quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Lançamento do mapeamento social da Comunidade Quilombola do Forte Príncipe da Beira, em Rondõnia.

O dia 28 de Novembro de 2014 a Associação dos Quilombolas do Forte Príncipe da Beira (ASQFORTE)  está lançando em Costa Marques um fascículo com o estudo realizado pela Comunidade em parceria com o Projeto de Nova Cartografia Social, de Manaus.

Dia: 28 de novembro de 2014 (sexta-feira) às 08h00min 
Local: Secretaria Municipal de Ação Social. Av: Príncipe da Beira nº 1882 setor 1 Costa Marques, Rondônia.


O lançamento do fascículo será realizado em comemoração ao mês da Consciência Negra. No fascículo a Comunidade Quilombola recolheu e mapeou os lugares ocupados tradicionalmente pela comunidade, um território que hoje está sob domínio do Exército, que proíbe de forma autoritária e ilegal ao INCRA a realização dos estudos antropológicos oficiais que devem determinar os direitos territoriais coletivos da comunidade, contrariando a Constituição brasileira. 

Um trabalho realizado pela comunidade.
O fascículo é resultados de oficinas de mapeamento participativo, na qual  professores e alunos de graduação e de pós-graduação apoiam o processo no qual os quilombolas do Forte registraram quem são, onde e como vivem.

Este fascículo será um importante material elaborado pela comunidade para subsidiar a realização do Relatório de Identificação negado até agora. O fascículo é resultado de uma relação social específica entre a comunidade tradicional quilombola do Forte Príncipe da Beira e a equipe de pesquisadores, orientado pelo antropólogo Emmanuel de Almeida Farias Júnior, da equipe de pesquisa do projeto Nova Cartografia Social da Amazônia, que tem como objetivo dar ensejo à auto-cartografia dos povos e comunidades tradicionais na Amazônia.

Como foi elaborado o fascículo.
A CPT RO orientou a comunidade a procurar o Projeto de Nova Cartografia Social da Amazônia, e a partir do interesse da comunidade, foi realizada uma oficina de mapas com a participação de cerca de 30 agentes sociais e os pesquisadores membros do Projeto. Nela, os pesquisadores ensinaram técnicas de GPS e de mapeamento, além de conversar com os agentes e coletar depoimentos sobre a história social e problemas da comunidade. Os agentes sociais produzem croquis, mapeando sua região e indicando quais os elementos relevantes para a sua composição.

Em um segundo momento, sem a presença dos pesquisadores, os agentes sociais marcaram, com GPS, os pontos do que consideram significativo de seu território. Na seqüência, o Projeto recolheu as informações das marcações de ponto e as georeferencia na base cartográfica, inserindo as ilustrações produzidas nos croquis. Essas ilustrações compreendem desenhos, esboços e reproduções de símbolos e objetos (remos, casas, embarcações, instrumentos de trabalho, animais, plantas, etc.) que são transformados, a partir do trabalho da equipe de pesquisadores, em ícones para compor as legendas dos mapas. Simultaneamente, transcreve-se excertos de depoimentos e seleciona-se os que hoje compõem o fascículo.

Com o mapa concluído e os depoimentos selecionados, monta-se um protótipo de fascículo, que foi remetido à comunidade, que fez as correções que deseja, procedeu à leitura do mapa-piloto e envia-o de volta ao Projeto. A partir daí foi realizada a publicação. São publicadas mil cópias de cada fascículo. Um menor número de cópias fica em mãos do PNCSA, que guarda alguns exemplares e distribui os restantes para pesquisadores, núcleos de pesquisa, universidades e órgãos estatais tais como Ministério Público Federal e Procuradoria da República. 

A maior parte dos exemplares fica de posse do movimento social, e por ele é utilizada como quiser, muitas vezes como parte integrante de sua estratégia de auto-afirmação social e de resolução de seus problemas. Também pode ser consultado via internet:

O Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia já produziu um total de setenta fascículos, entre eles o da Comunidade Quilombola de Santa Fé, em Costa Marques.  Segundo o Projeto, a equipe de colaboradores do PNCSA é composta por 19 doutores (em Antropologia, Direito, Geografia, Biologia, Sociologia e História), 14 doutorandos, 22 mestres, 16 mestrandos, 7 especialistas 12 bacharéis e 10 bacharelandos. Participaram das oficinas de mapas mais de 1.800 agentes sociais entre março de 2005 e janeiro de 2009, mapeando seus respectivos movimentos sociais e reafirmando suas territorialidades específicas.

A Comunidade Quilombola do Forte vem resistindo diversas investidas do Exército brasileiro. Nas últimas semanas um membro da comunidade foi proibido pelo Comandante do Quartel a entrar na sua roça tradicional.





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