terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Povos indígenas reivindicam melhoria na Saúde Indígena

A informação foi divulgada pelo CIMI- Conselho Indigenista Missionário

Indígenas ocupam polo base da Sesai em Cacoal (RO)

Inserido por: Administrador em 07/12/2015.
Fonte da notícia: Assessoria de Comunicação do Cimi



Desde a última quarta-feira (02), cerca de 200 indígenas de 13 povos do Mato Grosso (MT) e de Rondônia (RO) ocupam o polo base da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) no município de Cacoal (RO). Os indígenas reivindicam melhores condições e estrutura no atendimento diferenciado à saúde indígena e a troca da coordenadora do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) de Vilhena, que abrange partes dos dois estados.
A ocupação é feita por representantes dos povos Cinta Larga, Surui, Kwazá, Sakirabyat, Apurinã, Mamaindê, Sabanê, Aikanã, Arara e Nambikwara, entre outros. Segundo a liderança Fernandino Kwazá, que participa da ocupação, a principal motivação para a ação dos indígenas é a indignação com a falta de estrutura e a precariedade da situação nas aldeias, no que diz respeito ao atendimento de saúde e ao saneamento básico.
“Se diz que nossa saúde hoje era para ser diferenciada, mas nós não vemos isso. Tudo demora muito, falta estrutura, falta medicamento. Às vezes viemos para a cidade, buscar atendimento, e acontece de índios dormirem na calçada por falta de leitos”, afirma Fernandino Kwazá, que participa da ocupação. “Nos dizem que não tem medicamento, que precisamos acionar o Ministério Público para conseguir. Já aconteceu de a pessoa vir a óbito e só depois chegar o medicamento ou o resultado do exame”.
Em outubro, os indígenas da aldeia de Fernandino Kwazá, chamada de Dois Irmãos, na Terra Indígena Kwazá, no município de Parecis (RO), detiveram quatro agentes da Sesai que estavam em visita à comunidade. Segundo ele, a intenção era reivindicar melhores serviços, a construção de um posto de saúde na aldeia e a instalação de encanamento de água.
“Nossa aldeia não tem posto de saúde e nunca tem material e nem medicamentos para nos atenderem. Cobramos, cobramos e não tivemos resultado. Então, pegamos quatro funcionários, e eles falaram que as obras estavam atrasadas por causa da firma responsável por prestar o serviço. Pegamos então dois funcionários da firma, e eles disseram que a culpa era da Sesai. Por conta da pressão, conseguimos a instalação de uma caixa d’água e do encanamento para a água, mas tivemos que fazer isso com as nossas mãos. Desde então, o serviço não foi concluído”, conta Fernandino Kwazá, que em função dessa ação foi denunciado pelos funcionários e está respondendo a inquérito da Polícia Federal.
Segundo ele, a principal reivindicação dos indígenas, no momento, é a exoneração da atual coordenadora da Dsei Vilhena, Alda da Silva Uchoa – posição que não é consenso entre todos os indígenas. “Pedimos isso porque nossa relação com a coordenadora atual nunca foi uma relação de diálogo”, afirma Fernandino Kwazá. “Não estamos aqui só para por um indígena no lugar dela, como dizem. Queremos apenas uma pessoa que tenha responsabilidade com a questão e nos trate com um mínimo de carinho e respeito. Já são quinze anos com a mesma administradora e não temos visto nenhuma melhora na saúde, e ainda enfrentamos uma situação de precariedade”.


A Dsei Vilhena abrange 173 aldeias de 15 povos e uma população de cerca de 7,5 mil indígenas no MT e em RO. Em sua área de abrangência, a taxa de mortalidade infantil indígena era de 38,91 óbitos de crianças menores de um ano a cada mil nascidas vivas em 2013 – mais de 2,5 vezes maior do que a taxa nacional não-indígena, de 15,02 por mil nascidas vivas. Enquanto isso, a taxa média de mortalidade infantil indígena no Brasil em 2013 (último ano em que os dados estão disponíveis) era de 43 mortes a cada mil crianças nascidas vivas, o que evidencia a precariedade e as dificuldades enfrentadas pelos povos indígenas na questão da saúde.
Segundo Fernandino Kwazá, os indígenas pretendem resistir na ocupação até que suas reivindicações sejam atendidas, e mais povos estão a caminho de Cacoal, distante cerca de 400 km de Porto Velho (RO). “As autoridades nos disseram que até quarta-feira algum parecer seria dado. Caso não aconteça a exoneração, vamos seguir a mobilização e podemos até trancar rodovias”.
A preocupação com a PEC 215 também é um elemento presente na ocupação do polo base da Dsei. Há cartazes no prédio questionando a Proposta de Emenda Parlamentar ruralista e demonstrando que os indígenas da região acompanham todos os movimentos que acontecem na capital federal. “Estamos nos aliando com os indígenas do estado e do Brasil todo e, daqui, manifestamos nossa indignação”, afirmou Marcelino Kwazá.

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