segunda-feira, 4 de abril de 2016

Em Rondônia: Acampamento Hugo Chaves do MST sofre ataque por pessoas armadas

Aproximadamente cem famílias de trabalhadores rurais sem terra ligadas ao MST- Movimento Sem Terra, acampadas no Acampamento Hugo Chaves desde 2013, estão aflitas, assustadas e clamam por segurança por parte do poder público. Não é a primeira vez que este acampamento vem sendo ameaçado por parte de pessoas desconhecidas vinculadas a fazenda Nova Vida no município de Ariquemes. Lideranças do MST, bem como, famílias ligadas ao Acampamento já registraram Boletins de Ocorrência a polícia denunciado as ameaças sofridas por estas pessoas. Inclusive, ainda em 2015 a CPT-RO, acompanhou uma dessas denuncia na delegacia agrária em Porto Velho. 
Desta vez, a violência foi proferida e por pouco não resultou em mais assassinatos de conflitos agrários em Rondônia. No dia 02 de abril as 23:00 horas 05 jagunço entrou no acampamento atirando nos barracos e dando golpe de coronha na cabeças de vários acampando, ferindo mais de 03 pessoas. As 7 horas do dia 03 uma moto com (2) dois pistoleiro disparou novamente tiros sobre o acampamento.

 abaixo, nota do MST:

No dia 8 de julho de 2013 o MST (Movimento dos Trabalhadores/as Rurais Sem Terra) iniciou um acampamento de famílias Sem Terra nas margens da Rodovia Estadual 140 no km 04, que liga a BR 364 ao município de Cacaulândia.  O acampamento está localizado ao lado direito da rodovia sentido Cacaulândia. O Objetivo Principal é organizar as famílias através do acampamento para lutar por terra e para e apresentar a demanda da reforma agrária aos órgãos de Governo Federal e Estadual que finge que a regularização fundiária vai dar conta de resolver o problema agrário em nosso estado.
O acampamento iniciou na manhã do dia 8 de junho, estar localizado em frente as Fazenda Quatro Cachoeiras e  Fazenda Nova Vida, que diz ser de Propriedade de João Arantes Neto a polícia começou a visitar os acampados após circulação do avião das fazendas sobre o acampamento recém iniciado. Em todos os contatos com as policias (PM, GOE), as famílias disseram claramente que o objetivo principal é se organizar e lutar para que o direito a terra fosse alcançado através de uma luta e reivindicação coletiva perante o INCRA. Mesmo ás famílias estando acampadas, na área da união, o Juiz EDILSON NEUHAS da comarca de Ariquemes, aceitou um pedido relâmpago do “dono” da fazenda através do advogado SEVERINO JOSÉ PETERLE, expedindo um MANDADO DE CUMPRIMENTO DE LIMINAR E CITAÇÃO (INTERDITO PROIBITÓRIO), mostrando mais uma vez a eficiência do poder judiciário para com os fazendeiros e o desrespeito com os pobres que é visto em qualquer espaço, ate em suas moradias improvisadas, como bandidos e são tratados como Réus.


De fato as famílias sem terra ainda não tem na pauta de luta a FAZENDA NOVA VIDA e a FAZENDA QUATRO CACHOEIRA, mas o interdito proibitório revelou informações importantes, onde mostra uma imensa área de terra concentrada nas mãos de apenas uma pessoa (JOÂO ARANTE NETO). A fazenda Agropecuária Nova Vida LTDA possui 14.471,7219 Hectares. Se esta área for usada pela agricultura camponesa, seria suficiente para assentar 1.205 famílias, garantindo 12 hectares de terra para cada família, área suficiente para produzir alimentos e garantir em media 4.823 empregos de forma direta.
O MST, mesmo já respondendo processo judicial antes de entrar na área, informa que no momento estas duas fazendas não estão em nossos objetivos imediatos, mas, sugere para o Estado Brasileiro que devido ao tamanho das mesmas e da ótima localização, deveriam estar nas mãos das famílias que necessitam de terra para viver e produzir alimentos diversificados favorecendo todos os municípios da região.
Durante o ano de 2014, 2015 e no corrente ano 2016 as famílias seguem acampadas, sofrendo todos os tipos de repressão. No dia 02 de abril as 23:00 horas 05 jagunço entrou no acampamento atirando nos barracos e dando golpe de coronha na cabeças de vários acampando, ferindo mais de 03 pessoas. As 7 horas do dia 03 uma moto com (2) dois pistoleiro disparou novamente tiros sobre o acampamento.
O acampamento segue aberto para receber novas famílias para fazer do acampamento um espaço de luta pelo direito a terra. Não vamos parar de forma alguma de organizar famílias que tem sonhos e direito de ter um pedaço de terra. Pedimos apoio à sociedade civil organizada para que possamos reparar as injustiças e desmandos causados por fazendas que adotam a pistolagem para manter seus bens adquiridos de forma ilegal.
Coordenação Estadual
MST/Rondônia
03/04/3016


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