quinta-feira, 6 de março de 2014

Guajará Mirim poderia ser abastecida pelo Rio Guaporé

O Rio Araras, em Nova Mamoré, quando ainda passavam carretas. foto internet

A Usina de Jirau deve ser responsabilizada pelo desabastecimento de Guajará Mirim.
Ninguém lembra que a alagação do Rio Araras na BR 425 aconteceu antes que a cidade de Guajará Mirim começasse a ser alagada.As grandes alagações do Mamoré jamais tinham cortado a BR 425. O isolamento de Nova Mamoré e Guajrá Mirim é clara consequência do desbordamento do reservatório da Usina de Jirau. Por tanto, responsabilidade do empreendimento, por falta de previsão e de preparação para uma cheia como esta, provocando o agravamento da situação. A Globo e tantos informantes falam das alagações do Madeira e esquecem das usinas: Elas que devem ser cobradas neste momento! Se conseguem evitar uma tragédia, podem dar graças a Deus, e não aos estudos dos seus engenheiros, que se revelaram insuficientes para dizer até onde as águas iam chegar.

Enquanto reclamam de desabastecimento, fecham a única rota terrestre existente. 
MPF de Rondônia publicou nova nota reiterando existir ordem judicial contra esta possibilidade e a necessidade de obedecer as determinações da justiça.
O prefeito de Nova Mamoré insiste que a rota do Parque é a unica possível para abastecer Guajará Mirim e Nova Mamoré:  “Estamos com risco de desabastecimento de comida, de gás, de combustível e outros problemas. Não podemos continuar isolados e a estrada tem que ser aberta imediatamente”, disse Laerte. 
Enquanto o pessoal do seu distrito de Nova Dimensão (onde Laertes é proprietário duma serraria de madeira) por segunda vez bloqueiam a única rota terrestre de Guajará Mirim, pela Linha 29 C e União Bandeirantes, em protesto pela retirada das máquinas que pretendiam abir a rota de Buritis, passando pelo Parque Estadual de Guajará Mirim.
Os comerciantes de Nova Mamoré pretendem fechar as lojas e convocar a população a se manifestar, cansados de ser massa de manobra. A indignação é lógica, porém, porque não responsabilizam as usinas? Nova Mamoré foi consultada sobre a construção da barragem de Jirau? A população de Nova Mamoré (que já está cheia de engenheiros) irá apoiar uma terceira barragem no Ribeirão?
Poucos políticos cobram responsabilidades do governo federal e das construtoras: .“Não adianta culpar os Andes porque a responsabilidade é de todos os envolvidos nessa construção” (Amir Lando).
População deverá ser consultada novamente sobre aumento de cota de Santo Antônio. 
Por outro lado, em nova vitória do MPF de Rondônia, a justiça determinou por segunda vez (ver abaixo) a realização de novas consultas públicas antes de aprovar aumento da cota de reservatório da Usina de Santo Antônio. 
Tal vez agora os quilombolas e o povo do Guaporé (e também o povo de Guajará Mirim) possam se manifestar sobre o que acham das usinas. Em Costa Marques sempre temeram que as barragens iam piorar águas acima as alagações do rio. Tentaram fazer uma audiência pública antes da construção das barragens e não conseguiram. A justiça agora reconhece o direito do povo a se manifestar:

"ANTE O EXPOSTO, DEFIRO o pedido liminar para determinar ao IBAMA que se abstenha de conceder qualquer tipo de autorização capaz de permitir que a Usina de Santo Antônio eleve o nível de seu reservatório, até que a sociedade possivelmente atingida pela alteração da cota do reservatório do empreendimento tenha oportunidade de participar de uma nova audiência pública em suas respectivas localidades." ACP 13395720144014100

Diante da situação atual, alguém com mínima responsabilidade vai apoiar novo aumento dos reservatórios?

o Rio Guaporé nas proximidades da comunidade quilombola de Pedras Negras. foto cpt ro

Afinal, porque a Defesa Civil não abastece Guajará Mirim por via fluvial? 
Se a Br 425 está alagada pelo reservatório da Usina de Jirau. Se a estrada pela Linha 29/União Bandeirantes é precária. E abrir a estrada de Buritis é ilegal... 
Porque não usam o Rio Guaporé e Mamoré para abastecer Guajará Mirim? A BR 429 tem alguma ponte em situação crítica, porém hoje está toda asfaltada. De Guajará Mirim a Costa Marques, arredor de 500 km., é totalmente navegável nesta época, descendo o Rio Guaporé e Mamoré.  
Se o combustível de Rondônia está chegando de Cuiabá pela Br 364 (por isso justificam o aumento de preços em toda Rondônia). Seria mais perto e econômico. Barcos para combustível não faltam em Guayará Mirim, na Bolívia. Água também não falta!





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