sexta-feira, 20 de setembro de 2013

CPT RO REALIZA OFICINA SOBRE TRABALHO ESCRAVO E AGROECOLOGIA EM CHUPINGUAIA-RO

Equipe de agentes da CPT RO realiza oficina em Chupinguaia sobre Trabalho Escravo e Agroecologia.



CHUPINGUAIA, 25 DE AGOSTO DE 20013.
A associação Barro Branco está localizada no município de Chupinguaia, e surgiu da necessidade da organização para lutar pela terra na qual alguns viviam a mais de 10 anos. 
No dia 25 de agosto de 2013 a equipe da CPT/RO, esteve junto a comunidade para acompanhar a realidade que vem sendo enfrentada pela associação e o andamento da luta pela terra, assim como fortalecer e animar o grupo na caminhada.
Sabendo da realidade enfrentada por Chupinguaia em relação ao Trabalho Escravo Contemporâneo, tendo 11 pessoas resgatadas em abril deste ano, no trabalho de aplicação de agrotóxicos, e também com base nos relatos da comunidade que evidenciam a existência da prática de exploração na região, A CPT, através da Campanha Nacional De Olho Aberto Para Não Virar escravo, vem trazer informações para a comunidade que permitam identificar e denunciar a ocorrência de escravidão na região.



Como em outros momentos, surgem depoimentos de pessoas que já passaram pela situação de trabalho análogo a de escravo. É o relato de quem perdeu uma das vistas num acidente de trabalho que realizava em situação suspeita e sem carteira de trabalho assinada, e a frustração de nunca ter tido assistência do empregador nem reparação do dano, mesmo tendo ingressado na justiça do trabalho.
O objetivo é que as comunidades se sintam parte no enfrentamento da escravidão moderna, e criem ações de resistência, levando informação aos demais trabalhadores, muitas vezes sujeitados a escravidão. É importante perceber que cada ação por menor que seja, pode representar um avanço no combate a escravidão, e que esta tem persistido, sustentada pela miséria de uns, ganância de outros, impunidade aos escravagistas, e indiferença da sociedade.
Após aprovação da PEC 438 na câmara de Deputados, aguardamos a votação no Senado federal, na certeza, de que a desapropriação de propriedades onde for constatado trabalho escravo significa um passo a mais, e uma certeza: Terra para quem nela vive e trabalha, e não para quem explora.


Chupinguaia 25-13-2013 TE (1).JPGA lista suja do trabalho escravo, também pode estar sendo consultada no site do MTE, lá constam os nomes dos empregadores flagrados utilizando trabalho escravo.
Percebe-se que a população não confia no poder judiciário, e na maioria das vezes tem medo de recorrer a este, porque muitas vezes a agressão vem da inércia, ou da ação do estado no sentido de criminalizar e marginalizar a população camponesa sem terra.
Para Além da luta pela terra, a CPT é consciente ao entender que é preciso discutir a permanência na terra com dignidade e sustentabilidade, por isso tem levado até as comunidades palestras sobre a agroecologia, um modo de vida e de produção sem a utilização de agrotóxicos.
Para a maior parte dos presentes este foi o primeiro contato com o tema, mas que deixa uma certeza: um outro modelo de produção é possível, sem uso de agrotóxicos e de insumos químicos, baseado no respeito a natureza e ao equilíbrio ecológico.
Trabalhando há anos com a Homeopatia, humana, animal e vegetal, Henrique expõe aos agricultores algumas experiências em agroecologia, e com base na observação do local, identificação de solo, plantas nativas etc, vai apresentando prática simples, que podem favorecer a produção no local.
Também é apresentado aos agricultores presentes alguns vídeos com experiências de produção agroecológica no estado de Rondônia que confirmam a viabilidade econômica, social e ambiental desse modelo de produção, proporcionando qualidade de vida e sustentabilidade para gerações de agricultores.

A CPT, nascida em 1975 numa assembléia da CNBB, existe com o propósito de ser presença nos focos de conflito e estar ao lado dos camponeses na sua luta por terra, por dignidade e por direitos. E dentro dessa perspectiva a caminhada continua, e que a luta se fortaleça na certeza de que é justa e necessária, e que um dia esse povo sofrido vai brindar a vitória.
Liliana W. A. dos Santos - pela equipe


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