terça-feira, 12 de novembro de 2019

Carta dia dos POBRES

CNBB
CONFERENCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL - CNBB
REGIONAL NOROESTE (Porto Velho, Cruzeiro do Sul, Guajará-Mirim, Humaitá, Ji-Paraná, Rio Branco e Lábrea.)

Carta nº 18/2019 Porto Velho, 01 de outubro de 2019. |

III Jornada Mundial dos Pobres de 10 a 17 de novembro de 2019

"A esperança dos pobres jamais se frustrará” (SI 9, 19)

A Jornada Mundial dos Pobres - JMP foi instituída pelo Papa Francisco no encerramento do ano da Misericórdia e acontece no terceiro domingo de novembro, precedido de uma semana de solidariedade.
A JMP é um convite a todas as Comunidades Cristãs e às pessoas de boa vontade, para que levem esperança e conforto aos pobres e colaborem para que ninguém se sinta privado da proximidade e da solidariedade humana.
A principal referência para a Jornada é sempre a mensagem do Papa Francisco. Este ano celebraremos o terceiro ano da JMP, que tem como iluminação bíblica o salmo “A esperança dos pobres jamais se frustrará” (SI 9, 19). O Papa nos diz que a opção preferencial pelos pobres e por aqueles, que a sociedade descarta e lança fora, é uma escolha prioritária para os discípulos de Cristo. Somos chamados a abraçar esta causa para não trair a credibilidade da Igreja e dãr esperança concreta a tantos indefesos.
O Papa Francisco nos convoca a sermos evangelizadores e evangelizadoras coerentes, semeando sinais visíveis de esperança. Precisamos mobilizar nossas comunidades, Pastorais Sociais, Associações e os Movimentos Populares para estar do dos pobres com iniciativas de solidariedade e empatia. Queremos nos empenhar na construção de uma sociedade justa e fraterna, tendo os pobres como protagonistas. Tenhamos bem presentes as palavras do falecido Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns: “Quem vira as costas para os pobres, vira as costas parta Deus”.
Que Nossa Senhora de Nazaré, padroeira da Amazônia, nos dê forças e ânimo para buscar tenazmente vida digna para todas as pessoas.

                  Fraternalmente,

Pe. José Geraldo da Silva 
Articulador das Pastorais Sociais do Regional Noroeste


Dom Francisco Merkel
 Referencial das Pastorais Sociais do Regional Noroeste


terça-feira, 5 de novembro de 2019

PROCESSOS DE TRANSFORMAÇÃO NA AMAZÔNIA À PARTIR DE PRÁTICAS AGROECOLÓGICAS

Grupo Bem-Viver, Cacoal/RO, Brasil.

As práticas ecológicas constituem a cultura e o modo de vida de muitas comunidades tradicionais, e estiveram na base da resistência de alguns povos migrantes, que adotaram o cuidado com a terra.
Senhor Jesus Ferreira Martins, chegou em Rondônia na década de 70, se estabeleceu no setor prosperidade. Para as famílias a conquista da terra não foi simples, muitos passaram pelo sistema de meia, trabalhando em terras de terceiros pela metade da produção, até conquistarem seu pedaço de chão.
A sustentabilidade não foi um processo fácil, mesmo na terra, muitos vendiam sua mão de obra para as fazendas vizinhas. Quando a Família de Dona Maria de Fatima de Oliveira e Sr.  Antônio Custódio de Oliveira, chegam na região, conhecer os vizinhos foi a primeira preocupação.
Daí as iniciativas de produção, os mutirões e o nascedouro do Grupo de Famílias Agroecológicas Bem Viver.

A família que ali chegava vinha carregada de experiências de organização a partir do Movimento de Pequenos Agricultores e Movimento dos Trabalhadores rurais sem-terra, que juntos vivenciaram a experiência de práticas agroecológicas do Projeto Terra Sem Males desenvolvido pela CPT nos anos 2000.
A fala de Odinira Pires reflete a opção política pela construção coletiva “Se eles (Fátima e Antônio) quisessem nós seriámos empregados deles até hoje, recebendo salário mínimo e estaríamos felizes, porém hoje somos produtores agroecológicos[1]”.
O grupo cresceu, criou redes, estabeleceu espaços junto ao município, participando ativamente de Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, Associações rurais, Cooperativa, Escola, Comunidades eclesiais de base, e mesmo na CPT. Nesse período, jovens do grupo acessaram a universidade e hoje são Educadores do Campo. A condição de vida mudou e a natureza foi sendo recuperada “árvores e pessoas cresceram[2]”.
Encontraram o caminho das feiras, e toda a quinta-feira trazem seus produtos para a Feira do Produtor Rural de Cacoal, no início voltavam com os produtos para casa, hoje tem a confiança dos consumidores pela certeza da qualidade dos produtos e de serem livres de agrotóxicos. A feira e a entrega para a merenda escolar são bases da subsistência hoje.
Olhar para a história e para o que o grupo é hoje “uma verdadeira escola[3]” é refletir sobre o trabalho de muitas mãos, de redes de parceiros estabelecidos pela comunidade, e do serviço pastoral da CPT na construção da agroecologia como alternativa de vivência e convivência com o Bioma.
O cuidado com a terra permitiu ao grupo um ambiente equilibrado, sem que tenham necessidade de utilização de insumos químicos, e mesmo naturais para o controle de pragas e doenças.
As famílias são guardiãs de sementes crioulas, e conscientes do processo de transformação desse bem em comodites patenteadas, conservar e partilhar esse bem faz parte da prática, num levantamento rápido são em média, 48 espécies guardadas por família, cultivadas hoje. A experiência se multiplica e atraí outras famílias, já são 15 na região da zona da mata que motivadas por eles iniciam seus processos de transformação.


[1] Odinira, agricultora agroecológica do Grupo Bem Viver.

[2] Liliana W. A. Dos Santos – CPT/RO.
[3]  Sandra Lobo, assessoria do CAIS.