sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Delegado e Policiais Civis de Rondônia afastados.

Chacina de Buritis: Movimento pacifico em Ouro Preto pede Justiça para os acusados da barbárie
Manifestação chegou a ser realizada contra o afastamento dos supostos torturadores. Foto: noticias 190.com
Um delegado e dois policiais civis de Ouro Preto do Oeste foram afastados de seu cargo. O fato está relacionado com as supostas torturas denunciadas pelas Notícias da Terra em 25/6/12. 
As torturas teriam acontecido após um agricultor de Buritis, Adimar Dias Souza, ser preso acusado de participar da Chacina de Buritis, do dia 05 de abril de 2012.
A chacina resultou na morte de um policial civil, um agente penitenciário, um taxista e um comprador de gado de Ouro Preto do Oeste. O grupo poderia estar envolvido em receptação de gado roubado na região e os agentes públicos fazendo segurança na ação. 
Notícias sobre a detenção já tinham informado da passagem de Adimar pela cadeia pública da cidade de Ouro Preto, após a detenção por membros da COE de Cacoal. Somente mais tarde ele foi encontrado em estado lamentável no hospital Joâo Paulo II.
Delegado e policiais civis afastados.
Segundo o Ministério Público de Rondônia, o afastamento atendeu pedido do Promotor de Justiça Márcio Giorgi Carcará Rocha, que segundo o MP RO argumentou que "a permanência dos acusados em sus funções, durante o transcorrer da ação penal, poderá prejudicar a colheita de provas".  Segundo o Ministério Público, o delegado Cristiano Martins Mattos e os policiais civis Fernando dos Anjos Rodrigues e Eliomar Alves da Silva Freitas torturaram o preso Adimar Dias de Souza.
As supostas torturas.
Segundo o MP o grupo de policiais teria recebido Adimar Dias de Souza logo após sua prisão, na saída de Ouro Preto, nas proximidades do morro Embratel. "Ocorre que a prisão da vítima foi efetuada no Município de Novo Horizonte, sem que fosse feito qualquer comunicado às autoridades competentes daquela cidade. De acordo com testemunhas, o preso foi entregue ao grupo de policiais em perfeito estado físico, comunicando-se normalmente. Ocorre que momentos depois foi encaminhado, já desacordado e convulsionado, ao Hospital Municipal. Posteriormente a vítima foi levada do hospital a Casa de Detenção de Ouro Preto em estado comatoso. Somente após sair do estado em que se encontrava, a vítima relatou ter sido torturada, estando hoje com a fala e locomoção comprometidas"
Atividade policial suspeito
Segundo o MP RO "Ao deferir o pedido de afastamento, o juiz Haruo Mizuasaki destaca que as denúncias que pesam contra o grupo tornam o exercício da atividade policial suspeito e colocam em risco a própria legitimidade de suas ações frente a segurança pública". O juiz determinou a transferência do grupo para outra delegacia e ordenou o afastamento de suas funções pelo prazo de 180 dias ou enquanto durar a instrução criminal". 
Reação contra o afastamento.
Após a notícia do afastamento do delegado e policiais civis de Ouro Preto, diversos comentaristas criticaram a ação da justiça de afastamento do delegado e policiais, pois "A chacina em questão, onde cinco pessoas foram covardemente assassinadas, no município de Buritis, o Dr. Cristiano Mattos e sua equipe trabalharam durante dias, sem dormir e fazendo apenas uma refeição por dia, até chegar a todos os culpados, que por força da lei, os mandantes foram soltos logo nos primeiros dias e estão respondendo pelos brutais homicídios em liberdade. Assim que soube da tragédia, o delegado DR. Cristiano Mattos juntou sua equipe e usando os próprios meios, se deslocaram até Buritis, onde em menos de 36 horas elucidou todo o caso."
Manifestação em Ouro Preto.
Uma manifestação chegou a ser realizada frente ao Ministério Público de Ouro Preto, ontem, dia 13 de setembro de 2012, em defesa do delegado e dos policiais afastados. O ato foi organizado pelas famílias das vítimas da Chacina de Buritis. Eles reclamaram também que os dois mandantes dos crimes, Gesulino Castro e sua mãe Meire Rosângela Travagini Castro  estariam soltos após a defesa conseguir alvará de soltura. Segundo a defesa, após três meses de prisão, anda não tinha sido apresentada denúncia contra eles. 
Manifestação contra afastamento de delegado. Foto Noticias190.com

Polícia Civil de Ouro Preto suspeita de outros abusos.
Não somente na suposta tortura do preso  Ademir, tudo indica que teria havido "excesso de zelo" das autoridades policias de Ouro Preto. Outros excessos parecem estar relacionados com vingança do companheiro policial civil morto. Fontes da Liga dos Camponeses Pobres acusam aos policiais civis da mesma cidade de estar envolvidos na morte do professor Renato. Quatro dias depois da chacina , a região de Buritis estava tomado por tropas policiais de todo o estado, reforçando a investigação do ocorrido: "No dia 09 de abril foi assassinado em Buritis o professor Renato Nathan Gonçalves Pereira. Relatos de moradores e amigos levam a crer que Renato tenha sido executado com três tiros na cabeça por policiais civis de Ouro Preto do Oeste quando teria sido abordado numa blitz noturna em uma estrada da região de Jacinópolis. Nenhuma perícia foi feita no corpo de Renato, assim como nenhum esforço foi feito para encontrar os responsáveis de sua morte".
A casa do falecido arrombada por policiais
Num intento de criminalização do professor assassinado, policiais arrombaram a casa dele e apreenderam como se fossem armas livros, panfletos um GPS  e outros objetos, acusando o professor Renato de terrorista. Em mais um intento de criminalização dele e da LCP, o nome dele foi relacionado com o de Sebastião Cícero Sousa e Silva, o Tiaozinho, um dos mortos na chacina acusado de ser pistoleiro, por morar vizinho ao sítio do professor. Segundo a citada fonte do site Jaruweb Comandante do 7o Batalhão da BPM Tenente Coronel Ênedy também esteve em Buritis no arrombamento.
“PROFESSOR” DA LCP É ASSASSINADO EM BURITIS, POLÍCIA APREENDE MATERIAL COM TÁTICAS DE GUERRILHA
Fotografia do arrombamento irregular por policiais da casa do professor Renato após o assassinato. Foto Rondoniavip.
"O estado não pode ficar refém de bandidos"
Por nossa parte, pedimos que todos os crimes da região de Buritis  sejam esclarecidos, os da chacina de abril de  supostos receptadores de gado roubado, e assim também o crime do Professor Renato.
E parabenizamos  a atuação contra a tortura promovida no Ministério Público pelo procurador público Márcio Giorgi Carcará Rocha, assim como a decisão do juiz Haruo Mizuasaki de afastamento dos supostos torturadores.
Como dizia uma das faixas, "O Estado não pode ficar refém de bandidos".  Nem que estejam com farda. 
Manifestação de Ouro Preto. Foto: Noticias190.com





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