segunda-feira, 2 de maio de 2016

Em Rondônia: Camponeses em luta por terra CLAMAM por socorro


 Violência, pistolagem, milícia armada e assassinatos são palavras que estão caindo no sensu comum no cenário da luta pelo acesso a terra no estado de Rondônia. 
O mês de abril encerrou, contabilizando em 07 (sete), o número de assassinatos de trabalhadores em conflitos no campo. Desse total, 06 assassinatos são da região do Vale do Jamari.

Mais dois sem terra foram assassinados em Buritis, Rondônia, em 24 de abril de 2016.
Dois irmãos, membros do “Acampamento 10 de Maio”, de Alto Paraíso do Oeste, Rondônia, desaparecidos no dia 24 de abril de 2016, foram encontrados  mortos na terça feira, 26, dentro do rio Candeias.
Depois de ter localizado a moto deles nas proximidades do rio, no Km 25, da Linha C-50, os dois corpos foram encontrados com diversos disparos. O local está dentro do município de Buritis (RO), que forma parte do chamado Vale do Jamari, uma das regiões que desde 2015 concentra mais violência por conflitos de disputas de terras públicas de todo o Brasil.
O dia 28 de abril a Liga dos Camponeses Pobres divulgou uma nota denunciando o assassinato dos dois irmãos, Nivaldo Batista Cordeiro e Jesser Batista Cordeiro, que segundo a Liga, eram camponeses do Acampamento 10 de Maio. Nivaldo deixou esposa e quatro filhos pequenos.
Ainda segundo a Liga, os dois tinham sido covardemente assassinados no dia 24/04/2016, e já haviam recebidos ameaças de morte de Caubi Moreira Quito. O citado fazendeiro, que tinha posse da Fazenda Formosa, disputa com o Acampamento 10 de Maio, vinculado à Liga dos Camponeses Pobres, o controle da área, uma terra pública grilada dentro da gleba 06 de Julho/São Sebastião. No local, em inícios deste ano de 2016 a Justiça Federal Suspendeu uma Reintegração de posse dos acampados (14/03/16) a pedido do MPF, pois a área ocupada pela fazenda é terra pública que já tinha sido desapropriada pelo INCRA para reforma agrária.
Já alguns anos que este local é palco de uma acirrada e violenta disputa. Após uma reintegração de posse da Justiça Estadual sofrida pelos acampados em setembro de 2013, o fazendeiro denunciou ter sido atacado em seu carro. Mais tarde um peão da fazenda teria sido atingido por disparos e a sede da fazenda totalmente destruída, em 09/10/13.
Após os acampados resistir e conseguir suspender uma nova reintegração de posse da Justiça Estadual, em 25 de janeiro de 2015, José Dória dos Santos, antigo integrante do acampamento, foi assassinado com vários disparos. Em 11/05/15 duas pessoas mortas foram encontradas nas imediações do acampamento. Em abril deste ano 2016, foi encontrada uma ossada humana (ainda não identificada) na fundiária da mesma fazenda, que podem ser os restos de Valdecy Padilha, camponês do Acampamento 10 de Maio desaparecido desde a manhã do dia 11 de novembro de 2015.
Por outro lado, a Liga acusa o fazendeiro de ter afirmado em várias ocasiões “que iria matar todos os “sem terra antigos” do Acampamento”. Segundo a Liga, Policiais Militares de Buritis fizeram diversas tentativas de reintegração de posse na Área 10 de Maio sem Ordem Judicial. E consta em depoimento do próprio Caubi Moreira Quito, realizado na Polícia Civil de Ariquemes em 29 de dezembro de 2014, que ele mesmo tinha contratado 10 PMs para fazer segurança privada de sua fazenda em troca de terras.
Em relação a recente morte dos dois irmãos do Acampamento 10 de Maio, a Liga dos Camponeses Pobres (LCP), na nota do dia 28/04/2016 levanta pesadas acusações contra a Polícia Militar de Ji Paraná, que estaria realizando patrulhas de carro nas estradas e de helicóptero na área do acampamento:  “Esse crime têm todas as características dos crimes praticados por policiais. Os camponeses saíram de casa no domingo cedo, à luz do dia, em uma estrada muito movimentada.  Foram assassinados em um lugar e seus corpos encontrados em outro. Pistoleiros não teriam como fazer tal operação sem chamar a atenção.” (LCP).


Dos registros de assassinatos da CPT-RO, o primeiro fato ocorreu com a militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Nilce de Souza, desaparecida desde o dia 7 de janeiro,  segundo o criminoso, a mesma teria sido assassinada com três tiros, até o momento, seu corpo ainda não foi encontrado. O segundo aconteceu no centro do estado, na cidade de Jarú, as vítimas foram Enilson Ribeiro dos Santos e Valdir Chagas de Moura, ambas as lideranças do acampamento Paulo Justino região de Theobroma. Os outros dois casos, trata-se dos jovens assassinados a finais de janeiro na Linha 114, em Cujubim, aparecendo um corpo carbonizado dentro do carro da vítima e outro permanece desaparecido, sendo: Ruan Lucas Hildebrandt, 18 anos e Alysson Enrique Lopes, de 23 anos.


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