sábado, 10 de janeiro de 2015

Grupo sem terra acusado de queimar fazenda em Monte Negro, Rondônia



Casa queimada na Fazenda Padre Cícero,
em Monte Negro RO. foto rondoniavip

O conflito do Acampamento Monte Verde e a Fazenda Padre Cícero.
Situado no Vale do Anarí, nas proximidades da cidade de Ariquemes, o município de Monte Negro, a 247 Km de Porto Velho, começa o ano de 2015 com mais um episódio do conflito entre um grupo de 40 famílias sem terra do Acampamento Monte Verde e a Fazenda Padre Cícero, de Nadir Jordão dos Reis.  
Segundo as informações divulgadas em sites de Rondônia, um grupo de sem terra foi acusado de atear fogo em casa da Fazenda Padre Cícero, localizado na Linha C-35, na passada quinta-feira dia 08 de janeiro de 2014, sem ninguém ter resultado ferido. 

Um conflito inciado em 2013.
Situada nas proximidades do Assentamento Élcio Machado, que já tem mais de seis anos, a Fazenda Padre Cícero é reivindicada para reforma agrária por 40 famílias que integram o Acampamento Monte Verde. 
Em novembro de 2013, quatro casas da fazenda teriam sido incendiadas dentro da fazenda. 

Homens e mulheres presos no mesmo acampamento.
Segundo as informações divulgadas por fontes próximas aos acampados, divulgadas por NOTÍCIAS DA TERRA, onze homens e mulheres foram presos no mesmo acampamento em Monte Negro em 11 de julho de 2014 acusados de porte de armas. Eles relataram no local atuação de jagunços armados junto a polícia, agressões e maus tratos. Segundo os camponeses a existência de arsenal preso no local seria prova forjada para inculpar os mesmos.
Apás  ajustiça de Ariquemes ordenar a reintegração de posse da fazenda, um intento de reintegração de posse teria sido realizado em dezembro de 2013, quando os policias encontraram o acampamento abandonado. Uma segunda reintegração foi adiada no local, para o assunto ser tratado antes na reunião presidida pela Ouvidoria Agrária Nacional em Porto Velho. 

Terra pública reivindicada para reforma agrária.
Segundo encaminhamento da citada reunião da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo realizada em Porto Velho, na sede do Incra, no dia 22 de julho de 2014,  o superintendente Incra de Rondônia, Sr. Luis Flávio Carvalho, manifestou que as terras da Fazenda Padre Cícero são Terras da União: "O imóvel fazenda Padre Cícero, constituído pelo Lote 04, gleba 09, linha 40, no setor Santa Cruz, no município de Monte Negro, está encravado em terras da União e por ser de domínio Público Federal" manifestou interesse do INCRA "no referido imóvel para fins de destinação de reforma agrária para assentamento de trabalhadores rurais sem terra" . Por ser Terra da União, a justiça estadual de Ariquemes também não teria competência para julgar o conflito.

Confronto entre camponeses e fazenda.
Em 29 de julho de 2014 teria havido um confronto armado, resultado do qual três camponeses do Acampamento Monte Verde resultaram baleados por indivíduos armados. Outras informações relatam uma caminhonete Hilux com dois trabalhadores da fazenda Padre Cícero com o veículo atingido por disparos de arma de fogo. Acusações dos acampados relatam dois policiais militares de Buritis ilegalmente no local trabalhando de seguranças do latifundiário Nadir Jordão dos Reis e atirando contra o acampamento.
Acampamento destruído em setembro de 2014.
foto rondoniavip

Despejo e destruição das casas do acampamento.
Por ação judicial em 03 de setembro de 2014 os acampados foram despejados da fazenda e sendo destruídas as moradias na reintegração de posse. A irregular destruição das casas de madeira e palha do acampamento foi realizadas por uma pá carregadeira protegida por um forte contingente policial.

Um trabalhador da fazenda morto.
Já em 04 de outubro de 2014, um trabalhador da fazenda, Elias Pereira Pinto, morreu e um companheiro dele resultou ferido atingido por dois tiros dentro duma picap Fiat Strada.

Desaparecimento de um acampado do Assentamento Élcio Machado.
Camponeses do acampamento Elcio Machado da região de Monte Negro ocuparam a BR-421 o dia 01 de dezembro de 2014 em protesto contra desaparecimento de Luis Carlos da Silva, membro do acampamento, depois do sumiço do mesmo desde o dia 28 de novembro de 2014. No final do dia, o camponês não retornou para a sua casa e os familiares o foram procurar no lote do mesmo, temendo que pudesse ter sofrido um acidente, encontrando no local de trabalho a moto, o motosserra, seus documentos pessoais jogados e pegadas de mais pessoas, o que leva os camponeses acreditarem que o mesmo foi retirado do local sob ameaça. Apesar de intensas buscas posteriores, não foi mais localizado, acreditando-se ter sido assassinado.

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