domingo, 14 de abril de 2013

Reações sobre os haitianos de Brasileia


Poucas matérias publicadas neste blog de NOTICIAS DA TERRA têm sido mais reproduzidas e têm tido tantas reações e consequências como a de 28.03.13: Haitianos em Brasiléia -AC, vivem situação de violação de direitos humanos, assinada por duas irmãs scalabrinianas e dois professores da Unir, atuando junto à Pastoral dos Migrantes de Porto Velho e junto a Campanha Contra o Trabalho Escravo, na Comissão Pastoral da Terra de Rondônia, que relataram uma visita realizada à cidade de Brasiléia  no estado de Acre. Após uma pormenorizada descrição da situação, o relatório chegou a qualificar que "o quadro nos remete à ideia de “uma senzala em pleno século XXI”. Parece que colocaram o dedo na ferida e mexeram no quintal vizinho. 
Primeiro o Secretário acriano de Estado de Justiça e Direitos Humanos, Nilson Moura Leite Mourão, escreveu reclamando do relato ao Arcebispo de Porto Velho, Dom Esmeraldo Farias, que faziam tudo o possível e mais para atender a avalancha de migrantes.
Depois, o próprio secretário e o governador do Acre procuraram os grandes meios de comunicação, reconhecendo que realmente a situação estava fugindo de sua capacidade, e tratando o assunto como surto de imigração  o governador Tião Viana decretou estado de emergência social: "O decreto é de um grito de alerta de que a situação chegou ao limite. Transbordou o suportável e nós precisamos de ajuda, e do papel institucional e constitucional do Governo Federal numa questão dessa gravidade. O governo do Acre já assumiu R$ 3 milhões em gastos. A União nos ajudou com R$ 600 mil, mas nós precisamos de uma medida definitiva", diz o governador.
Ainda o senador Jorge Viana clamou publicamente pela atenção dos ministros e demais autoridades nacionais. "De acordo com Jorge Viana, há 1.300 imigrantes ilegais em Brasiléia, o que representa perto de 10% da população da cidade. Eles estão alojados de maneira precária e dispõem de pouca comida. O senador teme que haja episódios de violência tanto entre os imigrantes e os moradores quanto entre os próprios estrangeiros".
Finalmente, foi formada uma equipe interministerial e uma força-tarefa para acolher, atender, regularizar e encaminhar os imigrantes", relata o jornalista Altino Machado "Em busca da Brasiléia prometida"
O ministro Gilberto Carvalho acabou declarando que precisa também "conversar" dos países vizinhos: Peru. Bolívia que deixam passar os haitianos de caminho para o Brasil. “É claro que isso também vai nos levar a entendimento com os governos dos países vizinhos, como é o caso do Peru e da Bolívia. Nós precisamos fazer um acordo para que haja um mínimo de cuidado também no uso desses países como corredor de chegada ao Brasil”, explicou Carvalho. Ele disse, no entanto, que “o Brasil não pode ser um Estado que rejeita imigração”.
Esta semana houve um ataque da polícia marroqui a um numeroso grupo de africanos que pretendia entrar na Europa pelo estreito de Gibraltar, nas proximidades de Melila. No Brasil vamos pelo mesmo caminho? 
No Haiti já foram esquecidas as tentativas de reconstrução? O que mais o povo e a Igreja (lembremos que lá faleceu Zilda Arns, da Pastoral da Criança; lembremos dos grupos solidários da Via Campesina), o que mais os brasileiros, (além de tropas "pacificadoras"), podemos fazer lá para que os haitianos não precisem sair do seu país? 

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