quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Diálogo sobre Educação do Campo com governo estadual




Secretário se reúne com representantes de trabalhadores para discutir educação à distância no campo

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Rondônia (FETAGRO), representada pelos diretores Fabio Menezes (presidente) e Ailton Santos (secretário de Juventude), garantiu na manhã desta segunda-feira (14) a criação de um Grupo de Trabalho para debater e planejar ações que resultem numa educação do campo de qualidade, a ser oferecida pelo governo estadual, após reunião com o novo secretário estadual de educação Emerson Castro.  O Grupo de Trabalho será constituído por representantes dos movimentos sociais do campo e organizações parceiras e da Secretaria de Estado de Educação (Seduc).  
A reunião teve o objetivo de discutir a atual situação da educação do campo no estado de Rondônia, principalmente quanto a proposta do governo estadual de implantar o Projeto de Ensino Médio com Mediação Tecnológica nas escolas rurais. Foram apresentadas ao novo secretário as reivindicações e propostas da classe camponesa para a educação do campo e reforçado o repúdio da categoria ao Projeto. Um grupo formado por movimentos sociais do campo e organizações parceiras, denominado Articulação Estadual pela Educação do Campo, tem atuado por uma educação do campo referenciada e de qualidade. 

Constituem o grupo a FETAGRO, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Movimentos dos Pequenos Agricultores (MPA), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Projeto Padre Ezequiel, Associação das Escolas Família Agrícolas (Aefaro), coletivo de professores da Universidade Federal de Rondônia (Unir) e um núcleo de pesquisadores. 



O presidente da FETAGRO reportou ao novo secretário a preocupação dos representantes  do campo em relação à proposta de implantar o Projeto de Mediação tecnológica por este ser fundamentado no método de ensino à distância, onde as  aulas são ministradas por videoconferências. Disse que esse método não é adequado para implementação da educação do campo, que é fundamentada principalmente na relação educador, educando e comunidade. Ainda de acordo com o dirigente esse método padronizado de ensino continuará mantendo a educação oferecida desvinculada da realidade social do campo; e ressaltou que o atual modelo de educação aplicado tem contribuído de forma considerável para o êxodo rural. “A educação tem que estar contextualizada com a realidade do campo e contribuir para uma transformação positiva da realidade. O ensino aplicado atualmente induz o educando, filho de agricultor familiar, a não querer continuar no campo”, observou.
As representações ressaltaram que o campo tem um projeto de educação do campo concernente e exitoso que é a Pedagogia da Alternância, desenvolvido pelas Escolas Família Agrícola; e que mereceria maior reconhecimento e valorização do governo. Eles compreendem que oferecer um processo de formação e qualificação de professores, construir um currículo da educação do campo, projetar escolas com infraestrutura, logística e contratar educadores para as áreas atendidas estaria mais coerente com a implantação de uma educação de qualidade.
O secretário Emerson Castro disse que irá ampliar o diálogo com os movimentos sociais e aprovou (ou concordou) com a criação do Grupo de Trabalho, além de se comprometer em respeitar e analisar as propostas que virão do campo.
A FETAGRO se comprometeu em, junto com os demais movimentos sociais, elaborar uma contraproposta para educação do campo, tendo como modelo pedagógico a Pedagogia da Alternância. Adiantou que também irá apresentar uma proposta para formação de professores e de realização de concurso público específico para o campo, ambas as ações em parceria com a Universidade federal de Rondônia (Unir). O presidente da entidade avaliou a reunião de forma positiva, principalmente por ter sido aberto o diálogo com a Seduc.
Também participaram as reunião o presidente da Associação das Escolas de Família Agrícola (Aefaro), Reginaldo Rodrigues da Silva; da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Itamar Ferreira; do vice presidente da Central, José Cícero; do secretário adjunto da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), Adílson Júlio; e da coordenadora de regularização fundiária da Seagri, Edinéia Gusmão.
Articulação do campo 
Articulação Estadual pela Educação do Campo tem atuado por uma educação do campo referenciada e de qualidade. Reuniões e seminários têm servido de espaços de debate. Também tem manifestado sua indignação a atual situação da educação do campo no estado de Rondônia, e repúdio a proposta do governo estadual de implantar o Projeto de Ensino Médio com Mediação Tecnológica que, segundo eles, é contraditório às diretrizes operacionais da educação do campo. Uma Nota de Repudio foi emitida no mês de Julho, logo após a realização de audiência pública para tratar do tema, para a qual os representantes do campo não foram informados e/ou convidados. Eles repudiam a implantação do Projeto, uma vez que, para os mesmos, a proposta é: uma medida paliativa para mascarar os verdadeiros problemas estruturais da Educação em Rondônia; fecha postos de trabalho já que os professores serão substituídos por televisores; fere o princípio do respeito à diversidade, pois desconsidera as diferenças culturais, regionais e a sociobiodiversidade amazônica; não permite interação entre educador e educando; além de desconsidera as constantes falhas na telecomunicação no país. O projeto também é rejeitado pelos povos indígenas.
O grupo tem intensificado o debate sobre a questão, participando nos espaços possíveis de diálogo. Como próximas ações, o grupo confirma que irá participar e se posicionar durante a realização da Conferência Estadual de Educação; realizará uma mobilização mais forte para impedir a implantação desse projeto.  


EFAs 

Na oportunidade, também foi discutido sobre a situação das Escolas Família Agrícola (EFAs) que aguardam cumprimento da Lei nº 2688, de 15 de março de 2012, por parte do governo do estado, que estabelece aporte financeiro às instituições. A Lei foi regulamentada por um decreto de outubro daquele ano, define bolsa no valor de R$ 300 por aluno mês, mas que não vem sendo cumprida ainda.  Durante as negociações do Grito da Terra Estadual 2013, em agosto, o governo do estado se comprometeu em repassar os recursos até o dia 15 deste mês. Mas o secretário Emerson não confirmou a efetivação do repasse para a data acordada. Disse que será preciso reunir-se com o governador Confúcio Moura e acordou em dar uma resposta até o final desta semana. 


 Fontye: Luciane Machado/ FETAGRO

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