domingo, 23 de fevereiro de 2014

Governo manda desligar 11 turbinas de Santo Antônio

1.600 famílias atingidas até o sábado pelas alagações do Madeira.
O nível do Rio Madeira, aferido às 11 horas deste sábado, atingiu a cota de 18,22 metros, com mais de 1,6 mil famílias retiradas de suas casas em Porto Velho e nos 14 distritos da capital atingidos, informou o tenente do Corpo de Bombeiros José Constantino. "Esse número de famílias pode aumentar a qualquer momento, pois nós somos solicitados a socorrer pessoas em todos os bairros da capital.", disse o tenente. O Ministério Público de Rondônia deu prazo para que as usinas se posicionem . (G1)

Comportas da Usina de Santo Antônio. Foto Santiago Caverna / G1
Governo mandou desligar 11 turbinas de Santo Antônio.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) ordenou que Usina Hidrelétrica (UHE) Santo Antônio, construída no Rio Madeira, em Porto Velho, desligue 11 das 24 turbinas em atividade, por conta da cheia histórica do rio que já atingia, na sexta-feira (21.2.14), a cota de 18,02 metros. A medida é procedimento padrão de segurança amparada pelo Plano de Prevenção de Controle de Cheia, segundo o ONS, permitindo que a água passe pelos vertedouros da usina sem gerar energia. Procurada pelo G1, a usina não se pronunciou sobre o caso.
Segundo informação do ONS, o volume de água do Rio Madeira, conhecido como vazão, está muito elevado e, como medida de segurança, foi ordenado o desligamento das 11 turbinas.
A Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais (CPRM) explicou ao G1 que quando a água passa pelas turbinas (vertedouros) durante a geração de energia, ela chega numa velocidade e ao sair fica mais forte gerando os banzeiros (ondas formadas pela força da correnteza do rio). “A água, de fato, sai mais forte dos vertedouros, mas até que ponto ela consegue se estabilizar isso nós não podemos dizer”, afirma Francisco de Assis dos Reis Barbosa, engenheiro hidrólogo do CPRM.
Muitos moradores de Porto Velho, principalmente das regiões ribeirinhas, atribuem a cheia, o volume de água e o aumento da força dos banzeiros à abertura das comportas das usinas no Rio Madeira. No entanto, a CPRM diz que este é um fenômeno natural e está sendo monitorado diariamente.
O religamento será feito conforme o comportamento e redução do nível do rio. Com o desligamento não haverá geração de energia e a água deverá passar da mesma forma que chega até a UHE Santo Antônio, explica o órgão.
Esta é considerada a marca histórica do nível do rio, que há 30 dias, não apresenta sinal de estabilização ou diminuição da cota, que aumentou 45 centímetros em menos de uma semana. De acordo com a Sala de Gerenciamento de Crise, formada pela Defesa Civil Estadual e Municipal, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Aeronáutica, Polícia Rodoviária Federal, Exército, Sistema de Proteção da Amazônia e Ministério Público Estadual, 1.336 famílias foram retiradas de suas casas em Porto Velho e em 14 distritos da capital, sendo 958 desalojadas e 378 desabrigadas. 
A BR-364, única via de acesso ao Acre, está interditada, inclusive para carretas que fazem o transporte de gêneros alimentícios, gás de cozinha e combustíveis desde Porto Velho até o Estado do Acre.

Sexta feira 21 ainda conseguiam passar carros altos pela BR 364. foto internet

Balsa vai atravessar trecho alagado de Mutum
Uma das três balsas que fazem a travessia sobre o Rio Abunã, distante cerca de 230 quilômetros da Porto Velho, será recuada para a comunidade Velha Mutum, na BR-364, que permanece interditada por determinação do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre e PRF (Polícia Rodoviária Federal). A balsa, de acordo com o inspetor João Bosco Ribeiro, da PRF, será deslocada em 70 quilômetros, no sentido Porto Velho, onde o transbordamento do Rio Madeira provoca uma lâmina de água acima de meio metro. “Alimentos, gás e combustíveis são prioridade máxima nesta travessia improvisada”, informou o inspetor. A cheia histórica do Rio Madeira que já atingiu a marca recorde de 18,22 metros, e desabrigou mais de 1,6 mil famílias em Porto Velho e mais 14 distritos.
A decisão foi tomada pela Sala de Gerenciamento de Crise, composta por vários órgãos públicos, como medida emergencial para evitar o desabastecimento total no Estado do Acre. Ele informa que houve momentos que, nesse trecho, caminhonetes ainda conseguiam transpor os cerca de mil metros inundados. Porém, "nem mesmo caminhões e carretas conseguem vencer a forte correnteza". O recuo da balsa deve ocorrer imediatamente, com operação iniciando já neste domingo. O Exército vai auxiliar na preparação de portos alternativos de atracamento.

Fonte G1 21/2/14

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