sábado, 13 de julho de 2013

Famílias acampam frente escritório da Santo Antônio Energia.

Morador4es do PA Joana d' Arc acampados no escritório da empresa santo Antônio energia.
foto Ivanete Damasceno/G1

Cerca de 150 famílias do assentamento Joana D'Arc estão acampadas em frente a sede do escritório da Santo Antônio Energia em Porto Velho. As famílias reivindicam que sejam recebidos por representantes do consórcio construtor da usina, no Rio Madeira, para tratar sobre indenização aos moradores. De acordo com um dos representantes do assentamento, Romildo Ferreira, as famílias estão sendo prejudicadas por conta da área de influência da usina. A Santo Antônio Energia afirma que todas as indenizações já foram realizadas aos moradores do Joana D'Arc.

O assentamento fica distante cerca de 120 quilômetros de Porto Velho. Segundo Romildo, a produção dos agricultores reduziu drasticamente. “Aparecem onças, cobras em nossos quintais que comem os animais. As plantas estão morrendo porque está tudo encharcado”, frisa Romildo. O morador ressalta que o Superintendência Regional do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já conseguiu um novo local aos moradores. "Mas o Incra só dá a terra. Como fica toda a nossa vida? Casa, plantas e outras coisas", diz Romildo.

Moradora do local há 12 anos, a agricultora Ana Rita, de 52 anos, garante que a situação está muito difícil. Além de animais, como onças e cobras, que aparecem durante o dia no quintal dos moradores, há os mosquitos a noite. “Você quase não consegue dormir. A partir das 19h, nem abrir janela ou porta é possível, senão enche de carapanã”, diz a moradora.

Maria Caetano, de 48 anos, reclama que não consegue mais produzir cupuaçu, macaxeira e café que vendia para sustentar a família. “Como não temos produção, a gente tem que vir na cidade fazer bicos. A casa fica sozinha, mas é como conseguimos comprar nossas comidas”, garante Maria.

O agricultor Francisco Pereira da Silva, de 55 anos, diz que mora há 13 anos no local. Francisco cultivava feijão, milho, macaxeira e banana. Ele conta que precisa da ajuda dos amigos para conseguir algum trabalho temporário. "Volta e meia alguém me arruma uma coisa ou outra pra fazer, ai eu ganho R$ 50. Se não fosse isso, tava passando fome mesmo", afirma o agricultor.

De acordo com Luis Pires, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Porto Velho (STTR), os moradores participaram da mobilização sindical ocorrida na quinta-feira (11) e decidiram permanecer para tentar conversar com represetantes da usina,

De acordo com Carlos Hugo Araújo, diretor de sustentabilidade da Santo Antônio Energia, os problemas que existem no Joana D'Arc já existiam desde o ínicio do assentamento. "A Santo Antônio Energia indenizou 170 lotes, dos 1050 existentes no assentamento. Esses foram os afetados pela usina, mas os demais não estão em área de influência. Logo, não temos mais pauta para discutir com moradores do Joana D'Arc", explica Carlos Hugo que ressalta que os funcionários do escritório foram impedidos de entrar no prédio para trabalhar.

Atingidos do PA Joana d' Arc acampados frente a empresa Santo Antônio Energia. foto rondoniavivo

Veja nota divulgada pelos atingidos:
Santo Antônio Energia está massacrando centenas de famílias de agricultores

As Associações dos Agricultores do Projeto de Assentamento Joana D'arc APRUJODA, COMISSÃO DAS AGROVILAS, ASSTA e ACAJOD vem a publico denunciar que a Santo Antônio Energia, responsável pela construção da Usina de Santo Antônio no Rio Madeira, indenizou e a reassentou apenas uma parte das famílias atingidas pelos efeitos do lago da Usina, sendo que centenas de outras propriedades tornaram-se totalmente improdutivas devido ao afloramento do lençol freático, que também destrói todas as estradas vicinais, impedindo as crianças de ter acesso à escola; bem como, prejudicando seriamente os deslocamentos até Porto Velho.

Diante deste quadro caótico, em que os responsáveis pela Usina querem judicializar a questão para fugir de suas responsabilidades imediatas, certamente contando que tais processos vão durar anos na Justiça, famílias do Joana D'arc decidiram montar um acampamento em frente ao escritório da Santo Antônio Energia, que teve início nesta sexta-feira (12), sem prazo para ser interrompido, até que a empresa estabeleça negociações efetivas para tratar dos problemas criados por ela.

Os principais problemas criados pelo lago da Usina de Santo Antônio são os seguintes: 1) Presença anormal de animais selvagens ( onça, jacaré, etc.) nas proximidades das casas, gerando um clima de insegurança a integridade física das famílias; 2) Ataque de onças e outros animais à cachorros, gado, etc., gerando, além de insegurança, danos materiais; 3) Presença anormal de animais peçonhentos, como serpentes, aranhas, escorpião, etc. nas proximidades e interiores das residências, com frequentes ataques a animais domésticos; 4) Presença anormal de insetos, em especial mosquitos e pernilongos, diuturnamente, o que gera grande transtorno e insatisfação, no trabalho e nos momentos de descansos; 5) Desativação da Escola Ercília Bigair de Aguiar da Linha 17 e da escola da Linha 15, deixando dezenas de crianças sem aulas; 6) Dificuldade de transito, devido as péssimas condições das estradas, que tem vários pontos de alagamento; 7) Afetação da área de produção com elevação do lençol freático, gerando perda de produção, diminuição da área de pastagem e insegurança produtiva; 8) Transbordamento dos igarapés e afloramento do lençol freático, tornando o solo perenemente encharcado, inviabilizando definitivamente a permanência das famílias.

É necessário denunciar, ainda, que a recente autorização para que a Santo Antônio aumente em mais 70 cm o lago, irá agravar ainda mais a já dramática situação das famílias do Joana D'Arc; outra questão importante é: Porto Velho não vai receber compensações e indenizações adicionais com aumento do lago e da produção de energia, que aumentará ainda mais os impactos ambientais?

Diante do exposto, solicitamos o apoio da população de Porto Velho, tanto para nos ajudar a denunciar o problema e a cobrar das autoridades competentes as providências necessárias; quanto com doações de alimentos, colchões, água mineral, etc. Tal ajuda é necessária pois não estamos mais conseguindo produzir alimentos em nossas terras encharcadas. É importante ressaltar, que daqui a pouco a obra da usina termina, a empresa vai embora e o problema do Joana D'arc ficará para a sociedade de Porto Velho, pois seremos obrigados a mudar para a cidade, sem ter as mínimas condições para isso, agravando ainda mais os problemas urbanos, quando poderíamos estar produzindo alimentos para a Capital, como vínhamos fazendo há mais de uma década.

ASSOCIAÇÕES DO JOANA D'ARC

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