terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Seagri, o PT sai os ruralistas entram

Evandro Padovani com Anselmo de Jesus atrás. Foto hojerondonia.
Após a saída de Anselmo de Jesus e do PT do governo do estado, Confúcio deu um giro de 90º na Seagri e na Emater nomeando na secretaria de estado de agricultura um representante dos ruralistas. A agricultura familiar sai, entra o agronegócio das monoculturas e do veneno.
Em entrevista do dia 27 de dezembro de 2102, Confúcio Moura confirmou a nomeação do presidente do sindicato patronal dos Produtores Rurais de Vilhena e Chupinguaia, Evandro Padovani, como o novo secretário de Estado da Agricultura (Seagri). Padovani é uma das caras mais conhecidas no estado da CNA (Confederação Nacional de Agricultura). Anselmo de Jesus (PT), irá assumir a vaga de Mauro Nazif (PSB), prefeito eleito de Porto Velho, como Deputado na Câmara Federal.
A região de Vilhena e Chupinguaia, no sul de Rondônia, é um dos lugares de maior avanço do agronegócio da soja e dos grãos mais avança dentro da Amazônia, expulsando os pequenos agricultores. Também é a região de Rondônia com maior índice de ruralistas flagrados com trabalho análogo a escravidão. Também na região boa parte dos pequenos agricultores continuam sendo posseiros sem título de terra e muitos deles sofrem pressão de jagunços e na justiça para abandonar as terras.  
Com este cenário de fundo, a relação entre o sindicato dos pequenos agricultores e os grandes proprietários virou uma perigosa confrontação, e estes últimos sempre contaram com o apoio de Confúcio Moura (PMDB) e da polícia civil com a prisão do presidente do sindicato STTR, Udo Wahlbrink, um vereador de Chupinguaia e outros pequenos agricultores azedou a relação entre PT e governo do estado.
Com a posse de Padovani, na SEAGRI, Flávio Ribeiro no INCRA, e Fávio Fava no Terra Legal, e Marcelo Henrique na Emater,  o PMDB continua a escalada por novos aliados e pelo poder acima do PT no campo de Rondônia, num momento em que mais avançou a regularização fundiária, com mais de 14.000 imóveis já foram georeferenciados e prontos para serem titulados, esperando só o ano eleitoral.
Segundo a assessoria do Deputado Padre Ton, a decisão da Executiva Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT)de deixar o governo Confúcio Moura caso não permanecesse com as mesmas pastas que administra até agora – Seagri, Emater e Idaron - é acertada, na opinião do deputado federal Padre Ton (PT-RO), destacando que essa posição havia sido acordada entre os integrantes do Diretório Estadual no dia 11 de novembro. 
A saída do partido do governo Confúcio Moura (PMDB) foi oficializada ontem (26) numa conversa entre a presidente da legenda, prefeita eleita de Jaru, Sonia Cordeiro, e o governador que em telefonema à Sônia disse que pretende favorecer deputados estaduais com os cargos. 
“No PT nós decidimos de forma coletiva. E no dia 11 de novembro, após discussão, acordamos que permaneceríamos no governo se continuássemos na gestão daquelas áreas. E o que se passou é que o governo, depois de uma crise com a Assembleia, desenha um caminho perigoso que é dividir o governo dele, lotear individualmente seu governo, nas relações que procura agora manter com o parlamento estadual”, afirma Padre Ton, enfatizando que, em sua opinião individual, o PT já deveria ter deixado o governo há mais tempo. 
O deputado conta que muitos no partido foram surpreendidos, por exemplo, com a nomeação da secretária de Estado de Esportes por indicação da deputada estadual Epifânia Barbosa. “Ela negou ter feito essa indicação”, diz, mas o fato demonstra o curso de uma conversa individual, uma ação política que “não pode ser admitida no PT”. 
“Penso também que o governo estadual já chegou à metade da gestão e infelizmente não disse até agora a que veio. Acho que existem promessas, ações que caminham devagar”, diz o deputado, considerando ainda que seu partido vive “momento crucial” devido às denúncias que se abateram sobre a gestão de Roberto Sobrinho na capital.

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