sexta-feira, 3 de abril de 2015

Descaso das Usinas do Madeira com as populações tradicionais

Reproduzimos matéria do jornalista Xico Nery referente a situação das comunidades tradicionais atingidas pelas usinas do Rio Madeira.

JIRAU E SANTO ANTÔNIO LEMBRAM ITAIPÚ NO CONTROLE DA INFORMAÇÃO E DESCASO NAS COMPENSAÇÕES ÀS POPULAÇÕES TRADICIONAIS
No Pará, com a usina de Tucuruí foi assim. No Amazonas e Rondônia, respectivamente, Balbina e Samuel, ‘as compensações ainda motivam recursos’.

Jacy-Paraná/RONDÔNIA – Há muito se conhece a forma pela qual os grandes empreendimentos hidrelétricos são construídos no Brasil e, especialmente, na Amazônia Brasileira. Nenhum deles, segundo especialistas, ‘produzem energia 100% limpa’.
Na Amazônia, desde os governos militares ‘as populações tradicionais ou de ocupação nunca foram consultadas, plenamente’. As empresas chegam devagarinho e, de repente, tiram as licenças e o governo coloca muito dinheiro nos negócios.
No Pará, com a usina de Tucuruí foi assim. No Amazonas e Rondônia, respectivamente, Balbina e Samuel, ‘as compensações ainda motivam recursos’. Mas o poder público e os empreendimentos silenciam a todos, queixa-se parte dos remanescentes.
Inicialmente, ‘parte da imprensa corporativa cala’; em que pese o teatrinho levado ao ar pelas grandes emissoras. Deslavadamente, passam a imagem que, ‘as compensações são pagas e que a natureza de forma singular dos ecossistemas das florestas não afetadas’.
Elas desempenham papéis múltiplos nos níveis global e local nos locais a serem impactados, na inicial, por barragens. Prestam serviços de controle da informação e como empresas, ‘tentam esvaziá-los, em geral, em cima da natureza e aos seres humanos, mas são fontes de produtos econômicos’, atesta o publicitário e gráfico, Henrique Ferraz.

No caso específico das usinas de Jirau e Santo Antônio – ambas decretaram o fim da cachoeira e das corredeiras símbolos de Porto Velho – ‘ninguém não explicou o que, verdadeiramente, aconteceu com a CPI das Usinas presidida pelo ex-deputado Tiziu Jidalias e seus próceres’.
Segundo Ferraz, ‘a Conferência de Estocolmo de 1972 reconheceu que as florestas são o mais complexo e mais durável de todos os ecossistemas e enfatizou a necessidade de políticas racionais de uso da terra e das florestas, de um monitoramento contínuo do estado das mesmas no mundo’.
- Só que essa recomendação não vale até hoje, pelo menos, no caso de Rondônia, onde a Usina de Jirau soterrou grande das madeiras oriunda da supressão vegetal, diz um importante técnico em planejamento de gestão florestal sob a condição de anonimato.


Outro ponto colocado em xeque é com relação aos dois projetos terem sido implantados no mesmo curso d’água em que lagos contínuos são formados à cada enchente sob o efeito de represamento. Para analistas independentes, ‘não se deu mensuração às pesquisas básicas e aplicadas para um melhor planejamento’, com ênfase nas funções ambientais das florestas.
Além das enchentes que serão produzidas a cada ano, as populações ribeirinhas e urbanas do entorno das duas usinas, com o advento de abertura e fechamento das comportas, ‘periodicamente, sofrerá com a falta de atenção do custo e os benefícios ainda não compensados por Jirau e Santo Antônio’.
De acordo com Henrique Ferraz, ‘qualquer um sabe que a supressão vegetal feita pela Usina de Jirau, soterrando a madeira nos arredores da BR-364 [Jacy-Paraná e Mutum], dizimou criadores de peixe e chegou a contaminar mananciais’.
- Nada disso foi revelado pelos empreendimentos nem pelas autoridades ambientais, ele afirmou.
Atualmente, o poder público lança-se a emitir conceitos e medidas protetivas às vítimas das cheias do Rio Madeira. Porém, esquece de manter uma vigilância continua da cobertura florestal no entorno das usinas e do que resta da supressão lançada no sequeiro [terra firme].
Jirau e Santo Antônio, fora das decisões simplistas tomadas pelo Governo Federal, do Estado e de Porto Velho, ‘apenas satisfazem as necessidades dessas empresas que nunca irão incorporar em suas compensações os valores ambientais ou ao uso das pessoas homiziadas, por exemplo, da cidade de Nova Mutum’.

QUAL O IMPACTO AMBIENTAL DA INSTALAÇÃO DE UMA HIDREELÉTRICA?
Por Suzana Paquete

É um estrago e tanto. Na área que recebe o grande lago que serve de reservatório da hidrelétrica, a natureza se transforma: o clima muda, espécies de peixes desaparecem, animais fogem para refúgios secos, árvores viram madeira podre debaixo da inundação... E isso fora o impacto social: milhares de pessoas deixam suas casas e têm de recomeçar sua vida do zero num outro lugar. No Brasil, 33 mil desabrigados estão nessa situação, e criaram até uma organização, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Pode parecer uma catástrofe, mas, comparando com outros tipos de geração de energia, a hidrelétrica até que não é ruim. 
Quando consideramos os riscos ambientais, as usinas nucleares são mais perigosas. E, se pensarmos no clima global, as termoelétricas - que funcionam queimando gás ou carvão - são as piores, pois lançam gases na atmosfera que contribuem para o efeito estufa. A verdade é que não existe nenhuma forma de geração de energia 100% limpa. "Toda extração de energia da natureza traz algum impacto. Mesmo a energia eólica (que usa a força do vento), que até parece inofensiva, é problemática. Quem vive embaixo das enormes hélices que geram energia sofre com o barulho, a vibração e a poluição visual, além de o sistema perturbar o fluxo migratório de aves, como acontece na Espanha", afirma o engenheiro Gilberto Jannuzzi, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Outro problema das fontes alternativas é o aspecto econômico: a energia solar, por exemplo, é bem menos impactante que a hidrelétrica, mas custa dez vezes mais e não consegue alimentar o gasto elevado das grandes cidades. Por causa disso, os ambientalistas defendem a bandeira da redução do consumo. Pelas contas do educador ambiental Sérgio Dialetachi, coordenador da campanha de energia do Greenpeace, daria para economizar 40% da energia produzida no país com três medidas. Primeiro, instalando turbinas mais eficientes nas usinas antigas. Segundo, modernizando as linhas de transmissão e combatendo o roubo de energia. Terceiro, retornando ao comportamento da época do racionamento, em 2001, com equipamentos e hábitos menos gastadores. Tudo isso evitaria que novas hidrelétricas precisassem ser construídas, protegendo um pouco mais nosso planeta.

Fonte: Xico Nery/NewsRondonia

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