terça-feira, 12 de agosto de 2014

Seringueiro indígena morre em Rondônia trabalhando em manejo florestal

Seringueiro indígena morreu em manejo florestal de madeira em Machadinho do Oeste.

No último dia 06 de agosto ( quarta- feira), o seringueiro extrativista Raimundo Nonato Brasil, mais conhecido como( índio) foi mais uma vítima de acidentes de trabalho que envolvem a extração de madeira por madeireiras na região de Machadinho do Oeste em Rondônia. 
Índio morava e trabalhava na Reserva Extrativista Castanheira dentro da comarca de Machadinho do Oeste, desde o ano de 2005 vivia com sua família na região. Oriundo da região de Jarú bem no centro do Estado de Rondônia, sempre trabalhou e exerceu a única profissão herdada de seus pais, a profissão de (seringueiro-extrativista), nascido no seringal São Sebastião, descende de uma família indígena legítima da extinta tribo “Boca Negra”, cujo os últimos integrantes em torno de três indivíduos ainda encontram-se na região de Machadinho do Oeste e cidades adjacentes. 
A região de Machadinho do Oeste, é uma região que ficou bastante marcada por morte de vários seringueiros e por conflitos agrários desde o início de sua formação. A comarca com forte presença de poderosos fazendeiros e madeireiros vem sendo considerada uma das regiões que mais se desmatou nos últimos anos segundo (IMAZON). 
Raimundo Nonato Brasil.
Existem nessa parte de Rondônia 17 Reservas Extrativistas de propriedade do Governo Estadual, sendo que na maioria delas, é realizado o Manejo Florestal por madeireiras contratadas pelo governo. A esmagadora parte do lucro proveniente da exploração da atividade madeireira dentro das reservas fica nas mãos das empresas madeireiras, o que sobra do restante é rateado entre ( associações, cooperativas, SEDAM e seringueiros), contudo, a situação da condição de vida dos seringueiros não mudou muito. Não tendo eles direito a propriedade, sem direitos trabalhistas e sem a profissão regulamentada vão repetindo o mesmo destino relegados aos soldados da borracha. 
Em muitas regiões falta ainda energia elétrica, a exemplo onde residia a família do seringueiro extrativista índio, falta apoio e assistência técnica as famílias das reservas, sem contar com a falta de estradas e a infinita política desonesta dos atravessadores que tomam parte da renda das famílias locais. Assim sem fonte de renda, sem a implementação de projetos de geração de emprego e renda à altura das necessidades básicas dos extrativistas, os mesmos se vêem obrigados a participarem do manejo para garantir a própria sobrevivência. Em uma dessas rotinas diárias da atividade da exploração de madeira na Reserva Castanheira, índio perdeu sua vida, vítima de um acidente de trabalho, foi quando um tronco de madeira por decorrência da atividade no local despencou de uma árvore indo de encontro à sua cabeça. 
O custo dessa valorosa vida que agora se perdeu com certeza não será indenizado, pois histórias semelhantes em um passado não muito distante jamais foram reparadas. Todas as famílias que trabalham e moram nas Reservas Extrativistas realizam importantes atividades como empregados, públicos, e não recebem por isso nenhum salário ou gratificação. Sem a presença fiscalizadora, zeladora e sacrificante dos seringueiros nas reservas, com certeza o que hoje é floresta, seria provavelmente pasto. Índio era um desses seringueiros, conhecido pelo vigor de seu trabalho, por sua sinceridade nas palavras e pelo número de amizades que conseguiu construir. Índio partiu já deixando saudades, mais também deixou plantada uma semente de um modo de vida, que só os que realmente vivem na floresta como extrativista podem entender, “que é existir sem precisar de muita coisa para viver” 
Fonte: SINDSBOR

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