quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Movimento de Pequenos Agricultores reúne mulheres camponesas em Rondônia.



Camponesas do MPA RO em encontro em Alta Floresta do Oeste/RO. foto Lenir 

Encontro de Camponesas do MPA/RO
As camponesas do Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA de Rondônia reuniram-se nos dias 11 a 13 de agosto de 2014, no Centro Comunitário Católico de Alta Floresta do Oeste/RO, contando com a presença de mais de 100 camponesas, vindas de aproximadamente 20 cidades do Estado de Rondônia. 
O encontro foi momento de estudo, partilha de experiências, troca de sementes, troca de saberes e aprendizagens, permitindo através do trabalho coletivo construir novos conhecimentos para serem utilizados pelas camponesas em suas propriedades. 
As atividades iniciaram no dia 11 com almoço, reflexão e debate sobre a diversificação da produção e planejamento da propriedade, onde cada camponesa pode identificar as diversidades de produção existentes em suas propriedades e mostrar o seu sonho de propriedade, identificando a necessidade de sair do monocultivo e produzir para a família alimentar com qualidade. Na partilha coletiva dos sonhos, as camponesas reafirmaram o desejo de morar no campo com produção diversificada, com tecnologia aplicada ao campo, com casa, energia, transporte e educação de qualidade para seus filhos e filhas. 
No segundo dia foi retomado o planejamento da propriedade, estudos em grupo sobre os empecilhos para a produção camponesa, assim como foi realizado a troca de experiências sobre produção e diversidade, também foi o espaço para reafirmar que o Agrotóxico é inimigo do camponês, identificando as empresas que produzem agrotóxicos e a importância de se produzir de forma limpa e manter as sementes crioulas e seus cuidados como conhecimento camponês a ser partilhado e transmitido por todas as gerações. 
Por ser dia 12 de agosto, as camponesas fizeram durante a noite uma homenagem a Margarida Alves, camponesa, sindicalista paraibana, assassinada em 12 de agosto de 1983, a homenagem chamada de “Noite das Margaridas” - lembrou sua trajetória e reafirmou o espaço da mulher na luta camponesa e a necessidade da libertação do julgo da opressão. Por causa de Margarida Alves, o dia 12 de agosto é considerado o Dia de Luta contra a violência da mulher camponesa. 



Camponesas do MPA RO em encontro em Alta Floresta do Oeste/RO. foto Lenir 

No dia 13 de agosto, iniciou-se as atividades com uma marcha com panfletagem no centro da cidade de Alta Floresta do Oeste/RO, terminando a mesma em frente ao Ministério Público, onde as camponesas entregaram uma carta reivindicatória ao Promotor de Justiça, apontando a necessidade de intervenção do órgão para que se efetive os direitos das camponesas conquistados depois de muitas lutas e que vem, cotidianamente, sendo violados, entre eles, o acesso à educação no campo e para o campo. 
Após a manifestação, as camponesas retornaram ao Centro Comunitário e foi realizado oficinas de enxertia; massagem; montagem de bomba carneiro; confecção de papel a partir da palha de bananeira; agroecologia – defensivos agrícolas naturais; acesso ao crédito. As oficinas foram espaço de troca de saberes e aprendizagens significativas para as camponesas utilizarem em seu cotidiano. 
Durante todo o encontro houve troca de sementes, venda de produtos artesanais e comidas preparadas pelas camponesas, havendo troca de técnicas e partilha de histórias sobre os cuidados e cultivos com a terra.


Camponesas do MPA RO em encontro em Alta Floresta do Oeste/RO. foto Lenir 

Encerrou o encontro com as camponesas reafirmando o compromisso de produzir com diversidade no campo, de lutar por políticas públicas que atendam as necessidades do campesinato e da importância das mulheres estarem organizadas e trocando saberes, experiências e conhecimentos como forma de resistência ao modelo do agronegócio. 
“Mulher conscientizada, semente germinada, sociedade transformada” - com essa palavra de ordem, as camponesas do MPA mostram sua força e a decisão de continuarem lutando contra o agronegócio que envenena a terra e expulsam os filhos e filhas de camponesas do campo. 
(Lenir Correia Coelho – Assessora Jurídica da CPT/RO)

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