segunda-feira, 2 de março de 2015

Barco do governo de Rondônia inicia na próxima semana retirada das famílias do Baixo Madeira

Família em janeiro de 2015 continuava refugiada após alagação de 2014. foto arquivo cptro
Barco sairá na próxima segunda-feira para retirar famílias que irão se abrigar em casas de parentes ou igrejas em Porto Velho.
Dentro de uma semana, o barco da Secretaria Estadual de Assistência Social (Seas) iniciará a retirada das famílias desalojadas pela cheia na região do Baixo Madeira. O transporte é gratuito. O barco sairá do porto do Cai n’Água na manhã da próxima segunda-feira (9), com previsão de retorno no dia 11.
A secretária Valdenice Ferreira recebeu nessa segunda-feira (2) relato da situação nos distritos de Porto Velho, prontificando-se com a Defesa Civil Estadual, a Secretaria Municipal de Projetos Especiais e a Defesa Civil a apoiá-las nas viagens. Isso ocorrerá com o devido acompanhamento de equipe mista de servidores, médicos e enfermeiros.
Segundo a secretária, as famílias se organizam desde a semana passada para a mudança, inclusive com o transporte da produção agrícola – milho, feijão, mandioca, farinha, melancia, bananas, pupunha, entre outras frutas e produtos hortícolas em geral. Essa iniciativa foi tomada diante da perspectiva de se acomodarem em casas de parentes ou em salões de igrejas em Porto Velho. Por determinação do Ministério Público Estadual, escolas de Ensino Fundamental não mais poderão servir de abrigo aos desalojados.
“O governo apoia o voluntariado e cumprimenta as paróquias católicas pela iniciativa, esperando que outras igrejas tomem semelhante iniciativa”, comentou.
Às 7h desta segunda-feira, as águas do rio Madeira haviam baixado para 16,64, oito milímetros a menos que na última sexta-feira, quando alcançaram os 16,72m. Boletins divulgados pela Residência de Porto Velho do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) permitem o comparativo com a cheia de 2014.
Do dia 1º de janeiro até 26 de fevereiro deste ano, as chuvas acumuladas na bacia do rio Madeira totalizaram 455,6 milímetros. Em janeiro choveu 265,5 mm, e em fevereiro 190,1 mm. No ano passado, a pluviometria apontava 383,9 mm em janeiro e em fevereiro 216 mm. Os dois meses totalizaram 599,9 mm, ou seja, 144,3 mm a mais do que atualmente.
Conforme o assistente de Produção de Hidrologia e Gestão Territorial da (CPRM), Francisco Barbosa, o atual período chuvoso não é tão preocupante quanto o da cheia de 2014. Ele reiterou que o nível do rio Madeira é influenciado pelas bacias dos rios Mamoré e Beni. Isso significa que as chuvas na Amazônia boliviana e na Amazônia peruana refletem nos níveis dos rios rios em Rondônia e Acre.
Ainda com base nos estudos do Setor de Hidrologia da CPRM, os recordes de fevereiro foram 23 mm, no dia 13; 61,3 mm, no dia 19; e 44,5 mm, no dia 23. Os engenheiros do Setor de Hidrologia do órgão lembram também que a cheia no rio Beni influencia a cada ano a cheia do rio Madeira, principalmente no trecho Abunã-Porto Velho.

ACRE 
De acordo com o engenheiro hidrólogo de plantão, Hérculys Pessoa e Castro, do Sistema de Alerta de Eventos Críticos da Bacia do Rio Acre, o governo do estado vizinho acompanha atentamente o que ocorre no lado de Rondônia, consultando diariamente o Serviço Geológico do Brasil (CPRM). O pico da onda de cheia passou nessa segunda-feira pela estação de Capixaba (AC). “Com o nível do rio Acre em ascensão, a PCD [aparelho de monitoramento de águas] parou de emitir dados e foi retirado do local”, disse o engenheiro hidrólogo.
Ainda segundo ele, o nível atual do rio Acre na Capital Rio Branco media na manhã desta segunda-feira 17,76 m, estimando-se que aumente para cerca de 18 m no início da tarde desta terça-feira (3).
“Às 20h desta terça-feira, o rio deverá alcançar a cota de 18,13m”, previu a engenheira Joana Angélica Cavalcanti Pinheiro.
Para o chefe da Residência do Serviço Geológico do Brasil, em Porto Velho, Edgar Figueiredo Iza, a intensidade das chuvas na bacia hidrográfica do rio Acre exige esforço redobrado. “Mantemos 74 estações de monitoramento. O alagamento é grande e há necessidade de manutenção não apenas da equipe, mas de equipamentos de alta tecnologia para medir o nível dos rios”, explicou.

Texto: Montezuma Cruz/Tudorondonia

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