sábado, 16 de julho de 2022

Pistoleiros queimam acampamento de 82 famílias em Theobroma, Rondônia.

Fonte: camponeses do Acampamento Terra Prometida

Oitenta e duas (82) famílias do Acampamento Terra Prometida tiveram criminosamente suas casas queimadas por um grupo de pistoleiros. Assim mais um episódio de violência no campo aconteceu no dia 06 de julho de 2022, na Linha C-38 do município de Theobroma, situado a 236 km. de Porto Velho, Rondônia. Até o momento nenhum responsável do crime têm sido identificado ou detido pelas autoridades.

No local um numeroso grupo de famílias estavam morando, inclusive com os filhos indo a escola e os pais tirando o sustento da terra, pois segundo eles se trata de uma área de 1.238 hectares de terra pública, que reivindicam para reforma agrária. 

Segundo um boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Polícia de Jaru, os pistoleiros chegaram ameaçando as pessoas e queimaram todas as casas, jogando óleo diesel nos poços de água. 

Os acampados acreditam que eles agiram com violência, desconfiados que a justiça não iria cumprir uma liminar de despejo que já tinha sido emitida pela Comarca de Jaru, e que tinha chegado por surpresa, sem sequer o grupo sem terra terem sido ouvidos, solicitada em nome do Espólio de Wilmar Antônio Testoni, na chamada fazenda Bom Futuro, da Linha 603, km. 20. A ordem de reintegração de posse tinha sido foi ordenada pelo juiz da 1ª Vara Cível da Comarca de Jaru no passado dia 05 de Maio de 2022, no processo de N. 7006222-34-2022-8-22- 0003. 

Porém esta semana o grupo Terra Prometida estava vendo com um novo advogado como suspender a reintegração, e tendo solicitado do INCRA se manifestar oficialmente sobre a natureza pública da área em disputa.  

Tendo solicitado ajuda da Comissão Pastoral da Terra de Rondônia, foram orientados a acudir também à Defensoria Pública, e ao Ministério Público Federal para pedir que fosse aplicada na causa a decisão do ministro Barroso do STF de prorrogar em todo o Brasil o despejo zero durante a pandemia, até finais de outubro.

A mesma área já tinha sido reivindicada para reforma agrária em 2013, por um grupo que pediu em vão ajuda ao então prefeito de Ouro Preto do Oeste, Alex Testoni, que afirmou na mídia que a terra era do seu irmão, Helder Testoni. Contudo, quatro dias depois, o dia 25 de março de 2013, a polícia executava a ordem de reintegração de posse.

Segundo vídeos e imagens repassadas pelos acampados, que tem sido divulgadas nos meios sociais e na mídia, famílias inteiras com mulheres e crianças tiveram que deixar o isolamento por causa da pandemia, se refugiando em casas vizinhas, e alguns têm passado a noite no relento, após terem suas casas incendiadas.

Apesar do qual muitos tem manifestado sua vontade de continuar resistindo, enfrentando as ameaças do grupo armado e a ameaça de reintegração de posse.  

Alguns imagens e vídeos enviadas pelos camponeses e camponesas do acampamento Terra Prometida:






Fonte: Blog Terra de Rondônia - https://terraderondonia.blogspot.com/2022/07/pistoleiros-queimam-acampamento-de-82.html

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