domingo, 18 de setembro de 2022

COMUNIDADE SERINGAL DO BELMONT sofre ataques de pistoleiros na madrugada deste domingo, 18 de setembro, há 03 km da zona urbana de Porto Velho

Na madrugada deste domingo, 18 de setembro de 2022, precisamente as 02h da manhã, as 48 famílias que tinham reocupado suas posses na última sexta-feira, foram surpreendidas por 06 homens completamente  armados, possivelmente com armas de calibre 38, em que segundo as testemunhas, efetuaram disparos na tentativa de intimidar os posseiros que logo foram rendidos totalmente pelos pistoleiros bandidos, impossibilitados de reagirem.

Foto: CPT-RO
 

Registro da Comunidade Seringal do Belmont

Os pistoleiros fizeram as famílias saírem de suas casas em fila indiana, com mulheres de um lado e homens de outro, para um lugar aberto e começaram a torturá-los. Foram espancados para que apontassem quem era o “Nando”, liderança da comunidade. As crianças e os animais de estimação ficaram dentro da casa coletiva.

Enquanto as torturas iam acontecendo, um dos criminosos entrou na casa e iniciou o roubo levando celulares, documentos pessoais, carteiras, dinheiro. Os criminosos jogaram óleo diesel na parte de cima da casa para incendiá-la. Nesse momento as famílias, mesmo rendidas pelos bandidos, movidas pelo desespero ao perceberem que suas crianças estavam dentro da casa e poderiam morrer queimadas, correram para salvar seus filhos.

Um dos criminosos gritou para os outros: 

-perdemos o controle, fantasma! fantasma! perdemos o controle

Registro da Comunidade Seringal do Belmont

Um dos depoentes, acredita que os criminosos estavam focados em encontrar a liderança do acampamento, e não esperavam que haviam crianças, idosos e mulheres. Infelizmente, os animais, precisamente os cães de estimação que estavam na parte de cima da casa, não conseguiram ser salvos, morreram queimados. Um animal que sobreviveu está sendo atendido pela organização de proteção a animais, Anamnese Consulta.

Noventa famílias viviam nessa comunidade desde 2014. Em dezembro de 2020, em meio a pandemia foram condenados e despejados à revelia, inclusive contradizendo as medidas determinadas pelo período pandêmico. Por conta do período de isolamento, as famílias não tiveram acesso a informação de que havia algum processo contra elas.

Recentemente, o grupo foi ouvido durante a missão do CNDH, e no dia 8 de setembro de 2022 a Justiça do Estado de Rondônia, por meio da Decisão do Processo de N.º 7043042-90.2020.8.22.0001 foi favorável às famílias, em que comprovou-se que a área está destinada a União e que eles estão na posse desde 2014.

Trecho da Decisão do TJRO

 No dia 15 de setembro reuniram-se no INCRA apresentando a decisão judicial e pedindo encaminhamento. Na sexta, dia 16/09/2022, decidiram reocupar suas posses e foram surpreendidos, segundo eles, por pistoleiros. Um depoente, denuncia que no mesmo dia, a liderança Francisco Hernandes, conhecido por Nando, recebeu ameaça do próprio latifundiário Vieira, proprietário da fazenda vizinha a área em litígio, onde o mesmo fora beneficiado pela ação de reintegração de posse.

Durante a tarde deste domingo, organizou-se uma comissão composta pelo Conselho Estadual dos Direitos Humanos, pela Ouvidoria da Defensoria Pública do Estado de Rondônia, pela Comissão Pastoral da Terra, pelo Interjus/Instituto Terra e Justiça e outros parceiros de militância Social e defesa de Direitos Humanos, e foram ao local ouvir as famílias. A partir disso, comprometeram-se em acionar os órgãos competentes em Segurança Pública Estadual e Federal e outros cabíveis.



As famílias pedem socorro, segurança e agilidade por parte das autoridades competentes.

Fonte: Comissão Pastoral da Terra.

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