sexta-feira, 9 de maio de 2014

A defesa da agroecologia, da agricultura familiar e a disputa eleitoral de 2014


 - Por Itamar Ferreira*
Em Rondônia o tema da agroecologia, assim como a agricultura familiar como um todo, é praticamente ignorado pelo governo do Estado e os órgãos governamentais". 
Agroecologia se refere ao sistema natural de produção de cada local, envolvendo o solo, o clima, os seres vivos, bem como as inter-relações entre esses três componentes. Por essa razão, a agroecologia depende muito da sabedoria de cada agricultor desenvolvida a partir de suas experiências e observações locais". Segundo a pesquisadora Ana Maria Primavesi.
A agroecologia propõe uma mudança radical na forma de produção de alimentos, buscando produzir com a natureza e não contra ela, como faz a agricultura tradicional e, especialmente, o agronegócio, que faz uso intensivo de agrotóxicos e de grandes áreas de terras, muitas vezes inviabilizando a agricultura familiar em geral e a agroecologia em particular.

A agroecologia apesar de parecer uma palavra relativamente nova foi utilizada pela primeira vez em 1.928 pelo agrônomo russo Basil Bensin e é objeto de estudo no Brasil de um grande número pesquisadores, universidades e entidades nas últimas décadas. É a produção de alimentos ecologicamente sustentável, sem o uso de venenos e garantindo a permanência das famílias de agricultores no campo.

Em Rondônia o tema da agroecologia, assim como a agricultura familiar como um todo, é praticamente ignorado pelo governo do Estado e os órgãos governamentais como Seagri, emater, Embrapa e Ceplac; setores do governo que hoje estão completamente dominados pela visão exclusiva do agronegócio, em franca expansão.

Um exemplo do descaso governamental é que neste momento está sendo organizado um grande evento denominado "Vitrine Tecnológica", que acontecerá durante a 3ª Rondônia Rural Show que será realizada de 24 a 26 de maio, no Parque de Exposições de Ji-Paraná. A atividade tem como principais parceiras grandes empresas que vende produtos agrícolas e agrotóxicos. Qual o espaço para agricultura familiar e para a agroecologia nesta "Vitrine"? Nenhum!

A produção agroecologia já está provada que é plenamente viável, há uma grande produção científica de conhecimento para isso, mas não desperta o interesse da nossa atual classe política, com honrosa exceções, a qual se dedica quase que exclusivamente aos interesses do agronegócio.
Este quadro mostra a necessidade da agricultura familiar e dos trabalhadores da cidade, que precisam de alimentos abundantes e mais saudáveis, de debaterem os projetos políticos que estão na disputa eleitoral deste ano para presidência do Brasil, para o governo do Estado e de analisarem bem os candidatos à senadores, deputados federais e estaduais. Por mais conhecimento e boa vontade que exista no campo, sem um mudança no quadro político o avanço da agroecologia encontrará muitos obstáculos e dificuldades.

É preciso ampliar este debate para aumentar a consciência da sociedade para a importância do tema, organizar a produção e a comercialização, investir em infra-estrutura, provocar mudanças no ensino, pesquisa e na extensão rural. Outro ponto fundamental é eleger parlamentares que promovam mudança na legislação para proteger e promover a agricultura familiar, a produção ecológica e a Reforma Agrária.

* Itamar Ferreira: bancário, sindicalista, foi presidente do Sindicato dos Bancários de 1996 a 2005, é presidente da CUT-RO, formado em administração de empresas pela UNIR, acadêmico de direito do 6º período da FARO, membro do Diretório Estadual do PT e pré-candidato a deputado federal.

Fonte: rondonianews

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