e do adolescente deixem de ser crimes como a venda de bebida alcoólica, abusos sexuais, dentre outras.
A comoção não é boa conselheira e, nesse caso, pode levar a decisões equivocadas com danos irreparáveis para muitas crianças e adolescentes, incidindo diretamente nas famílias e na sociedade. O caminho para pôr fim à condenável violência praticada por adolescentes passa, antes de tudo, por ações preventivas como educação de qualidade, em tempo integral; combate sistemático ao tráfico de drogas; proteção à família; criação, por parte dos poderes públicos e de nossas comunidades eclesiais, de espaços de convivência, visando a ocupação e a inclusão social de adolescentes e jovens por meio de lazer sadio e atividades educativas; reafirmação de valores como o amor, o perdão, a reconciliação, a responsabilidade e a paz.
Assumimos o compromisso de ser uma “Igreja a serviço da vida plena para todos”, através das Diretrizes Gerais da ação pastoral e evangelizadora (2015-2019). O serviço à vida começa pelo respeito e defesa à dignidade da pessoa humana, tratamento do ser humano como fim e não como meio, sem preconceito nem discriminação. Um olhar especial merece a família, as pessoas com deficiência, os idosos, as mulheres que sofrem violência. Crianças, adolescentes e jovens precisam de maior atenção (DGAE). Apoiemos, portanto, e promovamos em nossas paróquias e comunidades eclesiais a pastoral juvenil, do menor e da criança.

Não faltam sinais de esperança. A Encíclica Laudato Si, do papa Francisco, lançada no dia 18 de junho, nos impulsiona a viver a fraternidade universal (LS 228) e a educar para a criação de uma cidadania ecológica (211).
O nome da Encíclica ecológica (Laudato Si) foi inspirado na invocação de São Francisco “Louvado sejas, meu Senhor”, que no Cântico das Criaturas recorda que a terra “se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma mãe, que nos acolhe nos seus braços”. Agora, esta terra maltratada e saqueada se lamenta e os seus gemidos se unem aos de todos os abandonados do mundo.
No decorrer de seis capítulos, o Papa convida a ouvir esses gemidos, exortando todos à conversão ecológica, à mudança de rumo e à responsabilidade de um compromisso com o “cuidado da casa comum”. Portanto, ecologia integral é o coração da proposta da Encíclica como novo paradigma de justiça; uma ecologia “que integre o lugar específico que o ser humano ocupa neste mundo e as suas relações com a realidade que o circunda”. A esperança permeia todo o texto e, segundo o papa, não se deve pensar que esses esforços não mudarão o mundo. A crise ecológica, portanto, é um apelo a uma profunda conversão interior. Pode-se necessitar de pouco e viver muito. (RV)
O documento foi escrito com a colaboração de diversas Conferências Episcopais do mundo, com a participação de cientistas e especialistas em vários campos da atividade humana. Trata especialmente da íntima relação entre os pobres e a fragilidade de nosso planeta e da convicção de que tudo no mundo está intimamente relacionado, à crítica ao novo paradigma e às formas de poder que derivam da tecnologia; ao valor próprio de toda criatura; ao sentido humano da ecologia; à grave responsabilidade da política internacional e local; à cultura do descarte, à proposta de um novo estilo de vida e ao convite para buscarmos outros modos de compreender a economia e o progresso.
O objetivo da Encíclica não é apenas intervir no debate científico, isso é de competência dos cientistas, e menos ainda estabelecer de que forma as mudanças climáticas são consequência da ação humana. Na perspectiva da Laudato si e da Igreja, é suficiente que a atividade humana seja um dos fatores que causam as mudanças climáticas para sentirmos a responsabilidade moral de fazer tudo o que podemos para reduzir o nosso impacto e evitar os efeitos negativos sobre o meio ambiente.
O último capítulo do documento (cap 6) trata da educação e espiritualidade ecológicas, capazes de criar uma “cidadania ecológica” (LS 211). Ação que envolve a família, “lugar onde a vida, dom de Deus, pode ser convenientemente acolhida e protegida contra os múltiplos ataques a que está exposta e pode desenvolver-se segundo as exigências de um crescimento humano autêntico; contra a denominada cultura da morte, a família constitui a sede da cultura da vida” (CA 39; AAS 83; LS 213).
Como nunca antes na história, o destino comum obriga-nos a procurar um novo início. Que o nosso seja um tempo que se recorde pelo despertar duma nova reverência face à vida, pela firme resolução de alcançar a sustentabilidade, pela intensificação da luta em prol da justiça e da paz e pela jubilosa celebração da vida (Carta da Terra; LS 207).

domingo, 14 de junho de 2015

A força do povo: sementes de uma nova humanidade!

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 476 - Edição de Domingo – 14/06/2015

A força do povo: sementes de uma nova humanidade!

Hoje, somos chamados a semear pequenas sementes de uma nova humanidade.
Enquanto a redução da maioridade penal tem provocado nos meios jurídicos e intelectuais a mesma indignação que o PL 4330 teve no mundo do trabalho, a juventude, os movimentos sociais e aqueles que acreditam no dinamismo de uma cidadania ativa, à qual eles devem estar a serviço, se mobilizam na busca de novos caminhos e “novas formas de compromissos societários e políticos”.
“Reduzir a maioridade penal é violar as obrigações do Brasil na Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança”, é o que assinalam nove organizações internacionais que atuam na defesa de direitos humanos em todo o mundo. Elas pedem ao Estado brasileiro que se abstenha de adotar a Proposta e Emenda Constitucional, em tramitação na Câmara dos Deputados, que visa reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos. Na declaração, as organizações destacam que a medida “viola as obrigações do Brasil nos termos da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança e seria um meio ineficaz de resolver delitos cometidos por adolescentes” (Adital).
A Arquidiocese de Porto Velho e o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente convidam a sociedade, de modo especial, autoridades, parlamentares federais, estaduais e municipais; intelectuais, artistas, juventude e movimentos sociais para participarem da Audiência Pública sobre a Proposta de Emenda à Constituição 171/1993 e a Redução da Maioridade Penal, no dia 19 de junho de 2015 às 8h30, no Salão Paroquial da Catedral.
O mês de Junho continua proporcionando motivações e meios para que nossa identidade cristã se fortaleça e dê testemunho de fé. “O nosso coração está em Deus”, respondemos à invocação “Corações ao Alto”, durante a celebração do Sagrado Coração de Jesus, na última sexta-feira. “Do coração aberto de Jesus saiu sangue e água” (Jo 19,34) e desse gesto supremo do amor de Deus nasceu a Igreja.
“Deus nunca se cansa de escancarar a porta do seu coração, para repetir que nos ama e deseja partilhar conosco a sua vida” (MV 25), portanto, abramos nosso coração, endurecido e dividido, para o perdão e a misericórdia.
O perdão é expressão de amor. Quem não crê no amor, não abre espaço para o perdão, porque simplesmente não crê no perdão. Quem não ama não perdoa e tampouco é perdoado quem não se deixa amar. O problema não está em Deus, pois Ele continua amando a todos. O problema está em nós, pois se não cremos em seu amor, nunca nos sentiremos amados (Pe. A. Palaoro, sj).
Do coração da Trindade, do íntimo mais profundo do mistério de Deus, brota e flui incessantemente a grande torrente da misericórdia. Sempre que alguém tiver necessidade poderá aceder a ela, porque a misericórdia de Deus não tem fim (MV 25).
A Semana Nacional do Migrante, cuja abertura acontece hoje em todas as paróquias de nossa Arquidiocese, tem como tema: “Sociedade e Migração” e o lema “Não ao Preconceito! Por direitos e participação” (14-21/06).
Para o Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados (18/01), o papa Francisco escreveu uma Mensagem que nos ajuda na reflexão dessa Semana: “Igreja sem fronteiras, mãe de todos” é o tema, inspirado na passagem do Evangelho “Eu era peregrino e me acolhestes” (Mt 25,35-36): A exemplo de Cristo, “evangelizador por excelência” (EG 209), somos chamados a cuidar das pessoas mais frágeis e reconhecer o seu rosto de sofrimento, sobretudo, nas vítimas das novas formas de pobreza e escravidão.
A Igreja, peregrina sobre a terra e mãe de todos, tem por missão amar Jesus Cristo nos mais pobres e abandonados; entre eles, os migrantes e os refugiados, que procuram deixar para trás duras condições de vida e perigos de toda a espécie. Assim, desde o início, a Igreja é mãe de coração aberto ao mundo inteiro, sem fronteiras. Numa época de tão vastas migrações, um grande número de pessoas deixa os locais de origem para empreender a arriscada viagem da esperança com uma bagagem cheia de desejos e medos, à procura de condições de vida mais humanas. Não raro, porém, estes movimentos migratórios suscitam desconfiança e hostilidade, inclusive nas comunidades eclesiais, mesmo antes de se conhecer as histórias de vida, de perseguição ou de miséria das pessoas envolvidas. Neste caso, as suspeitas e preconceitos estão em contraste com o mandamento bíblico de acolher, com respeito e solidariedade, o estrangeiro necessitado.
Por um lado, no sacrário da consciência, adverte-se o apelo a tocar a miséria humana e pôr em prática o mandamento do amor que Jesus nos deixou, quando Se identificou com o estrangeiro, com quem sofre, com todas as vítimas inocentes da violência e exploração. Mas, por outro, devido à fraqueza da nossa natureza, “sentimos a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor” (EG 270). Somente a coragem da fé, da esperança e da caridade permite reduzir as distâncias que nos separam dos dramas humanos.
As migrações interpelam a todos, não só por causa da magnitude do fenômeno, mas também “pelas problemáticas sociais, econômicas, políticas, culturais e religiosas que levantam, pelos desafios dramáticos que colocam à comunidade nacional e internacional” (CV 62).
O papa conclui sua mensagem, reafirmando que “à globalização do fenômeno migratório é preciso responder com a globalização da caridade e da cooperação, a fim de se humanizar as condições dos migrantes”. Insiste que “é preciso intensificar os esforços para criar as condições aptas a garantirem uma progressiva diminuição das razões que impelem populações inteiras a deixar a sua terra natal devido a guerras e carestias, sucedendo muitas vezes que uma é causa da outra”.
De forma permanente, as irmãs Carlistas, que tem por missão e carisma, acolher os migrantes, estão agora em Rio Branco. No dia 1º de junho, dia de João Batista Scalabrini, o apóstolo dos migrantes, a Congregação realizou a cerimônia de abertura da missão, que tem a intenção de contribuir com o acolhimento aos imigrantes que chegam ao Brasil por meio da fronteira no estado do Acre, próximo à tríplice fronteira Brasil-Peru-Bolívia.
Lembro-me da forte atuação das irmãs Carlistas nas comunidades de Boca do Acre e Extrema/Nova Califórnia. Atuantes também na Arquidiocese de Porto Velho e Ji-Paraná. Missionarias que ajudam a “semear pequenas sementes de uma nova humanidade”.
Porto Velho e cidades de Rondônia foram construídas com a ajuda de famílias migrantes provenientes de diversos Estados brasileiros. Muitas dessas famílias fazem parte da Rede de Comunidades Eclesiais de Base.
A centralidade do Evangelho de hoje é o Reino de Deus, que possui uma força extraordinária, porém diferente das forças e mecanismos de pressão atuantes em nossa sociedade (Mc 4,26-34). Em meio aos conflitos, crises e resistências, o importante é ir semeando (VP). O reino de Deus é algo muito humilde e modesto nas suas origens. Algo que pode passar tão despercebido como a pequena semente, mas que está chamada a crescer e frutificar de forma inexplicável.
O Profeta Ezequiel fala dos sinais de esperança: Deus plantará um pequeno galho no alto monte e ele se tornará um cedro majestoso (Ez 17,22-24). A vida vai abrindo caminho, mudando a sorte dos que penam sob qualquer forma de opressão, pois Deus é reconhecido por seus atos libertadores.
Paulo Apóstolo nos encoraja: o apelo de Jesus é para que as pessoas de boa vontade se unam a Cristo, para sentirem a força que o Reino possui. A união com Jesus, passando de fora para dentro do Reino, traz consequências que marcam para sempre a conduta cristã (2Cor 5,6-10).
Somos chamados a semear sementes de uma nova humanidade. A Igreja cresce como a semente que é lançada a terra. Na terra, a pequena semente passa por transformações, lança raízes que avançam em meio a terra, ao barro, ao lixo, mas, é isto mesmo que a transforma num arbusto cheio de vida. Ela trabalha sozinha. Não pode ser importunada. A raiz tem que trabalhar continuamente. Ela não pode truncada. Da raiz mãe, saem novas raízes. Assim é com a Igreja: a raiz-mãe é a paróquia. As pequenas raízes são as CEBs que surgem. É a Igreja da base (Marins).

domingo, 7 de junho de 2015

Dom Moacyr Grechi: Jovens e a redução da maioridade penal

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 475 - Edição de Domingo – 07/06/2015


Jovens e a redução da maioridade penal

A Jornada Mundial da Juventude (23-28/07/2013) está completando dois anos. Ao chegar ao Brasil, em sua saudação inicial, o papa Francisco disse: “nesta semana, o Rio se converte no centro da Igreja, em seu coração vivo e jovem, porque vocês, jovens, responderam com generosidade e entusiasmo ao convite que Jesus lhes fez”. E, em sua despedida, afirmou que continuaria nutrindo “uma esperança imensa nos jovens do Brasil e do mundo inteiro: através deles, Cristo está preparando uma nova primavera em todo o mundo”.
A esses jovens, responsáveis por um mundo mais justo e humano, disse na Favela de Varginha que é preciso recuperar a confiança nas instituições políticas. Para o evento, que reuniu quase 4 milhões de pessoas no encerramento, os olhares do mundo estiveram focados nos jovens do Brasil. “Futuro-promessa”, segundo Galimberti; “futuro-ameaça” para determinados segmentos. A redução da maioridade penal entra em pauta neste mês de junho.
“Todas as vezes que fizestes isso a um desses pequenos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40). A
Igreja reafirma sua posição contrária à Maioridade Penal. Ao emitir uma Nota através da CNBB sobre o momento nacional (24/04), assim se pronunciou:
A PEC 171/1993, que propõe a redução da maioridade penal para 16 anos, já aprovada pela Comissão de Constituição, Cidadania e Justiça da Câmara, também é um equívoco que precisa ser desfeito. A redução da maioridade penal não é solução para a violência que grassa no Brasil e reforça a política de encarceramento num país que já tem a 4ª população carcerária do mundo.
Investir em educação de qualidade e em políticas públicas para a juventude e para a família é meio eficaz para preservar os adolescentes da delinquência e da violência. O Estatuto da Criança e do Adolescente, em vigor há 25 anos, responsabiliza o adolescente, a partir dos 12 anos, por qualquer ato contra a lei, aplicando-lhe as medidas socioeducativas. Não procede, portanto, a alegada impunidade para adolescentes infratores. Onde essas medidas são corretamente aplicadas, o índice de reincidência do adolescente infrator é muito baixo. Ao invés de aprovarem a redução da maioridade penal, os parlamentares deveriam criar mecanismos que responsabilizem os gestores por não aparelharem seu governo para a correta aplicação das medidas socioeducativas. 
Na mesma semana (21/04/2015), dom Luiz Fechio, da Pastoral do Menor, enviou carta aos deputados federais, membros da Comissão Especial de Elaboração de Proposta de Emenda à Constituição Federal que reduz a Maioridade Penal no Brasil: A Pastoral do Menor, organismo da CNBB, à luz do Evangelho e em consonância com o posicionamento da própria CNBB, considerando toda a discussão ocorrida nos últimos meses acerca da Proposta de Emenda à Constituição Federal que reduz a Maioridade Penal no Brasil, deseja reafirmar a própria posição totalmente contrária a essa modificação. (continua)

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Rondônia terá a 10ª Romaria da Terra e das Águas

Seguindo uma tradição de bastantes anos, Rondônia terá a 10ª Romaria da Terra e das Águas, que será realizada o domingo 23 de agosto em Machadinho do Oeste, na Arquidiocese de Porto Velho. 
A décima romaria da terra tem como tema: "Terra, floresta e água dádivas de Deus para viver e conviver" e como lema: "Somos testemunhas (At.3) de um novo céu e uma nova terra (Ap. 21)", sendo convocada pelas três dioceses da Igreja Católica de Rondônia (Arquidiocese de Porto Velho, Diocese de Guajará Mirim e Diocese de Ji Paraná) e pelo Sínodo da Amazônia da Igreja Luterana (IECLB). 
A 10ª Romaria está propondo uma reflexão sobre o uso e partilha dos dons da nossa Amazônia abençoada pela Criação: A terra, as águas e a riqueza de vida das florestas, dádivas que Deus criou para todos e que representam um desafio para cuidar e administrar conforme a vontade divina, com a missão de colaboradores de sua obra e construindo o "novo céu e a nova terra" que Cristo inaugurou no meio de nós. 
A região onde será realizada a Romaria enfrenta o contexto de um projeto avançado de criação da nova usina de Tabajara, no Rio Machado, que deve atingir mais de 500 famílias, e proposta de uma PCH na cachoeira do Rio Machadinho. Também enfrenta diversos conflitos agrários motivados pela ocupação e uso da terra no Vale do Jamari e na região de Machadinho. Preocupa a situação dos ribeirinhos, indígenas e seringueiros, que tem nos rios e florestas os principais meios de produção e de vida. 
A 10ª Romaria está sendo organizada pela Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, de Machadinho do Oeste; a Comissão Pastoral da Terra, regional de Rondônia; o Projeto Padre Ezequiel e o CIMI RO. Após vários encontros de preparação já tem sido divulgados cartazes de convocatória para as paróquias e comunidades de Rondônia, assim como cinco temas de formação de roteiros para os Grupos de Reflexão das paroquias e CEBs. 
Para o dia 23 de agosto está planejada a realização de uma caminhada da cidade até a cachoeira do Rio Machadinho, onde será realizada a eucaristia. 
Dom Antônio Possamai, bispo emérito de Ji Paraná, elaborou a Oração da 10 Romaria. Foi composto o hino "Caminhando em Romaria", de autoria de Zé Aparecido. Também está sendo elaborado um livrinho de cantos de animação da caminhada e da celebração.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Ministro do MDA reuniu-se com movimentos sociais em Rondônia.

Ministro do MDA reuniu-se com movimentos sociais em Rondônia. foto fetagro

Movimentos sociais e sindicais do campo receberam o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, na noite do dia 28 de |maio de 2015 na sede do Centro de Formação de Agricultores/Fetagro para entrega e socialização de pautas de reivindicações de melhorias de vida e trabalho no campo. Presidente da Fetagro, Fabio Menezes, apresentou demandas, pontos centrais de politicas essenciais para a agricultura no Estado e destacou a satisfação com o momento e oportunidade.

O Ministro Patrus Ananias afirmou estar sintonizado com as demandas do campo apresentadas a ele, durante encontro com agricultores e agricultoras na noite desta quinta-feira, no Centro de Formação de Agricultores/Fetagro. Reforçou a importância da agroecologia, defendeu o cooperativismo para agregação de valores e valorização da produção agrícola, por meio da agroindustrialização. Ele também defendeu a ampliação de debates com os diferentes movimentos a partir das bases. Por fim, se comprometeu com as pautas apresentadas à ele.

Participaram do encontro diversos trabalhadores rurais na agricultura familiar, o presidente da Contag, Alberto Broch; o secretario de politica agrária da Contag, Zenildo Xavier; deputado estadual Lazinho da Fetagro; MPA; delegado federal do MDA, Genair Capelini; Rede Terra sem Males; Coocaran; secretario estadual de agricultura, Evandro Padovano; coordenador nacional do Terra Legal, Sergio Lopes; presidente do PT Estadual Padre Ton; senador Waldir Raupp; secretaria municipal de agricultura Claudia de Jesus; e o diretor executivo da Emater Luiz Gomes.

Fonte: Fetagro

Trinta e cinco famílias foram despejadas em Rondônia.

Um acampamento de sem terras vinculado ao movimento da Liga dos Camponeses Pobres foi despejado quarta feira, dia 27 de Maio de 2015.  Chamado Acampamento Cajueiro 1, tinha ocupado a Fazenda Paredão, situada na  RO 257, Km 18, zona rural do Distrito de 5º BEC, município de Machadinho do Oeste.
A informação foi divulgada pelos sites do Vale do Anari e G1. A Liga dos Camponeses Pobres (LCP) divulgou uma nota reproduzida parcialmente abaixo desta informação.

Helicoptéro foi utilizado durante a reitegração em Machadinho (Foto: Anari Notícia/Reprodução)
Foto: Anari Notícia/Reprodução
Nota recebida da LCP:
Reforma agrária falida de Lula/Dilma/PT e da (in)justiça promovem mais um despejo.

Jaru, 29 de maio de 2015.  No último dia 27, mais de 30 famílias foram despejadas do Acampamento Cajueiro 1, localizado na fazenda Paredão, na RO-257, em Machadinho D’Oeste. Participaram da ação vergonhosa policiais da PM, GOE, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros, fortemente armados. Até um helicóptero esteve presente. Dois camponeses foram presos.
(...)
Há vários meses os camponeses do Acampamento Cajueiro 1, apoiados pela LCP, vinham lutando pelo sagrado direito à terra. Houve várias reuniões com o Incra e a Ouvidoria Agrária Nacional e as negociações estavam avançando. Mas nada disso foi suficiente para evitar mais um despejo absurdo.
Para os latifundiários apoio e conivência com seus crimes, para camponeses despejos, calúnias, perseguições, prisões e assassinatos de lideranças. O governo não cumpre nem a reforma agrária fajuta prevista na Constituição Federal e os camponeses são brutalmente reprimidos! 
(...)
Os camponeses estão fartos de denunciar tanta injustiça e nada acontece.
Os camponeses querem terra, não repressão!
Terra para quem nela trabalha!
Punição para os executores e mandantes de todos os crimes contra camponeses!

LCP – Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Deputado denuncia invasão de Parque Estadual de Guajará Mirim

Deputado Lazinho denuncia invasão do Parque Estadual de Guajará-Mirim
O deputado estadual Lazinho da Fetagro (PT), denunciou durante a Sessão da Assembleia Itinerante em Ji-Paraná na manhã de hoje (28) a invasão do Parque Estadual de Guajará-Mirim por pessoas que já possuem terras. “Estamos denunciando e pedindo providências do governo do Estado, da Sedam, e das autoridades competentes quanto a esta invasão, e adianto que não são trabalhadores Sem Terra”, disse.
O parlamentar disse que picadas estão sendo feitas nas matas da reserva e é flagrante que logo haverão derrubadas. “Procurem os sindicatos, procurem a igreja para saber o que está acontecendo”.
Lazinho também destacou a importância de projetos que serão debatidos durante a sessão, cuja autoria é dele, do deputado Ribamar Araújo (PT) e do deputado Adelino Follador (DEM). Um deles se refere à regulação da cadeia produtiva do leite, antecipando o preço mínimo do leite pelos laticínios, para que os produtores possam saber o que irão receber pelo litro do produto.
Outro projeto se refere à inclusão junto ao cadastro do Idaron da esposa do produtor, para que em caso de morte do cônjuge a família não venha a ser prejudicada, uma vez que nessas situações a liberação do patrimônio da família só após o inventário trazendo dificuldades para todos os familiares. 
Por último Lazinho citou o projeto par a criação da Semana da Agroecologia, para que possa ser discutido o modelo de produção do Estado, as produções alternativas que precisam ser reguladas para serem exercidas de forma sustentável.

Fonte: A crítica de Rondônia.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Universidade Federal de Rondônia abre vestibular para Educação no Campo


 O vestibular será destinado, prioritariamente, aos professores em exercício nas escolas do campo, que não possuem ensino superior. E também será estendido a outros profissionais da educação em exercício nas escolas do campo, professores e outros profissionais da educação que atuem nos centros de alternância ou em experiências educacionais alternativas de Educação do Campo, a jovens e adultos de comunidades do campo, que tenham o ensino médio concluído e a professores em exercício nas escolas do campo que já possuam ensino superior.

As inscrições para o Processo Seletivo 2015 deste Edital Nº 001, de 08 de maio de 2015 estarão abertas no período 16 de maio a 07 de junho de 2015 e serão efetuadas exclusivamente via internet no endereço eletrônico http://www.processoseletivo.unir.br/index.php?pag=concursos&id=124.


terça-feira, 26 de maio de 2015

Efa de Cerejeiras escolheu nova diretoria

Aconteceu no dia 16 de maio de 2015 na sede do STTR- Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Cerejeiras e Pimenteiras do Oeste-RO, Situado na Rua Nova Zelândia nº 1.214 no município de Cerejeiras – RO a  Quarta Assembleia Geral Ordinária AEFACS da Associação da Escola Família Agrícola Cone Sul. 
Contou com a participação de representantes da EMATER Cerejeiras, Vice Prefeito de Cabixi, Assessora regional do Deputado Estadual Lazinho da Fetagro, STTR de Vilhena e Chupinguaia,MPA de Colorado do Oeste e Cabixi, STTR de Cerejeiras e Pimenteiras do Oeste, ARCEPAM, STTR de Corumbiara, Prefeitura Municipal de Cerejeiras, Denise justificou a  ausência da  EFARO. 
A assembleia após dados os informes gerais sobre Reforma Politica Educação a distancia da UNIR, seminário de agroecologia de 25 a 28/05 no IFRO de Colorado do Oeste, atividades desenvolvidas pela escola como roça, construção do barracão da escola EFA e outras.
Dando continuidade na assembleia a tesoureira AEFACS senhora Denise Monteiro de Lima Silva fez a apresentação da PRESTAÇÃO DE CONTAS período 2.014/2.015, com as receitas e despesas do período, após apresentação foi aberto para discussão e aprovação da assembleia, após amplo debate foi colocado em aprovação sendo aprovado por todos e todas presente na assembleia, não havendo nenhum voto contra. Dando continuidade a tesoureira Denize falou da PREVISÃO ORÇAMENTARIA, disse que é preciso continuar com a campanha de arrecadação  as parcerias. A tesoureira apresentou o RELATÓRIO DE ATIVIDADES destacando o projeto arquitetônico da construção da escola EFA, que foi conseguido com a parceria da prefeitura municipal de Cerejeiras através do empenho do prefeito senhor Airton Gomes. Após a apresentação foi colocado em discussão e aprovação, sendo aprovado por todos e todas. 

Dando continuidade na assembleia foi lido o PLANO DE TRABALHO DA ASSOCIAÇÃO. Após a leitura foi colocado em aprovação e discussão sendo aprovado por todos e todas. Logo foi discutido a Eleição e Posse do  Conselho Gestor. O conselho Gestor foi composto por três pessoas de cada municípios presente, com exceção de do conselho Vilhena e Chupinguaia que ira indicar na próxima reunião do conselho, Pimenteiras do  Oeste não se fez presente na assembleia.

DIRETORIA EXECUTIVA

Presidente: FLORENTINO RODRIGUES DA MATA – Cerejeiras
Vice-Presidente: JOSÉ AUGUSTINHO DALLA COSTA – STTR de Corumbiara
Secretario: GÉSSICA RIBEIRO DE AMORIM – Assentamento Alzira Monteiro
Vice Secretario: EDILAINE SANTOS BARROS – MPA Colorado do Oeste
Tesoureiro: ROSENILDA GOMES DA SILVA SOUZA – STTR Cerejeiras
Vice Tesoureiro: CARLIN JOSÉ COELHO – MPA – Colorado do Oeste

CONSELHO FISCAL TITULAR

MARIA APARECIDA SOARES CHAVES – MPA - Cabixi
VANETE DE OLIVEIRA ALVES – MPA – Cabixi
TEÓFILO SANTANA DA SILVA – STTR - de Vilhena e Chupinguaia

SUPLENTES

ANA PAULA GUTTERRES LIMA – MPA – Colorado
DIONÍSIO MARTINS DE OLIVEIRA – ARCEPAM – Cerejeiras
JAIR INÊS DA CUNHA – MPA - Cabixi

O coordenador Luiz do MPA agradeceu a presença de todos e todas e a 4ª assembleia Geral Ordinária da AEFACS  encerrada as 12h30m do mesmo dia.

domingo, 24 de maio de 2015

Construtores do desenvolvimento social!

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 473 - Edição de Domingo – 24/05/2015

Com o microfone, Dom Benedito Araújo,
bispo de Guajará Mirim e novo administrador apostólico de Porto Velho,
em 2013, na assembléia da CPT Rondônia em Porto Velho. foto cpt ro

Construtores do desenvolvimento social!

A Solenidade de Pentecostes e a Festa da Padroeira de Porto Velho, Nossa Senhora Auxiliadora, neste domingo, marcam um novo tempo de esperança.

Hoje, saudamos cada pessoa com as mesmas palavras de Jesus: “A paz esteja convosco”! Saudamos o novo Administrador Apostólico, Dom Benedito Araújo, saudamos os presbíteros e seminaristas, religiosos e missionários; saudamos de modo especial, as famílias com seus jovens e crianças, e todas as comunidades que se dirigem ao Campo da 17ª. Brigada, em caravana, romaria e procissão, para celebrar o Espírito Santo e o nascimento da Igreja missionária.

Aqui, nesta cidade abençoada e em cada comunidade ribeirinha, rural e dos municípios mais distantes, vamos renovar o mistério deste grande dia e reviver aquela mesma experiência espiritual dos primeiros discípulos, transformando este local em um grande Cenáculo. 

Inspiram nossa reflexão as palavras de João Paulo II: ao falar da “perenidade do Pentecostes” afirmava: “temos o direito, o dever e a alegria de dizer que o Pentecostes continua” e de reavivar a expectativa de uma renovada efusão do Espírito Santo. Assídua e concorde na oração com Maria, Mãe de Jesus, ela não cessa de invocar: desça o vosso Espírito, ó Senhor, e renove a face da terra (Sl 103,30)!

O lema deste ano: “O Espírito me consagrou para servir” (Lc 4,18) está em sintonia com a Campanha da Fraternidade, cujo lema é “Eu vim para servir” (Mc 10,45) e o tema “Fraternidade: Igreja e sociedade”. É também sequencia do lema de Pentecostes do ano 2014: “O Espírito do Senhor está sobre mim” (Lc 4,18-20).

Jesus confiou aos apóstolos a missão de construir o Reino de Deus no coração dos homens e mulheres deste mundo. Com a morte e ressurreição de Jesus, Deus cumpriu sua promessa de enviar o Espírito Santo (At 2,1ss). Assim, receberam a força salvadora que impele os discípulos missionários de Jesus a anunciar este Reino e a chamar as nações a fazerem parte dele (TB/CF n.138).

“Essa festa toda missionária alarga o nosso olhar para o mundo inteiro” e nos faz compreender que somos “Igreja em missão” (J.Paulo II), “missão que se encarna nas limitações humanas” e se manifesta “na sede de participação de numerosos cidadãos, que querem ser construtores do desenvolvimento social e cultural” (EG 67).

A ordem social e o seu progresso devem, pois, reverter sempre em bem das pessoas, já que a ordem das coisas deve estar subordinada à ordem das pessoas e não ao contrário; essa ordem, fundada na verdade, construída sobre a justiça e vivificada pelo amor, deve ser cada vez mais desenvolvida e, na liberdade, deve encontrar um equilíbrio cada vez mais humano. O Espírito de Deus, que dirige o curso dos tempos e renova a face da terra com admirável providência, está presente a esta evolução. E o fermento evangélico despertou e desperta no coração humano uma irreprimível exigência de dignidade (GS 26).

Ao celebrar a beatificação do arcebispo Dom Oscar Romero (23/5), assassinado em El Salvador, no dia 24 de março de 1980, fazemos memória de suas palavras: A verdadeira paz só pode ser construída sobre a justiça social. O meu trabalho consistiu em manter a esperança do meu povo. Se há um pouco de esperança, o meu dever é alimentá-la. O maior perigo diante de tanta violência é que fiquemos insensíveis. Eu tento pensar diante de Deus que um só morto representa uma grave ofensa e que, todas as vezes que um homem ou uma mulher morre, é como matar novamente Jesus Cristo. Rezo ao Espírito Santo, para que me faça caminhar nas estradas da verdade; eu sei apenas que a sua graça guia a Igreja e torna fecunda sua palavra. Confio no Espírito Santo e procuro ser seu instrumento, amando e servindo sinceramente o povo, a partir do Evangelho.

Não deixemos que nos roubem a esperança, faz um apelo o papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (n.86). Somos todos discípulos missionários. A força santificadora do Espírito atua em nós, a partir do batismo e nos impele a evangelizar. O povo de Deus é san­to em virtude desta unção, o Espírito guia-o na verdade e o conduz à salvação (EG 119; LG 12).

A nova evangelização deve implicar um novo protagonismo; cada cristão é missionário na medida em que se encontrou com o amor de Deus em Cristo Jesus; esta convicção transforma-se num apelo dirigido a cada cristão para que ninguém renuncie ao seu compromisso de evangelização, porque, se uma pessoa experimentou verdadeiramente o amor de Deus que o salva, não precisa de muito tempo de preparação para sair a anunciá-lo (EG 120).

Neste Pentecostes, “somos chamados a crescer como evangelizadores”; deixemos que os outros nos evan­gelizem constantemente; sejamos um teste­munho mais claro do Evangelho; que encontremos o modo de comunicar Jesus que cor­responda à situação em que vivemos e que hoje cada um possa reafirmar a sua fé profunda e sólida no Espírito Santo: espírito de justiça, verdade, santidade.

Assim, nos anima o papa: o teu coração sabe que a vida não é a mesma coisa sem Ele; pois bem, aquilo que descobriste, o que te aju­da a viver e te dá esperança, isso é o que deves comunicar aos outros. A nossa imperfeição não deve ser desculpa; pelo contrário, a missão é um estímulo constante para não nos acomodarmos na mediocridade, mas continuarmos a crescer. O testemunho de fé, que todo o cristão é chamado a oferecer, implica dizer como São Paulo: “Não que já o tenha alcançado ou já seja perfeito; mas corro para ver se o alcanço, lançando-me para o que vem à frente” (Fl 3,12-13; EG 121).

O Evangelho de hoje (Jo 20,19-23) tem especial significado: a comunidade recebe o mesmo Espírito que animou Jesus. Ele se apresenta no meio da comunidade e saúda: “A paz esteja com vocês!” Fortificada pela presença de Jesus, a comunidade está pronta para a mesma missão que ele recebeu: “Como o Pai me enviou, assim também eu envio vocês”. Quem vai garantir a missão da comunidade será o Espírito Santo. “Tendo falado isso, Jesus soprou sobre eles, dizendo: Recebam o Espírito Santo!” Aqui nasce a comunidade messiânica. O Espírito, então, liberta-nos de tudo o que impede a graça de Deus de atuar em nós. De agora em diante, batizados no Espírito Santo como Jesus, os cristãos têm o encargo de continuar o projeto de Deus (VP). Qual é, portanto, a missão de nossa comunidade? Mostrar onde está a vida e onde se aninha a morte; promover a vida e quebrar os mecanismos que procuram destruí-la; conscientizar as pessoas e desmascarar os interesses ocultos dos poderosos. Assim, os cristãos provocam o julgamento de Deus. Tarefa ímpar das comunidades cristãs, nem sempre fiéis a essa vocação. O que significa, por exemplo, não perdoar os pecados dos latifundiários, dos corruptos, dos políticos que utilizam o poder para defender seus interesses? Não é missão da comunidade, como não era a de Jesus, julgar os homens. Seu julgamento não é senão o de constatar e confirmar o juízo que o homem faz de si próprio diante do projeto de Deus (J. Mateos).

Com a leitura dos Atos dos Apóstolos (At 2,1-11) celebramos a nossa vocação missionária e aprendemos que a experiência de Pentecostes não se limita a um evento, é uma experiência contínua, por isso relata novas descidas do Espírito Santo, pois, o Espírito Santo sopra onde quer, sobre quem quer, em favor do Reino de Deus. Entregando seu Espírito, Deus realiza com a comunidade cristã a nova e definitiva aliança, na consecução do projeto divino, confiado agora aos que sonham com a humanidade livre de todas as formas de opressão, violência e morte. O Espírito Santo é o principal protagonista da evangelização. É quem garante a unidade da fé em Jesus Cristo na diversidade de línguas e culturas. 
Paulo Apostolo na 1ª Carta aos Coríntios (1Cor 12,3b-7.12-13)afirma que ninguém possui plenamente o Espírito; ninguém é privado dele! A comunidade é o corpo de Cristo! Em Deus não há divisão, mas harmonia. É pelo Espírito Santo que reconhecemos a Jesus Cristo como Senhor e salvador. É ele quem nos une num só corpo e distribui os dons diversos para a edificação da comunidade (VP).

De Deus provém somente o que é bom para os seus filhos. A diversidade revela a magnanimidade e a criatividade divinas. A graça de Deus não pode ser acolhida de forma egoísta. Por isso, todo dom desdobra-se em serviços concretos em favor do bem comum. Não importa o tipo de ministério, pois, sendo graça divina, todos têm a mesma importância. O que deve brilhar é o projeto comum, que, em nossa comunidade, é o mesmo projeto de Jesus. Congregados num mesmo Espírito, formamos um só corpo, somos Igreja.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Duas pessoas foram encontradas mortas próximo ao município de Buritis

Na última segunda feira (11/05/15), dois corpos foram encontrados pela Polícia Militar próximos a porteira da Fazenda Formosa, localizada na zona rural do município de Buritis. No mesmo local da fazenda encontra-se um acampamento da Liga dos Camponeses Pobres.

Os corpos dos camponeses ainda não foram identificados em função da ausência de documentos no local do crime. Segundo a Polícia Civil, que também acompanhou o chamado, um dos corpos apresentava duas perfurações nas costas e o outro corpo foi encontrado amarrado por um fio elétrico a uma motocicleta, sendo que ambos os corpos apresentavam sérias lesões indicando características de tortura cometida contra as vítimas.

Segundo o delegado Lucas Torres, os corpos estão no IML de Ariquemes (RO) e duas famílias estão a caminho da cidade para fazer o reconhecimento, conforme informações publicadas no sítio do G1 Rondônia. “Foram mortes violentas com resquícios de crueldade. Precisamos primeiro identificá-los, apurar a motivação e a autoria. Estamos investigando, mas acreditamos que os homens não eram funcionários da fazenda”, explica.

Conflito no campo

A Fazenda Formosa é cenário conhecido de conflitos agrários já há alguns anos. Nesse local já foram cumpridos mandados de reintegração de posse nessa área de terras e ainda é considerada área em litígio agrário. Há quase duas semanas, Paulo Justino Pereira foi assassinado no distrito de Rio Pardo, localizado há poucos quilômetros do local desse novo crime. Até o momento não há qualquer comunicação sobre suspeitos destes crimes

quarta-feira, 6 de maio de 2015

LUTA NO CAMPO: Ativista é assassinado em frente à associação camponesa em Rio Pardo

O distrito de Rio Pardo, localizado no município de Buritis, presenciou no dia 1.º de maio mais um assassinato de ativista na luta pelo acesso à terra. Paulo Justino Pereira, presidente da Associação Vladimir Lênin foi assassinado em frente à sede da mesma entidade. Já é o 3.º caso registrado em menos de um mês em Rondônia.

Segue a matéria veiculada na rede social do Jornal A Nova Democracia sobre o caso:

RONDÔNIA: MAIS UM ATIVISTA CAMPONÊS É ASSASSINADO EM BURITIS
Fonte: Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental - LCP
Na noite do dia 1.º de maio, Paulo Justino Pereira foi assassinado a tiros, no Projeto Rio Pardo. Ele era o presidente da Associação Vladimir Lênin. Paulo participou da reunião do dia 27 de abril, em Jaru, onde camponeses de várias áreas de Rondônia se reuniram com representantes do Incra, Eletrobrás, DER, secretaria de obras, lutando por energia, estradas e pontes, escolas nas áreas e regularização das terras dos camponeses. Ele foi o secretário desta reunião e apresentou a reivindicação de energia para as 3 mil residências do Projeto Rio Pardo, prometida há 16 anos.
Nos dias 29 e 30 de abril, Paulo participou com outros camponeses de uma reunião em Porto Velho com o Sr. Gercino José, ouvidor nacional dos latifundiários. Ele denunciou a situação de centenas de famílias de Rio Pardo, há dois anos sem solução. Como diz um boletim da Associação Lênin:
“Já fazem dois anos da desocupação violenta da Flona pelas forças armadas da presidente Dilma e do Governador Confúcio Moura. Durante esse período, nenhum tipo de assistência foi dado às famílias residentes no Rio Pardo. Das trezentas que foram desalojadas, apenas 34 foram assentadas, e de forma equivocada, em outras terras conflitosas, de propriedade do fazendeiro ‘Zoinho’. Com a morosidade do Governo Estadual em resolver o problema, as famílias já se preparam para o retorno à reserva, ‘dessa vez para ficar’”.
Paulo Justino Pereira
A reunião foi tensa e terminou sem acordo. Paulo comunicou a decisão das famílias de Rio Pardo de retomarem suas terras, e como sempre, Gercino não apresentou nenhuma solução e ainda disse: "O Sr. quer dizer que as famílias irão descumprir uma ordem?" Paulo defendeu que o velho Estado é que não cumpre o direito legal e sagrado à terra para quem nela trabalha.
Paulo Justino nasceu em Pernambuco, morou no Rio de Janeiro e veio para Rondônia para ajudar a luta camponesa, causa tão perigosa, mas tão urgente e justa. Ele deixou três filhos e três netos e será enterrado em Maceió, na manhã do dia 6 de maio.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

ABRIL VERMELHO: MST de Rondônia na luta por terras e garantia de direitos


Acontece por todo país, a Jornada Nacional de Lutas do MST, durante o “Abril Vermelho”, que rememora todos e todas que tombaram no Massacre de El Dourado dos Carajás (PA) e de Corumbiara (RO). Neste ano, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, trazem as ruas a Luta por Reforma Agrária Popular, contra o PL 4330 das terceirizações, contra a redução da maioridade penal, e em repúdio a não obrigatoriedade de rotulagem identificando alimentos transgênicos, e em apoio aos trabalhadores da educação, em greve.

As manifestações buscam dialogar com a sociedade civil, em apoio a Reforma Agrária Popular e contra o Agronegócio. Em Rondônia, durante toda a semana, realizou-se a Jornada Universitária, na UNIR, campus de Ariquemes, onde foram discutidos temas como: organização produtiva e agroecologia; desafios da Educação do Campo em Rondônia. Recheados de espaços de rodas de conversas com militantes dos movimentos sociais da Via Campesina.

Dialogando com a Jornada de Luta, no dia 30 de Abril de 2015, as 9:00 horas, iniciou-se Audiência com o INCRA em Ariquemes, com as seguintes pautas em discussão: o assentamento de todas as famílias acampadas, em 2015; a implantação e execução de crédito para habitação (construção e reforma).


Enquanto a Audiência ocorria, centenas de sem terra, assentados e acampados, se puseram em marcha. A concentração saiu do Acampamento Hugo Chávez, hoje com cerca de 200 famílias acampadas, foi criado no 8 de julho de 2013, as margens da RO 140, km 04, trecho que liga a BR 364 ao município de Cacaulândia.

O grupo marchou pela Rodovia 140, adentrando a BR 364, sentido Jaru, de forma organizada e pacífica, exigindo que fossem negociadas e encaminhadas as pautas que estavam sendo discutidas em audiência com o INCRA, e reforçando outras tantas, já discutidas em diversos espaços, como a Educação do Campo: contra o fechamento de Escolas no campo, e pela construção de escolas onde foram levantadas as demandas.

A BR 364 ficou trancada por horas neste 30 de abril, nas proximidades de um dos maiores latifúndios de Rondônia, a Fazenda Nova Vida. Seguiu-se o engarrafamento de carros, enquanto as pautas dos trabalhadores (as) eram negociadas. Somente quando o INCRA, através do Superintendente Luiz Flávio, assumiu compromissos referente a estas, e se dispôs a ir até o acampamento Hugo Chávez, repassar para todo o grupo os compromissos e encaminhamentos que serão tomados referente as pautas levantadas, é que a BR 364 foi liberada.

A Caminhada deste povo, é a caminhada por Terra, Reforma Agrária Popular urgente e necessária no nosso país.

A Jornada continua neste 1º de maio em todo o país, contra os retrocessos nas garantias e direitos sociais, conquistados com luta, sangue e suor de trabalhadores e trabalhadoras.

Lutar! Construir Reforma Agrária Popular!


Liliana Won Ancken
Agente da CPT/RO - Campanha "De Olho Aberto Para Não Virar Escravo"

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Camponês sem terra é assassinado brutalmente no Municipio de Machadinho




foto arquivo da CPT-  encontro de formação - jan 2013.
"Queremos só a justiça,
Queremos só a verdade
que a lei jamais seja omissa
Venha a nós a Liberdade."
Dom Jairo Matos da Silva

A Comissão Pastoral da Terra, soma-se nesse momento aos gritos de socorro e lágrimas das mais de cinquenta famílias de sem terra que se encontram  assustadas e com muita dor,  pelo assassinato violento de um de seus membros, Fábio Carlos da Silva Teixeira de 30 anos de idade.

foto no acampamento- arquivo da cpt - jan 2013.
A violência no campo de Rondônia ainda é objeto que vem aumentando consideravelmente a cada ano, inclusive com o tema de assassinato, o que para a CPT, parte do aumento  do número de assassinato se dá  pela falta de compromisso com a reforma agrária  e  a impunidade daqueles que praticam a violência.

Além da notícia dessa fatalidade, temos conhecimento através das famílias de que outras ameaças vem acontecendo contra os acampados que temem por suas vidas e de seus filhos.

Fábio Carlos, era membro do acampamento Fortaleza que está implantado dentro do assentamento Santa Maria II, município de Machadinho em Rondônia.

domingo, 5 de abril de 2015

Seis pistoleiros de fazenda presos com armas em Buritis, Rondônia.

Reprodução de notícia e foto divulgada por Rondoniagora

Buritis. PM apreende armas, coletes, rádios-transmissores, munições e prende seis pessoas.
Policiais militares da 4ª Companhia do 7º BPM em Buritis, prenderam nesta sexta-feira seis pessoas, apreendeu duas pistolas Glock calibre 9mm, uma pistola Taurus, calibre 380, três espingardas CBC calibre 12, uma espingarda calibre 38, uma submetralhadora 9mm, rádios-transmissores, coletes balísticos, e uma mochila com munições de calibre 12, 7,62, 9mm e 380. Segundo os presos as armas eram para proteção de uma fazenda na Linha 1 Km 047 Marco 00.
A Polícia Militar informou que conforme determinação judicial, foi feito patrulhamento nas imediações da fazenda Guerin, pertencente a João Nelto Saul Guerin. Em frente à sede da fazenda, a PM abordou o veículo S10 de placa GVE-1083, de Foz do Iguaçu-PR, onde estavam as armas. Todas as pessoas do veículo foram presas.
Os policiais militares seguiram até a casa-sede da fazenda e lá foi encontrada uma espingarda cal.32. Marco Alberto dos Santos – disse que era dele, porém os presos confirmaram que as armas são do proprietário da fazenda. Eles disseram que o proprietário, comprou as armas para a segurança das terras.
Foram conduzidas a Delegacia de Polícia Isaque Lima Muniz, 27, Marcio da Silva Silveira, 25, Marco Alberto Dos Santos, 32, José Alvez de Souza, 51, Marcelo Correia Da Silva, 30 e Marcos Roberto Pereira, 47. Fizeram parte da apreensão e prisão os policiais militares tenente PM Lucas, cabo PM Wanderley e os soldados PM Vasconcelos, Rivelino, J. Souza, Cosmo, Ciríaco, e Adriana.

Fonte/Autor: Lenilson Guedes

Dom Moacyr Grechi: Justiça Social e força da ressurreição!

"Que a Páscoa seja a passagem de um olhar indiferente para um olhar mais sensível às lutas e causas que exigem maior atenção'.

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 466 - Edição de Domingo – 04-05/04/2015

Justiça Social e força da ressurreição!


Neste Domingo da Ressurreição, nossas comunidades celebram a certeza de que “Cristo caminha a frente dos seus” (sequencia pascal). “Como se fosse um só e longo Domingo”, a alegria da ressurreição vai iluminar todo o tempo da Páscoa, prolongando-se por sete semanas, até a Festa de Pentecostes, que já está sendo preparada, de forma participativa, pela nossa Arquidiocese.

A Ressurreição, centro da nossa fé, é o ponto alto da Semana Santa, por isso, hoje, “anunciamos a morte do Senhor, proclamamos sua ressurreição e aguardamos sua vinda definitiva”. Sim, Ele está vivo no meio de nós, reparte conosco o pão de sua palavra e do Corpo e Sangue e nos convoca a sermos sinais de sua Páscoa na nossa realidade.

Através de uma santa caminhada, a liturgia da Palavra nos conduziu e nos ajudou a percorrer o caminho de Jesus. O Tríduo pascal, que constitui o coração e o fulcro de todo ano litúrgico, como também da vida da Igreja, começou na 5ª Feira Santa unindo eucaristia e sacerdócio. O Lava-Pés, sinal do “amor até ao fim” (Jo 13,1) orientou-se também para a Eucaristia. Sentamos à mesa com o Senhor, onde ele estabelece uma aliança conosco e nos ensina o verdadeiro sentido do amor: dar a vida pelos outros, numa atitude constante de serviço humilde e despojado.

“E Ele amou-nos até ao dom total da sua vida, realizado na Sexta-feira Santa na Cruz, transformando então o suplício no mais perfeito, pleno e puro ato de amor” (papa Francisco). Na sexta da Paixão do Senhor, com a liturgia da Palavra, meditamos o IV cântico do Servo de Deus, a carta aos Hebreus com a passagem do Sumo Sacerdote e a Paixão segundo São João: Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado, a Igreja, comunidade de fé, contemplando a paixão do Senhor Jesus, celebra o seu próprio nascimento do lado de Cristo. A oração universal, a entronização da cruz como sinal de vitória e a comunhão com o Pão eucarístico consagrado na 5ª feira santa uniu-nos a todas as comunidades de fé, vigilantes junto à cruz do Senhor e da Virgem das Dores.

Participando da procissão do Senhor Morto, refizemos a Via Sacra de Jesus. Seguimos seus passos repetindo “para quem havemos nós de ir, Senhor”? “Tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6,68). Agora “devemos carregar aos ombros o mal do mundo e compartilhar o seu sofrimento, absorvendo-o profundamente na nossa carne, como fez Jesus, como fizeram os mártires” (papa Francisco).

Por que nos comovemos com a paixão sangrenta de Jesus, mas não fazemos o mesmo face à paixão dolorosíssima dos crucificados da história? (L.Boff) Povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, os atingidos pelas enchentes, os doentes e trabalhadores, os desalojados, as vitimas do tráfico e das drogas e todos os que carregam pesadas cruzes e vivem a Paixão de Jesus em sua vida em comunhão com a Paixão dolorosa do mundo.

Descobrimos novamente que Ele quer servir-Se de nós para chegar cada vez mais perto do seu povo amado. Toma-nos do meio do povo e envia-nos ao povo, de tal modo que a nossa identidade não se compreende sem esta pertença. A entrega de Jesus na cruz é apenas o culminar deste estilo que marcou toda a sua vida. Fascinados por este modelo, queremos inserir-nos a fundo na sociedade, partilhamos a vida com todos, ouvimos as suas preocupações, colaboramos material e espiritualmente nas suas necessidades, alegramo-nos com os que estão alegres, choramos com os que choram e comprometemo-nos na construção de um mundo novo, lado a lado com os outros. Mas não por obrigação, nem como um peso que nos desgasta, mas como uma opção pessoal que nos enche de alegria e nos dá uma identidade (EG 268-269).
O Tríduo Pascal alcança o seu apogeu na celebração da vigília pascal: nesta Noite iluminada nos é dada a luz do Ressuscitado para que, em nós, “viva a esperança de quem se abre a um presente cheio de futuro: Cristo venceu a morte, e nós vencemo-la com Ele”.

Velamos, pois, nesta única noite junto do túmulo selado de Jesus de Nazaré, tendo a consciência de que tudo quanto foi anunciado pela Palavra de Deus no curso das gerações se cumprirá esta noite, e que a obra da redenção do homem atingirá nesta noite o seu zênite. Velamos, portanto, e, embora a noite seja profunda e o sepulcro se encontre selado, confessamos que já se acendeu nela a Luz e ela caminha através do negrume da noite e da obscuridade da morte. É a luz de Cristo: Lumen Christi (J.Paulo II).

Celebrando a Vigília Pascal neste Sábado Santo os símbolos são abundantes e de uma grande riqueza espiritual: o ritual do fogo e da luz que evoca a ressurreição de Jesus e a marcha de Israel no deserto guiado pela coluna de fogo; anunciamos a “luz do Cristo ressuscitado que resplandece, dissipando as trevas do coração e da mente”; escutamos as narrativas das ações salvíficas de Deus na história humana, desde a primeira criação até a nova criação em Cristo; passamos pelas águas do batismo, batizando novos filhos e renovando nossas promessas batismais; e, por fim, celebramos o ápice de sua Páscoa, dele que é o verdadeiro Cordeiro que tira o pecado do mundo e se entrega a nós nos sinais do pão e do vinho. De fato, esta é a noite de alegria verdadeira, pois o Cristo, ressurgindo, nos trouxe a luz.

No domingo da Páscoa, na missa do dia, a liturgia convoca novamente os fiéis para o “dia que fez o Senhor”. Com alegria, cantos, sinos e Aleluia, acontece a procissão de Cristo ressuscitado, saudando Maria com o “Regina coeli”. A liturgia pascal destaca a meta para onde nos dirigimos seguindo Cristo e que Paulo expressa: “Sempre que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos a tua morte Senhor, até que venhas” (1Cor 11,26).

Hoje, Jesus ressuscitado se faz presente em todas as comunidades com a sua força de vida e de liberdade. Cristo ressuscitou, caminha conosco e nos concede a paz. A sua glória somos nós: o homem vivo (Ireneu).

Acolhamos a graça da Ressurreição de Cristo! “Cristo ressuscitado e glorioso é a fonte profunda da nossa esperança, e não nos faltará a sua ajuda para cumprir a missão que nos confia”.

A sua ressurreição não é algo do passado; contém uma força de vida que penetrou o mundo. Onde parecia que tudo morreu, voltam a aparecer por todo o lado os rebentos da ressurreição. É uma força sem igual. É verdade que muitas vezes parece que Deus não existe: vemos injustiças, maldades, indiferenças e crueldades que não cedem. Mas também é certo que, no meio da obscuridade, sempre começa a desabrochar algo de novo que, mais cedo ou mais tarde, produz fruto. Num campo arrasado, volta a aparecer a vida, tenaz e invencível. Haverá muitas coisas más, mas o bem sempre tende a reaparecer e espalhar-se. Cada dia, no mundo, renasce a beleza, que ressuscita transformada através dos dramas da história. Os valores tendem sempre a reaparecer sob novas formas, e na realidade o ser humano renasceu muitas vezes de situações que pareciam irreversíveis. Esta é a força da ressurreição, e cada evangelizador é um instrumento deste dinamismo (EG 275-276).

A vida cristã é fundamentalmente vida em Cristo pelo dom do Espírito, fruto da Páscoa. Deixemo-nos, portanto, renovar pela misericórdia de Deus, e que a força do seu amor transforme a nossa vida, tornando-nos instrumentos desta misericórdia. Sejamos homens e mulheres de fé que “acreditam que Deus nos ama verdadeiramente, que está vivo, que é capaz de intervir misteriosamente, que não nos abandona e caminha vitorioso na história”. A ressurreição de Cristo produz por toda a parte rebentos deste mundo novo (EG 278). Sim, um mundo novo é possível porque Jesus ressuscitou e caminha conosco.

Que a Páscoa seja a passagem de um olhar indiferente para um olhar mais sensível às lutas e causas que exigem maior atenção. Que você tenha a certeza que a sua vida dará frutos, mas sem pretender conhecer como, onde ou quando; esteja seguro de que não se perderá nenhuma das suas obras feitas com amor, não se perderá nenhuma das suas preocupações sinceras com os outros, não se perderá nenhum ato de amor a Deus, não se perderá nenhuma das suas generosas fadigas, não se perderá nenhuma dolorosa paciência. Tudo isto circula pelo mundo como uma força de vida. O Espírito Santo trabalha como quer, quando quer e onde quer; e nós nos gastamos com grande dedicação, mas sem pretender ver resultados espetaculares. No meio da nossa entrega criativa e generosa, aprendamos a descansar na ternura do Pai (EG 278-280) e a lutar contra as desigualdades, pois, a Páscoa é uma convocação para que se estabeleça a Justiça Social como rota a ser palmilhada com determinação e inteligência (J.B.Herkenhoff).