Casas destruídas, produção perdendo e criminalização em Machadinho do Oeste.


Atuação de milícias destroi casas e impede recolher alimentos.


Terra pública grilada pelo latifúndio dos sucessores de Carlos di Gênio, que eram ocupadas pelo Acampamento Ipê, continuam sendo reivindicadas para reforma agrária, enquanto a produção se perde por decisão arbitrária. Contudo, juiz de Machadinho do Oeste, em Rondônia, agora fez novo despacho pedindo manifestação do INCRA, pois havendo terra pública em litígio, a competência deve passar a esfera federal. 

Moradias dos ocupantes da área continuam sendo destruídas. Vídeos gravados por agricultores da área do Acampamento Ipê mostram fartura de alimentos na área que ocupavam, terra pública de onde foram despejados com uso de uma grande operação policial em novembro de 2025. A maior parte de produção não pode ser escoada, nem comercializada, nem aproveitada para consumo proprio e está se perdendo por causa duma ordem de interdito proibitório. Enquanto a maioria das famílias despejadas está em situação de penúria e necessidade. 

Por outro lado o INCRA cadastrou oficialmente as famílias do Acampamento Ipê depois que foram despejados, reconhecendo que reivindicam legitimamente um assentamento de reforma agrária na região.

A decisão judicial de despejo e as violências registradas posteriormente estão sendo investigadas pela Corregedoria do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) a pedido de Leador Machado, Diretor do DEMCA, o Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Agrários, antiga Ouvidoria Agrária, que faz parte da estrutura do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. 

Ele mesmo e a equipe do DEMCA, do INCRA, e Gervano Vicente, superintendente do MDA de Porto Velho,  sofreram na pele a atuação judicial, após serem retidos no local, quando tentavam realizar uma audiência pública de mediação do conflito no Distrito de Tabajara, em Machadinho do Oeste, coprovando que não tinha sido atendida pelo magistrado local a ADPF 82 e a Resolução do CNJ Nº510/2023, que obriga a mediação dos conflitos fundiários e enálises das reintegrações de posse por um coletivo de magistrados.

Somente pressionado pelo início de investigação na Corregedoria do STJ, o mesmo magistrado local, Matheus Brito Nunes Diniz, baixou despacho em 14 de abril de 2026, reconhecendo por primeira vez o local como área de litígio e pedindo a manifestação do INCRA: 

DETERMINO a intimação do INCRA, para que, no prazo de 30 (trinta) dias, preste esclarecimentos quanto à existência de eventual negociação ou estudos envolvendo a área em litígio, informe a atual situação do cadastramento das famílias ocupantes e manifeste-se acerca de eventual interesse jurídico no deslinde da presente demanda.     Havendo manifestação do INCRA no sentido de possuir interesse jurídico na causa, poderá ser reconhecida a incompetência deste Juízo Estadual, com a consequente remessa dos autos à Justiça Federal. 

Processo: 7001913-75.2025.8.22.0019

Não entanto, mantendo ainda o interdito proibitório, centenas de famílias continuam impedidas de reconstruir a moradia e recolher os frutos do seu trabalho no local, em situação de grande vulnerabilidade social. 

E ainda sendo objeto de criminalização por ter participado da audiência pública convocada pelo DEMCA, inclusive vizinhos da área e até uma conselheira da Comissão Pastoral da Terra que acompanhava a situação no local. 

Por outro lado não há notícia de apuração da corregedoria da PM de Rondônia das denúncias de graves torturas e abusos sofridos por lideranças, um menor e outro detido no Distrito de Serra Azul. Assim como denúncias de impedimento dos alunos ir para escola e de diversos espancamentos e ameaças por parte de policiais, que mataram de forma suspeita Álex Santana e Alessando Santana dois irmãos apicultores do Acampamento Ipê durante a operação policial. Um deles tinha chegado no Acampamento apenas no dia anterior a operação que o vitimou fatalmente.

Segundo famílias do Acampamento Ipê e vizinhança enquanto o juiz mantém o interdito proibitório, uma equipe da empresa de segurança "Potreção Máxima" contratada pela Fazenda Maroins e todas as demais fazendas desmembradas do imenso latifúndio do Di Gênio, as vezes acompanhados de patrulhass policiais, continuam exhibindo armamento e realizando patrulhas nas estradas e na região, continuam realizando destruição de casas, e são acusados de extrair madeira clandestinamente e de ter carregado duas motos que estavam na estrada, além de muitos atropelos que vão muito além da vigilância patrimonial.  

Sem que tenham sido investigadas as denúncias da vizinhança de compor milícias armadas que aterrorizavam a região durante já no segundo semestre de 2025, inclusive de ter provocado por excesso de velocidade a morte dum jovem que circulava de moto pela estrada. 


 
Casa sendo destruídas com motoserras.
Trator derrubando casa de lona.
Casa destruída e alimento se perdendo.
Motos sendo carregadas
Retirada clandestina de madeira serrada.






Milícias armadas se exibindo em Machadinho do Oeste RO.










Milícias armadas são acusadas de atuar fora da fazenda eem extração clandestina de madeira.

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