segunda-feira, 17 de junho de 2013

A Comissão Pastoral da Terra realiza ações na Diocese de Guajará-Mirim.

14 DE JUNHO DE 2013: ENCONTRO EM NOVA DIMENSÃO LINHA 28.

A CPT/RO, realizou um encontro na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, contando com a presença do Pe. Raimundo e agentes pastorais locais.
A paróquia de que se trata é uma paróquia nova, mas com grandes perspectivas para o trabalho pastoral.
A CPT se fez presente através da advogada Lenir Corrêa, as agentes Liliana Won Ancken e Ir. Rosanja, e o membro do conselho da CPT Adélio Trindade, com a proposta de estar apresentando as linhas de atuação, convidando para a Assembleia eletiva e apresentando a campanha contra o Trabalho Escravo. Além de ouvir a comunidade identificando suas necessidades e conhecendo melhor a realidade local, permitindo verificar as possibilidades de atuação da CPT.

Entre as dificuldades enfrentadas pela comunidade está a problemática da falta de documentação de suas Terras, e o uso desenfreado de agrotóxicos.
A comunidade também destaca que falta a estruturação das áreas de assentamento, visto que muitas famílias apesar de estarem em seu pedaço de chão encontram dificuldades de aceso ao crédito. Nem mesmo as DAPs têm sido emitidas, mesmo sendo requisito preliminar para acesso a qualquer tipo de financiamento rural. Essas são informações referentes ao assentamento que existe na região.


A realidade é que observamos uma “Reforma Agrária de fachada”, que não trás com o acesso a terra, os meios necessários para que o agricultor e sua família viva com dignidade.
Segundo a comunidade, a CPT pode ajudá-los realizando esclarecimentos sobre os direitos e deveres dos cidadãos frente aos órgãos públicos como o INCRA e o MP. Ao mesmo tempo que a comunidade precisa contribuir com o trabalho da CPT desempenhando esforços para que a CPT não faça um trabalho solitário, mas encontre auxílio nas comunidades e possa firmar trabalhos em conjunto.


O encontro realizado anima a caminhada da CPT, ao ponto que é necessário um trabalho em conjunto com as comunidades, e que encontramos uma paróquia desenvolvendo um trabalho exemplar no fortalecimento das pastorais.

Continua...
15 DE JUNHO DE 2013: VISITA A OCUPAÇÃO SERRA DO OURO EM NOVA MAMORÉ.
14 E 15 DE JUNHO DE 2013: VISITAS AS PARÓQUIAS.
16 DE JUNHO DE 2013: VISITA AO ACAMPAMENTO EGÍDIO BRUNETTO EM NOVA MUTÚN, DISTRITO DE PVH .

15 DE JUNHO DE 2013: VISITA A OCUPAÇÃO SERRA DO OURO EM NOVA MAMORÉ.

Esta ocupação do Serra do Ouro tem uma história de mais de cinco anos de luta pela conquista da Terra. Passou por momentos difíceis, mas pela persistência, se reergueu e hoje conta com mais de 30 famílias organizadas em Associação e dispostas a resistir até a conquista do seu pedaço de Chão. Algumas dessas famílias já moram na área, construíram suas casas, e se orgulham de sua plantação.
Estiveram no encontro a advogada Lenir Correia, a agente da área de conflitos- Petronila, as agentes na campanha contra o Trabalho Escravo- Liliana e Ir. Rosanja, além de lideranças que também compõe o conselho dessa comissão.

Dentre as finalidades do encontro, a de verificação da ocupação, levantamento de dados da realidade dos ocupantes da área, informações sobre as linhas de atuação da CPT, convite para a Assembleia eletiva da CPT, Campanha contra o Trabalho Escravo, e informações sobre o andamento do processo jurídico da área.

O encontro contou com a presença de mais de 40 pessoas entre mulheres, homens e crianças, e possibilitou vários debates e a participação da grande maioria dos presentes. Foi com cantos e depoimentos da vida dessas pessoas que o encontro tomou forma.
É interessante resaltar que outros tantos já passaram pelo acampamento, mas alguns não vão estar presentes para comemorar a conquista. Em um relato alguém conta que a mãe morreu nesse percurso enquanto esperava obter sua terra, outros desanimaram com a demora nos processos e a insegurança em que vivem, mas os que ali permanecem dizem com orgulho “estou aqui desde o começo, daqui eu não saio!
De um lado a convicção desse povo, e a injustiça nítida, enquanto um tem tanto outros não tem nada. Enquanto um faz da Terra instrumento de lucro, uns querem terra para morar, trabalhar, produzir alimentos e viver, cuidar da família. Foram essas as respostas do grupo quando perguntados “Terra para que”?
O grupo tem a compreensão de que a união é base fundamental para a conquista da Terra, e que nesse processo tem que formar parcerias, e cada um precisa dar a sua contribuição, cuidando e zelando da terra e tornando-a produtiva.


Segundo o grupo a CPT pode contribuir com orientações, cobrando dos órgãos competentes, e zelando pela integridade do grupo, e assessorando de acordo com suas linhas de atuação. Mas também fica esclarecido que a CPT oferece a assessoria que o grupo diz que é necessária, é preciso que o grupo aponte suas necessidades, tome suas decisões, e esteja organizado em torno dos seus objetivos. A associação é a cara de seus sócios, e nas palavras da Doutora Lenir “quem não luta pela terra não merece a Terra a conquistar”!



Após apresentados o trabalho proposto pela CPT, tanto esta,  como a comunidade entenderam por bem que a CPT volta para outro encontro com mais atividades. Certo é que a luta pela terra se fortalece a cada encontro como este, pois contribui na compreensão dos desafios a serem enfrentados, mas com uma certeza incontestável – A luta pela conquista da terra é uma luta justa! 

 14 E 15 DE JUNHO DE 2013: VISITAS AS PARÓQUIAS.

Acolhidos para pernoitar na Paróquia São Francisco de Assis tivemos a oportunidade de conversar com Pe. Patriky, deixando o convite para a assembleia da CPT e material de apresentação e divulgação da Campanha contra o Trabalho Escravo. Ao mesmo tempo colocando a CPT a disposição da Paróquia, e já orientando para a preparação de um encontro ainda esse ano.
Após estar no acampamento Serra do Ouro, os agentes da CPT seguiram até Guajará-Mirim onde na oportunidade esteve-se na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, deixando com Pe. Genivaldo o convite para a Assembleia da CPT e os materiais referentes ao Trabalho Escravo. Também acompanhamos uma reunião que contava com a advogada Letícia da Comissão Justiça e Paz de PVH, onde tratava-se da problemática habitacional no município.
São várias áreas de ocupação urbana espalhadas  por todo o município, cerca de 600 famílias em uma dessas áreas. O município ainda não possui um plano diretor, e temos que considerar que essas famílias entram num estágio de vulnerabilidade, onde mais facilmente caem na rede da Escravidão.
Fortalecer a relação da CPT enquanto pastoral social, com as Paróquias é um trabalho de fundamental importância com vista num melhor atendimento as bases.



16 DE JUNHO DE 2013: VISITA AO ACAMPAMENTO EGÍDIO BRUNETTO EM NOVA MUTUN, DISTRITO DE PVH .




O Acampamento Egídio Brunetto conta hoje com cerca de 90 famílias acampadas a espera de um pedaço de terra. Não diferente de outros acampamentos do MST, muito bem organizado, e com um povo acolhedor.
A CPT, esteve visitando o acampamento, fornecendo os materiais da campanha contra o trabalho escravo, e socializando a caminhada com os acampados.






No acampamento é impossível não reparar: onde havia capim e restou um solo ressecado, ainda assim as plantinhas brotando, outras produzindo. São pequenas hortas ao redor de cada barraco.
Alguns ainda tem a ousadia de perguntar para que esse povo quer terra?  Muitos são agricultores que sempre trabalharam na terra dos outros, mas agora querem seu pedaço de chão, e querem cultivar a terra, trabalhar e tirar dela o pão de cada dia. Não estão em cima de uma área definitiva, mas sabem muito bem qual a função da terra, como diz a melodia do cantador popular e coordenador da CPT Zé Pinto: “onde pisava o boi, agora é feijão e arroz”...









A bandeira vermelha está erguida, sob o sol escaldante, mas diante de um povo guerreiro!


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