terça-feira, 25 de setembro de 2012

Candidatos endinheirados navegam em céu de brigadeiro em Rondônia.

Xico Nery
Manaus (AM) – Parece haver consenso entre corruptos e corruptores nas cidades rondonienses no período do “antes e durante” das eleições que se avizinham ao dia 7 de outubro vindouro. E, seqüencialmente, entre corruptores e corrompidos haja vista o tamanho do derrame de dinheiro (não) “declarado” pelos candidatos.
Não é o só os com dinheiro que, vez ou outra, que fazem bom ou mau uso das “brechas” da legislação para atrair potenciais eleitores, não! O sem e ocom dinheiro, obviamente, poderiam ser apanhados. Porém, o aparelho policial rondoniense ainda não deu às caras para conter os maus candidatos e candidatos maus – como deveria.
Outro dia, forças federais detiveram e prenderam um “candidato arraia-miúda”. Logo fora solto! Enquanto isso, o derrame de dinheiro advindo de grupos políticos e econômicos que já governaram este Estado corre à solta. No domingo 23, cerca de três mil veículos do candidato “Sêo Português” exibiram, pelas ruas da periferia, a cor de parte dos R$ 10 milhões declarados à Justiça. Obviamente, todos abastecidos com dinheiro de seus condutores.
- Uma gracinha a carreata-bonde, a dele, ironizaram potenciais corruptores de grupos menores. Eles deixaram escapar essa pérola: “Queríamos ter pelo menos 10% dessa diarama toda”, disseram. Mesmo correndo o risco de alguém do grupo vir a ser preso, em um cochilo durante a prestação de contas à Justiça.
“Sêo Português” declarou R$ 10 milhões. Afinal, estaria ou não sob as asas dos ex-governadores Ivo Narciso Cassol (PP), José Aparecido Cahulla (PPS) e de outros bam-bam-bans de conhecidos conglomerados econômicos que atuaram com desenvoltura na gestão do pupilo José Genaro à frente da SEFIN (Secretaria de Estado das Finança)?.
No passado recente, teria sido dele a ordem para demitir um fiscal que autuou - e fora demitido - no Porto da Balsa, o filho do vice de Português. À época, o caso não foi bem explicado. Nem o Sindicato dos Auditores teria se manifestado, plenamente. (continua)

Isso o que é? Claro que se trata de abuso de autoridade, nepotismo e outros crimes ainda a serem tipificados. Uma pena que a mídia beiradeira – a que quer mandar em tudo – não deu a notícia. O melhor exemplo da mídia mundial é ainda o Wiki Leaks que divulga tudo sobre mais observações das políticas (externas e internas) de países poderosos como a Inglaterra e Estados Unidos.
Isso é compromisso com a sociedade civil, ou não? Mas voltemos ao tema “Corruptos, Corruptores e Corrompidos. Pois bem...
Dinheiro declarado ou não, sujo ou mal lavado, o que importa é que os tubarões da política rondonienses continuam navegando em céu de brigadeiro. Na verdade, eles se acham intocáveis, senão! E ao ponto de, no Vale do Guaporé e em no seu entorno, serem protagonistas da varredura de Terras Indígenas (TI), além de senhores dos garimpos do Rio Roosevelt e potenciais afrontadores da mãe Natureza à cata de rios e cachoeiras. Isso não pode!
Contudo, sabe-se, no entanto, que, “Sêo Português” declarara R$ 10 milhões, mas que só teria R$ 4 em patrimônio. Então, de onde viria o dinheiro para essa gastança tão visível, mas turva aos olhos de um Ministério Público tão atuante, como o rondoniense? Por que ninguém quer ver tudo isso? Afinal, trata-se de um acinte aos contribuintes honestos.
Brilho, extâse, pão, carne, leite e mel é o quadro diário que ronda os bunkers políticos do “Sêo Português” nos quatro cantos da cidade. Cabos eleitorais, formiguinhas, assessores, marqueteiros, postos de gasolina, candidatos e eleitores arrebanhados nos bolsões de miséria, todos recebem em dia porque são bem pagos. E precisam de dinheiro. Enquanto isso, os caminhões do “Português” cruzam as fronteiras de Rondônia e Amazonas. E secos, por sinal.
Pois é, quanto vale o silêncio de alguns dos muitos que acreditam no exercício da cidadania e na força da caneta dos que representam, pelo menos, a deusa Minerva?
Xico Nery é Produtor Executivo de Rádio, Jornal, Televisão, Repórter Fotográfico de Agências Nacionais e em Países Bolivarianos e Andinos.        

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