segunda-feira, 25 de novembro de 2013

MAIS ATAQUES AS ESCOLAS NO CAMPO EM CACOAL.


Poderia aqui estar falando de diversas coisas, como o ataque de bandidos que furtam e depredam alguma escola. Mas não! Falo de governos que roubam descaradamente e negam o direito a uma educação do campo e no campo para jovens e crianças.
Falo aqui do uso de argumentos meramente economissistas e que atentam contra a permanência das escolas rurais, desrespeitam o direito garantido na Constituição Federal que coloca a Educação como dever do Estado e direito de todos, desrespeita resoluções e pareceres do Conselho Nacional de Educação, e a própria LDB.

O fechamento de escolas no campo deveria ser crime quando a LDB define que para o atendimento da população do campo, adaptações as peculiaridades da vida rural de cada região, com orientações referentes a conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessecidades e interesses dos estudantes da zona rural; organização escolar própria, incluindo adequações do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas; e adquações à natureza de trabalho na Zona Rural. Mesmo frente a essas definições que para nós representam as diversas possibilidades de adequação do ensino no campo para atendimento das reais necessidades das comunidades camponesas, vem a interpretação de que em nome de ter alunos nas escolas e diploma em mãos, vale retroceder.
Mesmo que o nome seja Ensino Médio Presencial com Mediação Tecnológica, essa tecnologia, para as organizações sociais do campo, representam na verdade um retrocesso no processo de aprendizagem. A população camponesa já criou, gestou e manteve durante anos experiências exitosas de escolas camponesas, provando que um modelo de ensino voltado para o campo é possível e viável. Um desses o modelo conhecido como EFAs que continua abandonado, ao descaso dos governos, que escolhem retroagir e oferecer o que de pior teria para a educação. Mediação Tecnológica em lugares onde a tecnologia terá sérios problemas de acesso e manutenção.

Professores também são pegos de surpresa, pais e alunos desconhecem o projeto. Que adequação a realidade é essa, que as pessoas que fazem parte dessa realidade não propusseram, não discutiram, não participaram? Mais um projeto que dizem ser bom e querem empurrar de guela abaixo!
Os jovens estudantes, principais interessados no projeto de educação para o campo, também não participaram de sua formulação, e agora ficam sujeitos as ilusões tecnológicas plantadas por quem muito lucrará com elas. Já para o povo resta a precarização da precária educação oferecida no campo.


Cabe ao povo dizer não! Movimentos sociais do campo, com ampla base e representatividade já se manifestaram dizendo que não, esse projeto não atende ao projeto de educação do campo que queremos e precisamos. Os índigenas foram os primeiros a se recusar a participar de tal projeto.
Resta-nos o direito de resistência! Resta-nos gritar a esse governo que aqui se faz o que o povo quer e não o que o governo determina. Resta-nos unir forças: jovens, pais, professores, e todos que sabem a importância da educação do e no campo, dizer não! Dizer basta há um projeto intransigente e que desrespeita o modo de vida camponês.

É hora também de apresentar as contra-propostas, dizendo o que realmente queremos para a educação do campo, e certamente não é Ensino Presencial com Mediação Tecnológica. Para dizer não a esse projeto em todos os municípios corre um abaixo-assinado.
Em Cacoal mais uma onda de ataques as escolas do campo se iniciam, novamente virão tentar fechar as escolas que são referência e parte da identidade das populações camponesas. Agora tentam culpar diretores e o pequeno número de alunos em algumas escolas. Para não assustar o tubarão quer pegar peixinho por peixinho, começa intimidando um a um, de diretores a pais, iludem-se aqueles que pensarem que o fechamento de uma escola não é problema seu!

Existem sim culpados, e estiveram ocupando cargos políticos no presente e no passado e negligenciando o ensino, realidade e necessidade camponesa. Não culpem o povo ou funcionários públicos, se os governos optaram por sermos o país do futebol e do carnaval, porém não o país da educação.

Uma vez os pais já disseram não as propostas de fechamento de escolas, mais uma vez é necessário dizer não! A escola no campo representa um referencial para toda a comunidade local, significa o ponto de encontro de convergência de interesses e ações.
Não é de se admirar que queiram fechar as escolas, existem interesses muito mais escusos e diabólicos, se pretendem transformar o país em um grande curral para o gado, ou em grandes campos de plantações de soja, milho e algodão, é natural que queiram esvaziar o campo, espulsar por falta de alternativa quem produz os alimentos que vão a mesa. Quando restar o que eles querem, não sei se valerá a pena viver neste que por enquanto é o único mundo que temos para viver... Nesse caso sigamos resistindo, lutando... porque a nossa luta é por justiça!
Liliana W. A.

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