quinta-feira, 25 de maio de 2017

Conflito e violência no campo: Rondônia registra seu décimo assassinato em 2017




O Estado de Rondônia é o primeiro no ranking em números de assassinatos e violência no campo, e não nos parece claro que as autoridades e os Órgãos competentes, desejem mudar esse quadro. Pelo ao contrário, o que vem sendo presenciado constantemente são as denúncias dos trabalhadores apontando o Estado como o promotor desta violência através de suas forças policiais. Esta constatação fica mais evidente ainda quando se ouve o relato dos sujeitos coletivos retratando a face cruel desta violência.
As Patrulhas da Polícia Militar nas áreas de conflito agrário, que deveriam servir para evitar e reduzir a violência do campo, na realidade estão sendo utilizadas para promover ainda mais a violência, reprimindo qualquer reivindicação por reforma agrária, conforme relatos obtidos junto aos camponeses.
Este parece ser o teor da morte de Paulo Sérgio Bento Oliveira, na Linha 76 de Mirante da Serra, no dia 16 de Maio de 2017. Esta se tornou a décima morte de camponeses em Rondônia durante o período de cinco meses de 2017, num ritmo bem parecido aos de 2015 e 2016. Nestes dois últimos anos, foram registrados pela CPT-RO, 41 assassinatos de camponeses no Estado, ou seja, 40% dos casos registrados pela CPT em todo Brasil nestes dois anos, o pior foco de violência agrária do país.
Os camponeses do acampamento Fidel Castro, acusam o Grupo de Operações Especiais – GOE, de executarem a tiros, Paulo Sérgio, e ainda de realizarem outros atos de violência e abusos de poder na região, como por exemplo as apreensões de veículos de forma abusiva e revistas em condições humilhantes. Afirmam ainda que desde o ano passado vêm denunciando envolvimento de policiais militares em milícias armadas (pistolagem), realizando segurança privada da fazenda Boi Oitenta, imóvel este que eles reivindicam. Reclamações sobre as blitz e atuação amedrontadora da GOE se repetem em outros acampamentos da comarca de Ouro Preto e Ji Paraná. Os representantes do Acampamento Fidel Castro 2 tinham denunciado a semana passada, através de uma carta manuscrita, fatos semelhantes ao vice-governador de Rondônia, narrando especialmente ameaças e constrangimentos sofridos por uma acampada das mãos de uma patrulha da GOE.
Testemunhas contestam a afirmação da polícia alegando confronto. Segundo os trabalhadores, Paulo fugiu da blitz porque estava com IPVA de sua moto atrasado e que houve uma caçada a tiros pelo pasto, sendo que a vítima não estava armada. Os camponeses acusam ainda os policiais de terem retirados o corpo de forma irregular, incendiando o local e apagando quaisquer vestígios para perícia.
Em protesto, no mesmo dia os acampados se manifestaram em Mirante da Serra pedindo a apuração destas denúncias. Por enquanto o delegado da polícia civil de Ouro Preto prometeu investigar e apurar esta versão.
Não podemos aceitar que estes atos de violências possam ser vistos apenas como um ato isolado. Tudo parece ser muito bem planejado, executado e monitorado, na certeza plena da impunidade e do acobertamento dos crimes do campo que atingem os camponeses, neste caso provocado diretamente pelo Estado e por aqueles que têm como principal obrigação, evitar e conter a violência.

Comissão pastoral da Terra, Regional de Rondônia, Porto Velho, 19/05/2017.

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