sexta-feira, 13 de junho de 2014

Sumiço de bebê provoca polêmica em Porto Velho, RO.

Pais, amigos e familiares do bebê Nicolas Naitz Silva, desaparecido em Porto Velho há duas semanas durante transferências de hospitais, protestaram pedindo por esclarecimentos sobre o caso, na manhã desta terça-feira (10), em frente a antiga sede do governo do estado, no centro da cidade.
Com faixas e cartazes, o grupo pedia um posicionamento do governo sobre o desaparecimento. Nicolas teria morrido no dia 22 de maio na UTI da Maternidade Regina Passes. O suposto corpo sumiu durante a transferência para o necrotério do Hospital de Base Ary Pinheiro. Entretanto, a unidade de saúde afirmou não ter recebido qualquer corpo.
Após o protesto, os pais do bebê, A mãe do bebê, Marcieli Naitz e Ademar da Silva, foram recebidos por representantes do governo. A Polícia Civil está a frente do caso, que corre em sigilo, mas não descarta a possibilidade do bebê ainda estar vivo.Com faixas e cartazes, parentes e amigos pedem esclarecimentos sobre sumiço de bebê. 
Existem suspeitas de tráfico humano. A Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Porto Velho e a rede pela Vida acompanham o caso.



Segundo informações publicadas por Valbran Junior, o pequeno Nicolas Naitz nasceu no dia 22 de maio 9, às 9h 20, com 2 quilos e 800 gramas, de parto normal, na unidade de saúde de Candeias do Jamari, apresentando boas condições de saúde, segundo atestou à mãe e à avó, o médico responsável pelo parto. Cerca de nove horas depois, no entanto, o recém-nascido estaria morto, depois de ter passado pelos hospitais São Cosme e Damião e Regina Pacis. Nesse ínterim, observou-se uma sequência de informações desencontradas, que culminou com o drama do desaparecimento do bebê – ou do corpo.
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Segundo a avó da criança, logo após o parto, mãe e filho foram trazidos à Porto Velho, onde Marciele foi internada no Hospital de Base para recuperação e o menino levado para o Hospital Infantil São Cosme Damião, embora nenhum problema de saúde tenha sido relatado com relação a nenhum dos dois. Algum tempo depois, o diretor-geral do Hospital de Base, Nilson Paniágua, que acumula a mesma função no Hospital Infantil São Cosme e Damião e tem participação societária no hospital Regina Pacis, determinou a transferência do pequeno Nicolas para o hospital do qual é sócio. Até aí, afirma Irenilda Naitz, não recebeu encaminhamento nem explicação sobre a necessidade da internação. 

MORTE SEM CORPO No final da tarde, a avó foi chamada por uma enfermeira, que a informou a respeito da suposta morte do netinho, mas afirma que em momento algum foi autorizada a ver o corpo. Depois disso, ao invés de ter o corpo liberado para as exéquias familiares e sepultamento, a avó foi informada que seria levado para o HB, de onde seria liberado. Ela seguiu, então, no mesmo carro, mas em nenhum momento viu o bebê. Segundo ela, a enfermeira carregava um “pacote” embrulhado lençol do HB, que ela não tem condições de afirmar se ali havia um corpo.


No HB, mais mistério. Foi orientada a seguir para a enfermaria, onde a filha estava internada, enquanto que a enfermeira com o “pacote” tomou outro rumo. A partir daí, nem o tal pacote foi mais visto. Mãe e filha foram informadas que o corpo precisaria passar a noite no hospital e seria liberado no outro dia. No dia seguinte, portanto, quando um agente funerário foi buscar o corpo para providenciar o velório, a grande surpresa: no embrulho que foi entregue, só havia panos e nada mais. Começava aí outro drama, que o deputado Hermínio Coelho quer que a Assembleia Legislativa ajude a esclarecer. 

DESENCONTROS Há vários pontos desencontrados, que não sobrevivem a uma confrontação mais simples com os fatos, a começar do próprio parto. a) Nicolas nasceu num posto de saúde em Candeias do Jamari, cujo momento foi registrado em diversas fotografias nas quais aparecem o médico e outros profissionais em boas risadas, aparentemente comemorando o êxito do parto. As imagens mostram uma criança aparentemente saudável; b) Na declaração de óbito, a médica que o assinou indica que Marciele teve o parto numa ambulância; c) depois de afirmar à mãe e à avó que a criança nasceu saudável e que poria em risco seu próprio registro profissional no Cremetro, se tivesse que dizer o contrário, o médico recuou e disse que a criança tinha nascido com problemas cardíacos, numa outra contradição, vez que d) no laudo, a médica aponta como causa da morte sepse neonatal e asfixia; a sepse neonatal, segundo a literatura médica, é uma condição médica grave caracterizada por estado inflamatório de todo o organismo e presença de infecção, geralmente tratada em UTI com fluidos intravenosos e antibióticos. Ocorre que antes de ser tirada do hospital São Cosme e Damião, segundo a avó, a criança estava estabilizada, numa cama de hospital comum, sem medicações. 

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