Celebração do Dia da Consciência Negra na Comunidade Quilombola do Forte Príncipe da Beira: Uma Reflexão de Luta, Cultura e Resistência

20 de novembro de 2024, o Dia da Consciência Negra foi celebrado com grande significado na comunidade quilombola do Forte príncipe da Beira, Costa Marques- RO. Um momento celebrativo, organizado pela Associação local - ASQFORTE, em parceria com a Escola General Sampaio. Esta data, de extrema importância para as famílias remanescentes e para o Brasil, foi marcada por diversas atividades que destacaram a resistência, a cultura e a luta contra o racismo, fortalecendo o compromisso com a igualdade e o respeito à identidade negra.

 

A celebração foi enriquecida por apresentações emocionantes dos estudantes, que realizaram danças tradicionais e expressivas (Capoeira, carimbó e teatro), resgatando as raízes culturais e históricas de sua comunidade. As crianças mostraram com orgulho o vigor das manifestações culturais afro-brasileiras, transmitindo por meio da dança e teatro a força e a beleza de suas origens.


Entre as atividades, um dos momentos marcantes foi a apresentação de uma poesia intitulada “Consciência Negra”

“Chega de racismo

De história mal contada

Chega de hipocrisia

De mentira esfarrapada

Esse preconceito infeliz

Que por aí diz

Que negro não vale nada.

O negro também precisa

Ser privilegiado

Chega de arrogância

Branco tenha cuidado

Com o preconceito em alta

Pois quem muito se exalta

É sempre humilhado.

Preto, branco e mulato

Vamos nos unir

O preconceito é horrível

E não é para existir

Já que todos somos irmãos

Essa grande nação

Espalhada por aí.

A consciência negra

Quer exatamente

Provar que somos iguais

E não diferentes

São lutas populares

Como as de Zumbi dos Palmares

Que morreu pela sua gente.

É preciso desde já

Com amor todo gentil

Acabar com o preconceito

E ver em nosso Brasil

O negro sorrindo tanto

Como a Daiane dos Santos,

Pelé e Gilberto Gil.”

 de Francisco Carneiro Barbosa /Trairi - CE - por carta (https://www.recantodasletras.com.br/mensagens/3970915 )

 A poesia, intitulada “Consciência Negra”,  de Francisco é um poderoso grito contra a discriminação e um chamado à reflexão sobre as injustiças que ainda atingem a população negra. A poesia, repleta de emoção e sabedoria, abordou a urgência de um Brasil mais justo, sem espaço para o racismo, e reforçou a ideia de que todos, devem ser tratados com igualdade, independente da cor. "Chega de racismo / De história mal contada / Chega de hipocrisia / Esse preconceito infeliz / Que por aí diz / De mentira esfarrapada / Que negro não vale nada." BARBOSA, Francisco Carneiro; 2012.

Com essas palavras, o autor deu voz a muitos que ainda enfrentam o preconceito diariamente, questionando as narrativas que tentam apagar a história e a contribuição do povo negro. A poesia também trouxe à tona a reflexão sobre o privilégio branco e a necessidade urgente de se combater as desigualdades raciais. Ao final, a mensagem foi clara: "Preto, branco e mulato / Vamos nos unir / O preconceito é horrível / E não é para existir / Já que todos somos irmãos / Essa grande nação / Espalhada por aí."

A atividade na comunidade quilombola do Forte foi um momento de resgate da memória histórica, de valorização da cultura negra e de reflexão sobre a luta constante por justiça e igualdade. A parceria entre a Associação e a Escola, por meio dessas ações, reforça a importância de se educar para um futuro livre de racismo e intolerância, onde todos possam se reconhecer como iguais, sem distinção de cor, etnia ou origem.

 

Para Lulu, presidente da associação quilombola do forte: “A Consciência Negra é um momento histórico que a gente deve lembrar, porque foram nossos antepassados que sofreram, então a gente não poderia deixar de comemorar, não comemorar a morte, mas comemorar a luta que hoje estamos vencendo, que por conta dele ter lutado no passado, hoje estamos aqui, firme e forte, e continuamos lutando, e precisamos relembrar, mostrar para nossas crianças quem foi Zumbi de Palmares, Dandara, Tereza de Benguela e tantos outros, o que significa a Consciência Negra, e dizer que sim, sim, a gente podemos estar onde a gente quiser estar, em todos os locais que devemos estar, que não é local só para brancos, e sim para todos nós pretos e remanescentes de quilombola, porque esse é o nosso direito, foi nós quem começamos o mundo junto com os povos indígenas.”

Essa comemoração no quilombo não foi apenas uma lembrança da luta dos antepassados, mas também um grito de resistência das novas gerações, que seguem firmes no compromisso de construir um Brasil mais justo, sem preconceitos, onde as contribuições de todas as culturas e etnias sejam reconhecidas e celebradas. Com Territórios assegurados e livres. 

Imagens: PINHEIRO. Nucicleide Paz; 20/11/2024

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