terça-feira, 9 de abril de 2013

Terrorismo de estado em Teobroma, Rondônia

Barracos queimados pela polícia em Teobroma, RO. foto acampados.
Pouco depois duma semana da reunião de ruralistas em Jaru, Rondônia, numa reunião realizada ontem de agricultores dum ocupação de terra de Teobroma com representantes de diversas entidades de direitos humanos, mais uma vez agentes da CPT RO fomos testemunhas de atos de repressão, tortura e criminalização de agricultores sem terra no Estado de Rondônia, que podemos qualificar de verdadeiro "terrorismo de estado". Barracos e lonas do seu acampamento foram queimados por policiais o passado dia 06 de abril de 2013. Os atos foram denunciados diante de representantes ds CPT RO, CEBRASPO, representantes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Jaru e da OAB de Jaru. Outras informações tem sido divulgadas também pelo site da Resistência Camponesa.

Ocupação e despejo. 
As denúncias primeiro de atos de pistolagem, seguidos pouco depois de prisões, maus tratos e abusos policiais foram relatados por pequenos agricultores membros dum acampamento de Teobroma, município da comarca de Jaru, em Rondônia. Oitenta famílias criaram o Movimento Caponés de Rondônia e ocuparam umas terras abandonadas em Teobroma, criando o Acampamento Fortaleza. 
A posse da terra foi reivindicada judicialmente por Dona Rosa, conhecidas como "viúva do Nenê da Nova Vida", que se clara em posse da Fazenda Seringal. Segundo as informações repassadas pelo movimento, na área em questão, situada na Linha C-45, com extensão de 1.600 alqueires,  existe um litígio com o Banco do Brasil por uma dívida de 5,5 milhões.
Após sofrerem despejo judicial a finais de 2012, eles acamparam com autorização do propietário numa área documentada vizinha. Receberam visita da Ouvidoria Agrária e foram cadastradas pelo Incra um total 62 famílias, sendo que as outras não estavam presentes no dia por estarem trabalhando.

Pistolagem 
Durante este tempo de ocupação e acampamento eles tem sofrido diversos atos de pistolagem, que parecem ser coordenados por um PM, de nome André, genro de Dona Rosa e um filho da mesma, conhecido como Chicau. Alguns dos pistoleiros identificados são conhecidos pelo nome de Davi, Dedinho, Polaco e Cristiano Os jagunços armados abordavam todos os moradores da Linha C-45, tomando documentos pessoais como RG. carteira de Bolsa Família e outros dos que passavam no local e que tinham como suspeitos de estar no acampamento, sofrendo intimidações e ameaças de "serem tocados na bala".
De noite os jagunços ficam alumiando de longe e atirando aterrorizando o pessoal com disparos de calibre 12. Alguns cartuchos tem sido recolhidos como provas.

Impunidade da pistolagem
Três pistoleiros armados escondidos teriam sido descobertos pela PM que dava cobertura ao despejo de finais de ano (28, 29 de novembro de 2012) e presos com 01 espingarda de dois canos de calibre 12, 1 carabina de calibre 38 e 02 revólveres de calibre 38, porém foram liberados pouco depois. Existem rumores, que o Chicau, teria oferecido 5.000 $R por sem terra morto e 25.000 pelo líder do acampamento.

Intervenção do ministério publico
Um Procurador do Ministério Público de Jaru, conhecido como Dr Adilson, que teria participado em reuniões com ruralistas na Casa da Lavoura, a finais de abril, tem intervido também contra as ocupações de terra invocando a preservação do meio ambiente,  apesar de que a área ocupada é uma área desmatada. O procurador teria identificado em público como liderança  uma pessoa conhecida como "Jacami", e no dia seguinte desde a frente da casa dele, em Jaru, foram atirados diversos disparos para o alto.

Detenção e maus tratos 03 sem terra
Um velho de dois menores que estavam fazendo proteção do acampamento, onde tem numerosas crianças, foram surpreendidos pela polícia, e estando dominados e no chão, foram agredidos com chutes e botinadas nas costelas e no corpo, continuando com as agressões foram introduzidos num camburão, onde jogaram gaz pimenta neles, fechando a porta do capô da viatura policial e abrindo apenas por alguns segundos. Vindo um dos detidos deles passar mal, posteriormente foi transferido para outro carro. 
Em todo tempo, sem se identificar, os policiais impediam os detidos de olhar para eles com chutes e pancadas. Posteriormente continuaram os chutes e agressões nos interrogatórios, com tapas na casa, nas costa, e onde foram ameaçados mostrando um punhal, e eram perguntados sobre as lideranças do acampamento. Ainda chegaram a oferecer 5.000 $R para um deles se denunciar os nomes das lideranças.
Depois de detidos foram levados para o médico, sempre acompanhados em todo momento pelos policiais. Todos foram ameaçados de não contar as agressões para o médico, apesar do qual um deles relatou ter sido agredido. O laudo médico teria ficado com os policiais. Reconhecendo os abusos o médico teria falado para os policiais "vocês fizeram coisa errada". Dos três presos, um deles ainda permanece preso por não ter condições de pagar a fiança de três salários mínimos. Os outros dois estão recuperando dos maus tratos sofridos. O Major Plínio é o comandante da PM de Jaru.

Queima de acampamento.
Em, data recente os acampados decidiram ocupar de novo a área e após sair do acampamento, (situado em área documentada, onde tinham autorização do proprietário para permanecer), deixaram os barracos montados e lonas em pê. 
O passado dia 06 de abril de 2013, quatro viaturas policias do COE foram até o local e tocaram fogo em tudo o que tinha no acampamento vazio. Uma família que tinha pertences no barraco viu tudo ser queimado pela polícia.O fato aconteceu sem mandato judicial. A camionete do Chicau teria acompanhado a ação policial (ver fotografias dos barracos queimados). 
Ainda os moradores da região são permanentemente incomodados em blitzs policiais, sendo multados na menor irregularidade, tomando as motos sem documentos e criando um estado de pânico na população vizinha.

Os abusos acontecidos tem sido denunciados por telefone a Secretaria de Segurança do Estado e relatório está sendo enviado para a Ouvidoria Agrária Nacional.

Vejam mais fotografias do acampamento incendiado:











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