Campanha alerta para os impactos da destruição do Cerrado
Alguns estados já têm tido racionamento
de água e especialistas afirmam que o desmatamento do Cerrado é uma das causas
do problema
Notícias sobre racionamento de água já foram manchetes em alguns estados
do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro e agora Brasília. Diferentes estudos
da Universidade Federal de Goiás, da Universidade de Brasília, da Universidade
Federal do Mato Grosso do Sul e da Brown University (publicada
na revista científica Global Change Biology em 2016) apontam
que o desmatamento no Cerrado é uma das causas para a crise. Isso porque o
bioma é considerado o berço das águas, é no Cerrado onde estão localizados os
três grandes aquíferos que abastecem boa parte do país: Guarani, Urucuia e
Bambuí.
O Cerrado ocupa um quarto do território nacional e está localizado no coração do Brasil, abrangendo 13 estados. Apesar de sua importância para o equilíbrio ambiental, o Cerrado tem sido destruído nas últimas décadas para a expansão do agronegócio e grandes empreendimentos e mais de 50% da sua vegetação já foi desmatada.
A legislação brasileira não garante plena proteção ao Cerrado. Apenas
11% do Cerrado é coberto por reservas ou unidades de conservação, comparados
com quase 50% da Amazônia. Enquanto um proprietário de terras é obrigado a
proteger 80% da floresta se sua fazenda estiver na Amazônia, no Cerrado essa
porcentagem cai para 35%. Em outras palavras, o desmatamento permitido, legal,
é muito mais comum.
Com o objetivo de alertar a sociedade para esse e outros impactos, 43
organizações e movimentos sociais se uniram para lançar a Campanha
Nacional em Defesa do Cerrado. A campanha busca valorizar a
biodiversidade e as culturas dos povos e comunidades do Cerrado, que lutam pela
sua preservação. A água é o mote atual da Campanha (Sem Cerrado, sem água,
sem vida) para reforçar o papel central do Cerrado no abastecimento de água
do país.
A Campanha prevê ações ao longo dos próximos dois anos, e, além de dar
visibilidade ao bioma, busca promover a visibilidade dos povos e comunidades
tradicionais que vivem nas regiões de Cerrado, já que eles convivem
historicamente de forma harmônica com o meio ambiente. As organizações
envolvidas buscam também trazer para a esfera política o debate sobre a
elevação do status do Cerrado para Patrimônio Nacional e exigir um acordo
político para estancar o desmatamento.
Organizações promotoras da Campanha
Associação União das Aldeias Apinajés/PEMPXÀ – ActionAid Brasil –
CNBB/Pastorais Sociais – Agência 10envolvimento – APA/TO – ANQ – AATR/BA – ABRA
– APIB – CPT – CONTAG – CIMI – CUT/GO – CPP – Cáritas Brasileira – CEBI –
CESE – CEDAC – Coletivo de Fundos e Fechos de Pasto do Oeste da Bahia –
Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra do DF – CONAQ – FASE – FBSSAN –
FETAET - FETAEMA – CONTRAF-BRASIL/FETRAF – Gwatá/UEG – IBRACE – ISPN – MJD –
MIQCB – MPP – MMC – MPA – MST – MAB – MOPIC – SPM – Rede Cerrado – Redessan –
Rede Social de Direitos Humanos – Rede de Agroecologia do Maranhão – TIJUPA –
Via Campesina – FIAN Brasil.
Informações para a imprensa
Bianca Pyl e Emmanuel Ponte
(11) 98580-4911

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