segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Como você tem coragem, Dilma?

Como você tem coragem, Presidenta Dilma, de vir gravar propaganda eleitoral nas Usinas do Madeira de Rondônia? 

Dilma em visita as enchentes de Porto Velho em março de 2014. foto rondoniavivo
A Sra. irá visitar as centenas de famílias refugiadas em tendas de lona, após terem as casas alagadas e destruídas pelo rio Madeira? Os ribeirinhos do Baixo Madeira que não sabem onde refazer suas casas?

O desastre das enchentes sofridas este ano confirmou que a construção das duas grandes hidrelétricas (Jirau e Santo Antônio) foram sem o necessário rigor e seriedade social e ambiental. Que o governo continua empurrando "goela abaixo" da Amazônia e dos seus povos tradicionais, com teimosia em Belo Monte e em outros tantos projetos (Tapajós, Teles Pieres, ...). Numa região tratada como colônia, explorada sem dor com apoio do governo federal. 

Este ano em Porto Velho vimos os resultados da irresponsabilidade: O bairro tradicional do Triângulo desabando literalmente dentro do rio, afundando junto com os trilhos da centenária Ferrovia Madeira Mamoré.

A região de Abuná e Guajará Mirim isolados, o estado do Acre inteiro isolado por causa das usinas. Após as águas dos reservatórios subir 1,5 m. acima do previsto na estrada BR-364. Os engenheiros erraram feio!

Terão indenização as centenas de famílias atingidas fora do previsto, com as casas alagadas, inclusive casas das famílias que já tinham sido "remanejados" em novas casas de placas em Jaci Paraná.

E ainda considera investimento para Rondônia os bilhões do PAC destinados a geração e transmissão de energia elétrica para as indústrias exportadores electrointensivas de São Paulo?

Com centenas de espécies de peixes migratórios barrados, impedidos de subir o rio e desovar nas bacias dos rios Guaporé, Mamoré, Beni e Madre de Dios?

Falando que tudo foi apenas um "fenômeno natural", após a construção de suas usinas patrolando por cima todas as precauções ambientais necessárias?

Sem falar do aumento de dengue, acidentes de transito, aumento de prostituição, de tráfico e uso drogas e de delinquência?

Criação de assentamentos improdutivos e sem reserva legal, como o Reassentamento Santa Rita. Assentados não realocados, como os de Joana d' Arc, apesar de meses de protestos e mobilizações. Centenas de desempregados em novas ocupações, pedindo um pedaço de terra para sobreviver.

Após os indígenas não serem consultados e a Funai reconhecer que existem indígenas isolados, sim, na margem esquerda atingida pela usina de Jirau... apenas depois da construção da mesma!

Empresas do PAC na lista suja do trabalho escravo, com a Força Nacional reprimindo as reivindicações sindicais dos operários, e 11 deles desaparecidos após serem detidos pela polícia.

Com obras de compensação invisíveis e a infraestrutura de Porto Velho, como os viadutos da BR 364, começadas e inacabadas por quatro anos.

E ainda pretende, Presidenta Dilma, apresentar as Usinas do Madeira como grande trunfo do seu governo?

Josep Iborra Plans 
é agente da Comissão Pastoral da Terra e da Equipe da Articulação da Amazônia da CPT.

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