quarta-feira, 11 de março de 2015

Após 70 anos, 'soldados da borracha' são indenizados.


Ex soldado da borracha, Josino Pequeno de Melo,
estava com 100 anos em 2013. foto sindsbor
Muitos soldados da borracha morreram antes. 
Brasília: Quase 70 anos após o fim da Segunda Guerra, o governo federal começou a indenizar no dia 2 de março os "soldados da borracha", como ficaram conhecidos os retirantes recrutados no Nordeste para extrair o produto na Amazônia e abastecer a indústria bélica americana.
Estados Unidos tinha indenizado o Brasil, porém o Brasil não tinha indenizado os "soldados da borracha". Cada soldado e descendente (são 11.900 ao todo), receberá indenização de R$ 25 mil até o fim do ano. Segundo a Previdência Social, o montante será de R$ 289 milhões. 
O Sindsbor (Sindicatos dos Soldados da Borracha e Seringueiros de Rondônia) pretendia obter R$ 800 mil para cada um e tem duas ações em andamento contra a União: por violação dos direitos humanos e exigindo direitos trabalhistas retroativos.
Mais da metade dos beneficiários é do Acre (6.895), seguido pelo Amazonas (1.917). Entre 1942 e 1945, mais de 50 mil pessoas desembarcaram na Amazônia com falsas promessas de fartura, benefícios trabalhistas e até pedaços de terra. A mobilização foi orquestrada pelos EUA, impossibilitados de extrair borracha no sudeste asiático, sob domínio do Japão.
Terminada a guerra, em setembro de 1945, mais da metade dos seringueiros havia morrido na mata ou durante as longas jornadas entre o Nordeste e a Amazônia.
Recrutados com status de heróis de guerra pelo governo jamais foram desmobilizados ou levados de volta às suas cidades de origem. Atualmente, restam pouco mais de 5.000 ex-soldados vivos. A categoria busca os mesmos direitos dos brasileiros que lutaram na Europa.
Desde 1988, os "soldados da borracha" recebem dois salários mínimos -os ex-combatentes recebem sete salários, abono, assistência médica e outros benefícios.
O valor a ser pago é fruto de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), promulgada pelo Congresso no ano passado. "A indenização foi determinada como forma de reconhecimento pelo nobre serviço que esses trabalhadores prestaram ao país", disse o ministro Carlos Eduardo Gabas (Previdência). Os ex-seringueiros, porém, ainda buscam reparação maior. 
Em dezembro, a DPU (Defensoria Pública da União) ingressou com uma Ação Civil Pública contra a União -juntamente com a Defensoria Pública do Pará- que reivindica indenização de R$ 200 mil para cada ex-seringueiro, extensível aos dependentes. Segundo a DPU, o caso poderá ser levado à Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Fonte rondonoticias

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