sábado, 16 de agosto de 2014

“Vinde e vede”: a vida pela fé!

Através da Assunção de Nossa Senhora ao céu compreendemos o imenso valor da vida humana, destinada a participar da vida eterna de Deus; a dignidade do corpo humano e ainda do corpo das realizações históricas e da matéria em geral; a grandeza que ganham os pobres e as mulheres à luz d’Aquela que foi exaltada, por ter sido precisamente pobre e mulher. E, por fim, a força particular que tem para as lutas sociais a esperança cristã enquanto confirmada pela Assunção da Virgem.
Representates da Igreja da Amazônia em Santarém. foto cpt ro
Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 433 - Edição de Domingo – 17/08/2014

“Vinde e vede”: a vida pela fé!

Celebramos neste domingo a solenidade da Assunção de Nossa Senhora, a seguidora imediata de Jesus na Glória, a “primeira depois do Único” em seu Reino.

Na liturgia, o apóstolo Paulo fala da ressurreição de Cristo e da destruição total da morte (1Cor 15,20-27) ajudando-nos a entender o sentido da trágica morte do candidato à presidência da república, Eduardo Campos, e seus companheiros de campanha. Acreditamos na imortalidade da vida, por isso oramos: seja feita, Senhor a vossa vontade, assim na terra como céu!

Os 124 mártires da Coreia, beatificados neste sábado (16/08), pelo Papa Francisco, deram a sua vida pela fé: foram torturados e mortos em odium fidei em 1791, nos primeiros tempos da introdução do cristianismo na Coréia. Assim, veneramos também os 103 mártires, canonizados em 1984 por João Paulo II.

A leitura do Apocalipse descreve a Igreja que foi perseguida e massacrada pelos romanos no 1º século até à vitória final de Cristo (Ap 11,19;12,1-10).

Nesta leitura, a Mulher representa a Igreja, novo Israel, o que sugere o número das 12 estrelas e o destruidor não tem a última palavra. Na pessoa de Maria a nova humanidade já é acolhida junto de Deus: Ó Deus que elevastes à glória do céu em corpo e alma a imaculada Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória!

O Evangelho da Visitação (Lc 1,39-56) apresenta Maria, a missionária que faz parte de nossa caminhada. Através docanto do Magnificat, o clamor dos pobres e o apelo de uma mãe que intercede pelo seu povo. Maria viveu sua peregrinação de fé como mãe de Cristo e dos discípulos, permaneceu ao pé da cruz em comunhão profunda, para entrar no mistério da Aliança (DAp 266).

Através da Assunção de Nossa Senhora ao céu compreendemos o imenso valor da vida humana, destinada a participar da vida eterna de Deus; a dignidade do corpo humano e ainda do corpo das realizações históricas e da matéria em geral; a grandeza que ganham os pobres e as mulheres à luz d’Aquela que foi exaltada, por ter sido precisamente pobre e mulher. E, por fim, a força particular que tem para as lutas sociais a esperança cristã enquanto confirmada pela Assunção da Virgem.

Dos 124 mártires coreanos beatificados pelo papa Francisco em sua visita à Coreia (14-18/8), o testemunho de que, “a partir das sementes lançadas pelos mártires”, uma colheita abundante de graça foi colhida naquela terra. Em seu encontro com os bispos, disse: “os senhores são os descendentes dos mártires, herdeiros do seu heroico testemunho de Fé em Cristo. Além disso, são herdeiros de uma tradição extraordinária, que teve início e cresceu amplamente graças à fidelidade, a perseverança e o trabalho de gerações de leigos. É muito significativo o fato de que a história da Igreja na Coreia tenha começado com um encontro direto com a Palavra de Deus”.

A Coreia do Sul é um país com grande crescimento do catolicismo em toda a Ásia, cerca 70% durante a última década. A Igreja católica coreana se caracteriza pelo fato de ter sido fundada e estabelecida apenas por leigos. Surgiu no início de 1600, a partir dos contatos anuais das delegações coreanas que visitavam Pequim, na China, nação que sempre foi uma referência no Extremo Oriente para troca de cultura.

“É necessário partir de uma consideração sobre o papel dos leigos na vida da Igreja; os leigos foram os verdadeiros protagonistas da história da Igreja na Coreia”, confirmou Dom Lazzaro You Heung-sik, Bispo de Daejeon.

O papa, além da beatificação dos 124 mártires coreanos, encontrou-se com a juventude asiática, e tratou sobre um dos temas sociais emergentes: a perseguição anticristã neste início de séc. XXI.

A Ásia é uma das regiões onde a violência é mais aguda. A perseguição anticristã mais cruel das últimas duas décadas irrompeu na Índia, em 2008, quando radicais hindus armados de facão fizeram uma ação em Orissa, matando cerca de 500 cristãos e milhares de feridos. Os mártires coreanos beatificados foram mortos entre 1791 e 1888. “Há mais mártires hoje do que nos primeiros dias da Igreja”, afirmou o papa. “Muitos de nossos irmãos e irmãs dão testemunho de Cristo, sendo perseguidos por isso”.

Neste mês vocacional o 3º domingo é dedicado à vocação à vida religiosa.

Os consagrados são chamados à prática dos conselhos evangélicos (PC 1), fielmente os observam, entregando-se de maneira particular ao Senhor, seguindo a Cristo que, virgem e pobre (Mt 8,20; Lc 9,58), redimiu e santificou os homens pela obediência até à morte de Cruz (Fl 2,8).

O ano de 2015 será dedicado à Vida Consagrada. A abertura acontece neste ano, dia 30 de novembro, 1º domingo do Advento, e no encerramento já está programada a Semana mundial da vida consagrada na unidade (24/01-2/2/ 2016).

Para o papa Francisco, a radicalidade é pedida a todos os cristãos, mas os religiosos são chamados a seguir o Senhor de uma forma especial. “Eles são homens e mulheres que podem acordar o mundo; a vida consagrada é uma profecia”.

Na festa de Santo Inácio de Loyola, aprofundou o significado de ser um religioso jesuíta: Cristo é a nossa vida! À centralidade de Cristo corresponde também a centralidade da Igreja: são dois focos que não se podem separar: não posso seguir Cristo, a não ser na Igreja e com a Igreja. Nós, jesuítas, não estamos no centro, estamos ao serviço de Cristo e da Igreja. Devemos ser homens radicados e fundados na Igreja: assim nos quer Jesus. Não pode haver caminhos paralelos nem isolados. Sim, caminhos de investigação, caminhos criativos, sim, isto é importante: ir rumo às periferias, às numerosas periferias. Por isso a criatividade é necessária, mas sempre em comunidade, na Igreja, com esta pertença que nos infunde a coragem para ir em frente. Servir Cristo é amar esta Igreja concreta, e servi-la com generosidade e espírito de obediência.

A Carta Circular “Alegrai-vos”, dirigida aos religiosos pela Congregação para os Institutos da Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, pede que dentro das limitações humanas, nas preocupações do dia a dia, os consagrados e as consagradas vivam a fidelidade e se convertam em testemunho luminoso, anúncio eficaz, companhia e proximidade para com as mulheres e homens do nosso tempo que procuram a Igreja como casa paterna.

Aos jovens que se preparam para a vida religiosa, o papa fala que representam a primavera da vocação, o período da descoberta, do discernimento, da formação. E ao tratar da missão, afirma que “as pessoas têm necessidade que testemunhemos a misericórdia, a ternura do Senhor, que aquece o coração, desperta a esperança, atrai para o bem”. Somente “a Cruz, sempre a Cruz com Cristo que garante a fecundidade da nossa missão”(Gl 6, 15). A missão é graça. E se o apóstolo é fruto da oração, nesta encontrará a luz e a força da sua ação. De contrário, a nossa missão não será fecunda; mais, apaga-se no próprio momento em que se interrompe a ligação com a fonte, com o Senhor. “A evangelização faz-se de joelhos”.

A Igreja da Amazonia surgiu no contexto do reordenamento da grande região amazônica com a criação das dioceses e prelazias sob os cuidados das várias congregações ainda presentes entre nós.

A dimensão missionária foi e continua sendo o eixo evangelizador de nossas Igrejas, porém carregadas das particularidades trazidas pelas ordens e congregações religiosas.

Neste contexto, nossas comunidades eclesiais foram gestando uma caminhada pastoral, com algumas características em comum, que expressam a vitalidade dos diversos carismas da Vida Religiosa aqui presente.

Frente aos novos desafios, as Congregações continuam assumindo a evangelização das pequenas comunidades eclesiais e as pastorais onde não há padres suficientes. São presença junto aos ribeirinhos e nas lutas pela terra. São referencias em todas as instancias pastorais e ajudam na formação das lideranças. Muitos testemunham com a própria vida, numa doação constante ao povo sofrido e amado da Amazônia.

“A vocação é para amar e servir” é o tema do Encontro Anual Vocacional da Arquidiocese de Porto Velho. E o convite que chega até nós é dirigido a todos os jovens, religiosos, famílias, vocacionados, catequistas e catequizandos.

Palestras e celebrações, musica e exposição vocacional fazem parte do encontro que vai acontecer na Quadra da Paróquia São Cristóvão no dia 31 de Agosto das 14h às 19h30min. Participe!

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