terça-feira, 16 de outubro de 2012

Consumo consciente de alimentos

Mostra de produtos do Projeto Terra sem Males. 


A organização de desenvolvimento Oxfam reúne recomendações práticas em cinco tópicos de atuação para que o consumidor possa ajudar a promover a sustentabilidade no campo e na mesa da cozinha. Entre eles o apoio ao pequeno produtor, como comprar do comercio justo e da economia solidária, comprar alimentos na feira ecológica, e valorizar quem produz.
Não é fácil ser consumidor em tempos de sustentabilidade. São muitas as implicações de cada escolha e as alternativas nem sempre são evidentes. No terreno da alimentação, o elo do consumo se entende para impactos ambientais, comércio justo, inclusão social, saúde. Mas todo esse mosaico de relações está um pouco mais claro e prático neste 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, quando a Oxfam lança no Brasil o Desafio Cresça, parte da campanha internacional de mesmo nome.
Na página da campanha no Facebook (facebook.com/CampanhaCresca) o público encontrará o aplicativo do desafio que oferece diversas sugestões de medidas práticas, bem como receitas, informações sobre alimentos da terra e da estação, entre outros conteúdos permanentemente atualizados.

“São princípios simples, como reaproveitar sobras das refeições, comprar em feiras de produtores agroecológicos e consumir alimentos da época. Muitos deles já são, inclusive, seguidos pelos consumidores. Nossa intenção era criar um lugar de convergência, onde muitas ações se encontram – todas debaixo dos mesmos princípios”, comenta Muriel Saragoussi, coordenadora de campanhas da Oxfam.
O desafio se organiza em cinco tópicos de atuação - ou princípios - que constam da publicação A Transformação Alimentar: Utilizando o Poder do Consumidor para Criar um Futuro Alimentar Justo, lançada também pela Oxfam, em julho, no Brasil. São eles:
-Desperdício: Estima-se que cerca de um terço dos alimentos em todo o mundo são desperdiçados no caminho entre a produção e o prato. O aplicativo sugere formas de planejar as refeições semanais de modo a evitar que a comida estrague. As dicas incluem colocar etiquetas nos alimentos com a data de validade bem visível, não ter vergonha de pedir as sobras para viagem em um restaurante e plantar os próprios temperos, o que faz com que o consumidor só utilize o necessário de um alimento sempre fresco.
-Apoio ao pequeno produtor: Cerca de 80% dos alimentos na mesa do brasileiro são oriundos da agricultura familiar. Apesar disso, os habitantes das grandes cidades raramente têm a oportunidade de conhecer esses agricultores, o que pode criar a impressão de que a base de produção alimentar no País é o agronegócio. A campanha sugere que consumidor dê preferência a produtos com o selo de comércio justo, sempre que possível, mas acredita que o mero hábito de frequentar feiras em que os próprios agricultores vendem suas safras já ajuda a romper coma separação entre consumidor e produtor e cria oportunidades de mercado para modelos produtivos menos impactantes.
-Sazonal e regional: Aqui a dica é não apenas atentar para alimentos da estação, mas também aqueles que são próprios de cada região. Ambos os fatores influenciam a quantidade de insumos químicos e de energia necessários para produção, comercialização e transporte. A mandioca, por exemplo, tão afeita às condições biofísicas do Brasil, pode ser produzida livre de agrotóxicos. Já o trigo, do pãozinho e do macarrão, é característico de outras regiões do planeta e demanda mais intervenção no solo. O Brasil é o maior importador mundial de trigo.
-Cozinha eficiente: Refere-se principalmente ao uso racional de energia e água. A panela de pressão, às vezes cercada de temor folclórico, é um dos utensílios mais eficientes que uma cozinha pode ter. Outras ideias passam por panela de pedra ou de fundo chato, uso do forno para mais de um preparo por vez, atenção para a quantidade de água necessária etc.
-Novos sabores: Sabe-se que uma dieta inteiramente vegetariana pode ser inaceitável para boa parte da população. Por isso o Desafio Cresça propõe apenas a redução do consumo de carne, por exemplo, em um dia por semana. A página na internet oferece diversas receitas vegetarianas para aqueles que desejarem experimentar novos sabores. A produção mundial de carne é um dos fatores de maior pressão sobre os recursos naturais. Um quilo de matéria seca de frango, por exemplo, demanda 11 quilos de ração, composta de grãos. E a produção de um quilo de grão requer, em média, 500 mil litros de água.
Por fim, o Desafio Cresça não foi constituído para ser um espaço unilateral de informações, mas para promover a convergência de uma comunidade de pessoas e organizações interessadas em influenciar o sistema de produção e distribuição de alimentos.
Para isso, o projeto conta com parceiros como Segunda Sem Carne, Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC), Banco de Alimentos, o movimento Slow Food, entre outros, cuja produção de conteúdo informativo será continuamente compartilhada. O modelo interativo de redes como Facebook e Pinterest estimula o público a dividir suas próprias ideias para uma alimentação mais sustentável.
Fonte: vitaecivilis

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