quarta-feira, 19 de outubro de 2016

AMEAÇADOS DE DESPEJO: ENTRE A LUTA E A CELEBRAÇÃO




O Acampamento Nilce de Souza Magalhães é resultado da organização e da luta dos atingidos por barragens. A mais de 30 anos a Usina de Samuel foi cravada no estado de Rondônia, deixando marcas profundas de violações de direitos.  Muitas famílias, arrancadas de suas terras, não conseguiram acessar o direito a Terra novamente.

         No dia 06 de julho de 2016, as famílias levantaram acampamento na fazenda Três Casas localizada no distrito de Triunfo,  município de Candeias do Jamari. O nome do acampamento mantém viva a história de Nicinha, militante do MAB assassinada em um acampamento próximo a Abunã onde ela e outras famílias denunciavam as mazelas criadas pela instalação das Usinas de Jirau e Santo Antônio e o descaso com os pescadores atingidos. Meses depois de encontrado, o corpo da militante segue pendente o exame de DNA para confirmar sua identidade, e só após, seus restos mortais poderão ser devolvidos a família para sepultamento.

            A área reivindicada pelas famílias, possuí um processo de desapropriação no INCRA, que vem desde 2000. E ainda que o acampamento ocupe uma área pequena e que não impede acesso, nem outras atividades que possam haver na fazenda, existe ação de reintegração de posse, cujo cumprimento estava marcado para o dia 20 deste mês, tendo sido adiado por alguns dias. Durante o período ocorreram outras tentativas de despejo, com atuação flagrantemente ilegal.
            As famílias exercem o direito de lutar para acessar um pedaço de terra que lhes permita viver com dignidade, e com isso fazer com que a terra cumpra sua função social.
            Mas a luta é formada de vários elementos, entre eles a espiritualidade que segue viva e marcada nas falas e nas vidas das pessoas. No acampamento tem pessoas de várias religiões, mas celebrar é mais profundo.



            Neste dia 18 de outubro de 2016, a Paróquia de Itapuã, o Arcebispo de Porto Velho, pessoas solidárias a esta luta e famílias acampadas, celebraram a história e a resistência do acampamento, bebendo da esperança que a Terra que é de Deus, seja a terra dos seus filhos e filhas que dela dependem para produzir, viver, e partilhar seus frutos.
            A celebração relembrou a história da usina de Samuel, da Militante Nilce que dá nome ao acampamento, e o caminho trilhado até então, na busca pelo pedaço de chão. Que o ato de celebrar fortaleça a união e organização das famílias para enfrentar os desafios, enquanto gesta a certeza de uma luta justa e necessária.

Ouça a prece das famílias acampadas, para que não precisemos ouvir tocar os sinos pela morte da justiça, como conta o texto de Saramago.

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