segunda-feira, 30 de julho de 2018

Comissão Pastoral da Terra de Rondônia realiza 2° encontro de jovens da CPT





CPT-RO

Com o tema “Juventude a Caminho” e a presença de jovens dos municípios de Ariquemes, Cacoal, Seringueiras, Vilhena, Costa Marques e Porto Velho, reuniram-se no município de Ministro Andreazza entre os dias 19 a 22 de julho. O encontro organizado pela Comissão Pastoral da Terra de Rondônia buscou ser um espaço de debate sobre a conjuntura política e seus reflexos na vida dos jovens, bem como, a partir da mística e espiritualidade dessa pastoral, ser espaço de construção e fortalecimento da participação da juventude nos espaços de luta.
Os jovens presentes carregam parte da diversidade dos sujeitos do campo de Rondônia, militantes de movimentos sociais (MPA, MAB, MST), acampados, quilombolas, integrantes de comunidades eclesiais de base e da PJ, estudantes de EFA. Tiveram no espaço e nos dias compartilhados a oportunidade de troca de experiências e socializaram sobre temas como imigração, crise política, o avanço do agronegócio, dentre outros assuntos, dentro do contexto internacional, nacional e regional, ressaltando como isso afeta a juventude camponesa e as tarefas que são colocadas para aquelas e aqueles que buscam uma verdadeira transformação social.
Temáticas como a conscientização e participação da juventude nos processos sociais, formas de se organizar em suas respectivas comunidades e grupos, e a defesa de direitos das trabalhadoras e trabalhadores, perpassaram todo o encontro. 
Juventude que Ousa a Lutar, Constrói o Poder Popular!
O encontro foi marcado por diversos momentos, dentre eles as místicas realizadas pelos jovens onde demonstraram como o Estado atua, as percas de direitos sociais que atingem a juventude e a manipulação da grande mídia sobre a sociedade.
As trocas de experiencias, o trabalho coletivo e a importância da união para um bem coletivo, foram experimentadas nesses dias, com intuito de fazer da juventude protagonista de sua luta e história.
Segundo o camponês e membro da Comissão Pastoral da Terra-CPT de Seringueiras, Roberto Barros, o tema do encontro define a direção em que a juventude seguirá. “Seguimos uma linha do tempo, onde nosso compromisso é a luta social da igreja da fraternidade, contra as injustiças que vem matando nosso povo que luta por um pedaço de terra para produzir alimentos saudáveis para toda sociedade”, frisou.
Em outro momento da formação foram debatidos assuntos como a luta pelo acesso e permanência na terra, educação, saúde, respeito a diversidade entre outros assuntos.
A jovem Jussara Santos, moradora do assentamento 14 de Agosto, atuante no Movimento dos Pequenos Agricultores-MPA, falou sobre a importância em se organizar enquanto juventude no Brasil. “Foi muito construtivo [o encontro], pois na atual conjuntura que nós estamos conseguir reunir os jovens durante três dias para formação, é um embate com o sistema estamos andando contra mão, acho que ainda tem muita coisa por vir mas já é um avanço, mas, a juventude está disposta a articular nas suas bases para que possamos construir um mundo justo e igualitário onde não exista opressor e oprimido. E que sejamos sujeitos de nossa própria história”, defendeu a jovem.
O espaço também foi construído de momentos culturais, e na ocasião puderam conhecer a experiência do casal Protázio e Marli que preservam uma área de mata ciliar em região de nascentes do Rio Lobó no município de Ministro Andreazza. Na propriedade também não são utilizados agrotóxicos a mais de 20 anos e juntos passam aos visitantes a possibilidade de construir saídas sustentáveis de uso da natureza.
Jovens de diversos movimentos sociais como o Movimento de Atingindo por Barragens-MAB; Movimento de Pequenos Agricultores-MPA; Via Campesina; Movimento dos Trabalhadores Sem Terra-MST; e Levante Popular da Juventude colaboram com a construção desse espaço, por entender a importância de que os jovens assumam tarefas políticas dentro das organizações e nas lutas da classe trabalhadora.
Os participantes prepararam materiais e intervenções para dialogar com a sociedade sobre os assuntos discutidos no decorrer desses dias, e se fizeram presente na Romaria da Terra e das Águas de Rondônia realizada junto com a Romaria do Pe Ezequiel, que ocorreu no dia 22 de julho de 2018 em Rondolândia/MT. Com faixas, cartazes e intervenção teatral, o grupo denunciou o agronegócio como projeto de campo para o Brasil que carrega consigo a violência e o esvaziamento do campo, e fez memória aos que tombaram na luta pela terra, entre eles Pe. Ezequiel, assassinado em 1985 por sua luta em defesa dos indígenas e sem terra da região.
Além dos conhecimentos e experiências compartilhados, cada jovem se comprometeu em se organizar e buscar organizar outros jovens para o fortalecimento da luta da juventude camponesa e trabalhadora na defesa dos direitos e na luta por uma sociedade mais justa. 
















quinta-feira, 26 de julho de 2018




A XI Romaria da Terra e das Águas de Rondônia e a III Romaria do Padre Ezequiel Ramin tiveram como tema: ‘Com os Pobres pela Terra, Água, Justiça e Paz’ e o lema: “Vocês são Estrelas de Esperança”. As duas romarias reuniram cerca de quatro mil pessoas, no domingo, 22, e aconteceram no quilômetro 70, em Rondolândia-MT, local em que houve o martírio do padre Ezequiel, missionário comboniano.
“É tempo de estiagem, mas o nosso solo está encharcado pelo sangue dos mártires”, com estas palavras dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho, dá início à caminhada de dois quilômetros rumo ao santuário do mártir. Ao mencionar o sangue derramado no solo denuncia a violência, injustiça e ganância que tiraram a vida do padre Ezequiel em 1985 e seguem tirando a vida de milhares de pessoas no Brasil.
Esse tipo de violência bateu recorde, e atingiu o maior número desde 2003, com 70 assassinatos. O estado do Pará lidera o ranking de 2017 com 21 pessoas assassinadas, sendo 10 no Massacre de Pau D’Arco; seguido pelo estado de Rondônia, com 17, e pela Bahia, com 10 assassinatos de acordo com o Relatório da Violência no Campo em 2017, divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).
“Não queremos ser omissos nesse momento em que estão ocorrendo tantas perdas de direitos no Brasil. Os dados da violência contra os pobres, os povos originários, ribeirinhos e quilombolas são vergonhosos. Esta não é a vontade de Deus. Estamos aqui porque queremos que o sonho de uma terra sem males seja a nossa profecia e é por isto que não podemos deixar no anonimato os nossos mártires”, afirmou dom Roque Paloschi em sua homilia.
Juventude que ousa lutar
O desmatamento, uso indiscriminado de agrotóxicos, pecuária extensiva, avanço do monocultivo de soja, arroz, milho e cana-de-açúcar, destruição ambiental causada pelas usinas hidrelétricas e mineradoras e os conflitos no campo em Rondônia e em toda a Amazônia Legal foram denunciadas durante encenação apresentada por jovens do grupo de teatro do Assentamento 14 de Agosto de Ariquemes. “O teatro é uma excelente ferramenta de formação. A juventude precisa manter sua criatividade, ousadia e rebeldia para defender os direitos e a democracia que estão ameaçados no Brasil”, enfatizou Dayane Cristina Pinto Neves, romeira de Jaru.
Fila do Povo
Eva Canoé, umas das representantes dos povos indígenas na romaria, falou sobre a importância do cuidado com a Casa Comum para garantir a preservação da vida no planeta Terra e alertou “é a ganância que destrói a vida. Estas pessoas se esquecem que a floresta, os rios e toda a natureza dão o sustento para nossa vida. Precisamos aprender a viver em harmonia com a nossa mãe natureza”.
Adílio de Souza era presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Cacoal em 1985 e acompanhava o padre Ezequiel Ramin quando sofreram uma emboscada e o padre foi assassinado. Em seu depoimento ele reforçou a importância de manter viva a memória do mártir, sua luta e seu sonho de justiça.
Fé e Vida
Encerrando a celebração da romaria dom Roque questiona a todas e todos os participantes: “como sairemos daqui hoje? Que respostas daremos aos apelos que nos foram feitos? Precisamos viver a conversão ecológica e assumirmos a responsabilidade de cuidar da nossa ‘Casa Comum’. Não podemos nos esquecer do exemplo de vida que nos foi dado pelo Servo de Deus, padre Ezequiel Ramin, que anunciou o Reino de Deus, denunciou as injustiças deste mundo e nos alertou “a Fé segue de mãos dadas com a vida”.
http://arquidiocesedeportovelho.org.br/noticias/arquidiocese-1/nacionaisregionais/25-07-2018/xi-romaria-da-terra-e-das-guas-de-rondnia-e-iii-romaria-do-pe-ezequiel-ramin
Texto por: Renata Garcia