quinta-feira, 4 de abril de 2013

Morte supeita por conflito agrário de Vilhena


Em ação rápida PM prende suspeito de matar empresário vilhenense
Foto do falecido Duilio Duarte,
de autoria de Carlos Franco, em vilhenanoticias

Fontes recebidas pela Comissão Pastoral da Terra confirmaram o envolvimento em conflito agrário de Duilio Duarte, corretor de imóveis assassinado a quarta feira dia 03 de abril de 2013 em Vilhena. O falecido era o requerente de uma área de terra da qual foi despejada os agricultores da Associação Canarinho.

Cobrança de dívida. Já o suposto assassino preso, Vanildo de Souza Santos, 22, que alegou trabalhar numa fazenda plantando eucalipto, teria afirmado que tinha cometido o crime porque Duilio lhe devia R$ 50 e quando foi cobrar a vítima, Vanildo teria sido agredido pelo empresário. “Ele me deu três tapas na cara e eu não gostei”, contou. O acusado alega ter agido por defesa: “Quando ele me viu levou a mão na cintura, como se fosse sacar uma arma, aí eu me defendi”, teria relatado.

Duarte estava envolvido em área de conflito agrário. Notícias publicadas por Notícias da Terra em 12 de janeiro de 2012,  confirmam que Duilio Lourenço Duarte tinha pedido a reintegração de posse duma área ocupada por 75 famílias do Acampamento da Associação Canarinho, localizados no Setor 12, Lotes 42 e 52 da Gleba Corumbiara, em área abandonada faz anos. A reeintegração pedida por Duílio Lourenço Duarte apresentava apenas documento de compra venda tendo como vendedor o Banco Santander Brasil acima dum título provisório de CATP, sem constar nenhum registro do imóvel no cartório de Vilhena, apesar do qual foram despejados do local.

Pistolagem na área. A Associação Canarinho tinha denunciado na época sofrer atos de pistolagem em dezembro de 2011, quanto tres homens encapuzados armados intimidaram mulheres e crianças acampadas, atirando para cima e queimando um barraco com todos os pertences, no dia 03/12/11. No dia depois do Natal, em 26/12/11, uma ponte que dá acesso ao local, na Linbha 135 foi derrubada, isolando os acampados. O único benefício existente no local antes do acampamento era a mata queimada e a extração clandestina de madeira.

Ponte destruída na Linha 135 de Vilhena o dia depois de Natal, para isolar acampamento de sem terra.

Nova ocupação em setembro de 2012.  Segundo outra informação publicada por Notícias da Terra, quarenta famílias de camponeses da Associação Canarinho realizaram uma nova ocupação pacífica de terras no Lote 52, setor 12, da Gleba Corumbiara, situado na Linha 135. Na mesma área que já tinha sido palco de reivindicações para reforma agrária, sendo que o grupo informou estar tentando cadastro no INCRA e pedindo a regularização do local como asentamento, assim como o cadastro oficial de Acampados pela Reforma Agrária.

Despejados um mês mais tarde. Mais um despejo aconteceu no dia 07 de novembro de 2012, segundo notícia publicada pela NOTÍCIAS DA TERRA de 15 de novembro de 2012. Na reintegração de posse do Acampamento Canarinho foram presos quatro trabalhadores rurais que estavam no local. Apesar de que na área questionada existia o encaminhamento duma vistoria a ser realizada pelo INCRA. Também a responsável de regularização fundiária da Secretaria de Estado de Agricultura de Rondônia (SEAGRI), Ednéia Guzmão, estava trabalhando para negociar com o Banco Santander, empresa que tinha a penhora do imóvel, questionado na justiça pela a Imobiliária Duarte, do falecido Duilio Duarte. No despejo aconteceu o dia 07/11/2012, com uma ação da polícia militar onde houve destruição e queima das moradias das pessoas que ali viviam, que já estão acampadas na região há mais ou menos dois anos.

Restos das moradias após o despejo e destruição das casas.
Acusações contra os acampados. Além de rumores sobre venda de terras da área por parte do corretor, segundo a Folha do Sul Online, um colega de profissão de Duílio, que não quis ter seu nome divulgado, disse que, na semana passada, "ele teria batido boca com um grupo de sem-terra que havia invadido sua propriedade".
Ainda outras posíveis motivações.  
Segundo outras informações citadas pela Folha do Sul, por trás da morte estaria o suposto envolvimento do corretor com a mulher de um detento que cumpre pena no presídio de Vilhena. Vanildo, que foi libertado do estabelecimento prisional há 20 dias, teria sido incumbido de vingar a suposta traição.

 

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