sexta-feira, 5 de abril de 2013

Porto Velho: Comunidade ribeirinha protesta e clama por socorro as autoridades

Mais de cem pessoas, moradores do Distrito de Calama, comunidade ribeirinha do baixo madeira no municipio de Porto Velho, protestaram nas ruas da capital pedindo socorro para a calamidade em que se encontra a comunidade.

A matéria foi divulgada pelo jornal Diário da Amazônia -05 de abril de 2013.

Moradores de Calama pedem socorro


foto: Roni Carvalho/diário da Amazônia


Com o grito de “Calama, Rondônia, Brasil”, um grupo de cerca de 100 moradores do distrito de Calama percorreram as ruas centrais de Porto Velho na manhã de ontem, para chamar a atenção e pedir apoio para a rápida queda do barranco que afeta um grande número de casas do distrito, ameaçando a área mais antiga da vila. “A nossa história não pode desaparecer”, disse um morador, referindo-se ao perigo de desabamento da igreja – da década de 1940 -, do casarão construído pelo família Rochilmer Rocha, bares, restaurantes e outras casas antigas da comunidade que existe há cerca de 300 anos. O desbarrancamento já está comprometendo os acessos à escola e ao posto de saúde e provocando sérios riscos à segurança dos moradores, de acordo com os manifestantes.



Eles partiram de barco ao meio dia de quarta-feira do distrito e chegaram na manhã de ontem ao porto do Cai N`Água. A distância de Calama até a Capital é de 200 quilômetros pelo Madeira. Do porto, seguiram em passeata até o palácio do Governo do Estado e depois para a prefeitura. Na frente do palácio, foram atendidos pelo chefe da Casa Civil, Marco Antônio de Faria, que recebeu um ofício da Associação dos Extrativistas do Baixo Madeira, fotografias dos locais afetados pela erosão e um abaixo-assinado. Na prefeitura, os manifestantes conversaram com o prefeito Mauro Nazif.



Não é a primeira vez que os moradores de Calama fazem manifestação em Porto Velho para pedir ajuda contra o desbarrancamento. “Já ouvimos muitas promessas e queremos ações concretas”, afirmou o presidente da associação, Áriston Santos Santana. “Só fazer relatórios, fotografias e filmagens não adianta. Precisamos de medidas urgentes”, afirmou.



Defesa Civil aguarda posicionamento de brasília



No último mês de março, o coordenador da Defesa Civil do município de Porto Velho, coronel Pimentel, fez uma vistoria no desbarrancamento registrado em Calama e também no distrito de São Carlos, para verificar a situação das duas comunidades “que sofrem sérios riscos com a rápida erosão”. O problema foi comunicado à Defesa Civil Nacional em Brasília, com a solicitação da presença de técnicos que possam avaliar a situação e indicar uma saída para o problema. O coordenador acredita que será necessária a construção de um muro de contenção para resguardar a área mais antiga do distrito.



O desbarrancamento das margens do rio Madeira é um fenômeno típico da região, conhecido como ‘terra caída’, mas ultimamente tem se mostrado mais intenso, segundo os moradores. E na medida em que está avançando passou a ser uma ameaça para a antiga comunidade. Eles manifestam a desconfiança de que as operações feitas na hidrelétrica de Santo Antônio possam estar afetando o rio e aumentando a erosão. A hipótese é rechaçada pela empresa responsável pela usina, que alega a distância do empreendimento – que é de cerca de 200 quilômetros.



Sossego e beleza



O distrito de Calama está localizada no ponto em que o rio Calama deságua no Madeira, na divisa do estado de Rondônia e do Amazonas. A comunidade tem cerca de 300 anos. De acordo com a administradora do distrito, a pedagoga Priscila Pantoja, Calama tem uma população aproximada de 5 mil habitantes, dividida em seis vilas. A principal, e mais antiga, é onde o desbarrancamento é mais acentuado. A população do local vive da pesca, da agricultura familiar e do extrativismo. Nos finais de semana e feriados é grande o número de visitantes que vão à localidade em busca do sossego, acolhimento e belas paisagens. Os moradores não admitem sair do local e temem pelo fim do pequeno paraíso. É o que garante o aposentado Aristides Braga, “filho do lugar”.



Mas nem tudo é paz e beleza em Calama. Além do desbarrancamento rápido do rio, os moradores enfrentam problemas como a falta de água encanada e a necessidade de melhorias nas escolas e no atendimento médico. Outra reivindicação antiga é a coleta de lixo, que não é feita pela prefeitura. “Os moradores se viram como podem. A maioria queima o lixo no quintal, o que não é bom para a saúde das pessoas e nem para a natureza”, afirma a administradora.



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