terça-feira, 24 de junho de 2014

CEPLAC recebe pedido de apoio para agroecologia

Em carta que está sendo divulgada esta semana Via Campesina pede o apoio da CEPLAC  (Comissão Executiva do Plano Lavoura Cacaueira) para pesquisa e extensão rural focada a garantir a produção agroecológica camponesa em Rondônia 

Ceplac mantém Centro Experimental de produção de cacau
sem uso de veneno em Ouro Preto do Oeste RO. foto divulgação.

Vejam na íntegra a carta da Via Campesina: 

Ao Sr. Superintendente CEPLAC/SUERO: Cacildo Viana 
Ao Sr. Coordenador de Pesquisa Dr. Caio Marcio 
Ao Sr. Coordenador da Extensão Rural: Alberto Quincas 

Com base em nossas analises quanto Via Campesina (MPA, MST, MAB, CPT), percebemos que a hegemonia do agronegócio segue crescendo no estado de Rondônia. Tendo como base os monocultivos, concentrações de terras, uso ostensivo de agrotóxicos e padronização de algumas culturas, utilizando técnicas convencionais que configura uma agricultura dependente e refém de empresas privadas, cujas são empresas nacionais e internacionais que têm como base para sua estratégia a acumulação de lucro independente de qualquer circunstância social e ambiental. 
A Via Campesina do Estado de Rondônia tem como base a articulação nacional e internacional, atuando nos principais temas de interesse da Sociedade, fazendo denuncia da fome no mundo, dos agrotóxicos (a média de agrotóxicos por habitante e alarmante, chega a uma média de 5,2 litros, causando intoxicação crônica e aguda, entre as doenças mais prováveis esta o câncer que cresce a cada dia no estado de Rondônia), sementes transgênicas, multinacionais, violência contra as mulheres, extermínio da juventude, agronegócio, agromineração, hidronegocio, deserto verde e outros grandes temas de interesse da sociedade, entendendo que estes fatores e projetos são frutos de uma sociedade capitalista dividida entre a classe dominante e a classe dominada. 
Além da denuncia a via campesina anuncia que outro projeto de sociedade é possível, com base na Reforma Agrária, Soberania Alimentar, sementes como patrimônio dos povos, soberania energética, Educação Publica de qualidade que abrange todos os níveis do conhecimento para o campo e a cidade, Saúde publica de qualidade calcada na prevenção e no fornecimento de tratamento direto de acordo com a necessidade e nova matriz produtiva com base na agroecologia. 
Com base nesta constatação, a Via Campesina aponta que, para construir as bases no sistema de produção agroecológica, os camponeses e as camponesas têm um papel fundamental, mas os órgãos públicos de pesquisa e extensão rural têm uma função importante para garantir a produção agroecologica. Neste sentido, a Via Campesina vem a publico apoiar a Missão da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC) que é, “Promover o desenvolvimento rural sustentável das regiões produtoras de cacau no Brasil”. Sendo a região amazônica o berço do cacau, não vamos abrir mão deste alimento (cacau) produzido dentro das linhas agroecológicas, onde garante o trabalho no campo para toda a família, permite organizar agroindústria, preserva o ambiente e gera renda monetária, compreendendo que a riqueza da lavoura cacaueira nos sistemas agroecológicos amazônicos vai além do cacau, pois inclui milhares de outras espécies frutíferas e não frutíferas possíveis em lavouras cacaueiras com a base tecnológica de produção sustentável. 
Para fortalecer esta missão, a via campesina entende que a CEPLAC só cumpre o papel para a agricultura Camponesa e Familiar se direcionar seus melhores técnicos para ajudar a construir este sistema de produção. Garantindo assim as seguintes linhas de atuação: 
  • 1) Elaborar Projetos nas linhas já existentes da agroecologia; 
  • 2) Aprofundar conhecimentos técnicos com base na agroecologia nas áreas experimental e nas lavouras existentes nas comunidades camponesas; 
  • 3) Implantar em parceria com as comunidades novas sistema produtivo em área entre 0,5 a 3 hectares de cacau articulado em grupos comunitários/grupos de bases, visualizando projeto integrado com agroindústria gestado pela comunidade/grupo de base; 
  • 4) Contratar novos técnicos de acordo com as demandas para atuar na agricultura camponesa familiar; 
  • 5) Realizar recuperação de mata ciliar e proteção de fontes de água com utilização de plantio consorciado de cacau e outras culturas afins.
A via campesina alerta e condena a pratica de funcionários nos órgãos públicos que estimulam o “agronegocinho” (direcionando os projetos somente para pecuária, peixes, ou seja, o que o mercado pauta como viável, e ou dentro de cadeias produtivas) associado ao discurso da agricultura familiar, forçando uma produção onde as famílias serão escravizadas e os lucros ficarão nas casas agropecuárias, nas empresas processadoras e compradora de cacau, não conseguem ajudar a construir propostas alternativas e autônomas, grupos e/ou familiares. Resultado disto será um campo contaminado, natureza destruída, campesinato empobrecido, cidades superlotadas e miseráveis. 

Globalizemos a Luta, Globalizemos a Esperança!
Junho/2014 Via Campesina – RO

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