segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Eleições e Família, Missão e Juventude!

"Na Carta encíclica Ecclesiam suam, Paulo VI reafirma que “Tudo o que é humano, nos diz respeito”.

Criança em mobilização por direitos em Itapuá, Rondônia. Foto MAB

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 442 - Edição de Domingo – 19/10/2014

Eleições e Família, Missão e Juventude!

Hoje, Dia Mundial das Missões, Dia Nacional da Juventude, beatificação do venerável Servo de Deus, Paulo VI e encerramento do Sínodo da Família.
Diante da proximidade do 2º turno das eleições e do percentual de votos nulos e abstenções no 1º turno, sinal da indiferença, omissão e protesto de grande número de eleitores, queremos recordar a Declaração da CNBB (2010) que encoraja “os leigos da nossa Igreja para que assumam ativamente seu papel de cidadãos colaborando na construção de um País melhor para todos”. Incentiva para que “todos participem e expressem, através do voto ético, esclarecido e consciente, a sua cidadania nas eleições, superando possíveis desencantos com a política, procurando eleger pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana”.
Estamos numa etapa decisiva das eleições que dispensamos “propagandas e debates caracterizados pelos ataques pessoais e promessas sem a indicação dos caminhos para sua concretização”. É hora de votar “nas reformas que o Brasil tanto necessita, como a agrária, a política, a melhoria da saúde, da educação, do transporte coletivo, da segurança, e na conquista do desenvolvimento sustentável, com plena soberania nacional” (frei Beto).
A 29ª edição do Dia Nacional da Juventude, celebrada hoje devido às eleições do próximo domingo, tem como tema “Feitos para sermos livres, não escravos”, em sintonia com a CF 2014: “Fraternidade e tráfico humano”. A fundamentação bíblica é do profeta Jeremias: “Eis o que diz o Senhor: Praticai o direito e a justiça e livrai o oprimido das mãos dos opressores” (Jr 22,3a).
Sendo atividade permanente do Setor Juventude da CNBB, o DNJ é um momento forte de celebração, de sentido de pertença dos jovens à Igreja e de sua visibilidade na sociedade.
Constatamos que a maior parte das pessoas traficadas e enganadas com atraentes propostas é jovem. Tanta coisa nos impede de enxergarmos o valor da pessoa! A cultura atual tende a propor estilos de ser e viver contrários à natureza e dignidade do ser humano. O impacto dominante dos ídolos do poder, da riqueza e do prazer efêmero se transformou, acima do valor da pessoa, em norma máxima de funcionamento e em critério decisivo na organização social (DAp 387).
Quantas vidas à nossa frente são desrespeitadas e colocadas à margem da sociedade! Basta andarmos um pouco por nossos bairros, cidades, estados para nos depararmos com vítimas deste “ciclo lucrativo” que é o tráfico de pessoas.
Diariamente milhares de pessoas são “despejadas” como mercadorias às “nossas portas” em nossas cidades. Vítimas da exploração do trabalho, exploração sexual, extração de órgãos e ainda com grandes números de crianças e adolescentes dentre os vitimados. É muito importante que estejamos atentos a todos os fatores que levam à incidência do tráfico.
O Sínodo da Família (05-19/10) concluiu seus trabalhos com um documento de reflexão sobre os “Desafios Pastorais da Família”. O texto não é conclusivo e contém encaminhamentos e propostaspara a 14ª Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos (04-25/10/2015), com o tema “A vocação e a missão da família na Igreja, no mundo contemporâneo”.
O relatório inicial abrange três ideias-chave: escutar o contexto sociocultural em que vivem as famílias hoje; olhar para Cristo e para o seu Evangelho da família e confrontar-se sobre as prospetivas pastorais a iniciar.
A família, realidade decisiva e preciosa, lugar das alegrias, dificuldades e afetos é uma escola de humanidade que deve ser em primeiro lugar escutada na sua complexidade. Diante dessas realidades, a Igreja deve olhar com esperança e sentido, indica o relatório. A Igreja dirige-se com respeito àqueles que participam na sua vida em modo incompleto e imperfeito, apreciando mais os valores positivos que conservam do que os limites e as faltas.
Evangelizar é responsabilidade partilhada por todo o povo de Deus; sem o testemunho alegre dos casais e das famílias, o anúncio, mesmo que correto, arrisca-se a ser incompreendido. As famílias católicas são chamadas a ser protagonistas e sujeitos ativos de toda a pastoral familiar. 
A comunhão de vida assumida pelos esposos, a sua abertura ao dom da vida, a defesa recíproca, o encontro e a memória das gerações, o acompanhamento educativo, a transmissão da fé cristã aos filhos... Com tudo isto, afirma Papa Francisco, a família continua a ser escola incomparável de humanidade, contribuição indispensável para uma sociedade justa e solidária (EG 66-68).
Paulo VI, o papa que concluiu o Concílio Vaticano II, mostrou-nos uma Igreja “não absorvida em si mesma, mas missionária, capaz de escutar e de dialogar com o mundo”.
O Servo de Deus, Paulo VI, cuja beatificação acontece hoje, no encerramento do Sínodo,presidiu reformas importantes no Concílio; seu pontificado foi de 1963 a 1978. Giovanni Battista Montini nasceu em Concesio, Brescia, Itália (26/09/1897) e faleceu em Castelgandolfo (08/1978).
O amor a Cristo, o amor à Igreja e o amor ao homem são os três aspectos testemunhados por Paulo VI e destacados pelo Papa Francisco aos peregrinos da Arquidiocese de Brescia.
Essas três palavras são atitudes fundamentais, bem como apaixonadas de Paulo VI, que soube testemunhar, em anos difíceis, a fé em Jesus Cristo. O papa Francisco evidenciou, sobretudo, a totalidade do amor de Paulo VI a Cristo. Uma totalidade já visível na escolha do nome como Papa: Paulo é o Apóstolo que levou o Evangelho a todos os povos e que por amor a Cristo ofereceu a sua vida.
O segundo ensinamento de Paulo VI foi o seu profundo amor à Igreja; um amor a ponto de doar-se à Igreja sem reservas com um coração de verdadeiro Pastor, de um autêntico cristão, de um homem capaz de amar. Para o papa Francisco, Paulo VI viveu plenamente as dificuldades da Igreja após o Concílio Vaticano II, as luzes, as esperanças, as tensões.
Paulo VI testemunhou o amor pelo homem. Um aspecto profundamente ligado a Cristo, porque é justamente a paixão por Deus que impele a servir ao homem. Nós podemos dizer as mesmas coisas que Paulo VI, afirma papa Francisco, pois a Igreja é serva do homem, a Igreja crê em Cristo que veio na carne e por isso serve ao homem, ama o homem, crê no homem.
Essa é a inspiração do grande Paulo VI, cujo testemunho alimenta em nós a chama do amor a Cristo, do amor à Igreja, do impulso a anunciar o Evangelho ao homem de hoje, com misericórdia, com paciência, com coragem.
Na Carta encíclica Ecclesiam suam, Paulo VI reafirma que “Tudo o que é humano, nos diz respeito”. Existe um primeiro, imenso círculo, de que não conseguimos descortinar os limites, pois se confundem com o horizonte. Dentro, está a humanidade toda, o mundo. Temos, de comum com a humanidade inteira, a natureza, isto é a vida, com todos os seus dons e problemas. Comungamos de bom grado nesta primeira universalidade, aceitamos as exigências profundas das suas necessidades fundamentais, aplaudimos as afirmações novas e por vezes sublimes do seu gênio. Possuímos verdades morais, vitais, que se hão de por em evidência e revigorar na consciência humana; são benéficas para todos. Em qualquer esforço que o homem faça para se compreender a si mesmo e ao mundo, pode contar com a nossa simpatia; onde quer que as assembleias dos povos se reúnam para determinar os direitos e os deveres do homem, sentimo-nos honrados, quando no-lo permitem, tomando lugar nelas. Uma vez que existe no homem uma alma naturalmente cristã, queremos honrá-la mostrando-lhe estima e dirigindo-lhe a palavra... Não somos a civilização, mas promotor dela (ES 54).
Neste domingo, Dia Mun­dial das Missões e da Obra Pon­tifícia da Infância Missionária, além de nossa contribuição con­creta na Coleta em prol das missões no mundo, a Igreja pede-nos que assumamos a missão como compromisso batismal para todos os dias.
A causa missionária é vital para a Igreja e para o mundo, escreveu Paulo VI em 1970, no dia das Missões. Não podemos esquecer a solene lição do Evangelho, sobre o amor ao próximo necessitado, repetida pela pregação dos Apóstolos e confirmada pela tradição missionária da Igreja.
A missão da Igreja é manter acesa e à vista de todos a candeia da esperança, para que possa brilhar como sinal seguro de salvação para toda a humanidade e iluminar a senda que a leva ao encontro com o rosto misericordioso de Deus (Papa Francisco).

Jornalista de Porto Velho denuncia retirada ilegal de ouro no Rio Madeira

O NOVO ELDORADO DO OURO FICA ÀS MARGENS DO PALÁCIO RIO MADEIRA E A 30 MINUTOS DA SEDAM, POLÍCIA FEDERAL, DO MPE E MPF RONDÔNIA
O Rio Madeira em Porto Velho, Rondônia. foto cpt ro
A região, no trecho mais ocupado por ilegais - fora dos quadros sociais vinculados pelas cooperativas de garimpeiros artesanais - situa-se a dez minutos de embarcação da Capital. Porém, nem mesmo a presença eventual da fiscalização da Capitania dos Portos, parece intimidá-los.
Mutum-Paraná, Porto Velho [RO] – A montante e a jusante das usinas de Jirau e Santo Antônio, respectivamente, cresce com a velocidade e grandiosidade da economia dos tigres asiáticos os negócios com a extração ilegal de minérios, que vão do ouro à areia para a construção civil, sob o olhar complacente das autoridades.
A região, no trecho mais ocupado por ilegais - fora dos quadros sociais vinculados pelas cooperativas de garimpeiros artesanais - situa-se a dez minutos de embarcação da Capital. Porém, nem mesmo a presença eventual da fiscalização da Capitania dos Portos, parece intimidá-los.
Em que pese exista uma lei estadual [Lei Hermínio Coelho] e o Decreto 5.197, de 29 de Julho de 1991 do governo Oswaldo Piana – este ressuscitado pela secretária Nanci Maria Rodrigues da Silva para punir apenas pequenas cooperativas -, ‘os garimpos do Mutum, Belmont até Calama, já formam o terceiro maior conglomerado aurífero de Rondônia e Amazonas’ cujos pontos de compra são os investigados pelas operações Rio de Ouro, Iara, Caiari e Eldorado.
O ouro continua sendo roubado do patrimônio da União, do Município de Porto Velho e dos estados de Rondônia e Amazonas sem que a Polícia Federal, Ministério Público Federal [MPF-MPE], SEDAM e Secretaria de Finanças [SEFIN] dêem um basta na evasão escandalosa de divisas, diz o gráfico e publicitário Henrique Ferraz e este Repórter, já cansados de alertar as autoridades.
Segundo eles, ‘ao longo da estrada do Belmont, no ramal Porto Chuelo, na casa do pseudo Professor, Nanci Rodrigues, Valdir e Marinha Raupp, deram o ponta-pé inicial para que José Alves de Lima [O LIMA, que é encontrado na Avenida Calama, 6177, bairro 4 de Janeiro, sob proteção de um policial civil aposentado] pode esclarecer sobre esse anunciado conglomerado da extração ilegal de ouro e areia’.
O número de dragueiros em atividade dentro e fora da Área de Proteção Ambiental [APA], contando-se ainda pujantes balsas e escarifuças [equipamentos de sucção] já ultrapassam 531. Os dados são da Cooperativa de Requeiros e Extrativistas Minerais [COOPREMI], presidida por José Alves de Lima, revelados em Humaitá em visita a potenciais compradores, há uma semana, no eixo Amazonas, Pará e Bolívia.
Enquanto isso, sabe-se que LIMA é considerado o principal interlocutor junto à secretária de Estado do Desenvolvimento Ambiental, a geógrafa paraense Nanci Rodrigues e os ilegais, de quem recebeu a pseuda - licença ambiental cujo grupo está excluído da Cooperativa de Garimpeiros, Mineração e Agroflorestal [MINACOOP] – a legítima outorgada da PLG e Licença Ambiental junto ao Ministério de Minas e Energia [MM-E] e SEDAM.
O ‘silêncio’ das autoridades, com o número cada vez mais crescente de dragueiros ilegais no eixo Mutum-Paraná, Belmont, distrito de Calama com a cidade amazonense de Humaitá, ‘o novo Eldorado produz uma receita entre R$ 9 a R$ 15 milhões, em média, em ouro roubado da União’, atestam grupos legalizados da MINACOOP e COOGARIMA.
- A permanecer a autorização dada pela secretaria Nanci da SEDAM e ex-IBAMA, os negócios não irão parar de prosperar e quiçá, com essa leniência das autoridades, LIMA e seu grupo estão prontos para receber uma central de compras da CAIXA no Belmont, ironiza Henrique Ferraz.
Segundo pesquisadores, só o ouro das áreas invadidas da MINACOOP daria pagar as contas pendentes do Governo Confúcio Moura às voltas com uma reeleição duvidosa. Contudo, de visão simplista, ‘o mandatário, também, se deixa governar por leis obsoletas do ex-inquilino palaciano, Oswaldo Piana’. E negocia ‘a legalidade das áreas’ com ilegais liderados por LIMA, João Batista Rocha e um advogado ligado a Arão Mendes Rodrigues e Geomário Leitão Sena, da COOGAM.
Autor: Chico Nery
Fonte: Newsrondonia

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Polícial Militar coordenava milícias em fazendas de Ariquemes, Rondônia


Milícia armada era contratada pelas fazendas da região de Ariquemes.
"Capangas", "milícias", agentes penitenciários e policiais militares fortemente armados eram contratados para realizar "segurança" nas fazendas da região de Ariquemes, sob a coordenação de um oficial da Polícia Militar e ex-comandante do 7º Batalhão de Ariquemes"
A acusação, que não cita o nome do referido oficial,  foi revelada ontem 15 de outubro de 2014 em Ji Paraná, na 733ª Reunião da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo, acontecida na Câmara de Vereadores da cidade.

A informação teria partido de relatório do Núcleo Integrado de Inteligência da própria Polícia Militar, segundo a qual "se as autoridades não tomarem providências a situação poderá eclodir em graves conflitos agrários entre os proprietários rurais e os trabalhadores rurais sem-terras, inclusive assassinatos de ambos lados". 
A Comissão, presidida pelo desembargador Gercino José da Silva Filho e pelo Doutor Aílson Silveira Machado, representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, recomendou a Corregedoria da Polícia Militar investigar a denúncia e apurar as responsabilidades da atuação de Policiais Militares em atividades ilegais de milícias na região.

Atuação irregular de polícia há anos é denunciada em Rondônia.
Camponeses há anos denunciam presença de militares junto a milícias armadas em Rondônia. Casos semelhantes estão sendo denunciados também na região de Vilhena, onde um ex-subtenente coordenaria a atuação de segurança privada nas fazendas da região de Vilhena, Chupinguaia e Corumbiara.

Escalada de violência
O mesmo relatório citado aponta também cita reações de parte de trabalhadores sem terra.  Um grupo de 09 agricultores permanecem presos sob acusações de porte ilegal de armas. Segundo a Ouvidoria Agrária, um veículo policial teria sido alvejado na região. 
Os camponeses também tinham relatado ação conjunta de jagunços e polícia contra eles. No Acampamento Monte Verde indivíduos armados terça feira dia 29 de Julho de 2014 ás 12 h. teriam baleado camponeses do acampamento situado no município de Monte Negro. Segundo as informações apresentadas na Ouvidoria Agrária, policiais militares da Buritis estariam ilegalmente trabalhando de seguranças do latifundiário Nadir Jordão dos Reis e atirando contra o acampamento no município de Monte Negro- RO. Segundo as informações recebidas pela CPT RO três camponeses resultaram baleados naquele dia.

Uma morte anunciada.
Pouco depois, a inícios de outubro (04/10/14),  dois supostos pistoleiros da fazenda Padre Cícero foram  alvejados, morrendo um deles, Elias Pereira Pinto,  no município de Monte Negro, próximo a Ariquemes.

Policiais militares presentes em reintegração de posse onde o acampamento foi destruído. foto ouropretoonline
Destruído acampamento de sem terra
No passado dia 03 de setembro de 2014 foi destruído o Acampamento Monte Verde, situado dentro de área ocupada em conflito com a Fazenda Padre Cícero. Durante reintegração de posse as moradias dos sem terra foram destruídos por uma pá carregadeira, depois dos ocupantes ter fugido nas matas próximas, em presença dos policiais que realizaram a reintegração, acompanhada também pelo Ouvidor Agrário Regional. A juíza mandante da reintegração de posse tinha proibido especialmente a destruição das moradias dos sem terra.

Diversas acusações contra policiais.
Um policial chamado André, de Theobroma foi acusado em Julho de 2014 por camponeses do Acampamento Fortaleza de comandar os pistoleiros da Fazenda Seringal, popularmente conhecida como "Fazenda  da Viúva do Nenê da Nova Vida" e de realizar ameaças de vida contra algumas lideranças.

PM Ambiental teria expulso 96 famílias em Porto Velho.
Um cabo da PM Ambiental de Candéias de Jamari chamado de André Luiz da Cruz foi acusado por agricultores de Porto Velho de ter expulso sem ordem judicial 96 famílias da Colônia Areia Branca, no Lote 10, Gleba Candeias, da Linha da Coca Cola, assim como de ter ameaçado junto a popular conhecido como Júlio da Adventista as lideranças do grupo.

14 PMs de Porto Velho foram presos pela Corregedoria em 2012.
Em 2012 a ação decidida da justiça vizinha de Canutama, no estado de Amazonas, a Corregedoria da PM prendeu 14 PMs de Rondônia e um casal de fazendeiros de Porto Velho, acusados de estar terrorizando um grupo de ocupantes do Acampamento Rio Azul, no Estado de Amazonas, porém próximo à capital de Rondônia.

Necessidade da recomeçar a Reforma Agrária
Entre as causas da violência agrária no Estado de Rondônia foi apontada a diminuição da criação de novos assentamentos nos últimos anos, unida ao aumento do desemprego com a finalização das obras das Usinas do Madeira,  com sucateamento do INCRA, apesar de continuar premente para muitas famílias a necessidade de reduzir a desigualdade social, a de oportunidades de trabalhar na própria terra.
Respondendo as interpelações da Ouvidoria para evitar a continuação da violência agrária, entre as medidas propostas pelo representante da CPT RO, Josep Iborra Plans, está a petição de intensificar a obtenção de terras para criação de novos assentamentos de Reforma Agrária. Muitas famílias de pequenos agricultores continuam demandando terras para ter meios de vida dignos, especialmente depois da intensificação do desemprego e concentração fundiária das terras do estado.
Também foi sugerido solicitar a retomada de atuação da Comissão de Conflitos Agrários do Estado de Rondônia, que a Casa Civil do Governo do Estado convocava até poucos meses, com presença de autoridades e representantes dos movimentos sociais.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Tentam evitar despejo de quarenta famílias em Parecis, Rondônia

Audiência Pública em Ji Paraná, Rondônia, realizada pela Comissão Nacional de Combate à Violência, debateu conflito agrário na cidade de Parecis, Rondônia. A reintegração de posse foi ordenada pela comarca judicial de Santa Luzia contra quarenta famílias da Ocupação do Arraial do Cajueiro, situados nos Lotes 30 R e 30 A da Gleba Corumbiara. 

O desembargador Gercino José Filho preside a Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo. foto cpt ro
A reintegração foi solicitada por Afonso Tomal Júnior, que possui registro de um título de compra venda de uma CATP (título provisório). Segundo os ocupantes, as cláusulas provisórias do Contrato de Aquisição de Título Provisório não foram cumpridas e o título da terra, que estava abandonada deve ser revertido para a União destinar para reforma agrária. 
As terras foram ocupadas faz mais de doze anos e tem sofrido diversas reintegrações de posse. O grupo de famílias atualmente faz mais de ano e meio que ocupa a área. Denunciou a extração legal de madeira do local.
Afonso Tomal, foto cpt ro
Na mesma área este anos houve um grave acidente trabalhista pela construção do Linhão das Usinas de Santo Antônio e Porto Velho, com morte de 6 operários de nacionalidade peruana.
A Comissão, diante da negativa de Afonso Tomal Júnior de aceitar adiar a reintegração enquanto o Terra Legal examinava o título provisório, resolveu pedir o análise do cumprimento das cláusulas da CATP até 15 de dezembro, e solicitar à Justiça o adiamento da reintegração até esta data.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O preço do leite a 0,78 centavos.

Conseleite divulga resolução sobre o Preço do Leite entregue no mês de Agosto. 
A Diretoria do Conseleite, em reunião realizada no dia 08 de Outubro de 2014 na cidade de Ji-Paraná, atendendo os dispositivos do Estatuto, aprova e divulga os valores de referencias para a matéria prima, referente ao leite entregue no mês de Agosto e Setembro de 2014. O Valor de referencia do LEITE PADRÃO ficou estabelecido em 0,78 centavos, o Menos Valor de Referencia 0,71 centavos e o Maior Valor de Referencia 0,90 centavos.
Fonte: fetagro

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Monte Negro: homem morre em conflito na Fazenda Padre Cícero

Carro baleado em Monte Negro. foto rondoniavip
Segundo a informação de rondoniavip houve um morto e um ferido na Fazenda Padre Cícero, localizada na linha C-35, distante cerca de 35 km de Monte Negro. O divulfado é que por volta das 15h00 do sábado (04.010.14), três "funcionários" transitavam dentro da fazenda numa Pick Fiat Strada, quando ao passarem por uma porteira foram surpreendidos por um grupo armado que efetuou vários disparos contra o veículo.
Os tiros acertaram o "vaqueiro" Elias Pereira Pinto, de 33 anos, ele morreu na hora. A segunda vítima foi identificada como Silvanei Bispo dos Santos, 31 anos, este último foi atingido por dois tiros e socorrido pelo Samu e encaminhado ao Hospital Regional em Ariquemes. A terceira vítima conseguiu escapar ilesa. Todas as vítimas são moradores de Ariquemes. Segundo a informação equipes da Polícia Militar e Civil se deslocaram ao local e fizeram buscas mas ninguém foi encontrado.

Desde o início do ano de 2013 o Acampamento Monte Verde está reivindicando para reforma agrária o local. O grupo sofreu diversas reintegrações de posse, tendo o acampamento destruido no último despejo, a começos do passado mês de setembro de 2014.
O Incra reconhece que a Fazenda Padre Cícero seria terra da união, por tanto, grilada pelo fazendeiro. No local tem sido denunciada a atuação de milícias armadas, inclusive com participação de PMs de Buritis trabalhando de seguranças do latifundiário nadir Jordão dos Reis 
Conforme informação recebida de assessoria jurídica do Acampamento Monte Verde indivíduos armados terça feira dia 29 de Julho de 2014 ás 12 h. teriam baleado três camponeses. Onze camponeses do grupo, entre eles mulheres e crianças, foram presos em 11 de julho de 2104.

O 6º Congresso da Liga dos Camponeses Pobres em Jaru, Rondônia.

Nos dias 27 e 28 de setembro de 2014 ocorreu em Jaru o 6º Congresso da Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental.
6° Congresso da Liga em Jaru, Rondônia. Foto Resistência Camponesa.

Segundo a informação da Resistência Camponesa o Congresso começou com uma manifestação pelo centro de Jaru. O Congresso da LCP foi aberto com uma manifestação contra a farsa das eleições pelas ruas de Jaru. Os manifestantes se organizaram em filas, exibiram faixas, agitaram bandeiras e cartazes, gritaram palavras de ordem e entoaram canções de luta. Jovens carregaram tochas de fogo que iluminaram o protesto, ocorrido à noite. Em frente ao maior supermercado da cidade, um grupo queimou cavaletes de candidatos.
O Congresso prestou uma homenagem aos lutadores de Santa Elina, em Corumbiara e defendeu a posse de todas as terras pelos camponeses. 
Manifestação em Jaru, Rondônia. foto Resistênciua Camponesa

Segundo vários camponeses presentes, muitos deles são posseiros, ou seja, ainda não têm o documento de propriedade, mas vivem e trabalham na terra faz muitos anos. Eles lutam pela regularização para se verem livres da ameaça constante de despejo, nem tanto para conseguirem financiamentos, pois inúmeros são os casos de camponeses obrigados a vender seus lotes por não conseguirem saldar suas dívidas nos bancos. Por experiência própria ou de outras famílias, empréstimos sem apoio para a produção camponesa e sem uma política de preço mínimo é ilusão.

Outra importante tema dos camponeses que a informação sobre o Congresso recolhe é a luta pelo direito à energia. "Só em Rondônia, quase vinte mil famílias vivem no escuro, segundo recente levantamento feito por várias entidades rurais. É uma vergonha para um estado onde estão sendo construídas duas grandes usinas hidrelétricas, financiadas com recursos públicos e que gerará energia para empresas estrangeiras que funcionarão em São Paulo. Milhares de camponeses e trabalhadores tiveram suas terras alagadas e casas destruídas e mais de 40 operários já morreram nas obras, devido às péssimas condições de trabalho".

Segundo a matéria, a produção camponesa não tem ajuda nenhuma de governo algum. "Ao contrário, recentemente está sendo cobrado uma taxa para os camponeses transportarem porco e galinha para comércio, fiscais estão proibindo a venda de vários produtos tradicionais em feiras livres alegando falta de higiene, não é permitido o transporte de botijas de gás e galões de gasolina. Tudo para dificultar a vida no campo". A reclamação é que depois, os camponeses ainda são difamados: “Sem-terra são todos vagabundos, só pegam terra para vender!” "Mas os monopólios de comunicação não denunciam que os posseiros não têm assistência técnica, têm poucos maquinários, as estradas e pontes são péssimas, não têm postos de saúde e as escolas são longe da residência dos alunos".

A matéria também aponta que para os camponeses que já estão em seus lotes é um grande desafio manter a união e organização da época do acampamento, pois só coletivamente é possível ao povo resolver todos seus problemas.

Crescem as tomadas de terra do latifúndio. 
Segundo a Resistência Camponesa nos últimos anos têm crescido o número de tomadas de terra em Rondônia. Segundo a Liga, isto se deve ao aumento do desemprego com a diminuição das obras das usinas Santo Antônio e Jirau e devido à crise econômica geral que o país está enfrentando. Outra causa apontada é a falência da reforma agrária do governo, nos 12 anos de gerenciamento petista o Incra assentou muito menos que a gerência FHC (PSDB). Segundo a informação, cidades de Rondônia, como Chupinguaia, Ariquemes, Buritis, Alto Paraíso, Monte Negro e Cujubim estão agitadas por tomadas de terra. E a LCP teria aproveitado o 6º Congresso para anunciar novas grandes tomadas de terra na região.

Povos indígenas e camponeses: mesmos inimigos, mesmos objetivos
Segundo a informação, uma das participações mais importantes do Congresso foi de uma ativista que dedicou grande parte de sua vida ao apoio e à luta junto dos povos indígenas. "A LCP considera muito importante unir com estas populações que há mais de 500 anos resistem à expulsão de suas terras e ao massacre sistemático".
Propaganda eleitoral queimada nas ruas de Jaru. foto resistência camponesa.

PT é visto como amigo dos latifundiários e inimigo dos camponeses.

Segundo os participantes do Congresso da LCP muitos camponeses votaram no Lula porque ele prometia dar terra. "Mas nos 12 anos que o PT esteve na cabeça do velho Estado brasileiro cresceu a violência contra os camponeses. Passou a ser comum tropas da Polícia Federal, Força Nacional de Segurança e até do Exército apoiando e executando despejos violentos de acampamentos". 

Mídia e movimentos de agricultores como o MST e a FETAGRO também foram criticados. 
Segundo a matéria divulgada; "Lideranças combativas são difamadas pelos monopólios de imprensa e por dirigentes do MST e Fetagro, são perseguidas e presas".
"Atualmente, mais de 20 camponeses estão presos em Rondônia por lutarem pela terra. Número mais absurdo é o de camponeses assassinados em conflitos agrários, que cresceu na gerência petista".

Moção de repúdio contra delegado da polícia civil.
Segundo Ressit~encia Camponesa, a 6º Congresso da LCP aprovou uma moção de repúdio ao delegado Lucas Torres, responsável pela investigação do assassinato do líder camponês Renato Nathan. Em resposta à Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal dos Deputados, recentemente, ele afirmou que Renato era um bandido e foi o único responsável por sua própria morte e que eram falsas todas as afirmações dos camponeses sobre Renato.

Seqüestro de camponeses
Outro caso que teria sido denunciado foi o sequestro, ameaça de morte e tortura dos camponeses Daniel e Paulo, cometidos pessoalmente pelo latifundiário Heládio Senn, em Chupinguaia. Segundo a matéria após ampla campanha de denúncia por movimentos democráticos de todo país, os trabalhadores foram resgatados com vida. O fazendeiro chegou a ser preso, mas foi solto no dia seguinte. Apesar dos camponeses terem visto armas pesadas a polícia teria apreendido na fazenda apenas 3 armas velhas. Para os camponses da LCP a ação da polícia foi só um teatro para justificar para a opinião pública o despejo dos 60 camponeses, ocorrido em seguida. "Tamanha injustiça e o Ouvidor Agrário Nacional Sr. Gercino da Silva não disse uma palavra, não escreveu sequer um ofício".
Segundo a informação, Daniel e Paulo participaram do 6º Congresso e deram seus depoimentos. Eles teriam agradecido a todos que lutaram para que eles fossem encontrados com vida, disseram que não vão abandonar a luta e que estão se preparando com as demais famílias para retomarem as terras do grileiro Nego Zen.


Homenagem aos militantes mais velhos. 

A informação termina contando que uma parte importante do Congresso foi a homenagem a pioneiros da LCP de Rondônia e Amazônia Ocidental. "A Liga sempre prezou por resgatar suas origens, que são as Ligas Camponesas da década de 60 e mais recentemente, os bravos combatentes da Batalha de Santa Elina. Para que a luta avance, é fundamental unirmos a experiência dos mais velhos com a vitalidade dos mais novos". Os homenageados teriam dado depoimentos emocionados, encorajando os presentes a fazerem avançar a Revolução Agrária e a LCP. 
Fonte e fotografias: Resistência Camponesa.

domingo, 5 de outubro de 2014

Missão: libertar e promover a vida!

Em uma sinagoga de Nazaré, Jesus inaugura seu ministério recordando a profecia de Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu e enviou-me para anunciar a boa-nova aos pobres” (Lc 4,18). E Jesus continuou: “para pôr em liberdade os cativos”. A Missão do Messias vem do Deus da vida e por isso, traz libertação para quem sofre algum tipo de escravidão.

Entre 2003 e 2014, a CPT identificou, no Brasil, cerca de 250 casos de trabalho escravo anualmente e as equipes de fiscalização do Min. do Trabalho já resgataram mais de 30 mil trabalhadores, principalmen­te no campo. Em 2011 houve libertações em todas as regiões do país, num total de 2.501 pessoas, sendo 613 delas em atividades não agrícolas.

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho

Matéria 440 - Edição de Domingo – 05/10/2014
Missão: libertar e promover a vida!


Iniciamos o mês de outubro com momentos decisivos para a vida eclesial e a vida política do Brasil.
Hoje os eleitores, pensando no bem da sociedade, através do voto livre e soberano e de forma consciente, fazem escolhas capazes de gerar novos rumos no mundo da política brasileira. Todo cidadão tem direito a ser governado e representado por agentes políticos éticos e íntegros. Este é o momento certo que o processo democrático nos oferece para garantir à sociedade o seu direito de exercer democraticamente o poder político, melhorando a representação. Agora é hora privilegiada de contribuir para qualificar a gestão pública e o serviço à política. Trata-se de um grave desafio que exige de cada eleitor responsabilidade e capacidade de assumir seu lugar próprio no enfrentamento deste desafio.
Começa hoje a 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Família (5-19/10), no Vaticano, convocado pelo Papa Francisco, que propõe uma Igreja acolhedora, que não exclua ninguém de participar da comunidade. O tema é “Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”. Por mais complexas que sejam as situações, vividas hoje pelas famílias, sempre é possível encontrar um terreno comum, entre Igreja e Sociedade, entre Pastoral da família e situações familiares problemáticas, e assim promover iniciativas válidas de enfrentamento das dificuldades.
Dentre os 14 casais convidados pelo papa para participarem do Sínodo da Família está um casal brasileiro, Hermelinda e Arturo Zamperlini, responsável pelo movimento Equipes de Nossa Senhora. Ambos darão testemunho sobre o tema “A abertura dos cônjuges à vida”. Para o casal “a família é o berço de tudo. Como regra geral, cultivar a boa família, onde se vive relações honestas e maduras, fortalece muito o ser humano”.
De 1 a 8 de outubro celebramos a Semana Nacional da Vida, que culmina com o Dia do Nascituro (dia 8). Trata-se de uma mobilização em todo o país, com intensa programação nas dioceses, paróquias e comunidades. A data é fixa no calendário da CNBB e propõe à sociedade o debate sobre os cuidados, proteção e a dignidade da vida humana, em todas as suas fases, desde a concepção até seu fim natural.
O Dia do Nascituro é dedicado ao novo ser humano, à criança que ainda vive dentro da barriga da mãe. A data celebra o direito à proteção da vida e saúde, à alimentação, ao respeito e a um nascimento sadio. O objetivo é suscitar nas consciências, nas famílias e na sociedade o reconhecimento do sentido e valor da vida humana em todos os seus momentos.
Através do subsídio “Hora da Vida”, refletimos o tema “Vida e Missão: lançar as redes em águas mais profundas”, em sintonia com a CF 2014 sobre o Tráfico Humano. Somos chamados a cuidar e preservar a vida como dom maior: acolher e respeitar a vida, para superar a visão da cultura dominante que tende a banaliza-la e a considera-la de maneira superficial.
A liturgia de hoje nos apresenta, por um lado, o cuidado e a proteção de Deus; por outro, a ingratidão e a infidelidade do povo. O profeta Isaías fala de uma vinha bem cuidada que não frutificou (Is 5,1-7). No Evangelho, Jesus utiliza a imagem do povo de Israel como uma vinha para explicitar o mistério do Reino de Deus e nos propõe acolher a ternura de Deus para conosco, a fim de que sejamos vinhas que produzam bons frutos e vinhateiros responsáveis por tais frutos (Mt 21,33-43). Paulo recomenda a oração, a fim de que vivamos em paz e que nos ocupemos com o que é verdadeiro para produzirmos bons frutos(Fl 4,6-9).
Com a festa litúrgica de Santa Teresa do Menino Jesus (01/10), proclamada padroeira das missões, iniciamos o mês missionário de outubro. O mês culminará com a celebração do Dia Mundial das Missões (19/10), domingo em que o Papa Francisco presidirá a cerimônia de beatificação de Paulo VI, o Pontífice que nos seus mais de 15 anos no trono de Pedro, deu um forte impulso à consciência missionária de todos os membros da Igreja através de seus ensinamentos e viagens internacionais. Nesse dia, o encerramento do Sínodo da Família.
Este é um período em que intensificamos as iniciativas de formação, animação e cooperação em prol da Missão universal. O objetivo é despertar a solidariedade e as vocações missionárias, bem como, no Dia Mundial das Missões, realizar uma Coleta para o sustento das atividades de promoção humana e de evangelização em todos os continentes. Este ano a Coleta será realizada nos dias 18 e 19 de outubro.
É bom lembrar que a missão faz parte da natureza e identidade da Igreja e por isso é permanente. Deve acontecer todos os dias do ano e não apenas no mês de outubro. Todos os anos a Campanha se concentra em uma realidade de evangelização, motivando para ações concretas na perspectiva universal. Na Quaresma, a Igreja já se questionou, por meio da CF sobre a realidade do tráfico humano.
A Campanha Missionaria retoma essa reflexão ao propor o tema “Missão para libertar” e o lema: “Enviou-me para anunciar a libertação” (Lc 4,18). As vítimas desse crime representam a escravidão moderna. Por isso, a temática surge hoje como um grande desafio para a Missão.
Em uma sinagoga de Nazaré, Jesus inaugura seu ministério recordando a profecia de Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu e enviou-me para anunciar a boa-nova aos pobres” (Lc 4,18). E Jesus continuou: “para pôr em liberdade os cativos”. A Missão do Messias vem do Deus da vida e por isso, traz libertação para quem sofre algum tipo de escravidão.
Hoje, Jesus nos desafia a assumirmos essa mesma Missão: libertar, defender e promover a vida. Missão que continua urgente e sem fronteiras. Diante dos fatos, a Campanha Missionária quer chamar a atenção para a escravidão do tráfico humano em suas diversas expressões: a exploração do trabalho; exploração sexual; a extração de órgãos; e tráfico de crianças e adolescentes para adoção.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho, as vítimas do tráfico humano somam 21 milhões, muitas de­las no trabalho forçado (14,2 milhões), e na exploração sexual (4,5 milhões), além de tráfico de órgãos e adoção ilegal. Os países mais afetados são: Índia, China, Paquistão, Nigéria, Etiópia. O Brasil é um dos países de origem, de trânsito e destino dessa prática criminosa, sendo responsável por 15% das pessoas exportadas da América Latina para a Europa.
Entre 2003 e 2014, a CPT identificou, no Brasil, cerca de 250 casos de trabalho escravo anualmente e as equipes de fiscalização do Min. do Trabalho já resgataram mais de 30 mil trabalhadores, principalmen­te no campo. Em 2011 houve libertações em todas as regiões do país, num total de 2.501 pessoas, sendo 613 delas em atividades não agrícolas. O Mato Grosso do Sul possui a 2ª maior população indígena do Brasil. Segundo o IBGE (2010), essa população é de 77.025 (povos Guarani Kaiowá, Terena, Kinikinau, Guató, Kadiwéu e Atikum). O povo Guarani Kaiowá vive uma situação de violência: são 45 mil pessoas vivendo em acampamentos ou em pequenas reservas. Esse povo sofre um processo de dizimação com alto índice de assassinatos, ameaças, suicídios e discriminação.
O tráfico de pessoas é a 3ª atividade criminosa mais ren­tável do mundo, atrás apenas do tráfico de armas e drogas, movimentan­do aproximadamente 32 bilhões de dólares por ano. As principais vítimas são migrantes, mulheres, crianças e adolescentes, procedentes de regiões marcadas pela pobreza, instabilidade política e desigualdade econômica. Os aliciadores integram uma rede com­plexa e articulada que envolve inúmeras pessoas e instituições.
“A cultura do bem-estar, que nos leva a pensar em nós mesmos, torna-nos insensíveis aos gritos dos outros; faz-nos viver como se fôssemos bolhas de sabão: são bonitas, mas não são nada, são pura ilusão do fútil, do provisório. Esta cultura do bem-estar leva à indiferença pelo outro. Mais ainda: leva à globalização da indiferença” (Papa Francisco).
Em sua Mensagem para o Dia Missionário (19/10) o Papa destaca que a Igreja é, por sua natureza, missionária e que nasceu “em saída”. Somos chamados a alimentar a alegria da evangelização, o amor capaz de iluminar a nossa vocação e missão e a perseverar na alegria. “O discípulo do Senhor persevera na alegria, quando está com Cristo, quando faz a sua vontade, quando partilha a fé, a esperança e a caridade evangélica”

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Acampados de Monte Negro com nova ameaça de reintegração de posse.

Reintegração de posse é adiada após a Polícia Militar do 7º Batalhão de Ariquemes, Rondônia, convocar reunião para o dia de hoje 01 de Outubro de 2014 para o cumprimento do mandato na Fazenda Mato Grande, no município de Monte Negro.
Nas proximidades o Acampamento Monte Verde já teria sofrido
reintegração de posse e suas casas destruídas.foto rondoniavip
Segundo consta no processo (n. 0004535-94)  reintegração foi adiada pela Oficial de Justiça, devolvendo o mandato em cartório, segundo a mesma, por ter havido na reunião "controvérsia" entre os fazendeiros (representados no processo por Leda Figueira Morães) e os camponeses que ocupam o referido local em demanda de reforma agrária "quanto a quantidade de pessoas que estariam na área, sendo que o Comandante determinou que fosse feito novo estudo social e designou o dia 08/10 para nova vistoria na área"
A reunião estaria sendo realizada no Quartel da Polícia Militar juntamento com o Comandante do 7º BPM Coronel Vasconcelos, SD_PM Ronaldo, o Ouvidor do INCRA RO, o procurador dos fazendeiros e representantes dos camponeses ocupantes da área. 
Segundo informações da assessoria jurídica dos ocupantes, a Fazenda Mato Grande faz parte da grilagem de terras de Flodoaldo Pontes Pinto e da mesma ação de reintegração de posse movida por Nadir Jordão dos Reis na Fazenda Padre Cícero, no lote 04, Gleba 09, Linha 40 no setor Santa Cruz de Monte Negro.
Segundo a mesma assessoria, o local faz parte de terras da União Federal onde o Incra teria realizado um acordo com o citado Flodoaldo Pontes Pinto. O assunto foi debatido na 669ª reunião da Comissão Nacional de Combate à Violência, presidida pela Ouvidoria Agrária Nacional realizada o passado dia 22 de Julho de 2014 em Porto Velho. Na qual foi determinado solicitar a intervenção jurídica do Terra Legal com a transferência do processo para esfera da Justiça Federal.
Por serem Terras da União, sob jurisdição da justiça federal, a justiça estadual não teria competência nas mesmas. Enquanto por outro lado o Ministério Público também não teria sido consultado como preceptivo em casos de conflito agrário e presença de menores de idade.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

São Felipe do Oeste realizou a 28ª Romaria da Bíblia


Em São Felipe do Oeste  (Rondônia) Romaria da Bíblia neste Domingo, contar e recontar a história para que o povo saiba de onde veio! Uma bonita história de resistência na luta pela terra, e de um povo que acredita no Deus que caminha ao lado do povo em luta! Intercaladas com as atividades culturais, as falas sobre a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida; Campanha da CPT, De Olho Aberto Para Não Virar escravo; e o Projeto Pe Ezequiel Falando sobre a Produção Agroecológica. (Claudio Sandos)

Romaria da Bíblia 2014
O município de São Felipe do Oeste foi palco, neste domingo, 28, do grande evento realizado pela Paróquia de Pimenta Bueno, Nossa Senhora de Fátima. A 22ª Romaria da Bíblia recebeu aproximadamente cinco mil romeiros de diversos municípios do Estado que estiveram celebrando a vida, relembrando a historia de sofrimento, lutas, conflitos, mas acima de tudo a esperança e a resistência do povo ordeiro que povoou a vila de São Felipe do Oeste.
A programação deste ano, diferente dos outros, foi alterada pelo atual pároco Frei Airton dos Santos. O sacerdote, em sua primeira Romaria, resgatou o valor verdadeiro do surgimento da Romaria em São Felipe, tradição dos devotos marianos e membros efetivos da comunidade católica. A carreata saiu de São Felipe até a água santa. De lá, foi percorrido 06 km até a comunidade de São João. Romeiros seguiam a pé, rezando, cantando e contemplando as 15 estações da via-sacra de Jesus.

Antes do almoço, a celebração eucarística comoveu os fiéis que participaram da Romaria. Em seguida, jovens da Comunidade São Francisco de Assis realizaram o momento cultural, resgatando a participação da juventude nos eventos tradicionais da igreja católica. No encerramento, Frei Airton realizou o momento de adoração com a exposição do Santíssimo, dando a benção final e enviando todos os romeiros de volta para casa. "Um grande encontro de fé e adoração, celebração da vida e resgate do valor da palavra de Deus no último domingo de setembro foi realizado por este povo abençoado. Não deixe de participar no próximo ano" enfatizou Frei Airton. 

Histórico da Primeira Romaria
A primeira Romaria realizou-se nas margens do Córrego da Água Santa em São Felipe do Oeste no ano de 1986. Muitas famílias, vindas de várias partes do Brasil, tinham esperança de encontrar um pedaço de terra para obter o sustento familiar. Havia um grupo de grileiros que ocupavam 36 mil hectares de terra. Em 1977 houve o primeiro despejo nas proximidades das linhas 41, 37 e 33. Muitos foram espancados, outros saíram amarrados pelos jagunços sob forte ameaça.
Em 1979, outra ocupação foi originada nas proximidades da Capa Zero e na Linha 208. Novamente outro despejo aconteceu. Neste contexto, muitos agricultores abandonaram suas propriedades, dando origem a cidade de Alta Floresta. Pimenta Bueno ajudou os agricultores a criar sindicato para fortalecer as primeiras associações em São Felipe.
No dia 11 de novembro de 1980, Pe. João Zanotto junto com as irmãs, foi à comunidade de São João para celebrar missa, seguindo roteiro de visitas. Zanotto achou estranho encontrar apenas mulheres e crianças na celebração. Em seguida, descobriu que os homens estavam na ocupação passando muito sofrimento. Diante dos fatos, padre João Zanotto resolveu realizar a missa junto aos posseiros. Ao longo da caminhada, foram colocando cruzes para simbolizar o sofrimento e a luta daqueles que estava dentro da ocupação. As cruzes, usadas para rezar a via sacra, foi interpretada pelo regime da época como demarcação de terras. Isto resultou no processo que enquadrou Pe. João Zanotto na Lei de Segurança Nacional.
Crianças, mulheres e homens ao fim da caminhada sentiam muita sede. Chegando a Linha Marco 08, onde foram queimados os primeiros barracos, nas proximidades da Água Santa, Pe. Zanotto celebrou a 1ª Eucaristia de 11 crianças catequizadas por José Manuel que fora embora, logo depois para Alta
Floresta, por não conseguir um pedaço de terra. Outro fato importante se dá ao nome Água Santa.
Os pistoleiros encima do caminhão passariam por cima de todos que tivessem no local. O caminhão atolou. Em seguida buscaram o trator, este por sua vez, também, ficou atolado. Assim, com os veículos imobilizados, o povo pode realizar a celebração com tranqüilidade. Tudo isso aconteceu na estrada onde passava carros perfeitamente. Desde então, atribuíram ao episódio e ao local, a proteção divina, a proteção de Deus. 
Na semana seguinte, Pe. Zanotto foi celebrar missa noutra comunidade. Dali ficou sabendo de um tiroteio entre jagunços e 45 agricultores que estavam acampados ao lado da Água Santa. Deste conflito, duas pessoas saíram feridas. Os senhores Daniel Venturim e Nerci Rosa e a senhora conhecida como Jovelina socorreram os feridos e lavaram as roupas manchadas de sangue. Assim, a primeira Romaria Oficial realizou-se no ano de 1986, nas margens do córrego da água santa, na cidade de São Felipe do Oeste.






Ver mais fotos em https://www.facebook.com/romariadabiblia



segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Operação prendeu 28 garimpeiros de ouro no Rio Madeira

Reunião de garimpeiros do Rio Madeira. foto Itamar da CUT
Segundo notícias divulgadas por diversos candidatos, na quarta feira da semana passada (17/9/14) os garimpeiros do Rio Madeira, que trabalham abaixo da ponte, sofreram uma dura operação de repressão policial, por parte da Polícia Federal, Força Nacional, Marinha, Exército e IBAMA.
Os trabalhadores denunciam o que consideram abusos e violência por parte das forças policiais do Estado, que resultou na prisão de 28 garimpeiros, sendo duas mulheres, que foram parar em presídios junto criminosos comuns, conseguindo liberdade só nos dias seguintes. Além disso famílias inteiras tiveram que fugir para o mato, motores foram danificados com a retirada de peças como motores de partida e bicos injetores e a produção de ouro sumariamente apreendida.
O problema foi debatido em reunião coordenada pelo presidente da Junta Governativa dos Garimpeiros MINACOOP José Alves de Lima, o Lima, da secretária da SEDAM Nancy Rodrigues, do presidente interino da CUT Jose Cicero Alves e de diversos candidatos.
O objetivo principal da reunião foi discutir a reorganização da MINACOOP, que é uma etapa essencial para a legalização do garimpo no Rio Madeiras; sendo que uma parte já foi concedida a Licença de Operação (LO) e a outra parte depende a regularização de pendências requeridas pelo Ministério Público.
Os garimpeiros questionam o fato de que apesar deles terem sofrido uma megaoperação por parte das forças policias, com dezenas de prisões, praticamente nada foi publicado na imprensa sobre o assunto, exceto uma nota de repúdio da CUT. 
fonte; CUT, newsrondonia

sábado, 27 de setembro de 2014

Por um sistema político identificado com o povo!

O texto da reforma política propõe, principalmente, o afastamento do poder econômico das eleições, proibindo a doação de empresas para os partidos e para os seus candidatos;

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 439 - Edição de Domingo – 28/09/2014

Dom Moacyr Grechi 
Por um sistema político identificado com o povo!

Em um cenário em que a parcela conservadora da sociedade brasileira vende como negativa a participação na política, a campanha do Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político, apesar de ignorada pelos grandes meios de comunicação, expressa números relevantes (7.754.436 milhões de votos em 97,05% de urnas fixas espalhadas por todo o país e por meio da internet).
Assim como a oficialização e ampliação do Decreto 8243/2014, assinado pela presidência, que institui a Política Nacional de Participação Social e o Sistema Nacional de Participação Social, a criação de outros mecanismos de participação social estão causando desconforto numa parcela do cenário político brasileiro.
A 2ª edição da cartilha sobre o Projeto de Lei de Iniciativa Popular de Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, intitulada “Por um sistema político identificado com as reivindicações do povo”, de responsabilidade da Coalização Democrática pela Reforma Política e Eleições Limpas, formado por um conjunto de forças institucionais (CNBB, OAB e outras), vem fortalecer os esforços na Coleta de assinaturas em prol da aprovação do Projeto de Reforma política proposto como Lei de iniciativa popular.
O texto da reforma política propõe, principalmente, o afastamento do poder econômico das eleições, proibindo a doação de empresas para os partidos e para os seus candidatos; a necessidade de reformular o sistema político, incluindo a questão de gênero; a regulamentação do artigo 14 da Constituição, em favor da democracia direta; o estímulo à participação dos grupos sociais minoritários; a melhoria do sistema político partidário, aumentando a participação de militantes e filiados em torno de um programa político, além da fidelidade partidária programática.
Uma parte significativa da população brasileira tem uma visão mais ampla dos grandes problemas do país e anseia por reformas políticas.
As eleições deste ano tem um significado especial. Pessoas que já tiveram condenação judicial em 2ª instância foram impedidas de se apresentarem como candidatas. Esse fato, resultado da chamada “Lei da Ficha Limpa” (Lei 135/210) é fruto da mobilização e participação política dos brasileiros que, no exercício de sua cidadania, fizeram valer seu desejo de não serem representados por quem não encarne os valores da ética e do compromisso com a sociedade. Essa lei criou a possibilidade de uma efetiva renovação, já que vários políticos, acostumados a usar cargos eletivos como profissão e a se beneficiarem do exercício de suas funções para proveito próprio e não como serviço ao público, foram forçados a deixar a disputa eleitoral. Esta é uma importante conquista para a democracia brasileira (Mens.CNBB).
Na liturgia de hoje, Jesus, para nos instruir sobre nossas próprias escolhas, conta-nos a parábola dos dois filhos que mudaram de atitude (Mt 21,28-32). Deus nos fez livres. A salvação que ele nos oferece é puro dom. Cabe-nos responder “sim” ou “não” a esse convite. O livre-arbítrio possibilita ao ser humano acolher em sua vida o bom ou o mau caminho. Há sempre a possibilidade de mudar de rumo (VP).
O profeta Ezequiel fala da conversão à Palavra (Ez 18,25-28), pois “é a vossa Palavra, Senhor, que nós dá vida” (Antífona da Comunhão). Hoje, DIA DA BÍBLIA, proclamamos com o salmo 24/25: Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos, ensinai-me as vossas veredas. Guiai-me na vossa verdade!
O Apóstolo Paulo recorda aos Filipenses a dinâmica interior que deve prevalecer em cada cristão e na própria comunidade: ter o mesmo sentimento que havia em Cristo Jesus (Fl 2,1-11). Jesus é, por excelência, fiel a Deus. Nessa fidelidade, conduz sua vida até às últimas consequências na cruz. Assumindo radicalmente a humanidade, esvaziou-se a si mesmo, esvaziou-se de toda vanglória para anunciar o Reino que é acolhido por quem se esforça em viver como Cristo.
Na Exortação Apostólica Verbum Domini, sobre “a Palavra de Deus na vida e missão da Igreja”, encontramos fortes motivações para viver o caminho segundo a Palavra de Deus e anunciar Cristo que é a Verdade e a Vida:
Nunca devemos esquecer que, na base de toda a espiritualidade cristã autêntica e viva, está a Palavra de Deus anunciada, acolhida, celebrada e meditada na Igreja.
A intensificação do relacionamento com a Palavra divina acontecerá com tanto maior decisão quanto mais cientes estivermos de nos encontrar, quer na Escritura quer na Tradição viva da Igreja, em presença da Palavra definitiva de Deus sobre o universo e a história.
Como nos leva a contemplar o Prólogo do Evangelho de João, todo o ser está sob o signo da Palavra. O Verbo sai do Pai e vem habitar entre os Seus e regressa ao seio do Pai para levar consigo toda a criação que n’Ele e para Ele fora criada. Agora a Igreja vive a sua missão: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda a criatura” (Mc 16, 15).
Vivemos um tempo de uma nova escuta da Palavra de Deus e de uma nova evangelização. É que descobrir a centralidade da Palavra de Deus na vida cristã nos faz encontrar o sentido mais profundo da missão e empreender com todas as forças a nova evangelização. É o Espírito Santo que desperta em nós fome e sede da Palavra de Deus e nos torne zelosos anunciadores e testemunhas do Evangelho.
À imitação do grande Apóstolo das Nações, que ficou transformado depois de ter ouvido a voz do Senhor (At 9,1-30), escutemos também nós a Palavra divina que não cessa de nos interpelar pessoalmente aqui e agora. O Espírito Santo reservou para Si Paulo e Barnabé para a pregação e a difusão da Boa Nova (cf 13,2). Também hoje de igual modo o Espírito Santo não cessa de chamar ouvintes e anunciadores convictos e persuasivos da Palavra do Senhor.
Quanto mais soubermos nos colocar à disposição da Palavra divina, tanto mais poderemos constatar como o mistério do Pentecostes se realiza ainda hoje na Igreja de Deus. O Espírito do Senhor continua a derramar os seus dons sobre a Igreja, para que sejamos guiados para a verdade total, desvendando-nos o sentido das Escrituras e tornando-nos anunciadores credíveis da Palavra de salvação.
Na Palavra de Deus, também nós escutamos, vimos e tocamos o Verbo da vida. Por graça, acolhemos o anúncio de que a vida eterna se manifestou, de modo que agora reconhecemos que estamos em comunhão uns com os outros, com quem nos precedeu no sinal da fé e com todos aqueles que, espalhados pelo mundo, escutam a Palavra, celebram a Eucaristia, vivem o testemunho da caridade. Recebemos a comunicação deste anúncio – recorda-nos o apóstolo João – para que “a nossa alegria seja completa” (1 Jo 1,4).

Portanto, o anúncio da Palavra cria comunhão e gera a alegria. Trata-se de uma alegria profunda que brota do próprio coração da vida trinitária e nos é comunicada no Filho. Trata-se da alegria como dom inefável que o mundo não pode dar. Podem-se organizar festas, mas não a alegria. A alegria é fruto do Espírito Santo (Gl 5,22), que nos permite entrar na Palavra e fazer com que a Palavra divina entre em nós e frutifique para a vida eterna.

Anunciando a Palavra de Deus na força do Espírito Santo, queremos comunicar também a fonte da verdadeira alegria, não uma alegria superficial e efêmera, mas aquela que brota da certeza de que só o Senhor Jesus tem palavras de vida eterna (Jo 6,68;VD 121-123).

Para o papa Francisco, a Palavra possui, em si mesma, uma tal potencialidade, que não a podemos prever. O Evangelho fala da semente que, uma vez lançada à terra, cresce por si mesma, inclusive quando o agricultor dorme (Mc 4,26-29). A Igreja deve aceitar esta liberdade incontrolável da Palavra, que é eficaz a seu modo e sob formas tão variadas que muitas vezes nos escapam, superando as nossas previsões e quebrando os nossos esquemas.

A alegria do Evangelho é para todo o povo, não se pode excluir ninguém; assim foi anunciada pelo anjo aos pastores de Belém: “Não temais, pois vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo” (Lc 2,10). O Apocalipse fala de “uma Boa-Nova de valor eterno para anunciar aos habitantes da terra: a todas as nações, tribos, línguas e povos” (Ap 14, 6; EG 22-23).

domingo, 21 de setembro de 2014

Escola Família Agrícola do Cone Sul lança pedra fundamental em Cerejeiras, Rondônia.

Da Associação gestora da nova EFA de Cerejeiras reproduzimos esta informação recebida do lançamento da pedra fundamental: 

CEREJEIRAS: Escola Família Agrícola do Cone Sul lança pedra fundamental. Para o presidente da associação o evento é a realização de um sonho. Em Rondônia já existem 6 escolas EFAs.

A formação escolar dos filhos de agricultores do Cone Sul de Rondônia deu um passo importante, nesta sexta-feira, 12. A direção da Associação Escola Família Agrícola Cone Sul Manoel Ribeiro (AEFACS) em conjunto com a comunidade envolvida com o projeto realizou nesta data o lançamento da pedra fundamental da obra. Representantes dos municípios de Vilhena, Colorado do Oeste, Chupinguaia, Pimenteiras, Cabixi, Corumbiara e Cerejeiras, sede da unidade estudantil, participaram do evento, que foi muito comemorado, pela importância que escola representa para toda a comunidade. Após a conclusão da obra a escola será dotada de espaço com salas de aulas, laboratórios, alojamentos e toda estrutura necessária para atender cerca de 300 alunos, dentro da pedagogia da alternância, que possibilita aos educandos ficaram 15 dias na escola e o mesmo período com seus pais, colocando em prática o que foi aprendido em sala e nas aulas no campo.


O objetivo da EFA é dar sequencia na formação dos jovens para que contribuam com a melhoria da produção, usando técnicas de manuseio da terra que colaborem para a manutenção do agricultor em suas terras. Para a obra em Cerejeiras a prefeitura doou uma área de 5 alqueires, onde já existe um espaço plantado pelas pessoas da escola obedecendo a ausência de agrotóxicos.


Ao dar a benção na abertura do ato o padre José Elio disse que o lançamento da EFA apresenta uma alternativa para uma educação diferente e qualificada com um olhar voltado para a agricultura. "Ao mesmo tempo este modelo de educação tem um olhar para um futuro mais promissor, pois muitos adolescentes que aqui estão certamente estarão estudando aqui" disse o pároco que finalizou rogando a Deus pelos profissionais que irão passar pela escola.
Dionísio Martins de Oliveira, presidente da AEFACS, falou da satisfação ao dar inicio a obra da EFA e agradeceu a disposição das pessoas em articular as propostas que culminou com a criação da EFA Cone Sul.


Dionísio disse ainda da importância das parcerias entre os gestores dos municípios que compõe o regional e a participação das entidades sociais e religiosas. "Olhando estas parcerias percebo que a AEFACS tem tudo para dar certo e em pouco tempo pais e mães estarão contemplando o aprendizado de seus filhos e acompanhado o desenvolvimento de projetos que realmente beneficiam a nossa agricultura familiar", destacou o presidente estampando no rosto, a sensação de alegria pelo lançamento da obra. Ainda segundo ele o que mais anima nesse processo inicial é a ideia de fortalecimento do setor produtivo a partir de uma educação que ensina na prática. "Esta é a realização de um sonho", finalizou.
Presente ao lançamento da pedra fundamental a secretaria de educação de Cerejeiras, Natalia dos Santos Pereira, disse que o principal objetivo da escola agrícola é a valorização do agricultor, através do apoio aos jovens, incentivando a permanência no campo. Segundo ela a administração municipal dará total apoio para a diretoria da AEFACS.


De acordo com a tesoureira da associação, Denize Monteiro, a diretoria é formada por três representantes de cada município do regional, que forma o Conselho Gestor e Comissão Pedagógica. Cabe ao conselho eleger a direção e tomar decisões em torno da escola.
Já a comissão está trabalhando na criação do Plano Politico Pedagógico (PPP), que define as atividades e ações da EFA e direciona o funcionamento da escola planejando a vida pedagogia da EFA. 
fonte e fotografias: Da Redação Tribuna TOP

sábado, 20 de setembro de 2014

16 festival da Juventude Rural em Ji Paraná

Viver de maneira ética e digna!

Para tratar dos impactos sobre o bioma amazônico na vida das comunidades autóctones presentes na região e debater o tema: “Pan-Amazônia: fonte de vida no coração da Igreja” estivemos reunidos em Brasília (9-12/09), no encontro promovido pelo Departamento de Justiça e Solidariedade do CELAM, Comissão Episcopal da Amazônia da CNBB, Conf. dos Religiosos (CLAR) e a Caritas Latino-americana, com o apoio do Pontifício Conselho de Justiça e Paz.



Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 438 - Edição de Domingo – 21/09/2014

Viver de maneira ética e digna!

A liturgia de hoje convida-nos a viver com retidão e dignidade: “Procurai somente viver de maneira digna do Evangelho de Cristo” (Fl 1,20-27).
Quando uma lei como a Ficha Limpa impede que corruptos se candidatem, estamos contribuindo para a ética na política uma vez que não se pode esperar ética de todos os políticos.
Jesus orienta seus seguidores sobre como se comportar no mundo e a fazer uma experiência radical de comunhão universal (Mt 20,1-16), pois, na comunidade de Jesus não há distinção de raça, classe social ou merecimento. O dom de Deus destina-se a todos, por igual.

Quando “lideranças e comunidades indígenas que lutam na defesa de seus direitos à terra são criminalizadas, são vítimas de assassinatos, prisões arbitrarias e ameaças de morte”, não estamos comungando com todos os povos e irmãos indistintamente (Carta da Articulação dos Povos Indígenas aos candidatos à Presidência da República).
Quando camponeses não vivem com dignidade e são despejados para dar lugar à soja e ao boi, trabalhadores rurais assassinados; “qui­lombolas, ribeirinhos e indígenas ain­da continuam com boa parte dos seus territórios tradicionais violentados, sem serem reconhecidos e demarca­dos”; quando “o latifúndio ocupa um terço das áreas de produção agrícola, com ocorrências de trabalho escravo, retirada ilegal de madeira e grilagem de terras” (CPT), não estamos vivendo a fraternidade.

Viver de maneira digna, portanto, é mudar de mente e voltar aos caminhos do Senhor (Is 55,6-9). Mudar de caminho, de atitudes, tomar outros tipos de decisões, fazer outras escolhas, pois nossa vida só tem sentido no relacionamento com Deus, e quando em seus caminhos, apesar de difíceis de entender, perseveramos na fidelidade (VP). Dessa forma, proclamamos: “O Senhor é justo em todos os seus caminhos e perfeito em todas as suas obras. O Senhor está perto de quantos O invocam, de quantos O invocam em verdade” (Sl 144/145).

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 20) que será realizada em Lima neste final de ano deverá avançar no sentido da normatização de uma legislação internacional para os mecanismos da economia verde. Processo que será finalizado na COP 21 de 2015, em Paris. Se não houver mudanças, o caminho estará traçado para as legislações nacionais e as corporações poderão contar com uma segurança jurídica para suas empreitadas em detrimento ao direito dos povos indígenas e tradicionais aos seus territórios, que contraria a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, a Constituição Federal e outras normas e legislações. Na convivência com os povos indígenas, percebemos que são eles, com seus conhecimentos e sabedoria, as fontes inspiradoras para uma vida digna, para uma real sociedade do futuro.

Para tratar dos impactos sobre o bioma amazônico na vida das comunidades autóctones presentes na região e debater o tema: “Pan-Amazônia: fonte de vida no coração da Igreja” estivemos reunidos em Brasília (9-12/09), no encontro promovido pelo Departamento de Justiça e Solidariedade do CELAM, Comissão Episcopal da Amazônia da CNBB, Conf. dos Religiosos (CLAR) e a Caritas Latino-americana, com o apoio do Pontifício Conselho de Justiça e Paz.

A consciência sobre a importância de uma ação comum da Igreja na Pan Amazônia é fruto de um longo processo de amadurecimento. Vários encontros realizados nos últimos anos, em nível de CELAM e também por parte da CNBB, vêm apontando para a necessidade de uma colaboração mais estreita entre as Igrejas de seus países. De igual modo, essa consciência foi crescendo entre as diferentes instituições religiosas, organismos e projetos missionários. Em vários níveis foram se estabelecendo caminhos de diálogo, de colaboração e a criação de laços, dando forma ao sonho de uma Igreja articulada e em comunhão na Panamazonia.

Nesse caminho foi muito importante a motivação dada pelo Papa Francisco, quando afirmou que a Amazônia constitui para a Igreja um teste decisivo para o futuro de toda a região. Para tanto recordamos o que nos diz o Documento de Aparecida: “Estabelecer entre as Igrejas locais de diversos países sul-americanos, que estão na bacia amazônica, uma pastoral de conjunto com prioridades diferenciadas para criar um modelo de desenvolvimento que privilegie os pobres e sirva ao bem comum” (DAp 475).

Durante o encontro, foi criada a Rede Eclesial Panamazônica tendo como visão: “À luz do Evangelho de Jesus Cristo morto e ressuscitado, queremos viver uma experiência de fraternidade e solidariedade encarnada e inculturada, como instrumento de diálogo e unidade eclesial, sinal e horizonte do Reino de Deus a serviço da Panamazonia, em defesa da vida, dom de Deus, seriamente ameaçada, o que implica “criar consciência nas Américas da importância da Amazônia para toda a humanidade” (DAp 475).

E como missão: A partir de uma plataforma de intercâmbio e enriquecimento mútuo e uma confluência de esforços das Igrejas locais, congregações religiosas e movimentos eclesiais, com voz profética e a serviço da vida e do bem comum, nos propomos como “Rede Eclesial Panamazônica”, potenciar de maneira articulada, a ação que realiza a Igreja no território panamazonico, atualizando e concretizando opções apostólicas conjuntas, integrais e multiescalares, no quadro da doutrina e das orientações da Igreja.

Sobre o papel da REPAM e da Igreja em âmbitos internacionais, sobretudo se acentuou a relação entre a Panamazônia e o meio-ambiente. Nesse sentido a reflexão sobre as mudanças climática foi central definindo caminhos concretos para contribuir na COP 20 (Lima), mediante a subscrição de documentos que apresentarão instituições de Igreja e a elaboração de uma Carta pastoral.

Celebramos no próximo domingo o Dia da Bíblia e o Dia de Oração pelo bom êxito do Sínodo da Família (5-19/10), cujo tema é: “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”. Papa Francisco convoca os fiéis das dioceses, paróquias, comunidades, institutos, organismos, movimentos, pastorais, serviços e associações para orarem na intenção de todas as famílias.

O Dia de Oração (28/09) foi escolhido como forma de estabelecer a comunhão, neste momento considerado importante na vida da Igreja: Senhor, enviai o Espírito do vosso Filho para iluminar a Igreja no início do caminho sinodal a fim de que, contemplando o esplendor do verdadeiro amor que resplandece na Sagrada Família de Nazaré, dela aprenda a liberdade e a obediência para enfrentar com audácia e misericórdia os desafios de hoje.

Com a proposta de refletir sobre o tema: “Família, Transmissora da Fé”, agentes e assessores estarão reunidos no XIV Congresso Nacional da Pastoral Familiar (26-28/09) em São Luís/MA). Em sintonia com o tema do sínodo, os participantes reforçarão o protagonismo da família no tocante àtransmissão da fé e à missão mundial da evangelização.

Na Mensagem Final do 1º Congresso Latino-Americano da Pastoral Familiar, no Panamá (4-9/08), cujo tema foi “Família e desenvolvimento para a vida e comunhão missionária”, percebemos o consenso de percorrer o caminho rumo ao sínodo, em união e oração, visando bons frutos para a Igreja e para o mundo. “Inspirados nos valores da Sagrada Família de Nazaré, queremos enviar a todas as famílias da América Latina e do mundo inteiro esta mensagem de esperança que as anime a formar-se mais, a viver os valores do Evangelho, a ter a certeza de que não estamos sós e que juntos podemos enfrentar as tormentas que ameaçam a identidade e a missão do matrimônio, da família e da vida”.

Ao participar do XV Congresso Encontro de Casais com Cristo da Região Norte, em Macapá do (15-17/08), desenvolvemos a temática “Família, berço da vida e protagonista da fé”, reforçando os valores da família e seu papel na comunidade eclesial: as famílias são protagonistas da nova evangelização!

Dentre os 253 participantes da 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, estão os cardeais brasileiros: Dom Raymundo Damasceno, arcebispo de Aparecida e presidente da CNBB; Dom João Aviz, da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada; Dom Odilo Scherer, de São Paulo; Dom Orani Tempesta, do Rio de Janeiro. Participam ainda o Mons. Edgard Madi, bispo de N. Senhora do Líbano/SP e o casal brasileiro Arturo e Hermelinda Zamberline.

O sínodo da Família é uma etapa que se concluirá no 14º Sínodo Ordinário (2015), cujo tema é “Jesus Cristo revela o mistério e a vocação da família”.