sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Preso suspeito de envolvimento na morte de Adelino Ramos

Luis Vicente "Machado". foto divulgação.
Atualizado 23/8/14. Foi preso o dia 14 de agosto de 2104 madeireiro e perigoso pistoleiro, tido como chefe de quadrilha envolvido em tráfico clandestino de madeira no PAF Curuqueté (município de Lábrea, sul do Amazonas), Luis Vicente,  acusado de participar no homicídio de Luiz Ney de Lima o dia 21 de Junho de 2104, em Vista Alegre do Abunã.

Suspeito de envolvimento na morte de Adelino Ramos
Luiz Vicente, mais conhecido na região como "Luiz Machado", era o irmão mais velho do falecido Ozias Vicente, acusado de ser o matador de Adelino Ramos, conhecida liderança sem-terra do Movimento Camponês de Corumbiara. em 27 de maio de 21011.
Conhecido pelo apelido de "Buriti" durante a época do massacre de Corumbiara, do qual foi sobrevivente, Adelino Ramos era conhecido como "Dinho" após ser fundador e presidente do Movimento Camponés de Corumbiara (MCC).  O motivo da morte de Adelino foi atribuído a que vinha denunciando a extração ilegal de madeira na região.

Em relação ao assassinato do líder camponês já tinham sido presos e 08 de junho de 2011 como suspeitos Zaqueu Jesus de Souza, Pedro Jesus de Souza, Marcos Antônio Rangel, Odair Pinheiro Cunha e Jobe Vicente, irmão també de Ozias Vicente. Na época Luiz Machado conseguiu fugir da ordem de busca e captura.
Posteriormente todos foram soltos, inclusive o suposto autor material do homicídio, Ozias Vicente, que pouco depois também foi assassinado, vítima de queima de arquivo, em Vista Alegre de Abuná, o dia 15 de janeiro de 2012.
Com a moret de Ozias, o processo de investigação do homicídio de Adelino Ramos foi arquivado pouco depois.
Luis Vicente "Machado", após a morte do irmão Ozias, passou a ameaçar as lideranças e a todos os moradores do PAF Curuqueté (Lábrea, AM), assentamento onde Adelino era presidente antes de morrer.
O novo presidente da Associação do PAF Curuqueté também foi ameaçado de morte, e recebeu proteção do programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, porém após sofrer contínua perseguição de Luis Machado, foi obrigado a desistir de ser assentado no PAF Curuqueté e a se refugiar longe daquela área, sem que até agora tenha conseguido ser assentado em outro local.

Detido por novo homicídio 
Segundo informações recentes no dia 21 de julho de 2014 o senhor Luiz Ney de Lima foi vítima de homicídio em Vista Alegre do Abunã. Segundo apurou a polícia de Extrema, várias pessoas estariam envolvidas no referido homicídio. Segundo informações locais, Luiz Ney era conhecido na região como empreiteiro de derrubadas da floresta e também elemento perigoso.
Na sexta-feira (25/07), apenas quatro dias após o crime, a Polícia Civil com apoio da Polícia Militar prendeu Weslei Santos, Ademilson Duarte e Gleisson Ramos, suspeitos da morte de Luiz Ney.
No dia 14/08/2014 a Polícia Civil de Extrema/RO também conseguiu cumpriu mandado de prisão de Luis Vicente, conhecido como Luis Machado, como envolvido no homicídio de Ney. Luiz Vicente, era "considerado elemento de alta periculosidade". Famoso por ter escapado de diverso intentos de prisão, para evitar suspicácias, os agentes se apresentaram no local onde estava o suspeito disfarçados de cabos eleitorais. 
Segundo a informação citada apurou-se, que "Luis Vicente é suspeito de ser integrante de quadrilha de pistoleiros que atuam naquela região, e existem fortes indícios de que o mesmo esteja envolvido com outros homicídios". "A Polícia Federal já tentou prendê-lo durante uma operação ocorrida em 2011, mas não obteve êxito".
Na época, a "Operação Dinízia" da Polícia Federal prendeu, além do irmão do deputado Lebrão, o patrão de Ozias Vicente Machado, (irmão de Luis Vicente Machado), o acusado de ter assassinado em Vista Alegre do Abunã, o líder-sem terra Adelino Ramos.
Segundo as informações anteriores, a foto de Luis Vicente está sendo divulgada por interesse público visando esclarecer outros supostos crimes. Qualquer informação poderá ser passada ao número 197 (Disque-Denúncia da Polícia Civil).

Grilagem de terras e extração ilegal de madeira no Sul do Amazonas.
Luis Machado seria um dos cabeças da quadrilha que terroriza a região de Vista Alegre do Abuná, junto com outros conhecidos pistoleiros,  como o "Zé do Brejo", (atuante em São Francisco e São Domingos do Guaporé e acusado de ter queimado 80 barracos se sem terra no atual PA Flor da Amazônia, em Candéias do Jamari).  "Márcio de Tal", tido como suspeito do desaparecimento do agricultor Dácio, de Extrema em 2010, e o "Pit Bull", de Nova Mamoré, perseguidor de lideranças do PA Gedeão em Nova Califórnia.

Oito madeireiros foram presos na operação da Polícia Federal em 08 de junho de 2011em Vista Alegre do Abuná, Porto Velho. Entre eles o irmão do Deputado José Eurípedes Clemente, o Lebrão; e também José Genário Macedo, o patrão de Ozéias Vicente, o matador do Dinho; todos eles acusados de manter um esquema de retirada clandestina de madeira.
A maioria dos madeireiros tinham se estabelecido em Vista Alegre do Abuná após ter acabado com a madeira em São Francisco e São Domingos do Guaporé, na região da BR 429 de Rondônia.
A Polícia Federal em Rondônia prendeu na época o irmão do deputado estadual José Eurípedes Clemende, o Lebrão, do PTN. O empresário Pedro Amarildo Clemente foi preso juntamente com mais sete madeireiros, acusados de grilagem de terras da União na região da Ponta do Abunã (Vista Alegre, Extrema, Nova Califórnia) e Lábrea (AM). 
Entre os detidos em um presídio estadual de Porto Velho, estava José Genário Macedo, conhecido como "Ceará Popó", que seria patrão do suspeito da morte do líder camponês Adelino Ramos (Dinho).

Associação Ruralista do Jequitibá
Na época o delegado federal Cezar Luiz Busto de Souza, superintendente regional da Polícia Federal, disse que a PF desarticulou, nequela operação, uma organização criminosa que funcionava com o nome de Associação Ruralista do Ramal Jequitibá, inclusive cobrando pedágios para circulação de veículos na região, ameaçando policiais federais, desmatando, extraindo madeira ilegalmente e ocupando terras da União como se fossem dos membros do “condomínio criminoso”.
A Polícia Federal apurou que o esquema criminoso envolvendo o irmão do deputado Lebrão e o patrão do suposto pistoleiro Ozias Vicente , além de mais seis grandes madeireiros da região, já havia retirado dois mil caminhões com 25 metros cúbicos de madeira cada um, ou 45 mil metros cúbicos, devastando uma área de 1.500 hectares, o equivalente a 1.500 campos de futebol – terra arrasada pela “associação”. Pela circulação de cada caminhão ,o “condomínio” cobrava R$ 30 de pedágio.
Segundo o delegado, foram apreendidas provas robustas contra os integrantes da suposta quadrilha, que e atuaria na região desde 2009. O delegado federal disse pairar a suspeita de que a “associação” mantinha o esquema criminoso na base da força, da ameaça e até do uso de pistoleiros. Olheiros da quadrilha eram mantidos em alerta em toda a região de Vista Alegre do Abunã, portando rádios e telefones clandestinos, não autorizados pela Anatel, para alertar os criminosos da presença de policiais ou de fiscais ambientais. 
Arte do plebiscito 2010, consulta plebiscitária sobre a criação do município de Extrema de Rondônia, região conhecida como Ponta do Abunã.

A Ponta do Abuná.
A região de Vista Alegre do Abuná, Extrema e Nova Califórnia é uma estreita faixa de terras pertencente ao município de Porto Velho, no estado de Rondônia, situada entre a Bolívia, Sul de Amazonas e Acre. Após uma rixa entre o Acre e Rondônia por este território, a região reivindica a criação de um novo município separado de Porto Velho.
No dia 28 de fevereiro de 2010 foi realizada, em todo o município de Porto Velho, uma consulta plebiscitária sobre a criação do município de Extrema de Rondônia, região conhecida como Ponta do Abunã. A região definida como Ponta do Abunã é formada pelos distritos de Nova Califórnia, Vista Alegre do Abunã, Fortaleza do Abunã e Extrema.
O local é um foco de penetração de desmatamento, grilagem de terras e extração clandestina de madeira e vanço da fronteira agrícola para as florestas do sul do muniípio de Lábrea, no estado de Amazonas.
Sem quase nenhuma presença policial e de serviços do estado amazonense, a região tem se convertido em área de ausência do estado, refúgio e domínio de maleantes.
Tudo indica que o esquema de grilagem de terras, desmatamento e extração clandestina de madeira continua funcionando até agora no local. 

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