segunda-feira, 28 de abril de 2014

“Cheia histórica” não é desastre natural.

O PAD (Processo de Articulação e Diálogo), organização formada por diversas ongs e movimento sociais do Brasil,  publicou nota sobre as enchentes do Madeira denunciando a responsabilidade dos "mega projetos" do governo na região. 

Casa após alagação em Abuná (Porto Velho) na BR 364. foto cpt ro

A responsabilidade das hidrelétricas nas enchentes de Rondônia

“Cheia histórica” não é desastre natural. PAD afirma sua solidariedade aos atingidos e cobra ações que revertam as violações de direitos cometidas pelos mega projetos na região. Leia nota pública divulgada pelo PAD.
As enchentes em Rondônia não acontecem apenas em função de causas naturais. O histórico nível das águas do Rio Madeira está intimamente relacionada com os impactos dos megaprojetos hidrelétricos que vem sendo realizados na região. Enquanto a tragédia toma proporções desumanas, as suas causas reais seguem invisíveis e as consequências não são divulgadas pelos órgãos oficiais e de imprensa. 
Segundo o Movimento dos Atingidos por Barragens, são mais de 5.000 famílias atingidas, mais de 100 mil pessoas sem acesso a água potável, 12 bairros de Porto Velho e mais de 50 comunidades ao longo do rio Madeira, incluindo os municípios de Nova Mamoré e Guajará-Mirim. 
Estas famílias atingidas estão sofrendo com a perda de suas terras, moradias, produção, utensílios de trabalho, equipamentos e demais pertences. 

Estrada BR-425 alagada no Rio Araras, antes da alagação começar em Guajará Mirim.
A maior parte das famílias se deslocou para casas de amigos e parentes, e mesmo aqueles que foram para abrigos foram assistidos principalmente com a solidariedade da população, do que pelo poder público. 
Os atingidos pela enchente não têm recebido assistência e estão muitas vezes sem alimentação, água potável, saúde e educação, transporte e local adequado de habitação.

Hidrelétricas e violações de direitos
As Usinas de Santo Antônio e Jirau, construídas na região, demandaram investimentos de 16 bilhões e 17,3 bilhões, respectivamente. A maior parte do recurso é de origem pública (via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES). Em lugar de beneficiar a população, estes investimentos tornaram muito piores as condições de vida no local, criando situações de gravíssima vulnerabilidade. 

Privados de seus pertences e casas e tendo seus direitos mais básicos violados, a população se encontra sem assistência e sem alternativas, sendo reassentada em abrigos precários e sem a recomposição da capacidade de trabalho e geração de renda. A maior parte do apoio dado aos atingidos vem da solidariedade da população. 
Diariamente, aumenta o número de atingidos, e as previsões meteorológicas indicam a continuidade das chuvas. Já são pelo menos 63 casos de suspeita de leptospirose, sendo 17 já confirmados. A contaminação da água também provoca a deterioração da vegetação submersa, a mortandade de animais e a mistura das águas com as fossas e esgotos, cemitérios e lixões.

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