quarta-feira, 1 de maio de 2013

CPT Acre lança caderno conflitos 2012

Capa do Caderno de Conflitos no Campo Brasil 2012, da CPT.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) do regional Acre lançou na manhã da terça-feira (30.4.13), no auditório da Assembleia Legislativa do Acre, (Aleac), em Rio Branco o Caderno de Conflitos no Campo Brasil do ano de 2012, que registra a violência no campo e nível nacional.

O Regional da CPT de Rondônia realizará a apresentação o próximo dia 06 de Maio, em Porto Velho.

Preocupa especialmente na CPT do Acre os planos de manejo de madeira autorizados pela secretaria de meio ambiente, que não respeitam nos licenciamentos as posses dos seringueiros das áreas onde é retirada a madeira, e em muitos casos executam os planos atingindo os igarapés, acabando com as estradas de seringa, castanhais, prejudicando a vida dos moradores que tiram o seu sustento da floresta, e muitos deles acabam sendo expulsos da mesma pela retirada "legal" de madeira.

Também preocupa a acolhida que está sendo dada aos brasivianos, os seringueiros brasileiros que são expulsos da Bolívia, que vem sendo assentados em pedaços ínfimos de terra, onde não tem mais possibilidade de exercer sua experiência extrativista e cultura própria dos povos da floresta. Ainda tem acampados em busca de terra para reforma agrária que estão sendo ameaçados de despejo pelo próprio INCRA, que quer destinar aqueles lotes aos primeiros. 

Segundo os registros da CPT os conflitos por terra mantêm tendência de crescimento, sendo Amazônia palco da maior parte dos registros.Ainda a Comissão Pastoral da Terra do Acre sofreu graves retaliações por causa destas denúncias, tendo a sede no Rio Branco invadida, roubada e destruída diversas vezes no mês de janeiro, e alguns dos seus agentes ameaçados, estando sob proteção da Secretaria de Direitos Humanos, tendo recebido reconhecimento pelo seu trabalho na sido premiados pelo 25º Prêmio Chico mendes, em Rio de Janeiro. (vejam abaixo matéria completa)


LANÇAMENTO DO LIVRO CONFLITOS NO CAMPO BRASIL 2102 NO ESTADO DO ACRE

Cumprindo sua missão e sendo fiel aos povos da terra e das águas, dia 30 de abril no auditório da Assembleia Legislativa do Estado (ALEAC) a CPT Acre realizou o lançamento do Caderno de Conflitos no Campo Brasil 2012. O lançamento do caderno foi um momento impar para a equipe. Contou com a presença das populações tradicionais que na oportunidade denunciam o descaso do governo em fazer reforma agrária, mostrando que os números dos conflitos por terra, nos últimos cinco anos, vêm apresentando uma tendência de crescimento.
Acreditando que “somos da mesma terra e comemos do mesmo pão” os seringueiros se fizeram presentes, denunciando as ameaças, a violência no campo e reivindicando a criação de resexs. Os ribeirinhos a demarcação de suas áreas, os agricultores e acampados a criação de PDSs e PAEs.  
Segundo os registros da CPT os conflitos por terra mantêm tendência de crescimento, sendo Amazônia palco da maior parte dos registros. Ainda a Comissão pastoral da Terra sofreu graves retaliações por causa destas denúncias, tendo a sede invadida, roubada e destruída diversas vezes no mês de janeiro, e alguns dos seus agentes ameaçados.
No Acre e sul do amazonas foram registrados 40 ocorrências, sendo 38 conflitos por terra e 38 ocupações, com 3.310 famílias envolvidas, 16 casas destruídas e 790 ameaças de expulsão. As famílias ameaçadas de despejos perfazem um total de 212 famílias, totalizando 16.550 pessoas envolvidas e 14 pessoas ameaçadas de morte.
Estavam presentes representantes de entidades, ONGs, órgãos governamentais, Secretaria estadual de Direitos Humanos, Prefeitura de Rio Branco, MPE, Procuradoria Agrária, estudantes, deputados e sindicatos.
Os jovens falaram da importância de documentar e partilharam  as dimensões ética, política, científica, pedagógica e histórica do por que documentar.
Após a apresentação dos números nacional e local  o articular da Amazônia Pe. José Iborra falou da violência na Amazônia como um todo. Apresentando os problemas no campo em  Rondônia, Acre,  Maranhão, Tocantins, Amapá e demais estados da Amazônia brasileira. Mostrou que na Amazônia é onde concentra o maior número de conflitos, 489 dos 1067 conflitos no campo, 45,8%. Acrescentando que na Amazônia estão boa parte das áreas envolvidas nos conflitos.
Professor. Dr. Elder Andrade de Paula, da Universidade de Rio Branco, fez uma análise, comentando o que tem por trás dos números. Focando nos grandes projetos para a Amazônia e mostrando que a atividade madeireira, uma das mais destrutivas para a floresta, continua prioritária, sendo a mais lucrativa entre todos os tipos de “manejo florestal”.  É exatamente a “floresta em pé” que viabiliza a chamada atividade madeireira “sustentável”: na última década, a exploração madeireira no Acre aumentou de 300 mil m3/ano para um milhão m3/ano em 2010, cerca de 75% em áreas com “planos de manejo florestal sustentável”, em parte certificada pelo FSC. O resultado, obviamente, é um aumento significativo nas áreas de conflitos, ameaças, degradação e destruição florestal.
Em clima de esperança Cosme Capistano encerrou cantando  “plantar é muito mais profundo engrandece o mundo é uma prece a natureza, quem planta espera  o milagre do pão o pequenino grão inundando a mesa. Por isso estou assim plantando o meu cantinho, comparando um grande rio que subindo transbordou, de alma cheia meu olhar é uma canoa, meu cantar de popa a proa o pão que a terra germinou.
Quem planta espera quem espera um dia alcança todos tem a esperança de um País justo e feliz que a forte crise não traga fome nem guerra nem o empobrecimento do nossa planeta terra.
Assim foi o lançamento do caderno de conflitos no campo Brasil 2012 no Estado do Acre.

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