sábado, 1 de agosto de 2015

Corumbiara: quebrar o silêncio, vinte anos depois




Novo livro sobre massacre de sem-terras em Rondônia revela: nos rincões, impunidade do latifúndio permanece; Brasília não faz valer Lei de Informação

Por João Peres | Foto: Gerardo Lazzari


MAIS: o jornalista João Peres, que assina este texto, é autor de Corumbiara, caso enterrado, uma vasta reportagem sobre o massacre de agosto de 1995, em Rondônia. O livro será lançado nesta segunda-feira, 19/7, no “Ateliê do Gervásio”, onde está instalada a sede de “Outras Palavras”. Informações completas aqui.
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Quando a corda arrebentou, o governador fez o que faria qualquer figura pública que se preze: mandou o vice ao local dos fatos e continuou em seu gabinete. Havia doze mortes confirmadas e um sem-número de informações desencontradas, mas Valdir Raupp considerou fora de cogitação deslocar-se até o Cone Sul de Rondônia, talvez por imaginar que a visita causaria danos a sua imagem. Coube a Aparício de Carvalho, psiquiatra no papel de vice, lidar com a imprensa, os políticos, os representantes de movimentos sociais e uma população em estado de choque.

O episódio era o pior da história de Rondônia. Elevada de território a estado no começo da década de 1980, aquela unidade da federação estava acostumada a conflitos agrários, mas não na proporção daquele episódio, que ficaria conhecido como “massacre de Corumbiara”. O caso era inédito também para o Brasil pós-ditadura. Na metade de julho de 1995, famílias sem-terra entraram na fazenda Santa Elina, uma entre muitas terras de alta fertilidade dadas pela União a empresários de todo tipo durante o regime autoritário. Hélio Pereira de Morais, pecuarista de São Paulo, comprara a propriedade pouco antes de Ovídio Miranda de Brito, o rei do gado.

Depois de muitas tensões e pressões, a PM realizou, entre a madrugada e a manhã de 9 de agosto, a operação de reintegração de posse. Ocorreu, primeiro, um conflito e, em seguida, uma chacina, com a morte de nove posseiros, dois policiais e um rapaz não identificado. Grupos dos ocupantes manteriam durante as décadas seguintes a visão de que muito mais pessoas perderam a vida no local, informação que nunca pôde ser nem desmentida, nem confirmada.

Sem ter visitado a Santa Elina, Raupp lançou mão de uma das respostas-padrão mais comuns da futura Escola Geraldo Alckmin de Justificativas: presumiu a inocência dos policiais e disse que entre os sem-terra havia “atiradores de elite”. Era a mesma tese defendida no relatório que recebera no mesmo dia 10 de agosto, elaborado pelo Comando Geral da Polícia Militar: duas páginas, com 70% do espaço ocupado pela descrição de tudo o que teria sido apreendido em poder dos posseiros – armas, foices, machadinhos e pás. No único parágrafo em que descreve os fatos, o texto diz que os agentes públicos foram vítimas de emboscada, numa operação que durou aproximadamente duas horas e meia.

No mesmo dia, no outro extremo do estado, Luiz Inácio Lula da Silva, mais tarde presidente, visitava o acampamento na fazenda em companhia do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, mais tarde deputado federal. Durante entrevista em Vilhena, cobrou a presença de Raupp, de quem seu partido era aliado. “O que o PT quer fazer nesse instante, antes de reavaliar a participação no governo, é exigir que o governo possa apurar toda a verdade sobre a chacina acontecida aqui em Rondônia.”

Mas Raupp já havia riscado Corumbiara de seu mapa. Desde então, evita chegar perto da cidade amaldiçoada, localizada no extremo sul do estado, próxima da fronteira fluvial com a Bolívia pelo rio Guaporé. À época, o governador preferiu ir a Brasília, onde buscou demover o ministro da Justiça, Nelson Jobim, da ideia de permitir que a Polícia Federal realizasse um inquérito paralelo sobre o caso. A promessa de que dotaria as polícias Civil e Militar de todas as condições necessárias para um bom trabalho jamais se cumpriu, e a apuração foi realizada sob uma capenguice sem tamanho.

“O grande responsável pelos atrasos verificados no desenvolvimento dos dois inquéritos que apuram o caso do massacre de Corumbiara é o exmo. governador do estado de Rondônia, que não demonstrou até o presente momento qualquer preocupação em resgatar a imagem de Rondônia perante a opinião pública nacional e a comunidade internacional”, acusou a Comissão Pastoral da Terra em documento divulgado no começo de 1996. Àquela altura, o responsável pelo inquérito policial militar, João Carlos Sinott Balbi, circulava com uma picape cheia de problemas mecânicos, arcando do próprio bolso com alguns dos custos – Raupp ainda não respondera ao pedido apresentado em setembro do ano anterior para que Balbi contasse com R$ 5 mil em mãos.

A mistura entre a preocupação com a imagem pública e a garantia efetiva do interesse público não é exclusividade do ex-governador. Há dezenas de exemplos todas as semanas de como informações de interesse do cidadão são controladas como se fossem patrimônio privado. E há uma infinidade de casos obscuros em que forças privadas entendem que o Estado deve a elas submeter-se.

O episódio de Corumbiara é farto nesta seara. O comandante da operação de reintegração de posse, o então major José Ventura Pereira, claramente relutava em dar cumprimento ao mandado. “Eu não queria ir”, mais tarde confessou à jornalista Mônica Bergamo, em reportagem para a revista Veja. Recebeu no 3º Batalhão da Polícia Militar, em Vilhena, a visita de Antenor Duarte do Valle, dias antes da operação. O proprietário de áreas vizinhas à Santa Elina exigiu que a ação de remoção dos sem-terra se desse rapidamente, sempre ciceroneado por um capitão mais tarde acusado de receber presentes de suas mãos generosas. O fazendeiro se sentia à vontade na função de líder local: fundador da seccional rondoniense da União Democrática Ruralista (UDR) e beneficiário de 43 mil hectares doados pela ditadura, acumulava uma lista farta de denúncias por escravidão, relação que seria aumentada ao longo das décadas seguintes.

Em 1º de agosto, pressionou o juiz Glodner Pauletto para que exigisse da PM a reintegração da Santa Elina. “Requisito de Vossa Senhoria o envio de reforço policial para o cumprimento IMEDIATO de Mandado de Manutenção de Posse expedido nos autos nº 160/95”, determinou o magistrado naquele mesmo dia, cobrando atitudes rápidas do comandante da PM. Com uma cópia em mãos, Antenor viajou a Porto Velho em companhia de Hélio Pereira, proprietário da Santa Elina, para entregar o documento pessoalmente a Valdir Raupp.

Quando procurei o ex-governador para conversar, algumas vezes ao longo dos últimos três anos, seu assessor informou que seria impossível agendar uma entrevista: o hoje senador reserva-se o direito de falar somente sobre assuntos que lhe sejam favoráveis. Privatiza uma narrativa que deveria ser pública e que forma a história do estado pelo qual fez carreira.

Valdir Raupp de Matos, nascido em Santa Catarina há 60 anos, tem uma trajetória comum para um político de Rondônia. Via de regra, governadores são empresários com condições de se bancar ou profissionais liberais com ganas de serem bancados. Raupp é um pouco dos dois. Comerciante, mudou-se ao estado na época do boom populacional, no final da década de 1970, elegeu-se vereador em Cacoal pouco depois e chegou a prefeito de Rolim de Moura, na região central, em seguida.

O atual governador, Confúcio Moura, é médico e pecuarista. A família de Ivo Cassol, o antecessor, fez fortuna com madeira, gado e hidrelétricas. O senador Acir Gurgacz é dono da Eucatur, empresa que cresceu fazendo viagens do sul do país para Rondônia no momento da migração em massa. Amir Lando, ex-deputado e ex-ministro da Previdência, é advogado e dono de terras vizinhas à Santa Elina. O clã Donadon, recentemente abalado por denúncias de corrupção, cresceu no Cone Sul com atividades empresariais diversificadas.

Estas são as linhas gerais da política local. Talvez resida nisso uma das explicações para que se considere privado o que em verdade é público. Rondônia é o 18º colocado no ranking de respostas à Lei de Acesso à Informação divulgado este ano pela Controladoria Geral da União. A nota de 5,56, num total possível de 10, significa que está longe do Rio Grande do Norte, com nota zero, mas também não está perto do topo da lista, ocupado por Ceará e São Paulo. Segundo a CGU, há problemas de divulgação nos sites do Executivo e os pedidos são respondidos “parcialmente” fora do prazo e de conformidade com o que foi solicitado.

Olhando a partir das apurações sobre o massacre de Corumbiara, o ranking parece bondoso com a situação de Rondônia. A tentativa de uso da Lei de Acesso à Informação teve momentos que oscilaram do irritante ao cômico, passando pelo bizarro.

– Esta lei não existe aqui em Rondônia, não – disse uma funcionária do Poder Executivo quando telefonei para saber com quem poderia falar a respeito de um pedido que desejava protocolar, uma vez que o site não fazia qualquer referência à legislação.

– A lei é federal. Se Rondônia é uma unidade da federação, então a lei existe em Rondônia – quando soltei esse argumento, surgiu do outro lado da linha um silêncio de desespero que se repetiu em N conversas sobre o assunto.

Em outra ocasião, a tentativa frustrada foi via Poder Judiciário.

– Por que você quer esses dados? – questionou uma servidora.

– Não preciso responder o motivo.

– Se você quer os dados, me parece uma questão de isonomia que diga por que quer.

– Justamente por não haver isonomia entre Estado e cidadão é que a lei preserva meu direito de não ter de responder por que quero os dados.

– Bom, isso facilitaria as coisas, mas, se você quer assim…

Os dados, é claro, nunca chegaram. Na única ocasião em que a Lei de Acesso à Informação funcionou em pedidos encaminhados a Rondônia, a má vontade predominou. A juíza Roberta Cristina Garcia Macedo, da Vara de Cerejeiras, vizinha de Vilhena, autorizou o acesso aos 33 volumes de processos do caso Corumbiara. A ordem judicial, porém, não determinou que o responsável pelo cartório nos recebesse com cordialidade. Ao longo de dois dias, tivemos de acelerar muito na tentativa de fotografar e copiar tudo o que fosse possível, sempre sob obstáculos colocados no caminho pelo sujeito.

São papéis que estão se perdendo. Há folhas rasgadas, informações impressas que estão por se apagar totalmente, documentos que já desapareceram. Segundo o Tribunal de Justiça, não foram guardados os vídeos relativos ao julgamento do caso, ocorrido em 2000 em Porto Velho. Se isso é verdade, significa que o registro audiovisual de um episódio importantíssimo se perdeu. Restam apenas dados escritos sobre a condenação de dois sem-terra e três policiais. Se isso for mentira, não será de se surpreender: é a privatização de mais um trecho de uma narrativa que deveria ser pública, mas não é.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

A 30 anos do martírio do Pe. Ezequiel, a violência no campo continua em Rondônia.

Testemunhas mostram o local da emboscada onde morreu Ezequiel. Foto: zezinho/cpt 

Ontem (25/7/15) e hoje (26/7/15) em Cacoal (RO) e vizinho município de Rondolândia (MT) numerosos romeiros e devoto pediram a beatificação do Padre Ezequiel Ramin, missionário comboniano assassinado o dia 24 de Julho de 1985 pela sua mediação num conflito agrário da região. No local onde foi assassinado foi celebrada uma concorrida missa, presidida pelo Bispo Diocesano de Ji Paraná. Dom Bruno Pedron, e pelos responsáveis no Brasil dos Missionários Combonianos, congregação à qual pertencia o Padre Ezequiel. Um numeroso grupo de sua região natal de Pádua, Itália, estava presente, junto com o irmão do mártir, Antônio Ramin, que participaram na bênção de um cruzeiro e capela comemorativa.
Trinta anos depois do martírio do Padre Ezequiel a violência do campo continua acirrada em Rondônia. Na própria Rondolândia, já dentro do Mato Grosso, a maioria dos pequenos agricultores são posseiros sem título de terra e a prefeita da cidade tem recebido ameaças por causa da defesa dos mesmos, sem que INCRA e Terra Legal consigam regulariza a situação.
Capela e cruzeiro levantados pela comunidade
no local do martírio. 
Foto zezinho/cpt 
Em outros lugares de Rondônia é situação ainda é pior. Mais de dez mortes já tem sido registradas este ano de camponeses, lideranças e pessoas envolvidas em conflitos no campo. Em Rondônia já dobrou o número de assassinatos registrados o ano passado (5) em apenas sete meses.
Em contexto mundial de crise financeira e exploração de recursos naturais a qualquer custo, não é somente a Criação que estamos degradando, pois a disputa pela Amazônia está levando junto com a destruição da natureza, a perda de muitas vidas humanas. 

Foi em Machadinho do Oeste, onde Fábio Carlos da Silva Teixeira, sem terra do Acampamento Fortaleza, foi assassinado a pauladas o dia 12 de Abril de 2015. Em Machadinho será justamente o local onde será realizada o próximo dia 23 de Agosto a 10ª Romaria da Terra e das Águas de Rondônia, organizada pela Paróquia Santa Marta, de Machadinho, pela Arquidiocese de Porto Velho, a Diocese de Ji Paraná, a Diocese de Guajará Mirim, o Sínodo da Amazônia da Igreja Luterana no Brasil (IECLB), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Projeto Padre Ezequiel e o Conselho Indigenista Missionário. 
Em Machadinho mais de 550 famílias da comunidade ribeirinha de Tabajara podem ser expulsos de suas terras pela construção da Usina de Tabajara, atingindo também seringueiros, indígenas isolados, os povos tenharim, os gavião e os arara, no Rio Machado. 
A 10ª Romaria da Terra e das Águas têm como tema: "Terra, floresta e água dádivas de Deus para viver e conviver" e como lema: "Somos testemunhas (At.3) de um novo céu e uma nova terra (Ap. 21)", e propõe uma reflexão sobre o uso e partilha dos dons da nossa Amazônia abençoada pela Criação: A terra, as águas e a riqueza de vida das florestas, dádivas que Deus criou para todos, um desafio para cuidar e administrar conforme a vontade divina de fraternidade, com a missão de colaboradores de sua obra e construindo o "novo céu e a nova terra" que Cristo inaugurou no meio de nós. 
Uma missão que nos confronta com a violência, que de novo é a principal protagonista da luta pela terra e a reforma agrária na grande região de Ariquemes e no entorno do Vale do Jamari, (Buritis, Monte Negro, Campo Novo, Cujubim, Distrito Rio Pardo, e Machadinho do Oeste). A maioria das mortes do campo de 2015 (9) e dois intentos de homicídio por conflito agrário tem acontecido lá. Preocupa especialmente a espiral crescente de mortes enfrentado sem terra e jagunços ao mando dos latifundiários, com denúncias (reiteradas e não esclarecidas) de envolvimento de policiais em milícias armadas e pistolagem. 
Camisa ensanguentada, relíquia do martírio 
do missionário comboniano. Foto zezinho/cpt 

Uma guerra aberta, onde unicamente os camponeses são presos e criminalizados. Somente para isso parece ter servido deixar um contingente da Força Nacional em Ariquemes, nem a justiça agrária federal despejar a todo custo qualquer ocupação de terra, pretendendo assim acabar com os conflitos; nem as reclamações da Ouvidoria Agrária Nacional pedindo proteção aos ameaçados junto ao Governo do Estado.
Com acampamentos a beira da estrada e conflitos sem por resolver por décadas, quase nenhum novo assentamento sendo criado. E com o desemprego aumentando, a cada dia mais empobrecidos das periferias das cidades olham de novo para o campo como uma alternativa de sobrevivência e ocupam terras abandonadas, reivindicando a função social da propriedade e a reforma agrária.
Aliás uma função social constitucional que, de fato, parecem negar todos os juízes que decidem sobre a questão agrária em Rondônia, sendo que alguns acreditam que para acabar os conflitos devem ser despejados todos os sem terra, posseiros e qualquer ocupação de terras, (inclusive de terras públicas e de assentamentos de reforma agrária, como está acontecendo). Decisões que somente radicalizam a demanda de terra dos desempregados e empobrecidos, pois, como dizia o Mártir Ezequiel Ramin: “Só com Justiça na terra haverá Vida e Paz”. 


Assassinatos do campo em Rondônia de janeiro a julho de 2015:


1º - JOSÉ ANTÕNIO DÓRIA DOS SANTOS, 27 DE JANEIRO DE 2015 EM CAMPO NOVO RO. José Antônio Dória dos Santos, conhecido como Zé Minhenga, de 49 anos, foi morto a tiros durante a noite da terça-feira 27 de janeiro de 2015 no Distrito Rio Branco, situado entre Campo Novo e Buritis. Após ter liderado uma ocupação de terra, fazia mais de ano que tinha desistido do Acampamento 10 de Maio, na Fazenda Formosa em Alto Paraíso. O crime pode ser uma retaliação pelo Acampamento, após despejo, ter reocupado novamente a fazenda e a denúncia que PMs de Buritis realizavam segurança particular no local.[i]

2ª - ALTAMIRO LOPES FERREIRA, 47 ANOS, COSTA MARQUES RO. Camponês sem terra, tinha sido despejado fazia poucas semanas junto com outras famílias do Acampamento Nova Esperança, numa área pública conhecida como Área do Badra, próxima a cidade de Costa Marques. Denunciou a agentes da CPT ter sofrido ameaças e desapareceu o dia 04 de março. O corpo dele foi achado em avançado estado de decomposição o dia 13 de março de 2015, com os dentes quebrados, quase de joelhos no chão e pendurado com as próprias calças. Apesar disso a morte foi considerada suicídio, fato contestado pela família.[ii]

3º - FÁBIO CARLOS DA SILVA TEIXEIRA, 12 ABRIL DE 2015, EM MACHADINHO DO OESTE. Sem terra pertencente ao Acampamento Fortaleza, que ocupava uma área de concentração fundiária do Assentamento Santa Maria II em Machadinho do Oeste. Em ambiente de grande tensão e ameaças aos acampados por um grupo de fazendeiros da região, que concentraram terras de reforma agrária, o acampado foi achado morto a pauladas na estrada no dia 12 de abril de 2015, na linha SME-15, vila Brinati.[iii]

4º , 5º e 6º - PAULO JUSTINO PEREIRA , 01 DE MAIO DE 2015, E MAIS DOIS COMPANHEIROS: ODILON BARBOSA DO NASCIMENTO E JANDER BORGES FARIAS, DA “ASSOCIAÇÃO VLADIMIR LENIN”, NO DISTRITO RIO PARDO, PORTO VELHO. Envolvidos no conflito da Flona Bom Futuro, (local onde morreu um policial da Força nacional o ano passado) após criar a Associação Vladimir Lenin, Paulo Justino “Caracará” cobrava o reassentamento dos despejados da área ambiental, defendendo o seu retorno dentro da reserva. Foi assassinado em frente a Escola Municipal do Distrito de Rio Pardo, o dia 01 de maio, um dia depois de ter participado em Porto Velho de audiência pública da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo. Dias antes do assassinato de PAULO JUSTINO PEREIRA também foram assassinados ODILON BARBOSA do NASCIMENTO, no dia 10/04/2015 e o topógrafo JANDER BORGES FARIAS, no dia 17/04/2015, sendo este último amigo de Paulo Justino, que também fazia parte da Diretoria da Associação Vladimir Lênin. Paulo Justino considerava que a origem de todo o conflito da Flona Bom Futuro vinha do fato da área abrigar uma grande jazida de cassiterita e nióbio. [iv]

7º e 8º - DOIS MORTOS NA FAZENDA FORMOSA, 11 MAIO DE 2015 EM ALTO PARAÍSO/MONTE NEGRO: Ainda não identificados nas informações divulgadas, apareceram dois assassinados nas proximidades do Acampamento 10 de Maio, ocupação da Fazenda Formosa. Segundo fontes da LCP não eram camponeses do acampamento. As duas mortes tem clara relação com a violência no campo na região: “Trata-se de um homem moreno que apresentava vários ferimentos na cabeça e escoriações pelo corpo, além de estar com os pés amarrados com fio elétrico em uma motocicleta da marca Honda, modelo CG de cor azul. O segundo corpo aparentava ser de um jovem de pele clara que também apresentava escoriações pelo corpo, além de ferimentos na cabeça. Pela forma dos ferimentos aparentemente os corpos foram arrastados por veículo, de tal forma que a pele foi desgastada pelo contato ao solo, sugerindo que as vítimas tenham sido torturadas até a morte” (Fonte: Ariquemes 190).[v]

9º / CLOVES DE SOUZA PALMA, 42 ANOS, DIA 01 DE JULHO DE 2015, EM COJUBIM RO. Sem terra conhecido popularmente como "Neguinho", foi morto com cinco tiros de arma de fogo tipo revólver. O mesmo era camponês de uma ocupação da Linha C 114 .[vi]

10º / DELSON MOTA, CAPIXAVA, EM BURITIS RO, 15 DE JULHO DE 2015. Foi executado por tiros no início da manhã da quarta-feira, 15 deste mês de julho de 2015. Os mesmos dias que a CPT nacional realizava o seu IV Congresso Nacional em Porto Velho, RO. O crime aconteceu no centro da cidade de Buritis, por volta das 06h30. Capixaba era considerado um dos líderes dos sem terra na região. [vii]

Ainda, houve a morte do contador Dagoberto Moreira, assassinado em 06 de janeiro de 2015 em Vilhena, que teve a morte divulgada por conflito de terras. Dele mesmo tinha sido denunciado o envolvimento em esquema de corrupção, sobre financiamentos de tanques de peixe. Dois pedreiros foram mortos, após homens armados invadir sua casa a finais de 2014, ficando fugido deste então. Há rumores que nem seria dele o cadáver achado.[viii]

Registramos 02 intentos de assassinato:

JANEIRO DE 2015 : ELIZEU BERGANÇOLA, geógrafo. Atiraram nele em janeiro em pleno dia na rua, em Machadinho do Oeste. Continua ameaçado por denunciar com os seringueiros extração clandestina de madeira de áreas extrativistas.

02 MAIO DE 2015 - Foi baleado sem-terra do Assentamento Nova Esperança, localizado na linha LC 110 de Cojubim, ALEXANDRE BATISTA DE SOUZA, 21 anos.

Josep Iborra Plans, Agente da Articulação da Amazônia da CPT Nacional.
Porto Velho, 26/07/2015.



Testemunho de Adílio de Souza, presidente do sindicato de Cacoal, acompanhava o Pe. Ezequiel. foto zezinho / cpt
Missa em 26/7/15 na mata enfrente a antiga Fazenda Catuva, local do martírio do comboniano Ezequiel Ramin.
Foto zezinho / cpt


sexta-feira, 24 de julho de 2015

Dom Moacyr Grechi: Missão da Família e da Comunidade!

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 482 - Edição de Domingo –26/07/2015

Missão da Família e da Comunidade!

Estamos encerrando o mês de Julho com a Festa do padroeiro dos motoristas, São Cristóvão, a celebração do Apóstolo Tiago e com o dia dos Agricultores (25/07). Nossa prece e benção aos motoristas e suas famílias e aos nossos agricultores que, com tanto sacrifício e esperança, cultivam a terra, a família e as Comunidades Eclesiais de Base - CEBs Rurais.
Comemoração especial merecem hoje nossos avós. Dia 26 de julho é dia de São Joaquim e Santa Ana, os avós maternos de Jesus Cristo e dia dos Avós. A eles, nossa gratidão, cuidado e amor filial!
Nesta semana, iniciamos o Mês Vocacional (Agosto) com a Caminhada Vocacional de Ariquemes (02/08); celebraremos, em seguida, o Dia dos Pais, a Semana Nacional da Família (09-15/08), a Romaria da Terra e das Águas(23/8).
O tema da Semana da Família está em sintonia com o 8º Encontro Mundial das Famílias, que se realizará no mês de setembro (22-27/09), na Filadélfia, Estados Unidos, com a presença do papa Francisco: “O amor é a nossa missão: a família plenamente viva”.
As lideranças da Pastoral Familiar da Arquidiocese de Porto Velho estão divulgando a Cartilha “Hora da Família” com sete encontros, envolvendo as famílias, jovens, crianças, os casais, namorados e noivos, com a proposta de celebrar o amor como primeira missão de cada pessoa. Neste tempo em que circulam nos meios de comunicação e, até em ambientes próximos, imagens deformadas do amor, que deturpam a vivência familiar e a riqueza do amor verdadeiro, testemunhamos famílias, cujos membros se doam para o bem e a felicidade do outro e vivem esta qualidade do amor. Famílias plenamente vivas demonstrando que a família cristã é o melhor caminho para encontrar o autêntico amor, fonte inesgotável de alegria e de realização.
Vamos, portanto, celebrar e testemunhar publicamente os valores de nossa família. Em cada encontro vamos refletir os temas: Gerados no amor de Deus; Sexualidade: Dom de Deus, Homem e mulher construindo um matrimônio santo, Criando o futuro, Todo o amor dá frutos, Família, esperança de Deus para o mundo, Igreja, mãe e mestra. A Cartilha oferece ainda quatro celebrações: Reconciliação e Paz (Ano da Paz), Fidelidade e perseverança, Fecundidade conjugal e familiar, Vida consagrada e familiar. Você pode adquirir a Cartilha na Livraria das Irmãs Paulinas ou na secretaria de sua paróquia. Convide as famílias vizinhas para partilharem juntos estes temas, fortalecendo a missão familiar.
Além de contribuir na preparação do 8º Encontro Mundial das Famílias, a reflexão da Semana da Família está também em sintonia com o tema do próximo Sínodo (04-25/10/2015). Estamos continuando a caminhada sinodal com toda a Igreja Católica em torno do tema: “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. O impulso missionário pelas famílias e com as famílias se funda no mandamento do amor e busca a edificação da Igreja e da sociedade para o bem de cada pessoa e de toda a humanidade.
Papa Francisco, na Carta para o Encontro Mundial das Famílias, acentua que “a missão da família cristã, hoje como ontem, é anunciar ao mundo, com a força do Sacramento nupcial, o amor de Deus”. A partir deste mesmo anúncio nasce e se constrói uma família viva, o que coloca o fogo do amor no centro de todo o seu dinamismo humano e espiritual.
No Sínodo de 2014, foram identificados “os problemas mais urgentes que envolvem a família em nossa sociedade plural”. Na verdade, não podemos qualificar uma família com conceitos ideológicos, não podemos falar de família conservadora e família progressiva. A família é a família! Os valores e as virtudes da família, a sua verdade essencial, são os pontos fortes em que se apoia o núcleo familiar e não podem ser contestadas.
Devemos “rever nosso estilo de vida que está sempre exposto ao risco de ser contagiado por uma mentalidade mundana, individualista, consumista, hedonista, e sempre encontrar novamente o caminho certo, para viver e propor a grandeza e a beleza do matrimônio e da alegria de ser e de fazer família”.
Somos chamados, conclui o papa em sua Mensagem, “a prosseguir o compromisso de anunciar o Evangelho do matrimônio e da família e de experimentar as propostas pastorais no contexto social e cultural em que vivemos”. Os desafios deste contexto encorajam-nos a alargar os espaços do amor fiel aberto à vida, à comunhão, à misericórdia, à partilha e à solidariedade. O papa exorta os casais e as comunidades paroquiais, movimentos e associações a deixar-se guiar pela Palavra de Deus, no qual se apoiam os fundamentos do sagrado edifício da família Igreja doméstica e família de Deus (LG 6,11).
O documento preparatório do Encontro Mundial das Famílias destaca que “Deus nos fez com um propósito: seu amor é a nossa missão”. Esta missão nos capacita a encontrarmos nossa verdadeira identidade. Se escolhermos abraçar esta missão, teremos uma nova perspectiva em relação a muitas questões, não somente em relação à família.
Cremos que a família compartilha a missão de toda a Igreja e que o amor deve ser ensinado, compartilhado e comunicado na família e por ela que é a igreja doméstica. Viver a missão da igreja doméstica significa que as famílias católicas, por vezes, viverão como minorias, com valores distintos daqueles da cultura à sua volta. Nossa missão de amor nos exigirá coragem e fortaleza. Jesus nos chama e podemos dar a resposta optando pela vida de fé, esperança, amor, alegria, serviço e missão.
A liturgia deste domingo aponta novamente o olhar de Cristo sobre o povo (Jo 6,1-15): “Jesus ergueu os olhos e viu uma grande multidão que vinha ao seu encontro”. Ao contemplar o povo, percebe que eles não têm alimento e, diante de sua fome, Jesus é movido a dar-lhes de comer, multiplicando-se nos seus seguidores e em sua Igreja.
O episódio da multiplicação dos pães é recordado por todos os evangelistas, contudo é mais elaborado pelo Apostolo João, por isso, na sequência do evangelista Marcos, vamos refletir durante as próximas semanas, na liturgia dominical, cinco textos do capítulo 6 do evangelho de João. É o sentido da partilha, do alimento e da Eucaristia que fortalece a nossa vida de cristãos. A partilha é a efetivação da vocação humana à comunhão fraterna. Todo gesto de partilha não passará sem uma resposta de Deus (VP).
A multidão seguia a Jesus, por causa dos sinais que ele realizava em meio ao povo. O pão deve ser partilhado. Os que têm “fome” são aqueles que são explorados e injustiçados e que não conseguem libertar-se; os que vivem na solidão, sem família, sem amigos e sem amor. São as vítimas da economia global e dos interesses daqueles que detém o poder. É a esses e a todos os outros que têm “fome” de vida e de felicidade, que a proposta de Jesus se dirige.
Para o teólogo Schillebeeckx, Jesus é o Anfitrião a céu aberto; oferece comunicação e comensalidade ao ar livre; comunhão com os seres humanos, algo semelhante ao milagre do maná, traço essencial da oferta de comunhão que Ele faz todos os dias de nossa vida.
Jesus propõe a missão da sua comunidade: ser sinal do amor generoso de Deus, assegurando para todos a possibilidade de subsistência e dignidade. A segurança da subsistência não está no muito que poucos possuem e retêm para si, mas no pouco de cada um que é repartido entre todos. A garantia da dignidade não se encontra no poder de um líder que manda, mas no serviço de cada um que organiza a comunidade para o bem de todos.
O Livro dos Reis fala da manifestação de Deus através do gesto de repartir o pão para saciar a fome das pessoas (2Rs 4,42-44). O“profeta” manifesta a eterna preocupação de Deus com a “fome” do mundo (fome de pão, fome de liberdade, fome de dignidade, fome de realização plena, fome de justiça, fome de paz). Não tenhamos dúvidas: Deus se preocupa, todos os dias, em oferecer aos seus filhos vida em abundância. 
Paulo Apóstolo nos exorta a vivermos uma vida digna da vocação que recebemos; somos distintos, mas formamos um só corpo. Estamos conectados existencialmente, pois o Pai está “no meio de nós e em cada um de nós”. Não é possível seguir Jesus a não ser entrando nessa comunhão. “Há um só corpo”, o egoísmo sequestra a dignidade da vocação à comunhão, que se efetiva em gestos concretos no dia a dia (Ef 4,1-6).

terça-feira, 21 de julho de 2015

Faz escuro, mas cantamos.

Celebrado por primeira vez na Amazônia, o IV Congresso Nacional da CPT realizado de 12 à 17 de Julho em Porto Velho, Rondônia, redigiu esta CARTA FINAL

FAZ ESCURO, MAS CANTAMOS
Nós, 820 camponesas e camponeses, indígenas e agentes da CPT, bispos católicos e da Igreja Ortodoxa Grega, pastores e pastoras, rezadores e rezadeiras, vindos de todos os recantos do Brasil, convocados pela memória subversiva do Evangelho e pelo testemunho dos nossos mártires, pela presença dos Orixás, dos Encantados e Encantadas, nos reunimos para o IV Congresso da Comissão Pastoral da Terra, em Porto Velho-RO, de 12 a 17 de julho de 2015. Foram dias de um intenso processo de escuta, debate e busca de consensos e desafios em sete tendas, que receberam nomes de sete rios de Rondônia. Ao final destes dias, queremos fazer chegar esta mensagem a vocês, povos do campo e da cidade, como um apelo e um chamado.
           
                     
              "Obedecer ao chamado. Cumprir o dever".
(Cacique Babau - povo Tupinambá)
Faz escuro, mas eu canto! Ha 40 anos, a CPT, num tempo de escuridão, em plena ditadura militar, foi criada atendendo ao apelo de povos e comunidades do campo, de modo particular da Amazônia, envolvidas em conflitos e submetidas a diversas formas de violência. Hoje, voltando de onde nascemos e fazendo memória destes 40 anos, vemos que foram anos de rebeldia e fidelidade ao Deus dos pobres, à terra de Deus e aos pobres da terra, condição da nossa esperança. Vemos também que as comunidades vivem uma realidade mais complexa do que a do tempo da fundação da CPT, pois camuflada por discursos os mais variados de desenvolvimento e progresso, que, porém, trazem consigo uma carga de violência igual ou pior à de 40 anos atrás. Hoje, tem-se consciência de que pelo avanço voraz do capitalismo é o destino da própria humanidade e da própria vida que está em jogo. O mercado nacional e transnacional encontra suporte nas estruturas do Estado que se rendeu e vendeu aos interesses das elites e do capital.
Com a autoridade e humildade de quem vive as dores e alegrias da vida do povo, neste Congresso compartilhamos experiências que trouxeram a Memória de fatos e pessoas muito significativas na história das comunidades do campo e da própria CPT; experiências de Rebeldia que nos mostram a indignação diante das injustiças e da violência e experiências de Esperança, que apontam para caminhos que levem a uma realidade mais justa.  
Quanta história temos para contar! De gente e de lugares, de derrotas e vitórias. ... E nossos mortos - homens e mulheres. Fazemos memória para unir passado e presente. Não para repetir! Mas para radicalizar, voltar às raízes do amor pela terra e pelos povos da terra.
Na nossa luta a CPT interagia de corpo e alma com a gente desde o começo, na ocupação e no despejo. Despejo não é derrota. A gente dá dois passos pra trás e três pra frente.
Valdete Siqueira dos Santos, Assentamento Transval, Jequitinhonha, MG.
Rememorar lutas e resistências alimenta nossa indignação e rebeldia. É justo rebelar-se, é legítimo e urgente. Porque a violência e a destruição não são parte do passado, mas são vividas em todos os cantos do país, com muitas caras e a mesma cumplicidade das autoridades que deveriam zelar pelo bem do povo. Estas enrolam, cansam e esgotam as comunidades. A rebeldia vai brotando aos poucos, nasce da realidade de opressão que interpela a consciência. É igual às sementes das plantas do Cerrado, que precisam passar pelo fogo ou pelo estômago dos animais para quebrar sua dormência e assim germinar. Nem sempre é um processo racional. Muitas vezes é um processo festivo de construção de símbolos. Continua a convicção que nosso projeto de vida vai ser “na lei ou na marra”.
Se com a memória alimentamos nossa rebeldia... com o que damos vida à nossa esperança?
                     
A esperança é a persistência da rebeldia!
                     Trabalhador numa das tendas
Essa esperança vai nas nossas mãos. Em uma, a luta e a organização -  diária e rebelde -  na outra, a fé e a paixão - diária e rebelde. De um lado resistimos ao sistema de morte com luta. Do outro descobrimos que conquistar terra e território e permanecer neles não é suficiente. O desafio é construir novas pessoas e novas relações interpessoais, familiares, de gênero, geração, sociais, econômicas, políticas entre espiritualidades e religiões diferentes e com a própria natureza.
Com as mãos cheias de esperança convocamos os povos originários e o campesinato em suas mais diversas expressões: quilombolas, pescadores e pescadoras artesanais, ribeirinhos, retireiros, geraizeiros, vazanteiros, camponeses de fecho e fundo de pasto, extrativistas, seringueiros, castanheiros, barranqueiros, faxinalenses, pantaneiros, quebradeiras de coco-de-babaçu, assentados, acampados, peões e assalariados, sem-terra, junto com favelados e sem teto, para fortalecer estratégias de aliança e de mobilizações unitárias.
Convocamos também igrejas, instituições e organizações para reassumirmos um processo urgente de MOBILIZAÇÃO REBELDE E UNITÁRIA pela vida, que inclua a defesa do planeta TERRA, nossa casa comum, suas águas e sua biodiversidade.
Com o Papa Francisco reafirmamos que queremos uma mudança nas nossas vidas, nos nossos bairros, na nossa realidade mais próxima, uma mudança estrutural que toque também o mundo inteiro.
Se no passado a escuridão não nos calou, mas acendeu em nós a esperançosa rebeldia profética, hoje também ela nos impulsiona a continuar a luta ao lado dos povos e comunidades do campo, das águas e das florestas, em busca de uma terra sem males e do bem viver.
Por isso assumimos como perspectivas de ação para os próximos anos:                        
Uma reforma agrária que reconheça os territórios dos povos indígenas e das comunidades tradicionais e uma justa repartição da terra concentrada;
A formação dos camponeses, camponesas e dos agentes da CPT, com destaque para as comunidades tradicionais, a juventude, as relações de gênero, a agroecologia;
O envolvimento em todos os processos de luta pela educação no e do campo;
O serviço à organização, articulação e mobilização dos povos indígenas, das comunidades quilombolas, pescadores artesanais e mulheres camponesas;
A intensificação do trabalho de base;
A sustentabilidade pastoral, política e econômica da CPT.
O profundo desejo do próprio Jesus e do seu movimento é também o nosso: “Eu vim trazer fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse em chamas” (Lc 12,49).
Porto Velho, RO, 17 de julho de 2015.
Os e as participantes do IV Congresso Nacional da CPT

Romarias: construção de um povo!


Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 481 - Edição de Domingo – 19/07/2015



Romarias: construção de um povo!

Duas Romarias estão sendo preparadas: a 10ª Romaria da Terra e das Águas, que envolve todo o Estado de Rondônia vai acontecer em Machadinho do Oeste, no dia 23 de agosto e tem como tema: “Terra, floresta e água, dádivas de Deus para viver e conviver” e como lema: “Somos testemunhas (At 3,15) de um novo céu e uma nova terra” (Ap 21,1).

Trata-se de uma Romaria Ecumênica, convocada pela Arquidiocese de Porto Velho, pelas Dioceses de Guajará Mirim e de Ji-Paraná e pelo Sínodo da Amazônia da Igreja Luterana (IECLB) que propõem uma reflexão sobre o uso e a partilha dos dons da nossa Amazônia abençoada pela Criação: a terra, as águas e a riqueza de vida das florestas, dádivas que Deus criou para todos e que representam um desafio para cuidar e administrar conforme a vontade divina, com a missão de colaboradores de sua obra e construindo o “novo céu e a nova terra” que Cristo inaugurou no meio de nós. 

A região onde será realizada a Romaria enfrenta o contexto de um projeto avançado de criação da nova usina de Tabajara, no Rio Machado, que deve atingir mais de 500 famílias, e a proposta de uma PCH na cachoeira do Rio Machadinho. Também enfrenta diversos conflitos agrários motivados pela ocupação e uso da terra no Vale do Jamari e na região de Machadinho. É uma situação de desafio para os ribeirinhos, indígenas e seringueiros, que tem nos rios e florestas os principais meios de produção e de vida. 

Organizada pela Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, de Machadinho do Oeste, pela Comissão Pastoral da Terra/RO, Projeto Pe. Ezequiel de Ji-Paraná e pelo CIMI/RO, a caminhada do dia 23 de agosto terá início na cidade seguindo até à cachoeira do Rio Machadinho, local da celebração, manifestações, testemunhos e confraternização.

É fundamental a participação das CEBs nas Romarias da Terra e da Água. Na Amazônia, cenário de tantos contrastes, de sofrimentos para os pobres, excluídos e “descartados” do mundo globalizado e sem alma, as pequenas comunidades eclesiais serão como o Bom Samaritano a debruçar-se sobre o caído, curar-lhe as feridas, devolver-lhe a dignidade de viver, na certeza de que nunca estará sozinho nas estradas deste mundo desigual, pois haverá sempre uma comunidade em seu caminho, que fez a opção por Cristo em solidariedade com os pobres, para caminharem juntos rumo a um mundo fraterno, a utopia do Reino de Deus, reconstruindo a Amazônia como o lugar onde Deus viu que tudo era bom e que continua a ser este lugar acolhedor de tantos irmãos e irmãs que aqui chegam buscando um lugar para viver com dignidade (TB/12ºIntereclesial).

Num lugar de fronteiras, de desacertos, confrontos e conflitos, as Cebs insistirão na necessidade de mudanças e transformações destes cenários tão agressivos e proporão um mundo novo, pois não existe profecia que não seja para isso, anunciar uma boa nova que traga não só esperança, mas realização concreta de uma justa reparação aos deserdados da terra e concretize um novo céu e uma nova terra: o céu nós já temos, pois é promessa de Jesus aos que o seguirem; a terra, a nova terra é uma conquista, com muita luta feita de união, coragem, esperança e fé (R.Possidônio).

A 2ª. Romaria é missionária e está intimamente ligada ao mês vocacional (Agosto), que nos motiva a refletir sobre a cultura vocacional e o compromisso dos seguidores de Jesus, agentes de pastoral, vocacionados e pastores. 

Organizada pelo Seminário Maior João XXIII e peloGrupo Missionário de Apoio ao Seminário (GMAS) a Caminhada dos jovens, famílias, seminaristas, comunidades, pastorais, serviços e movimentos da arquidiocese de Porto Velho, denominada “Romaria das Capelinhas Missionárias”, vai acontecer no domingo, dia 2 de agosto, na paróquia São Francisco de Assis de Ariquemes/RO, com o lema: “Somos Igreja na Amazônia: terra de vocação e missão”.

A concentração e a acolhida das caravanas dos municípios da Arquidiocese acontecerão no Espaço Alternativo, Av. Tancredo Neves, às 8h. Em seguida, a festiva e piedosa peregrinação em direção à Paróquia São Francisco de Assis, com a oração e dramatização do terço missionário e encerramento com a Santa Missa e almoço beneficente em prol do Seminário Arquidiocesano.

A liturgia deste domingo fala da alegria da missão e do olhar de Cristo sobre o povo (Mc 6-30-34): “Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão, porque eles estavam como ovelhas sem pastor”.

A “construção de um povo” passa por este olhar cheio de compaixão (EG). Jesus sabe olhar, não só as pessoas concretas e próximas, mas também a massa de gente formada por homens e mulheres sem voz, sem rosto e sem importância especial. Sente compaixão, pois os leva todos dentro do seu coração.

Segundo Pagola, um dia teremos que rever ante Jesus, nosso único Senhor, como olhamos e tratamos essas multidões que se estão afastando pouco a pouco da Igreja, talvez porque não escutam entre nós o seu Evangelho e porque já não lhes diz nada os nossos discursos, comunicados e declarações. Pessoas simples e boas que se decepcionam porque não veem em nós a compaixão de Jesus.

O Senhor é meu pastor, afirmamos no Salmo 22(23). Como ovelhas que estão dispersas, temos necessidade de sermos reunidos. O Bom Pastor é aquele “que não procura julgar, mas amar” (EG 125). Os maus pastores (Jr 23,1-6) dispersam o rebanho.

Paulo Apóstolo fala que não basta nos reunirmos, pois somos comunidades de irmãos, que partilham a mesma fé e a mesma proposta de vida. Somos um “corpo”, formado por uma grande diversidade de membros, onde todos se sentem unidos em Cristo e entre si numa efetiva fraternidade (Ef 2,13-18).

Essa experiência, vivida pelos agentes da Pastoral da Terra, no IV Congresso de Porto Velho, levaram todos a se comprometer: Com o Papa Francisco reafirmamos que queremos uma mudança nas nossas vidas, nos nossos bairros, na nossa realidade mais próxima, uma mudança estrutural que toque também o mundo inteiro. Se no passado a escuridão não nos calou, mas acendeu em nós a esperançosa rebeldia profética, hoje também ela nos impulsiona a continuar a luta ao lado dos povos e comunidades do campo, das águas e das florestas, em busca de uma terra sem males e do bem viver (Carta Final).

A palavra de Deus convida-nos a viver a unidade, para que o mundo acredite. O papa Francisco em Quito, Equador (07/07) expressou que “nós todos juntos, reunidos à volta da mesa com Jesus, somos um grito, um clamor nascido da convicção de que a sua presença nos impele para a unidade (EG 4).

Vivemos num mundo dilacerado pelas guerras e a violência. Seria superficial pensar que a divisão e o ódio afetam apenas as tensões entre os países ou os grupos sociais. Na realidade, são manifestação do individualismo que nos separa e coloca uns contra os outros (EG99), manifestação da ferida do pecado no coração das pessoas, cujas consequências fazem sofrer também a sociedade e a criação inteira. É precisamente a este mundo desafiador, com os seus egoísmos, que Jesus nos envia, e a nossa resposta não é fazer-nos de distraídos, argumentar que não temos meios ou que a realidade nos supera. A nossa resposta repete o clamor de Jesus e aceita a graça e a tarefa da unidade.

O anseio de unidade supõe a doce e reconfortante alegria de evangelizar, a convicção de que temos um bem imenso para comunicar e de que, comunicando-o, ganha raízes; e qualquer pessoa que tenha vivido esta experiência adquire maior sensibilidade face às necessidades dos outros (EG 9). Daí a necessidade de lutar pela inclusão a todos os níveis, evitando egoísmos, promovendo a comunicação e o diálogo, encorajando a colaboração.

A história é construída pelas gerações que se vão sucedendo no horizonte de povos que avançam individuando o próprio caminho e respeitando os valores que Deus colocou no coração.

As palavras do papa aos Movimentos Sociais nos ajudam a viver esta Palavra de Deus e o compromisso com os empobrecidos em luta por seus direitos. Ele nos propõe para isso, três grandes tarefas: a 1ª é pôr a economia ao serviço dos povos. Digamos NÃO a uma economia de exclusão e desigualdade, onde o dinheiro reina em vez de servir. Esta economia mata. Esta economia exclui. Esta economia destrói a Mãe Terra. A 2ª tarefa é unir os nossos povos no caminho da paz e da justiça. A 3ª e talvez a mais importante que devemos assumir hoje, é defender a Mãe Terra.

domingo, 5 de julho de 2015

Movimentos Populares no Continente da esperança!

,,Essa força é que desejamos aos agentes da Pastoral da Terra, que estão se dirigindo para Porto Velho, a fim de participarem do IV Congresso Nacional da CPT (12-17/07). A todos, coragem e boas vindas! Juntos, vamos celebrar os 40 anos de caminhada na CPT e a esperança dos pobres do campo: “quando sou fraco, então é que sou forte”!,,


Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 479 - Edição de Domingo – 05/06/2015

Movimentos Populares no Continente da esperança!

A América Latina, continente da esperança, recebe a visita do papa a partir deste domingo (05-12/07). Dentre os países mais pobres, Equador, Bolívia e Paraguai foram escolhidos, porque deles, assim como de toda a América Latina, “se esperam novos modelos de desenvolvimento que conjuguem tradição cristã e progresso civil, justiça e equidade com reconciliação, desenvolvimento científico e tecnológico com sabedoria humana, sofrimento fecundo com alegria cheia de esperança”.
Essas palavras, pronunciadas pelo papa na Solenidade de Nossa Senhora de Guadalupe (12/12/2014), ao confiar à Maria a vida de nossos povos e a missão continental da Igreja, demonstram a gratidão pela fé cristã que se manifesta na “preciosidade da piedade popular, na consciência da dignidade da pessoa humana, na paixão pela justiça, na solidariedade para com os mais pobres e sofredores, na esperança às vezes até contra toda a esperança”.
Só é possível conservar esta esperança com grandes doses de verdade e de amor, fundamentos de toda a realidade, motores revolucionários de uma vida autenticamente nova.
O papa vai encontrar uma América Latina com fortes contradições em diferentes indicadores, apontando, de um lado, para interessantes perspectivas pelas mudanças ocorridas na última década, e, por outro, preocupações e desafios para o desenvolvimento regional.
Apesar de não ser uma região declarada de conflitos armados, a América Latina aparece no Relatório Mundial sobre a prevenção da Violência de 2014 (ONU) com número de mortes por homicídio preocupante, pois chega a mais de 165 mil mortes, o que dá uma média de 28,5 homicídios por 100 mil habitantes. Esse número é quatro vezes o índice global que é de 6,7 homicídios por 100 mil habitantes. O relatório de Desenvolvimento Humano Regional (RDH/2013-2014) do PNUD aponta que a insegurança é um dos obstáculos para o desenvolvimento econômico e social na América Latina e que não bastam medidas de controle da criminalidade. É necessário melhorar a qualidade de vida da população com crescimento econômico inclusivo e instituições de segurança e justiça eficazes.
Quanto à redução da fome, o Relatório da organização da ONU para a Alimentação e Agricultura (FAO) indica que a região é a primeira e única do mundo que alcançou, de maneira antecipada, a meta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) reduzindo significativamente a fome. Dentre os 09 países que alcançaram 100% do objetivo de redução da subalimentação, não constam os países que estão sendo visitados pelo papa Francisco. Ainda há 29,5 milhões de pessoas na América Latina com fome, mas segundo a FAO a causa da fome não está na falta de alimentos, mas na falta de acesso a eles. Este aspecto remete às situações de desigualdade social ainda presentes nesses países. Quanto ao combate à pobreza, a Comissão Econômica para a América Latina e Caribe aponta que a pobreza, em que pese importantes iniciativas de alguns países que na década passada conseguiram progressivas reduções na extrema pobreza, ainda persiste como um problema estrutural na América Latina e que o ritmo de diminuição da pobreza desacelerou. A taxa de pobreza da América Latina em 2013 foi de 28,1% da população, enquanto a indigência, ou pobreza extrema, alcançou 11,7%. Estas porcentagens equivalem a 165 milhões de pessoas em situação de pobreza, dos quais 69 milhões são pessoas em situação de pobreza extrema.
Se por um lado, o forte crescimento econômico pode não garantir melhora nas condições de vida dos mais pobres em função das desigualdades sociais e econômicas, o baixo crescimento pode fazer os processos de redução das desigualdades diminuir seu ritmo ou sofrer retrocessos. Vê-se que nesses quatro aspectos como violência, fome, pobreza e economia em geral as conquistas obtidas, mesmo que significativas, não são suficientes para que a região alcance outro patamar em termos de desenvolvimento humano. Medidas como fortalecimento das políticas de distribuição de renda e de acesso às políticas públicas voltadas para as populações mais carentes ainda se mostram fundamentais na região, aliadas à busca de maior integração e de soluções comuns para a região que façam frente aos desafios que a economia mundial apresenta para os próximos anos (Analise Conjuntura/CNBB).
Na extensa programação da visita do papa à América Latina consta o encerramento do II Encontro Mundial dos Movimentos Sociais (07-09/07), em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia. Estão inscritos mais de 900 delegados de 40 países, inclusive do Brasil. Dentre os participantes, trabalhadores precários e informais, sem-terra, indígenas, migrantes e militantes de movimentos sociais. Os eixos temáticos serão terra, teto e trabalho com um olhar mais amplo sobre o que passa com a Mãe Terra e os conflitos que afetam a paz e a soberania no mundo. O evento é organizado a partir do Vaticano, contando com a presença do cardeal Turkson, responsável pelo Conselho de Justiça e Paz do Vaticano, na abertura do Encontro. No I Encontro, realizado no Vaticano em outubro de 2014, o papa afirmou: “A solidariedade é uma forma de fazer história”. E por isso se une ao pedido dos pobres que reclamam “terra, teto e trabalho”. E acrescentou: “Quando peço terra, teto e trabalho para os necessitados alguns me acusam dizendo que ‘o Papa é comunista’! Não entendem que a solidariedade com os pobres é a base mesma do Evangelho”.
Estamos vivendo momentos difíceis de rejeição e intolerância religiosa no mundo, e agora no Brasil. A Liturgia deste domingo aborda o tema da rejeição dos profetas (Mc 6,1-6). O povo que está na sinagoga manifesta descrédito em relação a Jesus. Seus conterrâneos não creem justamente porque veem Jesus trabalhador, o filho de Maria, um homem do povo que não frequentou nenhuma escola superior, um homem que vem de Nazaré, lugarejo insignificante. Por se encarnar nas realidades humanas, Jesus foi rejeitado. Isso faz pensar no desafio que é a encarnação do evangelho na realidade do povo (VP).
O que ocorreu a Jesus em Nazaré prefigura a rejeição que ele experimentará, poucos meses depois, em Jerusalém. Ali, não apenas recusarão sua palavra, mas o pregarão na cruz. Muitos seguidores conheceram a mesma sorte que Jesus. Pessoas simples, profetas que surgiram levantaram a voz no nosso meio. Foram mortos por denunciarem as desigualdades, as injustiças sociais, a violência no campo e na cidade. Foram mortos por “bons católicos”. Eram considerados pouco importantes, não tinham poder, mas sua palavra tem. Sua voz não se cala, mesmo que estejam mortos. Porque a voz da justiça e da fraternidade é a voz de Deus (Konings).
O Profeta Ezequiel fala de sua missão profética e da forma como é rejeitado (Ez 2,2-5). O sofrimento de muitos tinha responsáveis diretos, ou seja, as próprias elites, que também se encontravam na Babilônia. São provavelmente essas elites que constituem a “nação de rebeldes… filhos de cabeça dura e coração de pedra” de que fala o profeta. Elas se tornarão surdas aos apelos que Deus faz por meio de Ezequiel. As pessoas ponderadas podem perguntar se vale a pena tanto esforço para tão pouco resultado, isto é, por que o profeta deve gastar tempo e palavras com quem não lhe dá crédito nem ouvidos. Não seria melhor deixar as coisas como estão? Ocorre que, mesmo sem ser ouvido, o profeta é um sinal de que Deus não abandona seu povo.
Paulo Apóstolo gloria-se em sua fraqueza, pois nela é Deus quem age. Ele só quer anunciar o evangelho do Cristo crucificado e pede que suportemos essa sua loucura (2Cor 12,7-10). Importa que o profeta seja enviado por Deus. Pela humilhação do Filho de Deus, em sua morte de cruz, é que se orienta a missão dos seguidores e seguidoras de Jesus. Nasce, assim, uma espiritualidade do conflito, uma mística que descobre Deus não no sucesso, mas justamente no aparente fracasso de pessoas e projetos, pois o próprio Deus se manifestou vitorioso no aparente fracasso de Jesus na cruz: “De bom grado, portanto, prefiro gloriar-me nas minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim”. Deus está presente nos conflitos internos e externos enfrentados pelos agentes de pastoral (VP). Trata-se de uma presença que é graça e dinamismo.
Essa força é que desejamos aos agentes da Pastoral da Terra, que estão se dirigindo para Porto Velho, a fim de participarem do IV Congresso Nacional da CPT (12-17/07). A todos, coragem e boas vindas! Juntos, vamos celebrar os 40 anos de caminhada na CPT e a esperança dos pobres do campo: “quando sou fraco, então é que sou forte”!

sábado, 4 de julho de 2015

Atingidos cobram posição de Jirau sobre as casas de Nova Mutum

Os últimos meses tem sido de muita mobilização para os atingidos pelas barragens de Santo Antônio e Jirau e pelas cheias do Rio Madeira em 2014. No dia 16 de abril, 564 casas que estavam abandonadas em Nova Mutum foram ocupadas pelas famílias que viviam em locais improvisados, moravam de favor na casa de terceiros ou estavam com aluguéis atrasados pelo não ressarcimento do consórcio responsável pela UHE de Jirau e pela desestruturação de milhares de famílias na região de Jacy Paraná, distrito de Porto Velho. O consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESBR), dono da barragem, tem como empresa majoritária a GDF Suez Tractebel.


Desde abril, várias ações ocorreram, tanto por parte dos atingidos, como por parte da empresa, que até entrou com mandado de reintegração de posse. No entanto, as famílias alegam que o consórcio não cumpriu a condicionante determinada pelo IBAMA na Licença de Operação que argumenta quanto às casas que “assim que desmobilizados os trabalhadores que as ocupam, serão doadas para a Prefeitura Municipal de Porto Velho para destinação social”. Entretanto, algumas casas foram vendidas pelo consórcio para a construtora Camargo Correa, o que incorre em uma ilegalidade.

Frente às ações do Movimento dos Atingidos por Barragens, o consórcio disse que só se manifestaria mediante intervenção do IBAMA, que o fez no último dia 12 de junho, ao enviar ofício ao diretor do consórcio solicitando esclarecimentos quanto às tratativas para atendimento das condicionantes de Licença de Operação referente à desocupação das casas em Nova Mutum.

O MAB espera que após esta solicitação do IBAMA, o Consórcio se manifeste e repasse as moradias para a prefeitura de Porto Velho, para que, a partir dali, a secretaria de Ação Social e o Movimento dos Atingidos por Barragens façam a destinação das casas, com definição de critérios, para as famílias atingidas.

Histórico da situação e ocupação da área

Grande parte das famílias que ocupam as casas desocupadas de Nova Mutum Paraná vivia na região de Jacy Paraná, área coberta pelo reservatório da usina hidrelétrica de Santo Antônio e afetada pelo intenso fluxo migratório por estar próxima dos canteiros de obras (a população do distrito saltou de 3 mil para quase 20 mil habitantes).

Segundo o Ministério Público Estadual e Federal, “o aumento vertiginoso da população não foi acompanhado por melhorias nos serviços públicos – que já eram precários desde antes”. A população sofre problemas de saúde, educação, alimentação, moradia, água contaminada, entre outros.

Além do fato do Consórcio alegar que as casas que seriam destinadas a compensação social estarem agora à venda, a empresa está oferecendo para venda às próprias famílias atingidas por barragens.

No entanto, pelo Parecer Técnico Final (n°124/2012 COHID/DiLic/IBAMA) que aprecia a situação de condicionantes para emissão da Licença de Operação de Jirau, o IBAMA declara sobre as casas de Nova Mutum Paraná: “Durante o processo de licenciamento ficou acordado que as casas, assim que desmobilizados os trabalhadores que as ocupam, serão doadas para a Prefeitura Municipal de Porto Velho. (...) Caso a Prefeitura Municipal de Porto Velho manifeste sua impossibilidade de receber as casas que serão desocupadas pela ESBR, previstas para serem doadas à prefeitura, a empresa deverá tomar providências para outra destinação socialmente viável dos imóveis e/ou desmobilização das estruturas, aliado as atividades de recuperação de áreas degradadas constantes no PRAD do empreendimento.
 Fonte e foto: MAB

sábado, 27 de junho de 2015

Dom Moacyr Grechi: Luta permanente pela justiça!

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 478 - Edição de Domingo – 28/06/2015


Luta permanente pela justiça!

Porto Velho torna-se novamente cenário de um evento eclesial de grande importância para o Estado e para todo o país. Trata-se do IV Congresso Nacional da Comissão Pastoral da Terra (UNIR/12-17/07), que está completando 40 anos de serviço pastoral (22/06) junto aos trabalhadores e trabalhadoras da terra e suas lutas por dignidade e justiça social e tem por tema e lema: “Faz escuro, mas eu canto: memória, rebeldia e esperança dos pobres do campo”.
Acompanhando a CPT desde seu início, reafirmo com Ivo Poletto, primeiro secretário da entidade, que “os verdadeiros pais e mães da CPT são os peões, os posseiros, os índios, os migrantes, as mulheres e homens que lutam pela sua liberdade e dignidade, numa terra livre da dominação da propriedade capitalista”. Comungando as dores e o sofrimento das comunidades do projeto Reca, devido ao recente incêndio, acompanhamos também os conflitos de terra e as lutas dos agricultores de Machadinho, Rio Pardo, Porto Velho, Buritis.
Retorno da Itália, com sentimentos de gratidão a Deus, em 1º lugar, pelos 54 anos de minha ordenação presbiteral, que celebro amanhã, por sua infinita misericórdia; em 2º lugar, pela existência das Comunidades Eclesiais de Base, pequeninas comunidades perseverantes e missionárias, espalhadas pela imensa Amazônia e por todo Brasil. Sobre elas, escrevi na edição 34 da Revista Eclesiástica Brasileira (REB, Vozes, dez/1974, vol.34, fasc.136, pg.898-918):
Nas CEBs a evangelização encarnada procura ser resposta às necessidades reais da população, leva à purificação da fé que vai se tornando mais livre, provoca uma opção de vida em favor dos pobres e marginalizados. Nelas, surgem as lideranças populares, animadores dos grupos de evangelização, diversos ministérios, vocações sacerdotais e religiosas. Os grupos juvenis estão inseridos com os grupos de adultos na própria comunidade eclesial. Cresce a necessidade de aprofundamento da formação, aprofunda-se a consciência da necessária da ligação entre fé e problemas sócio-econômico-políticos.
Precisamos favorecer o crescimento de mulheres e homens novos, capazes de responsabilidade e iniciativa, não só para a edificação da comunidade cristã, mas também para a construção de uma sociedade civil, justa, solidaria e fraterna. Só teremos igreja – comunidade de fé, de oração e de caridade – quando muitos batizados assumirem, segundo seus dons e capacidades, o compromisso de serem os animadores de pequenos grupos de pessoas onde se lê, medita e reflete sobre o evangelho (Comunidade de Fé); onde, confiantes na presença do Senhor, se reza e cantam juntos, santificando o dia do Senhor (Comunidade de oração); onde se aprende a amar, perdoar, servir e a viver como irmão (Comunidade de Caridade).
O Encontro Regional das Comunidades Eclesiais de Base do Regional Noroeste da CNBB (26-28/06) acontece no contexto da celebração de duas colunas da Igreja: Pedro e Paulo. Com eles Cristo iniciou a Igreja. A Festa é amanhã, mas pela importância, a celebração litúrgica é transferida para o domingo.
A temática do Encontro Regional das CEBs “Leigos, Missão e Desafios urbanos”, desenvolvida pelo assessor nacional das CEBs Celso Carias, está em sintonia com o próximo Intereclesial de Londrina.
Desde o começo de sua caminhada pastoral, a Arquidiocese de Porto Velho optou pelas Comunidades Eclesiais de Base, como um sinal vivo na ação evangelizadora e pastoral de todas as paróquias, movimentos, organismos, pastorais e serviços: queremos ser Igreja “no meio urbano, rural, ribeirinho e dos povos da floresta, preservando a criação, promovendo a dignidade da pessoa, renovando a comunidade, participando da construção de uma sociedade justa e solidária, “para que todos tenham Vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10)
Nossas cidades não foram pensadas para ser a “boa casa” dos seus habitantes, escreveu certa vez, dom Antonio Possamai. A questão urbana não deve ser encarada como um espaço de competição, mas de ações cada vez mais fortes de evangelização. A cidade tornou-se o lugar do privado e não do coletivo. É o lugar do isolamento e da perda da própria personalidade. Evangelizar a cidade, tanto em sua dimensão de cidade, como de grupos, idades, estruturas e famílias é um desafio muito grande.
As CEBs urbanas têm como centro a Palavra de Deus; a Bíblia é ponto de partida da ligação Fé-vida. A Comunidade é o lugar de vivência dos sacramentos e celebração da vida e fraternidade. Vivencia o compromisso do serviço, empenho na sociedade e fé ativa. Nas CEBs há o consenso da dimensão participativa da Palavra de Deus, encarnando o poder-serviço do Evangelho.
Embora tenham hoje pouca visibilidade na mídia (ao contrário dos anos 80, quando sua força política assustava as classes dirigentes), elas são a maior força de mobilização da Igreja na sociedade, uma vez muitos de seus membros participam também de organismos da sociedade civil (Pedro Ribeiro).
Tendo a nossa frente os grandes desafios da pastoral urbana, reafirmar nossa opção pastoral pelas CEBs significa fidelidade ao projeto de Jesus; busca da comunhão eclesial; respeito às diferenças e ao pluralismo; não ao conformismo, prestando atenção e valorizando pessoas, grupos e movimentos minoritários dentro da comunidade. Significa pensar uma comunidade toda ministerial, criando novos ministérios, para favorecer o exercício do sacerdócio comum e a participação ativa de todos; favorecer a criação de redes de comunidades, mais atuais para a nossa realidade de periferias urbanas, como células primárias e fundantes da Igreja Particular e Universal; priorizar as relações interpessoais, acima da estrutura, tendo um carinho especial com a pastoral da acolhida; colocando o excluído no centro, sendo Igreja a partir deles (Pe. Geraldo Siqueira).
A Igreja celebra o martírio de Pedro e de Paulo na mesma data porque eles estiveram unidos no mesmo propósito: seguir Jesus até a morte. Ambos são alicerces vivos do edifício espiritual que é a Igreja (VP). Pedro e Paulo representam duas vocações na Igreja, duas dimensões do apostolado, diferentes, mas complementares. As duas foram necessárias para que pudéssemos comemorar, hoje, os cofundadores da Igreja universal. A complementaridade dos dois “carismas” continua atual: a responsabilidade institucional e a criatividade missionária (Konings).
Fundada numa fé forte como a rocha e confiante nestas palavras de Jesus, as comunidades cristãs caminham entre luzes e sombras, buscando servir os homens e mulheres de todos os tempos como aprendeu de seu Mestre e Senhor, para que todos tenham vida (Mt 16,13-19). A comunidade nasce do reconhecimento de quem é Jesus. Reconhecer Jesus desse modo é ser bem-aventurado, porque assim o cristão mergulha no projeto de Deus realizado em Jesus. A primeira função do líder é, pois, manter de pé a esperança da comunidade em torno da justiça que inaugura o Reino. E o cristianismo, o que é? É o prolongamento da ação de Cristo que promove a justiça e a torna possível.
No evangelho fica claro que a comunidade deve testemunhar o projeto de Deus em meio aos conflitos. No livro dos Atos (At 12,1-11) encontramos a comunidade cristã que dá testemunho no sofrimento; ela faz ver quem está a favor e quem está contra Jesus e experimenta a solidariedade de Deus, que a liberta de situações difíceis. Deus é aquele que liberta continuamente a comunidade dos seus seguidores. Da mesma forma como libertou Jesus da morte, assim também conduzirá a comunidade através dos conflitos, a fim de que, libertada, possa continuar anunciando o projeto de Deus.
Paulo Apóstolo, prisioneiro e condenado à morte, fala cheio de gratidão e esperança e aguarda com confiança o encontro com o Senhor(2Tm 4,6-8.17-18): “terminei minha carreira, guardei a fé”.
Aqui, nossa vida do cristão é comparada a uma batalha e a um esporte de olimpíada: “Combati o bom combate, terminei minha carreira”. A última palavra não é da morte, mas de Deus, que dá vida plena aos que nele se abandonam. Cabe a cada um de nós, conservar a fidelidade a Cristo, na solidariedade do “bom combate” (Konings).
Como no tempo de Pedro e Paulo, trata-se da permanente luta pela justiça em meio às contradições e abusos. E de sinalizar o caminho da verdade, a fim de construirmos a verdadeira cidadania, em vista de um futuro de justiça e paz!

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Em Machadinho D’Oeste: 52 famílias de sem terra na iminência de serem despejadas de assentamento da Reforma Agrária.




Nenhuma família sem casa,
Nenhum camponês sem terra;
Nenhum trabalhador sem direitos. (Papa Francisco, 28/10/2014)







É grave para os que ainda acreditam na reforma agrária, aceitar que existe
concentração de terras dentro de Projeto de Assentamento do INCRA, o que deveria contemplar o pequeno trabalhador, vem sendo utilizado pelo latifúndio como demonstração de poder. O camponês vem sendo preterido até mesmo dos meios de aquisição de terra que foram destinadas a eles, como é o caso dos assentamentos da reforma agrária. Este não será um fato isolado de famílias sendo despejadas de assentamentos já consolidados, o mesmo ocorreu dentro do Projeto de Assentamento Flor do Amazonas e Projeto de Assentamento Florestal Jequitibá.
As famílias estão desesperadas, pois, o despejo está previsto para amanhã (25/06/2015) e elas não tem para onde ir e seu futuro é incerto. A crença na conquista justa e pacífica de um pedaço de terra será apagada, mais uma vez, a agricultura familiar está sendo suprimida pela pecuária. Tem-se informações de que pelo menos 21 crianças estudam na escola municipal João Paulo II, próximo ao acampamento, que com a execução da medida, esses menores serão prejudicados emocionalmente e também no que tange ao aproveitamento escolar.
No despacho, o Juiz Federal determinou a destruição das casas e plantações feitas pelos camponeses, bem como, delimitou que eles fossem levados a uma distância mínima de 70 a 90 km do assentamento. 
Dos fatos
Trata-se de uma área dentro do Assentamento Santa Maria II, Machadinho D’Oeste, onde o Requerente da Ação de Reintegração de Posse, diz-se possuidor de 18 (dezoito) lotes, sendo que pelo perfil exigido, um assentado somente pode receber um lote. A Autarquia agrária ingressou no processo federal com o pedido de oposição e durante Audiência Pública com o Ouvidor Agrário Nacional foi formalizado um acordo entre o Incra, o “Fazendeiro” e camponeses; onde a Autarquia informou que por se tratar de terras públicas federais às condições dos ocupantes era irregular e que poderiam permanecer no local por um tempo determinado até que fosse julgada a oposição e o Incra retomasse a área invadida. O acordo foi convencionado entre as partes, na presença de seus respectivos advogados e também de membros do MDA, MPF, Defensoria Pública Estadual, Polícias Federal e Militar, como também da Comissão Pastoral da Terra.
Na Ata da 825ª Reunião da Comissão Nacional de Combate a Violência no Campo, em Porto Velho/RO, na Sede do INCRA, no dia 29 de abril de 2015, às 14h20 horas, quando restou consignado dentre outros, os seguintes pontos: a) o requerente e seus filhos permanecerão ocupando a sede do imóvel rural denominado Sítio Alegre, localizado na linha SME-03, dentro do projeto de assentamento Santa Maria II, na zona rural do município de Machadinho do Oeste, até que o Incra conclua o levantamento ocupacional no projeto de assentamento Santa Maria II; b) os requeridos deslocarão todos os trabalhadores rurais, sem-terras, do acampamento Fortaleza para o lote 123 do projeto de assentamento do Incra denominado Santa Maria II, onde permanecerão até que o Incra os assentem como beneficiários do programa nacional de reforma agrária, preferencialmente no projeto do Incra denominado Santa Maria II, desde que preencham os requisitos legais;
Este acordo restou infrutífero, haja vista, o Judiciário Federal não ter acatado o pedido do Desembargador Agrário, mantendo a decisão. A Defensoria Pública da União e o Ministério Público Federal também peticionaram no processo solicitando pela suspensão da medida, no entanto, sem lograr êxito.
O princípio da dignidade da pessoa humana é mais uma vez violado. Como diz o ditado popular com nossos acréscimos: “o Estado é bom em dar com uma mão e tirar com a outra”. 

sábado, 20 de junho de 2015

Incêndio em cooperativa RECA causa prejuízo de R$ 1 milhão, em RO

Tida como exemplo e modelo de sustentabilidade da agricultura na Amazônia, com plantio de sistemas agroflorestais, o incêndio no RECA em Nova Califórnia, Porto Velho, Rondônia, é um duro golpe para a agroecologia de rostro amazônico. Reproduzimos informação divulgada pelo G1: 

Incêndio em galpão da cooperativa do RECA. foto divulgação
19/06/2015 16h41 - Atualizado em 19/06/2015 19h11 

Incêndio em cooperativa causa prejuízo de R$ 1 milhão, em RO 



Fogo destruiu barracões com produção de óleos e sementes.

Bombeiros devem avaliar projeto de prevenção de incêndio em cooperativa.
Gaia Quiquiô Do G1 RO 

Um incêndio no Distrito de Nova Califórnia, ocorrido na última sexta-feira (12), rendeu prejuízos de R$ 1 milhão à Cooperativa Coopereca, localizada na BR-364, quilômetro 1071, em Rondônia. A cooperativa tentou acionar o Corpo de Bombeiros de Porto Velho e Rio Brando (AC), mas sem efetivo e com transporte reduzido, não foi possível fazer o deslocamento e conter o fogo. Sozinhos, os cooperados conseguiram apagar o incêndio que consumiu três barracões. 
O fogo consumiu os barracões onde eram produzidos e armazenados óleos de castanha, andiroba, da manteiga de cupuaçu e sementes de pupunha, além de uma grande quantidade de manteiga de cupuaçu que estava em estoque e seria vendida. “Tudo foi perdido”, disse Cássia Lane, cooperada que trabalha no departamento administrativo. 
Entre as perdas, um equipamento de prensa para sementes e extração de óleos, foi destruído pelo fogo. O incêndio começou de madrugada e tomou conta dos galpões. Os cooperados tentaram acionar o Corpo de Bombeiros em Porto Velho, mas foram informados de que por causa da distância, cerca de cinco horas de viagem, e falta de caminhão, não seria possível atender a ocorrência. Já na capital acreana, município distante cerca de 150 quilômetros do distrito, o Corpo de Bombeiros alegou que levaria muito tempo para conseguir a documentação necessária para o deslocamento até o local. Os produtores se sentiram lesados e afirmam que na região onde moram vivem sem amparo. 

Fogo destruiu barracões e rendeu prejuízo de R$ 1 milhão

Segundo a cooperativa, cerca de 350 famílias da região foram afetadas, pois sobrevivem com a renda das vendas dos produtos em Rondônia e exportados para várias cidades do Brasil. Apesar da destruição, todos se uniram e pretendem reconstruir o que foi perdido. 

Projeto

O Projeto RECA, como é conhecido, significa Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado, desenvolvido por pequenos agricultores que tiram da floresta, alimentos típicos da Amazônia e preservam o meio ambiente. O RECA já recebeu prêmios nacionais e internacionais de preservação ambiental.

Invibabilidade

Ao G1, o Corpo de Bombeiros alegou inviabilidade, explicando que o efetivo está presente em apenas 14 municípios, de 52 existentes em todo o estado. Para o atendimento em Nova Califórnia, que fica a 350 quilômetros de Porto Velho, "ficou inviável enviar uma viatura, pois com a distância e o peso do caminhão, a viagem duraria cerca de sete horas e não seria possível reabastecer, caso fosse necessário".