quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Insistem na Usina de Ribeirão, em Guajará Mirim.

O rio Madeira na Cachoeira do Ribeirão ,
em Nova  Mamoré, Rondônia. Foto cpt ro


Encontro binacional realizado em Guajará Mirim (Brasil) e Guayará Mirim (Bolívia) invocou o Tratado de Petrópolis, de 1903, para justificar a construção da Usina binacional do Ribeirão, em Nova Mamoré, e de Cachuela Esperança (Rio Beni, em território boliviano), a terceira e quarta grande hidroelétricas projetadas no Complexo do Madeira, e insistiu na construção das enclusas para barcos nas Usinas de Santo Antônio e Jirau. 
Este projeto de construção das enclusas foi descartado no projeto de construção das duas primeiras usinas do Madeira. Também a construção da barragem do Ribeirão em Nova Mamoré, foi vetado do orçamento pela presidenta Dilma em 2012.
O novo propagador da empreitada é o diretor-presidente da Sociedade de Portos e Hidrovias do Estado de Rondônia (Soph), Ricardo Sá, em palestra no  Seminário do Consórcio Binacional para Integração e Desenvolvimento Sustentável entre Brasil e Bolívia, dos dias 22 e 23 de fevereiro de 2013, pretendendo a ampliação da Hidrovia do Madeira aproximadamente em 400 km.
Os barcos procedentes de Manaus e do Amazonas somente conseguem chegar até Porto Velho, pela existència natural entre esta cidade e Guajará Mirim de 19 cachoeiras impedindo a navegação pelo rio. Em duas delas (Cachoeira de Santo Antônio e Cachoeira do Caldeirão do Diabo) é onde hoje está se construindo as barragens de Santo Antônio e a impropiamente chamada Usina de Jirau (a cachoeira de Jirau ficava mais acima, onde inicialmente tinha se projetado a barragem). Algumas das cachoeiras mais emblemáticas, como a Cachoeira do Teotônio, já desapareceram com o alagamento da barregem de santo Antônio, condenando os meios de produção da comunidade existente, que vivia basicamente da pesca de peixe.
O Tratado de Petrópolis (acordo que anexou o Acre ao Brasil), que autorizava a navegação boliviana em rios brasileiros, já deu origem cem anos atrás a catastrófica construção da Estrada de Ferro Madeira- Mamoré, para escoamento da borracha produzida na Bolívia pelo Rio Madeira. Quando finalmente construída e em funcionamento a estrada de ferro(após três emprendimentos falidos, milhares de mortes de trabalhadores e extinção de indígenas), o preço internacional da borracha já tinha caído e a estrada de ferro sempre foi economicamente inviável, ficando algumas décadas depois abandonada, até hoje.

É claro que o citado "desenvolvimento" proposto agora pela construção das usinas e das enclusas é a expansão do agronegócio e da mineração, que em nada devem beneficiar as comunidades tradicionais locais, com a consequente expansão da devastação provocada entre pequenos agricultores, indígenas, ribeirinnhos e as florestas amazônicas do Brasil e da Bolívia.

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