sexta-feira, 24 de julho de 2015

Dom Moacyr Grechi: Missão da Família e da Comunidade!

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 482 - Edição de Domingo –26/07/2015

Missão da Família e da Comunidade!

Estamos encerrando o mês de Julho com a Festa do padroeiro dos motoristas, São Cristóvão, a celebração do Apóstolo Tiago e com o dia dos Agricultores (25/07). Nossa prece e benção aos motoristas e suas famílias e aos nossos agricultores que, com tanto sacrifício e esperança, cultivam a terra, a família e as Comunidades Eclesiais de Base - CEBs Rurais.
Comemoração especial merecem hoje nossos avós. Dia 26 de julho é dia de São Joaquim e Santa Ana, os avós maternos de Jesus Cristo e dia dos Avós. A eles, nossa gratidão, cuidado e amor filial!
Nesta semana, iniciamos o Mês Vocacional (Agosto) com a Caminhada Vocacional de Ariquemes (02/08); celebraremos, em seguida, o Dia dos Pais, a Semana Nacional da Família (09-15/08), a Romaria da Terra e das Águas(23/8).
O tema da Semana da Família está em sintonia com o 8º Encontro Mundial das Famílias, que se realizará no mês de setembro (22-27/09), na Filadélfia, Estados Unidos, com a presença do papa Francisco: “O amor é a nossa missão: a família plenamente viva”.
As lideranças da Pastoral Familiar da Arquidiocese de Porto Velho estão divulgando a Cartilha “Hora da Família” com sete encontros, envolvendo as famílias, jovens, crianças, os casais, namorados e noivos, com a proposta de celebrar o amor como primeira missão de cada pessoa. Neste tempo em que circulam nos meios de comunicação e, até em ambientes próximos, imagens deformadas do amor, que deturpam a vivência familiar e a riqueza do amor verdadeiro, testemunhamos famílias, cujos membros se doam para o bem e a felicidade do outro e vivem esta qualidade do amor. Famílias plenamente vivas demonstrando que a família cristã é o melhor caminho para encontrar o autêntico amor, fonte inesgotável de alegria e de realização.
Vamos, portanto, celebrar e testemunhar publicamente os valores de nossa família. Em cada encontro vamos refletir os temas: Gerados no amor de Deus; Sexualidade: Dom de Deus, Homem e mulher construindo um matrimônio santo, Criando o futuro, Todo o amor dá frutos, Família, esperança de Deus para o mundo, Igreja, mãe e mestra. A Cartilha oferece ainda quatro celebrações: Reconciliação e Paz (Ano da Paz), Fidelidade e perseverança, Fecundidade conjugal e familiar, Vida consagrada e familiar. Você pode adquirir a Cartilha na Livraria das Irmãs Paulinas ou na secretaria de sua paróquia. Convide as famílias vizinhas para partilharem juntos estes temas, fortalecendo a missão familiar.
Além de contribuir na preparação do 8º Encontro Mundial das Famílias, a reflexão da Semana da Família está também em sintonia com o tema do próximo Sínodo (04-25/10/2015). Estamos continuando a caminhada sinodal com toda a Igreja Católica em torno do tema: “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. O impulso missionário pelas famílias e com as famílias se funda no mandamento do amor e busca a edificação da Igreja e da sociedade para o bem de cada pessoa e de toda a humanidade.
Papa Francisco, na Carta para o Encontro Mundial das Famílias, acentua que “a missão da família cristã, hoje como ontem, é anunciar ao mundo, com a força do Sacramento nupcial, o amor de Deus”. A partir deste mesmo anúncio nasce e se constrói uma família viva, o que coloca o fogo do amor no centro de todo o seu dinamismo humano e espiritual.
No Sínodo de 2014, foram identificados “os problemas mais urgentes que envolvem a família em nossa sociedade plural”. Na verdade, não podemos qualificar uma família com conceitos ideológicos, não podemos falar de família conservadora e família progressiva. A família é a família! Os valores e as virtudes da família, a sua verdade essencial, são os pontos fortes em que se apoia o núcleo familiar e não podem ser contestadas.
Devemos “rever nosso estilo de vida que está sempre exposto ao risco de ser contagiado por uma mentalidade mundana, individualista, consumista, hedonista, e sempre encontrar novamente o caminho certo, para viver e propor a grandeza e a beleza do matrimônio e da alegria de ser e de fazer família”.
Somos chamados, conclui o papa em sua Mensagem, “a prosseguir o compromisso de anunciar o Evangelho do matrimônio e da família e de experimentar as propostas pastorais no contexto social e cultural em que vivemos”. Os desafios deste contexto encorajam-nos a alargar os espaços do amor fiel aberto à vida, à comunhão, à misericórdia, à partilha e à solidariedade. O papa exorta os casais e as comunidades paroquiais, movimentos e associações a deixar-se guiar pela Palavra de Deus, no qual se apoiam os fundamentos do sagrado edifício da família Igreja doméstica e família de Deus (LG 6,11).
O documento preparatório do Encontro Mundial das Famílias destaca que “Deus nos fez com um propósito: seu amor é a nossa missão”. Esta missão nos capacita a encontrarmos nossa verdadeira identidade. Se escolhermos abraçar esta missão, teremos uma nova perspectiva em relação a muitas questões, não somente em relação à família.
Cremos que a família compartilha a missão de toda a Igreja e que o amor deve ser ensinado, compartilhado e comunicado na família e por ela que é a igreja doméstica. Viver a missão da igreja doméstica significa que as famílias católicas, por vezes, viverão como minorias, com valores distintos daqueles da cultura à sua volta. Nossa missão de amor nos exigirá coragem e fortaleza. Jesus nos chama e podemos dar a resposta optando pela vida de fé, esperança, amor, alegria, serviço e missão.
A liturgia deste domingo aponta novamente o olhar de Cristo sobre o povo (Jo 6,1-15): “Jesus ergueu os olhos e viu uma grande multidão que vinha ao seu encontro”. Ao contemplar o povo, percebe que eles não têm alimento e, diante de sua fome, Jesus é movido a dar-lhes de comer, multiplicando-se nos seus seguidores e em sua Igreja.
O episódio da multiplicação dos pães é recordado por todos os evangelistas, contudo é mais elaborado pelo Apostolo João, por isso, na sequência do evangelista Marcos, vamos refletir durante as próximas semanas, na liturgia dominical, cinco textos do capítulo 6 do evangelho de João. É o sentido da partilha, do alimento e da Eucaristia que fortalece a nossa vida de cristãos. A partilha é a efetivação da vocação humana à comunhão fraterna. Todo gesto de partilha não passará sem uma resposta de Deus (VP).
A multidão seguia a Jesus, por causa dos sinais que ele realizava em meio ao povo. O pão deve ser partilhado. Os que têm “fome” são aqueles que são explorados e injustiçados e que não conseguem libertar-se; os que vivem na solidão, sem família, sem amigos e sem amor. São as vítimas da economia global e dos interesses daqueles que detém o poder. É a esses e a todos os outros que têm “fome” de vida e de felicidade, que a proposta de Jesus se dirige.
Para o teólogo Schillebeeckx, Jesus é o Anfitrião a céu aberto; oferece comunicação e comensalidade ao ar livre; comunhão com os seres humanos, algo semelhante ao milagre do maná, traço essencial da oferta de comunhão que Ele faz todos os dias de nossa vida.
Jesus propõe a missão da sua comunidade: ser sinal do amor generoso de Deus, assegurando para todos a possibilidade de subsistência e dignidade. A segurança da subsistência não está no muito que poucos possuem e retêm para si, mas no pouco de cada um que é repartido entre todos. A garantia da dignidade não se encontra no poder de um líder que manda, mas no serviço de cada um que organiza a comunidade para o bem de todos.
O Livro dos Reis fala da manifestação de Deus através do gesto de repartir o pão para saciar a fome das pessoas (2Rs 4,42-44). O“profeta” manifesta a eterna preocupação de Deus com a “fome” do mundo (fome de pão, fome de liberdade, fome de dignidade, fome de realização plena, fome de justiça, fome de paz). Não tenhamos dúvidas: Deus se preocupa, todos os dias, em oferecer aos seus filhos vida em abundância. 
Paulo Apóstolo nos exorta a vivermos uma vida digna da vocação que recebemos; somos distintos, mas formamos um só corpo. Estamos conectados existencialmente, pois o Pai está “no meio de nós e em cada um de nós”. Não é possível seguir Jesus a não ser entrando nessa comunhão. “Há um só corpo”, o egoísmo sequestra a dignidade da vocação à comunhão, que se efetiva em gestos concretos no dia a dia (Ef 4,1-6).

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