domingo, 2 de dezembro de 2012

Velório do Paraíba: Entre a revolta e o perdão

Velório de corpo presente do Orlando Pereira Sales,  o Paraíba,
vítima da violência em conflito agrário em Rondônia. foto cpt ro
Ontem dia 01 de dezembro de 2012, houve no Assentamento Chico Mendes, o velório e funeral de Orlando Pereria Sales, o Paraíba, que tinha sido assassinado em Nova Brasilândia o dia 29 de novembro.
Além de parentes e amigos, alguns deles vindos de longe, estavam presentes representantes da CPT RO e conhecidos da luta pela terra de outros assentamentos.
No dia anterior a morte dele tinha sido lembrada em Audiência Pública sobre a Reforma Agrária no Senado Federal, em Brasília.
Antigos companheiros do MST do assentamento, onde o Paraíba tinha recebido um lote como assentado pela reforma agrária, colocaram uma bandeira do movimento acima do seu corpo e lembraram a contribuição decisiva do mesmo para a conquista da terra, para as famílias de camponeses que hoje moram no lugar e em outros assentamentos vizinhos.
Dona Maria, mãe do Paraíba, que andava com ele voltando da roça onde tinha ido trabalhar e estava apresente na hora do homicídio, testemunhou como depois de ver o seu filho atingido por um tiro de espingarda, tinha chegado a pedir ainda para um dos assassinos: "Tira minha vida, porém não tira a vida do meu filho. Porque vocês estão fazendo isso?" E para os presentes no velório implorou para ninguém ceder a tentação da vingança: "Eu imploro: Por nada deste mundo, meus amigos, minhas amigas, por nada deste mundo, por nada, ninguém derrame o sangue dum ser humano. Precisamos estar unidos para gente lutar, Deus darmos força e unidos conseguir nossa terra. Porém por nada deste mundo, nada, ninguém pode derramar sangue humano".
A esposa do Paraíba, em recuperação dum grave atentado, e ainda precisando de cirurgia, puxou um dos cantos preferidos compostos pelo Paraíba: "Igreja Amada". 
Após outras palavras de despedida e orações, a encomenda do falecido se realizou na Igreja Matriz Católica de São João Batista, em Presidente Médici, antes de sepultar seu corpo no cemitério da cidade.

"Quando se falta consciência, se vende, se cala, tem que ir pra luta e saber o que quer" Paraíba. 23/05/12 - Ariquemes, encontro da CPT.

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